31 janeiro, 2014

Cavalo de Madeira-2014



 

Happy New Year, may our strength gallop through the universe, sending love and compassion to all beings.

Zen Master Soeng Hyang



Pensei que não viveria para um ano do Cavalo de Madeira. Só se repete a cada 60 anos. Mas dizem que é  esse correspondente chinês ao meu signo. Vamos ver onde levarei esse cavalo barulhento, pois se é de madeira será para andar nele ou para andar com ele. Será para embalar-se nele?

Dizem que o cavalo é aquele ser que aguenta uma carga digamos "de cavalo". Nem reclama do trabalho, pois não lhe deram voz para reclamar. Apenas leva sua carga. Quer dizer: leva a carga dos outros, pois de sua, há apenas o corpo a carregar.

Há quem esteja retornando a criar cavalos "livres" como eles foram antes de serem capturados e adestrados. Mas isso é apenas mais um modismo para agregar valor no resultado final que é a venda.

Ninguém de fato é livre. Todos estamos presos à condições, à ação-reação do nosso carma. A liberdade só existe no pleno despertar. Poucos sabem o que é isso e poucos tem coragem de buscá-la como Buda o fez, por isso ele ainda é o ÚNICO DESPERTO que conhecemos.

Um ano do Cavalo deve significar um ano de muito trabalho, alguns galopes por ai nos intervalos.

Já que o assunto é exotérico, o ano de 2014 é um ano 7. Um número que convida ao despertar. Mas quem precisa de números e signos para despertar? Todo momento é um momento para despertar.

25 janeiro, 2014

Elementos da religião

Ao longo de muitos anos por medo, fraqueza ou despreparo muitas pessoas dentro do Budismo no Ocidente combinaram em dizer que Budismo não é religião. Deixar as pessoas se aproximarem do Budismo pensando que estão seguindo uma filosofia de vida legal é uma enganação útil, mas ainda assim uma enganação. Para muitos que praticam na várias Escolas budistas o que eles fazem é religião. Negar isso para manter um elo informal ou não assustar as pessoas com rituais estranhos aos novatos é apenas adiar o óbvio.

Quem quer seguir o Budismo como uma filosofia de vida está livre para isso. Até pode ir a templos, mosteiros e centros budistas para fazer os rituais ou fazer tais rituais em casa quando possível seguindo-os de de maneira informal sem se comprometer.

Alguns irão sentir conexão com a prática e irão, na medida do possível, se comprometer com uma instituição, centro zen ou professor. Tudo a seu tempo.

Para algumas pessoas é muito difícil se comprometer com algo, como uma instituição ou um mestre e mesmo com uma comunidade, mas sem compromisso não há exercício da religião. Ela pode ser vivida de muitas formas até de forma solitária. No Budismo há muitos casos de praticantes eremitas. O próprio Buda praticou algum tempo sozinho, mas as pessoas vieram até ele e ele não os mandou embora.

O Budismo tem muitas possibilidades, muitas portas a serem abertas. Cada um deve decidir em qual irá entrar e quando sair ou quanto tempo ficar.

Uma religião deve ser aberta e não opressora. Quando uma religião é opressora e ditatorial ou militaresca ela não é boa para a evolução do ser humano. Ela só é boa para aqueles que a manipulam para obter favores em seu próprio interesse.

Eu pessoalmente não me importo se Budismo é ou não religião. Se vc. assim o considerar tudo bem se não o sente como tal, tudo bem também. O importante é estar 100% presente nas ações do cotidiano. Isso já é um feito raro de se conseguir. Mas tentar é nossa meta para vida toda e em todas as vidas.

21 janeiro, 2014

Sugestão de Livro: No River to Cross

"Costuma-se dizer que o Despertar significa "atravessar para a outra margem", esse distante lugar onde podemos finalmente estar livres do sofrimento. Da mesma forma, diz-se que os ensinamentos budistas são o barco que nos leva até lá.

Nesta livro de uma das professoras mais importantes do budismo moderno coreano, Mestre Zen Dae Haeng nos mostra que não existe barco a encontrar e, na verdade, nenhum rio para atravessar. Ela estende a mão para o leitor ocidental, chamando cada um de nós a sabedoria infalível,do  acessível agora, o Despertar que é sempre, já, bem aqui.

No Zen (ou seon, como o zen coreano é chamado) a mestra Dae Haeng desenvolveu uma abordagem refrescante. Sem Rio para Atravessar é surpreendentemente pessoal, simples, mas também extremamente profundo, apontando-nos de novo e de novo para a nossa base, a nossa "verdadeira natureza" - a perfeição das coisas como elas são."


Para quem quer conhecer um pouco mais do Seon


16 janeiro, 2014

Fé e Crença


Somos tão viciados na ideia de que para viver é preciso ter fé e para seguir uma religião é preciso ter crença.

Mas esses estados são apenas padrões que nos foram ensinados. Quando desconstruímos um padrão podemos sim viver sem ele.

Crença remete àquilo que você testou em si mesmo.  Existe porque vc. teve a experiência disso, mas pode não existir para tantos outros que não testaram e não experimentaram.

Só sei que o açúcar é doce porque provei. Se não provasse poderia acreditar em quem já provou, mas não teria tido a experiência por mim mesma. Se eu provar o açúcar então, ok, agora sei que é doce.
Posso confiar no outro, mas só quando experimentar por mim mesma saberei como é o sabor do açúcar. Quando confio na experiência do outro tenho um saber ilusório que um dia pode se revelar verdadeiro ou não.

Ai pode começar um jogo perigoso de quem experimentou e testou querendo convencer quem não experimentou e nem testou de que sua experiência é verdadeira. Então minha crença é prova suficiente para que os demais a aceitem. Infelizmente é assim que muitos agem, principalmente os fanáticos. Ao invés de testar o que os profetas ou mestres dizem ter alcançado, eles aceitam suas experiências como verdade suprema e os defendem e até matam por essas verdades, que nunca colocaram a prova nem experimentaram em si mesmos. Se o fulano diz que é assim então quem sou eu para duvidar. Você é alguém capaz de duvidar? Então exercite a dúvida.

A dúvida é o termômetro da crença. Sem dúvida não pode haver crença segura em nada.

A fé é o combustível da crença. Se não tenho combustível não ando, não saio do lugar, não tenho vontade de testar o que me dizem ser verdade. Então aquele que aceita passivamente não tem fé. Tem preguiça.

Testada a verdade ou seja experimentei o açúcar constatei que é doce vou investigar se ele é bom, se serve para mim e quais são as quantidades que posso ingerir com segurança. Somente depois vou investir minha fé (energia).

Minha mestra zen, certa vez me disse: "Acredite em você não em mim. Eu posso me enganar."

Para o Budismo o mais importante é vc. acreditar em si mesmo. Pois o poder que vc. tem de Despertar é maior que qualquer outro poder externo, maior que um deus.