20 dezembro, 2014

Transformando o Zen num negócio

Algumas pessoas que conheço já se "apropriaram" da experiência e dos ensinamentos para transformá-los num meio de vida. Fazem palestras motivacionais, workshops, cursos, dão aconselhamento a desmotivados e desesperados. Algumas vezes também me perguntei o que eu poderia fazer nesse caminho. Mas todas as vezes alguma voz interior me dizia que não era para isso que eu estava praticando. E então, apesar de ver muitas pessoas bem sucedidas nessas tarefas-zen-business, eu recuava na minha intenção. Não conseguiria. Me sentiria impura usando os ensinamentos para criar um coaching de uma terapia inventada por mim ou uma mistura de terapias que eu achasse que se parecem com o Zen. Mesmo que eu achasse que alguém poderia se beneficiar com isso. Até onde iria minha boa vontade ou minha ilusão? E se eu fosse monja, então, minha credibilidade aumentaria muito. Ou eu não sou esperta o bastante ou não gosto tanto assim de dinheiro.

Todavia, em todas as tradições, esse tipo de movimento aconteceu e ainda acontece. Foram lá atrás os ocidentais que pegaram a yoga e a transformaram num exercício corporal- yoga de ginásio. Yoga para gestantes, yoga para isso e para aquilo. Com o Budismo não foi diferente.

Meu guia para evitar essas ciladas é o próprio Buda. Sempre me pergunto se ele faria ou fez tal coisa. Nem sempre é possível obter uma resposta precisa pois o mundo mudou muito desde que Buda nos deixou. Mas o Darma (os ensinamentos) , ainda que tenham mudado no jeito de comunicar-se com as pessoas, em sua essência é a mesma.

Se o que as pessoas que usam os ensinamentos em seus negócios querem é mudar o jeito de transmiti-los agregando algo mais que chegue melhor à mente e ao entendimento de quem "ensinam", é compreensível. Se é apenas uma enganação ou um atalho para não fazer o caminho mais difícil pode ser que não ajude. Pode ser que pareça que está ajudando mas depois que acaba aquela sensação de "bem estar", então se percebe que é preciso mais cursos, mais workshops, mais palestras. É como um remédio que só paralisa a dor por um tempo, mas a essência da dor, de onde ela vem e porque ,jamais é investigado e ela continua a vir e continuamos a tomar analgésicos que nos fazem mais mal que bem. E para isso os falsos curandeiros não podem nos ajudar.

1 comentário:

sandra borges disse...

Fico feliz de saber que ainda temos pessoas sensatas , no caus em que vivemos.