29 julho, 2017

Coisas que aprendi no Zen Budismo: O que se tira do lugar volta para o lugar

É comum as pessoas bagunçarem o cenário. E depois ele fica bagunçado até que alguém o arrume. 
No zen não tem a figura de alguém arrumando o que vc. tira do lugar. 
Um exemplo típico, nos retiros e na vida é como deixamos o calçado ao tira-lo. De qualquer jeito, claro. Porque só nos preocupamos em tirar o calçado e nada mais. 

Seja o que for que tocamos interferimos na ordem. Se percebemos isso nós podemos devolver às coisas a sua ordem. Isso não significa ser metódico, ter toque, ou ser organizado. Significa olhar para as coisas e ver que elas estão presentes.

Não me diga que você viu onde deixou o sapato hoje? Mas se viu já esqueceu. Esse ver com atenção é parte do treinamento zen. Não precisa ser budista nem ir a retiros para exercita-lo. Comece a observar o que vc. faz com suas mãos e pés. Como eles criam desordem a sua volta. Se vc. aceita essa desordem e é feliz nela, essa não é a questão. Não se discute ter razão, mas observar o que vc. faz. Suas ações no mundo impactam o mundo. Podem ser inofensivas na maioria dos casos, mas podem ser letais em outros.

Você vai ao banheiro em casa ou público e deixa tudo bagunçado. Você pega um coisa do lugar e larga noutro. Por que fazemos isso? Porque fomos acostumados a ter alguém que arruma as coisas, seja a mãe ou a empregada. Sempre nos comportamos como reis e rainhas sendo servidos por alguém, em casa ou fora de casa, alguém limpa ou organiza nossa bagunça. Por isso não vemos, ou se vemos não achamos importante porque nosso padrão de educação é pobre e viciado.





Eu lembro de levar alguns pitos de minha mestra por tirar as coisas do lugar e devolver de qualquer jeito. Eu pegava o relógio para ver a hora e depois colocava no chão de qualquer jeito, mas o relógio estava na frente da mestra, com o visor voltado para ela e no meio do corpo dela, a alguns centímetros a sua frente. Era ali que ele deveria estar, não de qualquer jeito, pois ela olharia para ele para saber quando começar a meditação e quando acabar a sessão.  

A desordem que criamos reflete como nossa mente está. Quase sempre desatenta.


27 julho, 2017

Conheça a pratica da Kwan Um

Se vc. quer conhecer o estilo de pratica da Escola Zen Kwan Um, todas as terças pela manhã entre 11:55-12:55 haverá um encontro online, via Ustream no You Tube. Basta acessar o link e aguardar o relógio zer. Alguém vai aparecer. Um professor, JDPSN, que conduzirá a pratica, em inglês.

Pratica online

Para acompanhar os cantos baixe o libreto aqui.


30 minutos de meditação

Dois cantos: Heart Sutra em inglês e Great Dharani


Leitura um trecho Compass Of Zen, ZM Seung Sahn



Perdão x Compaixão

Muitas pessoas acham que o perdão cura erros ou marcas. Acho que não. O perdão é uma invenção judaico-cristão. Um paliativo. Uma trégua. Mas o que se fez está feito. No âmbito do carma é como uma marca. Pode ser leve e desaparecer com o tempo. Pode ser profunda e ser levada conosco vida após vida. Supomos que vc. mate alguém. Não há como desmatar esse alguém pedindo perdão à família do morto. O carma se fez e ele é seu. As consequências serão suas também. O mais correto é evitar a ação, o carma. Só isso evita as consequências de uma marca cármica. Portanto não acredito muito em perdão.

No budismo trabalha-se a compaixão. Por-se no lugar do outro e não acima do outro, caso do perdão. Pois quem perdoa perdoa o outro, pressupondo que ele não errou.

Pode-se pedir desculpas, pois vivemos em sociedade e somos educados, mas mesmo o perdão é um ato difícil de se instaurar naquele que pede depois de ter agido mal, de caso pensado ou não. E é difícil para a vitima que está sofrendo as consequências da ação de quem lhe feriu com alguma ação. Se aceitamos, num primeiro momento, esse movimento de pedir perdão-perdoar é porque estamos apenas repetindo um padrão aprendido desde criança. Mas no fundo a marca está lá e para muitos é difícil esquecer.

