20 abril, 2016

A verdadeira pratica não tem olhos


Um verdadeiro praticante seja da religião que for não tem olhos. Ele não vê a religião do outro.  Só interessa a religião do outro se eu estiver em conflito ou em dúvida na minha opção de prática religiosa. Da mesma forma aquele que se diz ateu e fica atacando quem acredita em algo, não é ateu. Ou vc. se concentra na sua prática, fé ou crença e esquece os demais ou vc. não passará de um ciumento hipócrita. Se vc. crê em algo, examine o terreno dessa sua crença a fundo. Veja se ela lhe serve. Se ela tem a ver com seu temperamento. Se vc. tem afinidades com essa linha de prática. Depois de estar seguro vc. pode ir em frente e abraçar essa prática para a sua vida até onde ela lhe servir. Se em algum momento, depois de anos, vc. descobrir que estava enganado, nada lhe impede de começar o processo novamente.

O que ocorre com frequência quando nos apaixonamos por uma prática espiritual é ficarmos cegos por tudo que nela ocorre. Então não vemos suas falhas. E todas tem, pois se são geridas por pessoas não há como não ter. Mas isso não significa que se deve abandonar e partir para outra. Deve-se procurar entender de onde vem e se é possível melhorar. Se não houver como melhorar ai pode-se ir para outro lugar. Dentro de grupos sempre haverá insatisfeitos e eles muitas vezes são egoístas e pouco sensatos. Há que se intender que se tudo fosse perfeito não haveria o porque de as pessoas se reunirem num grupo espiritual. Quem não está doente não precisa de médico.

A paixão e a cegueira leva ao fanatismo. Leve ou grave. Todos passamos por isso. Basta lembrar se já desejamos que todos seguissem nossa crença ou como o mundo seria melhor se todos acreditassem no nossa crença. 

Acho que já pensei quando começai a praticar que o mundo seria bem melhor se todos fossem budistas. Mas o mundo não seria melhor porque o mundo já é melhor. O que não é melhor são as pessoas. E pessoas estão em níveis de entendimento diferentes. Talvez nunca se nivelem ao mesmo tempo. É uma fantasia tola pensar que isso um dia irá acontecer. Que a humanidade será melhor, pois sempre haverá os piores,os malvados, os terroristas, os mosquitos ...  para perturbar e esse tão almejado paraíso perpetuo na terra não virá. É por isso que precisamos abandonar a fantasia de um mundo ideal. Até Hitler e seus comparsas queriam um mundo perfeito. O tempo nos prova a todo momento que os fins não justificam os meios e que essa fantasia não passa de delírio.

O ser já está na Terra há séculos e a evolução é tão mínima. Caminha mais para trás do que para frente enquanto coletividade, mas cada um pode evoluir por si mesmo sem esperar pelo todo.