14 janeiro, 2017

Coisas que aprendi no Zen Budismo: Usar um calçado dentro e outro fora de casa


É costume em algumas culturas usar um calçado para dentro de casa e outros calçados para fora de casa.

A cultura oriental e a árabe são as que me ocorrem no momento. Em algumas casas há uma espécie de armário onde se guarda os calçados de uso interno quando se sai de casa e pega-se o calçado de uso externo ou ao contrario. Não temos muito esse hábito por aqui. Usamos o mesmo calçado na rua e dentro de casa. Lembrei desse detalhe porque fui com uma tia numa loja de móveis e ela comprou uma sapateira, uma estante com porta que serve para guardar calçados.

Eu tento usar um chinelo dentro de casa e outro lá fora. No verão uso esse de borracha e no inverno, as pantufas. Mas para dificultar as coisas o meu chinelo é da mesma cor, então eu tive que marcar um dos pares para saber quem é quem. É uma forma de treino de atenção, mas mesmo assim eu me esqueço e saio com o par de uso interno. Então eu tento lembrar da frase:"Olhe para os pés." Quando eu lembro de olhar para os pés eu vejo se estou com o par certo no lugar certo. 
Coisas que aprendi indo a retiros zen budistas. 

Não que eu já não soubesse usar calçado diferente dentro e fora antes de me tornar zen budista, mas há coisas que a gente sabe e esquece. 

Retiros Zen de Carnaval 2018

Coso você seja do tipo que no Carnaval quer distância da batucada vai aqui algumas opções de Retiros Zen pelo Brasil e fora do país. A maior parte das opções são na tradição do Zen Soto, japonês. Passe o mouse sobre o texto para visualizar os links.


Retiros Estilo Zen Escola Kwan Um (Coreano/Americano)

Fora do Brasil é possível encontrar muitas opções nesse período, porém é preciso se programar com antecedência, sobretudo se o país exige visto.

Na Escola Zen Kwan Um temos o Grande Retiro de Inverno-Winter Kyol Che que acontece durante 90 dias (janeiro-abril).

Nele é aceito a permanência de no mínimo uma semana ao longo desses 90 dias. Se vc. vai para USA, Europa ou Asia nesse período dê uma olhada na programação dos seguintes Mosteiros:

Providenze Zen Center,USA

2016 Winter kyol che - Providence Zen Center - Retreat Center - Diamond Hill Monastery - Meditation Retreat

Kyol Che Registration Mais info e inscrição nesse link
Entradas e saídas aos sábados. Mínimo de permanência: uma semana.
Won Kwang Sa Hungria

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Retiros Estilo Escola Zen Soto (Japonês)

SP-São Paulo-Templo Bushinli- Saikawa Roshi -Hoon SesshinContato 

RS-Porto Alegre-Sangaku Sesshin na Sanga Águas da Compaixão -Isshin Sensei-aguasdacompaixao@gmail.com ou na página da Sangaku Sesshin

ES- Ibiraçú-Mosteiro Morro da Vargem- Monge Daiju Sensei
Inscrições somente por telefone (27) 32573030 e mais info no site do mosteiro.

Outros Locais ou Mosteiros:

Enkoji (Itapecerica da Serra, SP)
Zengenji (Mogi das Cruzes, SP)




Retiros Estilo Soto/Peacemakers (Japonês/Americano)

SP-São Paulo-Monja Coen Sensei (Soto)/Roshi (Peacemakes)


No Dojo da Monja Coen/Coen SenseiNehan Sesshin. Mais infos na Agenda do site do Zendo Brasil.  O retiro acontece no Zendo em SP. Faça contato pelo link da página ou pelo fone (11) 38655285 email: zendobrasil@gmail.com

SP-Pedra Bela-Templo Zen Budista Taikanji

Contato

RS-Viamão-Monja Coen Sensei- Monge Dengaku 

Via Zen-Nehan Sesshin 



Fone: 95796776 Jion 
ou 8119-0287 Shoden


Os retiros ainda podem ter alguma mudança  portanto contate seus organizadores para confirmar datas e valores.

12 janeiro, 2017

Livro: 108 Contos e Parábolas Orientais

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Esse livro é excelente. Há várias edições somente com as histórias. Mas o diferencial nesse são os comentários que a monja Coen faz. Trazendo fatos de sua trajetória monástica. As histórias dão a oportunidade de dar exemplos de fatos reais, que ela presenciou, viu ou teve a experiência própria deles.

Tentar explicar essas parábolas ou contos pode ser uma cilada. Interpretações são como portais abertos para o infinito. Poucos tem conhecimento de mundo, maturidade de prática, experiência, não da leitura e do saber intectual, mas do testar em si mesmo. Monja Coen teve o cuidado necessário.

Isso me lembra uma outra historia que também gosto e não está no livro.

"Um homem ia casar e portanto como era costume no oriente procurou um mestre de caligrafia para que ele escrevesse algo auspicioso para os noivos. Um dizer, um provérbio, um conselho em caracteres, escrito em uma tabuleta de madeira que é colocado em um lugar visível para que quem mora na casa sempre veja e lembre de viver de acordo com o que ali está escrito. Muitos templos e centros zen tem algo assim em algum lugar escrito.

Então o mestre pegou seu pincel e escreveu numa tabuleta os caracteres para "Cuidado!"
O homem olhou e achou que uma palavra era pouco e pediu que o mestre escrevesse mais alguma coisa. O mestre escreve;"Cuidado!" Sem entender e um pouco frustrado com o que o caligrafo havia escrito, ele insistiu que o mestre escrevesse algo mais. O mestre escreveu: "Cuidado!"