O que muda não é o perdão, mas mudar os padrões. 

Uma boa ferramenta para diminuir os efeitos do carma é fazer prostrações. No zen faz-se 108 por dia,.Mas se o seu caso é muito, muito grave, não há limite. Quanto mais se faça melhor. Todavia, se vc. nunca fez prostrações comece aos poucos e perceba o que acontece. Se não lhe fizer bem, avalie a situação e deixe essa prática de lado. Mas, obviamente, que sendo um tipo de detox, as prostrações, tendem mais ao desconforto físico e mental que ao conforto.

Na tradição soto zen se recita o verso do arrependimento: 

Sangue-mon

Ga shaku sho zô sho aku gô
Kai yû mu shi ton jin tchi
Jû shin ku i  shi sho shô
Is-sai ga kon kai san gue

Todo carma prejudicial alguma vez cometido por mim
Devido a minha ganância, raiva e ignorância
Nascido de meu corpo, boca e mente
Agora, de tudo eu me arrependo.


Posso tomar remédio para dor da meditação?

Quem nunca tomou um relaxante muscular durante um retiro? Eu não lembrava dessa possibilidade até ouvir de três pessoas, que haviam tomado. Fiquei revirando meu passado e lembrei que sim já tomei quando tive uma tendinite no pé. E outra no pulso. Talvez no início seja comum, mas com o tempo deve-se aprender a aguentar a dor. Se existe uma dor cronica, que já existia, pode-se evitar longos retiros, ou tentar sentar na cadeira. Perguntaram-me: Tomar esses analgésicos influencia na meditação? Não sei dizer. Nunca havia pensado nisso. O analgésico traz um bem estar físico. Sem esse incomodo a mente fica livre para se entregar a meditação? Também não sei dizer. Tenho pra mim que tomar por tomar relaxante muscular, para pular essa etapa do incomodo físico, é, como cortar caminho numa corrida. Soa como trapaça. Enquanto uns estão ali vivendo suas dores outros estão vivendo outras sensações. Antecipando o treinamento, porque, sim, o sentar-se em meditação, é um treinamento, muito mais físico que mental. Mas vencido o processo físico, o mental se fortalece.
Então se eventualmente vc. tem muitas dores há que primeiro tentar corrigir sua postura e respiração para depois, muito depois pensar num analgésico. Mas que ele não seja a sua primeira opção.


Por outro lado cada vez mais temos gerações pouco tolerantes a dor, a frustrações e a esperar. Isso pode dizer muito sobre quem lança mão de um recurso mais imediato. "Não quero sofrer." 

Às pessoas que me perguntaram sobre as dores eu falei da necessidade de aprender a respirar corretamente. A respiração centrada no hara, ou diafragma, aquece o nosso corpo, porque produz calor, o chamado ki. Quando aprendermos a usar o ki na meditação, o desconforto das dores diminuem bastante em alguns momentos até desaparecem. Vejam esse post que escrevi sobre como usar a respiração a nosso favor na meditação. E este Como respirar corretamente. E esse Meditação zen fortalece o hara.




Também é importante fazer bastante alongamento antes e depois da meditação, até aprender a usar o ki, o alongamento vai resolvendo as dores. 

25 julho, 2017

Surpresas acontecem

Image result for coreanos cristãos

Lembrei de uma vez que estava fazendo o caminho de santiago. Num dos albergues havia uma coreana. Ai fui conversar com ela. Perguntei se ela era budista. Ela ou se fez de desentendida ou não sabia o que era. Se declarou cristã. Para mim foi um pequeno choque. Eu brasileira praticando no budismo e uma coreana não ser budista. Mas é assim mesmo. Já se foi o tempo em que você precisava seguir a religião dos pais, dos avós. Mesmo num país onde a religião predominante é oposta a sua escolha. Agora é tudo... Não ainda não é tudo junto e misturado. Infelizmente, ainda não posso dizer esse chavão.

