16 novembro, 2015

Deus não tem nada a ver com interpretações errôneas

"O Buda falou suavemente: 

"Uma vez que uma pessoa é pega pela crença em uma doutrina, a pessoa perde a liberdade". 

Quando alguém se torna dogmático, a pessoa acredita que a sua doutrina é a única verdadeira e que todas as outras doutrinas são heresia. Disputas e conflitos surgem de todos os pontos de vista estreitos. Elas podem se estender indefinidamente, perdendo um tempo precioso e às vezes até levando a guerra. Apego a ideias é o maior impedimento para o caminho espiritual. Visões limitadas e estreitas, tornam-se tão enredados que não é mais possível deixar a porta aberta da verdade.¨ 

Thich Nhat Hanh

02 novembro, 2015

Por que especular sobre o depois da morte?


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Todos os professores se deparam com a pergunta sobre reencarnação x renascimento. Eu sempre achei uma cilada responder essa pergunta. Quanto mais se responde mais enrolado fica. E poucos conseguem dar uma resposta que seja razoável e simples ao mesmo tempo. Entender implica em convicção. Até mesmo para o budista não convicto é difícil entender o que acontece depois da morte física, mas para o não convicto é mais confuso. Por isso a interpretação espirita ou hinduísta é sempre um ponto de partida. Esquecer comparações ou referencias é um ponto importante para responder essa questão. Pessoalmente, prefiro não responder. Não há necessidade de especular sobre o depois da morte. Deveríamos nos concentrar em viver essa vida como única e não pensar que teremos outras chances de voltar e continuar. Como diz o tema desse blog: "Esse momento é sua única vida." Aproveite bem, agora. O depois vc. constrói agora com responsabilidade, mas sem viver agora o depois será incerto.

Eis mais uma tentativa de resposta:

Aluno – Então existe reencarnação?

Monge Genshô – De quem? Se não existe um eu como é que existe reencarnação? Se memórias não permanecem, como é que existe? Reencarnação de que? O quê reencarnaria?

Reencarnação é uma palavra que não serve para o budismo, porque ela carrega dentro de si o significado de que um eu repete ou carrega algo para uma nova vida, ganha uma nova carne. Se nós dizemos que não há almas, espíritos ou coisas que o valham e que as memórias locais cessam com a falência de um sistema nervoso central, então o que há para renascer? Só há uma coisa que resta: os impulsos, aquilo que nós chamamos de carma, o movimento do universo. Este movimento pode produzir identidades em novos seres. Então é o carma que produz manifestações, não são as manifestações que carregam o carma.

Essa noção é do espiritismo, há um espírito que carrega uma mochila de carma e vai ganhando corpos novos, e daí vem o conceito de missão, de resgatar, de ir em determinada direção, uma evolução, um progresso permanente. Mas o budismo não tem sequer essa ideia de progresso permanente porque tanto você pode andar para frente como para trás. É fácil você destruir sua vida. Se você quiser você nasce em determinadas condições, mas se você começa a fumar crack vai acabar deitado numa sarjeta se transformando em quase um animal. Pode acontecer isso. Então, você pode andar para trás. E também os universos são cíclicos. Para o budismo, tudo é cíclico. Nada é permanente. Nada vai durar para sempre, nem a humanidade, nem essa terra, nem o planeta, nem o sistema solar, nem este universo.