30 dezembro, 2016

Livro: O Monge e o Touro

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O Monge e o Touro ou As Dez Figuras de Como Laçar um Touro é umas das histórias mais lindas do zen. Por mais que se explique as figuras menos se entende. Porque o entender não é necessário. Esses desenhos mostram as etapas de um praticante monástico, a princípio, mas que pode também ser testado por leigos, no caminho do despertar. Talvez o leigo tenha mais dificuldades por não ter esse tempo de um mosteiro e seus métodos. Mas se o leigo ver no seu cotidiano todos os métodos que ele lhe apresenta e souber capturar o sentido da prática no cotidiano não precisará levar seu touro a um mosteiro ou muito longe para fazer essa caminhada com ele.

24 novembro, 2016

Por quê tanto Samu?

Fazer samu o dia todo faz parte da tradição japonesa no zen. Se vc.(somente monges e monjas podem permanecer em mosteiros mais que três dias) for passar alguns meses num mosteiro no Japão verá que a regra básica é: "sem descanso", ou seja das três da manhã à meia noite ocupe-se com tarefas, mesmo que repetitivas. Esvaziar a mente através da ocupação é uma técnica muito simples que qualquer indivíduo pode fazer, por isso o samu é o nível básico da prática. 


Depois passa-se para o nível das cerimonias. Sem atenção e foco vc. não conseguirá fazer corretamente as cerimonias. Então, o treino anterior, só com samu, será bastante útil se vc. souber aproveita-lo.Depois de aprendidas as cerimonias passa-se para o zazen, que é o nível mais alto da prática e o mais difícil. Vc. esvaziou a mente, praticou a atenção, agora pode se sentar. 

Em geral, nós seguimos o estilo americano de zen. Se pratica um pouco de samu, um pouco de cerimonia e bastante zazen. Então, nem todos estão no mesmo nível. Nessa situação os iniciantes podem ter mais dificuldades com o zazen. 

Num retiro de poucos dias não há possibilidade de aplicar o mesmo regime do mosteiro (só samu, alguma cerimonia e algum zazen, se der tempo), por isso as três práticas estão presentes. Cada um se ajusta como pode. 

O iniciante pode sofrer mais e até se afastar, mas deve ter paciência e ir se adaptando. Quem já senta há bastante tempo tende a não gostar tanto do samu, mas deve ser humilde e saber esperar os que ainda estão começando no caminho. O mais "experiente" pode renunciar a seu zazen e ajudar quem tem mais dificuldade.

A importância do samu é que ele põe todos no mesmo nível. Todos podem varrer, lavar louça, limpar banheiro, passar pano, cortar a grama, etc. Não precisa ser doutor, nem sequer saber ler e escrever. Não precisa de nenhuma habilidade especial ou específica. 



24 agosto, 2016

Para quem quer, não existe MAS....

Image result for mas...Muitos querem praticar no budismo, mas esbarram em algumas desculpas. "Eu gostaria de fazer isso, mas não moro perto, mas não tem um grupo aqui onde moro, mas não tenho tempo, mas não tenho dinheiro para ir a um lugar de prática,mas..." mas.. o tempo passa e vc. fica para trás. Perdeu para suas desculpas. Para quem realmente quer seguir o Caminho, não há MAS.
Se Buda tivesse exitado por um segundo não teria posto o pé fora da porta. Ele não existiria para nós. O MAS impede que muitas coisas venham a existir. Se forem coisas ruins aplique o mas, mas se forem coisas boas esforce-se para superá-lo.


26 julho, 2016

Transforme Flechas em Flores

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Ninguém é perfeito ou especial porque pratica há anos em alguma religião. Nem o mestre, nem o papa, embora se reconheça neles o "espirito zen" ou "o espirito santo" agindo em suas vidas e suas condutas. Espera-se que sejam melhores, mas essa esperança não deve ser limitadora a ponto de transformá-los em santos ou infalíveis. Não deve nos cegar ou nos impedir de ver suas naturezas, simplesmente humanas. Ainda são seres humanos, com todas as infinitas possibilidades de errar. 