Não faça nada

Image result for zazen  gift

Há uma premissa no zen budismo que diz: "Não faça nada." Dependendo de como quisermos entender essa frase pode soar como comodismo, descaso, não tô nem ai, etc. Mas fazer ou não fazer pode ter consequências que não podemos quantificar.

Há pessoas que sentem um chamado para ajudar, para serem solidárias, para doar-se, para lutar, ou se envolver em eventos de combate às  injustiças cotidianas.

Então se vejo alguém roubando numa loja devo ignorar e fazer de conta que não vi ou chamar o segurança?

O fato é que aquela pessoa que está roubando já fez o seu carma e eu chamar o segurança não vai mudar o carma dela. Eu não sei quem é a pessoa, não sei se essa pratica é corriqueira, ou se é a primeira vez, se está sozinha, ou se pertence a uma grupo. Tudo que parece apenas um fato a primeira vista, quando a ação é desvendada muitas coisas ocultas tomam forma.

Não fazer nada indica que devemos deixar que o tempo haja no ritmo que lhe convém. Que as coisas tomem o rumo que devem tomar por si sós.

Ah, mas eu posso impedir que algo mais grave aconteça. Talvez sim, talvez não. Se vc. quer pagar pra ver e assumir as consequências, pode ir em frente.

Mas não tente concertar o que não está quebrado. Apenas tente ver sem apego a situação e se ela demandar sua intervenção ok, mas se não deixe fluir com o momento. 


Na cozinha com o Tenzo: Como fazer missoshiro

really like it :D #japanese #soup:

18 julho, 2017

Na Cozinha com o Tenzo: Como fazer gersal

Como o nome diz gersal é o combinado de gergelim torrado e moído com sal marinho.
É um dos ingredientes servidos para temperar as refeições quentes e salgadas nos mosteiros zen budistas ou em retiros (sesshin) zen budistas estilo japonês.

Para o gergelim não queimar segure a panela sobre a chama vá sacudindo a mesma para 
que o gergelim fique em movimento e não estale saindo da panela. Prefira uma panela com teflon alta e com cabo. Ao moer no liqui delique e verifique se ainda há sementes inteiras ou d~e umas sacudidas no liqui para que a moagem seja homogênea. Guarde num potinho ou num saleiro. Use com moderação. Não para temperar a comida em preparo. É para usar sobre a comida já pronto.
O gersal é usado nos retiros para temperar o Okayo que é uma papa de arroz sem nenhum tempero, servida como primeira refeição do dia.

Fiz com quinoa em grão e também ficou bom. Mas o tradicional é feito com gergelim.

Como fazer GERSAL:

Exibir-se para Existir

Diga como você se exibe e lhe direi qual é o seu vazio.

Image result for se exibir

"Nada do que possamos alcançar nos faz dignos de louvor, nem de nos acharmos superiores aos outros. 

Só a bondade e a humildade nos ajudam a nos elevarmos e se constituirão como suportes da nossa felicidade no caminho. 

 As pessoas completas são as melhores porque não têm necessidade de competir ou de ter razão. 

Também não precisam aparentar ou mentir, pois o que são aparece nas suas atitudes, na sua moderação e no seu saber estar. 

 Por isso a humildade tem como base o respeito pelos outros e a amabilidade. 

Esse é o pano de fundo dos olhares sinceros, autores destes sentimentos que nascem do coração.

Mas há pessoas que, infelizmente, estão tão vazias que seu ego faz muito barulho. Este tipo de gente não faz mais que se exibir e se vangloriar,não contempla a realidade emocional alheia e precisa demonstrar o seu valor através de palavras ocas e portas entreabertas. 

Este vazio desolador é consequência de uma baixa autoestima, da ausência de possibilidades e de uma educação emocional pobre. Por isso sempre é preciso e importante trabalhar os nossos vazios, carências e capacidades."

Fonte:

Andar o caminho com os sapatos do outro

16 julho, 2017

Na Cozinha com o Tenzo: Como fazer Okayo

Okayo é uma papa e arroz servida como primeira refeição em retiros (sesshins) zen budistas e mosteiros. É uma comida que demanda de tempo de preparo por isso deve-se ter em mente que não se faz de última hora.

