12 agosto, 2017

Ser Budista é caro?

Ouço com frequência que praticar no Budismo é caro. Que retiros são para quem tem dinheiro. Que mesmo uma palestra com monja Coen é só para quem pode. 

Eu mesma já pensei assim, mas mesmo tendo dificuldades no início, eu juntava o que tinha. Ia atrás da grana. Para ir no meu primeiro retiro fora da cidade, eu vendi meus livros e cds. 

Então esse papo de que o Budismo é para ricos evidencia um hábito tão nosso de querer as coisas de graça, ou por valores mínimos. Fomos acostumados assim, não é nossa culpa. Mas nos esquecemos que o "de graça" não existe. Se vou numa peça com entrada gratuita é porque alguém pagou pela produção. Em geral há recurso público. Recurso público vem de impostos pagos por todos nós. Então, não é gratuito. 

Há pessoas que fazem o esforço de buscar o Dharma custe o que custar e há pessoas que apenas reclamam ou esperam se beneficiar do esforço dos outros. 


Image result for zen scholarships


Talvez o Budismo não seja para essas pessoas. Há religiões mais ricas e com mais recursos com portas abertas a cultos sem nada exigir, nem mesmo uma esmola no fim do culto. E há outras que pedem insistentemente seu dinheiro. As opções estão disponíveis, se a sua é o Budismo, prepare-se, trabalhe, ganhe dinheiro e beneficie muitos seres vivos com ele.

Na minha tradição de Zen Budismo há um fundo para ajudar aos alunos que não tem recursos chamado scholarship. Ele serve para ajudar alunos e monásticos no seu treinamento. Acho uma ideia muito boa. Eu nunca usei porque acho que tenho que me esforçar para ir por meus meios. Não sei dizer se no Brasil tem scholarship. Seria bom se tivéssemos pois creio que há pessoas que não podem fazer nenhum investimento num retiro, por exemplo, e que tem conexão verdadeira com o Dhama. Para essas pessoas, as portas parecerão fechados, mas pela minha experiência digo a elas, se tem de fato conexão, não desistam. Eu iria à pé ou de carona, se realmente quisesse ir a um retiro. Pediria dinheiro na rua, venderia bolo, faria uma vaquinha, enfim, com tantas ferramentas não se pode dizer que não há como conseguir.

Por outro lado os professores e seus centros zen ou budistas vivem de doações. Como a maioria que frequentava nada doava, optou-se por cobrar ou sugerir um valor. Se todos fossem honestos e contribuíssem, mesmo com pouco, todos poderiam desfrutar do lugar e dos ensinamentos. Onde a honestidade impera o beneficio é maior. Onde a desonestidade age a seletividade prevalece. Se você não pode ajudar com dinheiro ofereça outro tipo de ajuda. 

Sem comentários: