14 janeiro, 2015

O Papa não entende o Espírito Zen

Em recente homilia o Papa resolveu cutucar o Zen a Meditação e a Yoga. E para não ficar só no quintal alheio colocou no pacote o catecismo. O Papa disse nesse sermão que tais métodos não nos libertam do sofrimento.   Arrematando ele disse que só o Espírito Santo pode nos libertar do sofrimento. É verdade. Eu acredito, por experiência própria, que o Espírito Santo pode nós libertar do sofrimento, mas tiraria o "só" da frase.

Primeiro, vê-se que o Papa não entende nada do Zen, nem da Yoga e espera-se que de catecismo ele entenda. Pior, o Papa que, segundo reza a tradição, é escolhido pelo Espírito Santo me deixou com a pulga atrás da orelha. Será que ele teve a experiência do Espírito Santo? Se tivesse não falaria tal bobagem. Mas ele pode ter tido a experiência do ES e não ter tido a experiência do Zen nem da Yoga.

É compreensível, se ele estiver tentando afastar os fiéis da tentação de trilhar outras formas de chegar ao Espírito Santo. Se é uma reserva de mercado, como fazem os médicos com a acupuntura. Embora isso nem sempre funcione.

O Zen e a Yoga podem sim nos levar ao encontro de algo que se assemelhe ao ES.
Todavia, não chamamos essa experiência de Espírito Santo. 

Ademais não devemos dizer que algo funciona ou não funciona sem antes testar duradouramente em nós mesmos. Não sei se o Papa já fez meditação ou yoga. Se fez talvez não tenha feito o suficiente para chegar  à liberação do sofrimento.

O Papa pode estar apenas mandando um recado para aqueles que se dizem católicos e fazem mil e uma práticas em outros lugares. Se vc. é católico seja só católico. Se vc. é católico confie no método da sua Igreja e só nele. Confie no ES. Essa deve ser a mensagem, mas se é só isso porque não ser claro e direto.

O mínimo que ele poderia dizer é que respeita esses caminhos, embora não acredite neles, e que o cristão católico já tem na sua religião o ES e não precisa ir buscá-lo no zen, na meditação ou na yoga. Seria mais honesto e respeitoso. 

O Zen pode não servir ao Papa, mas ele serve a muitas pessoas não católicas.

07 janeiro, 2015

Os perigos de revelar sua opção religiosa

Revelar sua religião é perigoso e revelar a sua não opção religião é mais perigoso ainda. A interferência na vida das pessoas é cada vez maior. Dirão que a culpa é das redes sociais que abriram espaço para essa intromissão insuportável. Pode ser. Mas esse tipo de controle sempre existiu em menor ou maior escala. Localizado em lugarejos ou travestido de outro modo. 

O fundamental do fundamentalismo é que se você não está comigo está contra mim. Se não pertence e não traz dinheiro para mim não pode existir em paz.

O que me motivou a escrever esse artigo não foi as ações de grupos terroristas que se dizem religiosos e defensores da tradição e da religião, mas a leitura de comentários em um vídeo onde um professor era entrevistado. Lá foram alguns a dizer que o Zen não é budismo e outros a dizer que aquele aquela seita defendida por seu militante é que não era budista. E por ai começaram as ofensas e bate boca com palavras bem fedorentas a serem vomitadas nos seus comentários.

Com a proliferação cada vez maior de religiões que permitem a perseguição passamos a ver igrejas sendo incendiadas, estátuas sendo quebradas e pessoas sendo mortas apenas por pertencer ou praticar em uma religião oposta. Não que isso seja novo. Sempre existiu. Buda foi perseguido por competir com os brâmanes na Índia. Uma questão de dinheiro e não de religião levou-o a mudar-se para o Nepal. Mas agora nós podemos ver com mais frequência e podemos saber onde e como acontece.

Alguém pode dizer que nunca na história da humanidade tivemos tanta opressão religiosa ou falta de liberdade para nos expressarmos.

Mas quando tivemos liberdade? Alguns tem sorte de não viver em países onde a opressão e ausência de liberdade são permanentes.

Até aqui só se falou em problemas para quem assume uma religião, mas quem não assume ou pior se diz ateu ai também não está numa posição segura. Há constantes grupos militantes religiosos que perseguem quem se declara ateu. Nesse caso é melhor usar o recurso da mentira útil para se proteger. Você diz ter alguma religião apenas para não ser importunado por aqueles que acham imperdoável alguém não ter necessidade de Deus.

O que todas essas ações fazem pode ser um tiro no pé. Todo esse terrorismo só afasta cada vez mais novas gerações de qualquer tipo de religião. Não significa que as pessoas serão ateias, mas elas não irão querer pertencer a nenhuma instituição religiosa. Isso ao meu ver pode ser um santo remédio.

Já grupos ou pessoas sob má influência que matam em nome de Deus, Alá ou Maomé não podem ser considerados defensores de nenhuma religião. São apenas criminosos doentes.