28 abril, 2014

Por que nos ofendemos tanto?


A nossa cultura é muito estranha no que diz respeito a expressar-se honestamente. As pessoas desejam ser
sinceras ou melhor que os outros sejam sinceros com elas, mas quando se vêem diante de demonstrações de sinceridade recuam. A verdade não é para ser usada como uma arma que se envia goela abaixo. A verdade nem é a verdade do outro. A verdade minha, do meu ponto de vista é outra, sempre será outra. Por isso há tanto conflito. Porque não paramos para pensar se o que nos dizem nos serve?

É notório que não viveríamos nesse mundo se não soubéssemos dissimular. Aqueles que não dissimulam e percebem a dissimulação como algo negativo sofrem mais para se ajustar ao nosso modo de vida.

Seja como for o sentimento de ofensa ao meu ver está muito ligado a imaturidade mental do ser humano. Quanto mais infantilizado ele for mais ele se sentira incomodado em ser chamado atenção, corrigido, ou em receber sugestões para possíveis mudanças no seu comportamento em grupo.

A infantilização é uma característica cada vez mais crescente na nossa cultura. Temos todo o tipo de tutela e proteção. Quando nos vemos sem essas muletas reagimos com aspereza ou até violência pois não queremos perder o terreno que nos sustenta.

21 abril, 2014

O Fenômeno Monástico no Brasil

Observo com interesse o mongeisação das comunidades zen budistas. Por muito tempo elas permaneceram economicas ao monasticismo ou restritas aos estrangeiros. Havia um imenso tempo de espera para que alguém fosse admitido monge ou monja. Muitos desistiram de esperar.

Hoje, especialmente no Brasil, tão logo alguém entre na comunidade, não raro o desejo de receber os votos de monge ou monja se concretiza rapidamente. Pode-se dizer que uma comunidade monástica tem sido gerada a toque de caixa nos últimos dez anos para suprir o longo vazio pelo qual o país passou sem esses elementos nas comunidades zen budistas. Mas eles não são efetivamente monges ou monjas  completos apenas porque receberam seus preceitos iniciais. 

Nesse processo a pergunta é: onde ficam os leigos? Eles ficarão encurralados no meio de uma multidão de noviços e noviças. Se sentirão inferiores? Sairão da comunidade? Ou se sentirão estimulados a também pedir para serem monges e monjas?

Alguém dirá, bem, quando não havia monges e monjas reclamavam. Agora que os temos reclamam igualmente. Reclamar é o que melhor e  pior fazemos. O que fazer? Silenciar?

Considerando esse fenômeno na Escola Zen onde os monges e monjas podem sê-lo ainda sendo casados, é uma forma de ser monge mantendo uma certa laicidade. Dai que a diferença entre um leigo de fato e um monge-leigo, pode ficar confusa para muitos. E a ideia de um monge monástico esquecida.

Hoje temos mais Senseis, é verdade, mas eles ainda estão presos a seus mestres que os levam para passear por uma coleirinha. Precaução nunca é demais. Quando assumirem comunidades efetivamente é que se verá sua atuação. Tudo isso não é bom nem ruim. Faz parte do processo. Ir rápido demais é um risco, mas é um risco que pode ser observado de perto.

Na minha humilde percepção só deveria ser monge/monja quem postulasse ser Sensei. Os demais deveriam permanecer leigos. Mas essa não é uma regra sem exceções.

Há muitos arranjos e muitas possibilidades. Eu por exemplo seria uma monja eremita. Então para que ser monja. Todavia seria uma opção aceitável. Só precisaria encontrar um mestre que me aceitasse nessa condição.