04 janeiro, 2017

A falta de atenção que mata

Um sinhozinho tinha deixado o carro em frente a garagem. Quando me viu varrendo a calçada veio apressado, se desculpando disse que não era para multá-lo porque ele tinha ido ali no despachante só um minutinho. Falei que tudo bem, nessa garagem não entrava carro, só mais adiante. Ele saiu com carro e eu continuei varrendo. Então ele voltou e me perguntou se eu conhecia a mulher ali adiante. Era a vizinha que estava na calçada do prédio. Disse que era a vizinha, mas não sabia seu nome. De fato, ela se mudou a pouco e não sei seu nome. O senhor perguntou se ela o havia multado. Ele estava com fixação ou trauma em multas, acho, mas nem me ocorreu. Só perguntei na minha ingenuidade costumeira. Por que? Ele respondeu que era porque ela não parava de escrever no celular. Ah, meu senhor. Hoje todo mundo é assim. Não para de escrever no celular. Ele ainda desconfiado entrou no carro e se foi. Poderia ter se metido em uma discussão desnecessária por uma bobagem. Poderia morrer por uma bobagem. Mas essas bobagens são na maioria das vezes decorrentes de falta de atenção. Um segundo que nos distraímos e lá se vai a paz, um braço quebrado, ou até a vida. As pessoas vivem num mundo muito particular onde ruminam constantemente consigo mesmas e onde suas necessidades egóticas de defesa e seus medos de auto proteção são os bips que disparam primeiro. É nosso instinto natural, que deveria ser usado para nos proteger, mas acaba nos metendo em confusões, se a gente não consegue distinguir o que é realmente uma ameaça do que não é ameaça. Não custaria gentilmente esclarecer a situação. Ou mesmo apenas parar e observar por um tempo antes de tomar qualquer atitude. 

Dormir, dormir... talvez sonhar...... Frase de William Shakespeare.

Por falta de atenção morre-se todos os dias. A pouco um cara morreu cortando a grama porque não examinou a extensão e não viu que o fio estava desencapado. O fio tocou na água da piscina e ele morreu. Quantos eletricistas já morreram trocando uma lâmpada? 

Eu mesma que pratico no Zen e faço meditação não estou imune da desatenção. Preciso lembrar de lembrar de estar atenta constantemente. Cair no sono profundo da realidade é tão rápido como um estalar de dedos. Como diria Shakespeare em Hamlet:"Dormir, dormir, talvez sonhar,Quem sabe assim ficaria melhor: Dormir, dormir, talvez tropeçar.  

Não caia no sono profundo da desatenção.

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