É comum onde moro ouvir criticas a outras religiões. Cuida-se mais da religião do vizinho do que da nossa. Minha mestra dizia que quando se olha mais para o jardim do vizinho é porque o nosso está sendo negligenciado. Então, é comum ouvir: "Olha só o que fulano fez. Isso por que é evangélico. Imagina se não fosse."

Questionar a moralidade ou a ética de alguém por sua religião faria sentido no Talibã ou numa teocracia, onde de fato se é obrigado a viver de acordo com o que o profeta escreveu supostamente inspirado por Deus. Mas numa sociedade laica eu pessoalmente não admito. E não admito que alguém me diga como me comportar por ser budista ou qualquer coisa. Ainda que eu fosse uma mestra. O ser ou não ser é minha prerrogativa. Minha escolha, minha consequência. Eu sei de mim e não preciso que venham me apontar o dedo cheio de arrogância ou de suposições ou de achismos. 

A vida me ensinou que mesmo que se pratique dez mil anos ainda podemos ou estamos sujeitos a sermos as mesmas pessoas que eramos quando começamos a praticar. A mente é muito difícil de ser mudada. Podemos ter a ilusão de que mudamos, mas basta um estresse qualquer, um barraco na rua ou no trabalho, uma provocação que nos faça ferver por dentro e aquele monstro que achávamos estivesse morto, se mostra e mostra todo seu poder destruidor. 

O monstro pode ser o ódio por alguém, pode ser o ciúme de alguém. Pode ser nossa carência e desejo de atenção. Pode ser tantas coisas que não caberiam aqui elencá-las. Mas quando esse monstro prejudica só a nós mesmos é uma coisa, Quando ele prejudica outras pessoas deveríamos tomar uma atitude de buscar ajuda de especialistas. Uma terapia, por exemplo. Não dá para sair por ai fazendo mal aos outros, fazendo-os sofrer, matando sua paz, ou mantando ou induzindo-os a se matar por que achamos que estamos certos, porque não gostamos da pessoa, porque seus comentários são mais interessantes e competem com os meus comentários. Ou porque não gostou de certos comentários feitos a terceiros, quando o terceiro nem se importou. Enfim, deixemos essas paranoias de lado, antes que seja tarde e elas nos levem a consequências mais graves como perdas materiais.

Pois basta um comentário injurioso por ai e nossa paz se perde para sempre. E nesse momento o zen ou budismo, Deus ou Maomé, seja quem for não vão nos salvar das consequências de nossos atos. Se nosso processo de amadurecimento espiritual for forte e verdadeiro, ela nos manterá firmes, fortes e serenos para enfrentar o mal que nos ataca.

Uma vez um praticante disse-me, usando uma metáfora budista que eu havia despertado os exércitos de Maras. E eu disse, lembrando Buda, que as flechas seriam transformadas em flores. 

Naquele momento as flechas me atingiram, me feriram porque eu era mais frágil no Caminho. Agora eu posso devolvê-las como flores perfumadas. 


10 maio, 2016

Respeitar as diferenças

Vivemos um período estranho de divisão: alguns de um lado do muro e outros do outro. Divisões simulam um mundo ideal, mas na verdade, o mundo ideal é aquele onde aprendemos a conviver com as diferenças. Não querer conviver e se afastar, se isolar é uma coisa, até aceitável. Mas não querer e combater, tentar destruir, afastar, tirar do caminho, é inaceitável enquanto direito.

Muitos dizem que vão para Miami. Ok, mas qual Miami cara pálida? A rica das celebridades que podem comprar casa e ganhar como bônus o green card para toda a família? Ou a pobre que se arrasta nas ruas, onde a maioria da população não tem emprego e vive mal. Onde a violência é igual ou maior que aqui. Convém se informar antes, pois até Miami tem seus problemas. 