Related image

Basic okayu is simple and white

O arroz usado é o arroz japonês, mas não aquele que se faz susshi ou moti. Um arroz branco de qualidade grão pequeno. Na falta desse pode-se usar o arroz cateto ou o integral.

Deve-se lavar o arroz seis vezes ou deixar de molho da noite para o dia seguinte. E depois ainda lavar mais algumas vezes para tirar bem o amido.

Escorrer. Colocar em uma panela com água fria. Cozinhar em fogo alto até ferver. E depois em fogo baixo até virar uma papa.

Em alguns mosteiros pode ser cozido no chá verde torrado.

A quantia depende de quantas pessoas vão comer.

Pode servir mais para sopa ou com pouca água. Nos retiros é mais ralo.


Se vc. quiser fazer para vc. uma refeição meia xícara está bom.

Não tempere antes.

Depois de pronto tempere com gesrsal, pimenta e pode-se acrescentar alguma conserva.
Nos retiros as conservas servidas são de repolho, Umeboshi (cereja em conserva), nabo, ou gengibre.

Em casa pode-se acrescentar algum legume ou verdura.

14 julho, 2017

Na Cozinha com o Tenzo: Como fazer Dashi

O caldo dashi é a base do misoshiro por isso é importante saber fazê-lo antes de aprender a fazer o misoshiro.

Dashi é um caldo base para usar em outras preparações. O dashi é um caldo de peixe bonito desidratado,  e alga kombu.

image description

Como não é fácil achar os ingredientes é possível comprar envelopes de dashi já pronto que acrescenta à água quente. São encontrados em lojas de produtos orientais.
Ou pode-se comprar a alga, o bonito em flocos.
 Já encontrei o dashi desidratado em potes.

Caso queira fazer:

Acrescente a água quente aos poucos a alga kombu, mexa suavemente e deixe ferver em fogo baixo por 10-12min.
Com um pegador ou um rashi remova a alga.
Coloque aos poucos os flocos de bonito (peixe desidratado) e mexa devagar para misturar bem a água.
Depois de um minuto retire a espuma que se formar na superfície com uma escumadeira e deixe ferver mais 2 minutos. Coe, esprema o bonito. Descartar o peixe e reservar o caldo.
Depois de frio, caso não use de imediato, guarde na geladeira. Dura quatro dias. Então só faça quando for usar.


Morimoto's Dashi Stock
Dashi

Ichiban Dashi | Chef Taro:

Welpac Dashi Kombu Dried Seaweed:


Budas pela casa


Certa vez alguém esteve na Índia e trouxe muitos budas para distribuir entre conhecidos. Esses dois sobraram na leva e os recebi como doação. Estavam no meu altar. O mais escuro, em terracota diz (o mudra): Ouça. O claro, em mármore diz: Medite.

Tenho meditado muito sobre a pessoa que me deu esses budas. Era sincero, de coração ou sempre foi falso, só para se sentir querida, amada, coisas desse tipo. 

O do meio é o bodisatva Kannon com o Buda Amitaba sob a cabeça.

Talvez fiquem bem como buda da cozinha e do banheiro. Mas antes um banho de sal, e depois um banho de sol.

13 julho, 2017

Como aplicar o budismo no dia a dia e vencer o ego? | Monja Coen



Não sabia que Coen tinha mencionado um caso que acorreu numa sanga em Floripa. 
Eu já não frequentava mais esse lugar, mas o cara eu conheci. Fiz retiros com ele. 
Ele tinha problemas mentais. Tomava remédios controlados. Parece que ouvia vozes. 
Foi muito triste perde-lo para vozes na cabeça. 

O excesso de zazen pode ter feito mal para ele. Pode ter despertado algo na mente dele que poderia ter ficado no fundo sem vir a tona. Mas, as razões de fato, nunca saberemos. A mente nós é muito desconhecida. Por isso o Buda enquanto estava sob a árvore Bodhi se perguntava incessantemente Quem sou?

Se ele descobrisse que era um doido talvez não fosse adiante no caminho. Se ele descobrisse como superar sua mente doente e então ir adiante, ele seguiria sua prática. Mas ele tinha uma visão avançada. Nós não sabemos quase nada sobre nossa mente.