Uma caligrafia assim está gravada na armação de madeira que sustenta o telhado  de um Mosteiro Zen Budista onde fui fazer retiro. Poucos veem isso, mas, às vezes, algum professor usa-a de expediente para sua palestra do dharma. 

Minha única ressalva ao livro é a citação da palavra "koans" na introdução, e  na contracapa e em uma ou outra página interna , Há pouco de koans no livro. Quase nada. Monja Coen foi aluna de Maezumi Roshi que foi treinado inicialmente no Rinzai e portanto tinha experiência de koans, mas depois Maezumi se associou ao Soto Zen que não usa mais koans.

Há no leitor brasileiro uma atração natural por kaans devido aos primeiros livros que foram publicados no país falarem sobre koans. Eu recebo muitas consultas sobre esse assunto já que na Escola Zen Kwan Um, talvez uma das únicas que ainda use os koans como ferramenta de treinamento, ser a escola onde pratico. Mas ao mesmo tempo me vejo na ingrata posição de decepcionar essas pessoas porque não temos no Brasil ainda uma pessoa, um mestre (a) de koans. Na minha Escola Zen e acho que em todas que já usaram kaons,somente um mestre pode pedir koans ao aluno, ou quem quer que lhe solicite. Isso é frustrante para aqueles que querem ter acesso aos koans, mas ao mesmo tempo que é uma barreira e uma proteção. Você não vai deixar uma "criança" brincar com fogo.

Explicar Koans não ajuda a resolvê-los. E tentar achar um por quê para certas histórias pode ser um bom argumento para a leitura, mas para o praticante não leva a lugar nenhum. Não se deve resolver os koans ou dar pistas sobre a sua resolução. Isso é algo muito próximo da ansiedade ou da trapaça.

Ninguém pode fazer o caminho do despertar pelo outro. Mesmo que um cão seja um cão independente de ele ser de Joshu ou meu. Os koans são uma ferramenta importante no processo de abertura da "mente que não sabe". Aquela mente não racional que fica debaixo de camadas e camadas de lixo que se acumula com pensamentos e padrões racionais.

Acho essas histórias muito inspiradoras. Mas a maioria delas não são koans. São histórias. Acontecimentos, registros, parábolas. São uteis para ensinar, para inspirar, para dar aquele insight. Um clic em algum momento. Por isso elas existem e foram copiadas e divulgadas em vários idiomas. Se alguma delas te trouxer de volta para a tua verdadeira  natureza, a intenção se cumpriu. Assim como se cumpriu com muitos dos personagens descritos nessas histórias. Um detalhe, um olhar, um barulho, um tapa na cara, um tropeço, Enfim, em algum momento eles despertaram.

Que seja apenas mais uma leitura agradável ou que você tenha insights preciosos isso não importa. Livros são livros e alguns cumprem seu caminho outros não servem nada sem que sejam testados.
Mas cuidado, nem tudo pode ser testado por todos. Como diz o mestre de caligrafia, sempre lembre do que está escrito na tabuleta: "Cuidado!"


04 janeiro, 2017

A falta de atenção que mata

Um sinhozinho tinha deixado o carro em frente a garagem. Quando me viu varrendo a calçada veio apressado, se desculpando disse que não era para multá-lo porque ele tinha ido ali no despachante só um minutinho. Falei que tudo bem, nessa garagem não entrava carro, só mais adiante. Ele saiu com carro e eu continuei varrendo. Então ele voltou e me perguntou se eu conhecia a mulher ali adiante. Era a vizinha que estava na calçada do prédio. Disse que era a vizinha, mas não sabia seu nome. De fato, ela se mudou faz pouco tempo e não sei seu nome. O senhor perguntou se ela o havia multado. Ele estava com fixação ou trauma em multas, acho, mas nem me ocorreu. Só perguntei na minha ingenuidade costumeira. Por que? Ele respondeu que era porque ela não parava de escrever no celular. Ah, meu senhor. Hoje todo mundo é assim. Não para de escrever no celular. Ele ainda desconfiado entrou no carro e se foi. Poderia ter se metido em uma discussão desnecessária por uma bobagem. Poderia morrer por uma bobagem. Mas essas bobagens são na maioria das vezes decorrentes de falta de atenção ou achismo. Um segundo que nos distraímos e lá se vai a paz, um braço quebrado, ou até a vida. As pessoas vivem num mundo muito particular onde ruminam constantemente consigo mesmas e onde suas necessidades egóticas de defesa e seus medos de auto proteção são os bips que disparam primeiro. Nosso instinto natural, que deveria ser usado para nos proteger, acaba nos metendo em confusões, se a gente não consegue distinguir o que é realmente uma ameaça do que não é ameaça. Não custaria gentilmente esclarecer a situação. Ou mesmo apenas parar e observar por um tempo antes de tomar qualquer atitude. 

Dormir, dormir... talvez sonhar...... Frase de William Shakespeare.

Por falta de atenção morre-se todos os dias. A pouco um cara morreu cortando a grama porque não examinou a extensão e não viu que o fio estava desencapado. O fio tocou na água da piscina e ele morreu. Quantos eletricistas já morreram trocando uma lâmpada? 

Eu mesma que pratico no Zen e faço meditação não estou imune da desatenção. Preciso lembrar de lembrar de estar atenta constantemente. Cair no sono profundo da realidade é tão rápido como um estalar de dedos. Como diria Shakespeare em Hamlet:"Dormir, dormir, talvez sonhar,Quem sabe assim ficaria melhor: Dormir, dormir, talvez tropeçar.  

Não caia no sono profundo da desatenção.