Um individuo rico pode ir para onde quiser. Não precisa ficar de mi-mi-mi por aqui. Basta ir. Mas quem não pode precisa aprender a tolerar as diferenças.

Ainda acredito que as pessoas que frequentam igrejas de massa evoluam e vejam por si sós que não devem alimentar essas instituições com dinheiro e votos em troca de paz de espírito, perdão de pecados ou bem estar. Igreja não deveria ter esse tipo de moeda de troca.

Como bem disse-me um pastor cônscio  das suas funções: "Deus é de graça!" Então porque tantos aceitam a fatura diária que aqueles que se dizem representa-lo impõem?

Não podemos aceitar que igrejas queiram lotear o Congresso e mudar leis a seu favor levando o país de volta ao antigo testamento. Que queiram mergulhar nele e lá ficar, já é um atestado de retardo, mas levar o país todo aos tempos de Abraão, não!

Quem tem que dizer não é quem está inserido nessas igrejas. Se seus financiadores disserem não, cedo ou tarde algo terá que mudar. Por hora dormem na ignorância. Oremos!




20 abril, 2016

A verdadeira pratica não tem olhos


Um verdadeiro praticante seja da religião que for não tem olhos. Ele não vê a religião do outro.  Só interessa a religião do outro se eu estiver em conflito ou em dúvida na minha opção de prática religiosa. Da mesma forma aquele que se diz ateu e fica atacando quem acredita em algo, não é ateu. Ou vc. se concentra na sua prática, fé ou crença e esquece os demais ou vc. não passará de um ciumento hipócrita. Se vc. crê em algo, examine o terreno dessa sua crença a fundo. Veja se ela lhe serve. Se ela tem a ver com seu temperamento. Se vc. tem afinidades com essa linha de prática. Depois de estar seguro vc. pode ir em frente e abraçar essa prática para a sua vida até onde ela lhe servir. Se em algum momento, depois de anos, vc. descobrir que estava enganado, nada lhe impede de começar o processo novamente.

O que ocorre com frequência quando nos apaixonamos por uma prática espiritual é ficarmos cegos por tudo que nela ocorre. Então não vemos suas falhas. E todas tem, pois se são geridas por pessoas não há como não ter. Mas isso não significa que se deve abandonar e partir para outra. Deve-se procurar entender de onde vem e se é possível melhorar. Se não houver como melhorar ai pode-se ir para outro lugar. Dentro de grupos sempre haverá insatisfeitos e eles muitas vezes são egoístas e pouco sensatos. Há que se intender que se tudo fosse perfeito não haveria o porque de as pessoas se reunirem num grupo espiritual. Quem não está doente não precisa de médico.

A paixão e a cegueira leva ao fanatismo. Leve ou grave. Todos passamos por isso. Basta lembrar se já desejamos que todos seguissem nossa crença ou como o mundo seria melhor se todos acreditassem no nossa crença. 

Acho que já pensei quando começai a praticar que o mundo seria bem melhor se todos fossem budistas. Mas o mundo não seria melhor porque o mundo já é melhor. O que não é melhor são as pessoas. E pessoas estão em níveis de entendimento diferentes. Talvez nunca se nivelem ao mesmo tempo. É uma fantasia tola pensar que isso um dia irá acontecer. Que a humanidade será melhor, pois sempre haverá os piores,os malvados, os terroristas, os mosquitos ...  para perturbar e esse tão almejado paraíso perpetuo na terra não virá. É por isso que precisamos abandonar a fantasia de um mundo ideal. Até Hitler e seus comparsas queriam um mundo perfeito. O tempo nos prova a todo momento que os fins não justificam os meios e que essa fantasia não passa de delírio.

O ser já está na Terra há séculos e a evolução é tão mínima. Caminha mais para trás do que para frente enquanto coletividade, mas cada um pode evoluir por si mesmo sem esperar pelo todo.




26 fevereiro, 2016