17 maio, 2013

Sugestão de Livro: Um Mundo Iluminado


Um Mundo Iluminado faz uma análise do comportamento religioso da civilização desde Homero até Foster Wallace. O viés é a filosofia e análise de algumas obras literárias. Como alguns autores tratam a concepção de Deus em suas obras. O politeísmo dos gregos em Homero. O monoteísmo em Euripedes. O cristianismo-judaísmo em Dante, o niilismo em Foster Wallace. Politeísmo versus monoteísmo e a relação mais favorável ao fanatismo, são alguns dos temas do livro.

O budismo é apenas citado rapidamente. Não cabe na análise pois não há uma obra literária a qual eles poderiam relacionar e nem a noção de deus.

"Um deus que, na terminologia de Homero, é um estado de espírito, que nos sintoniza com o que mais importa em uma situação, o que nos permite responder de forma adequada, sem pensar."

"Excelência no sentido grego não envolve nem a noção cristã de humildade e de amor, nem o ideal romano de adesão estóica de seu dever. Em vez disso, a excelência no mundo homérico depende crucialmente de um sentimento de gratidão e admiração."

Não tenho como situar as páginas das citações pois meu livro é um e-book e nesse caso a paginação não é fixa.   
 

"Vivemos num mundo desprovido de heróis ou referências. O panteão dos deuses gregos é hoje uma curiosidade histórica, e o Deus omnipresente da Idade Média já não nos comanda as ações. Onde encontrar, então, um sentido para as nossas escolhas? Para a nossa existência? Hubert Dreyfus e Sean Dorrance Kelly procuraram respostas nos grandes clássicos da literatura ocidental. De Homero a David Foster Wallace, os autores propõe-nos uma releitura das obras-primas onde se enraíza a nossa cultura. Em pinceladas breves e incisivas, revisitam Melville e a maníaca perseguição a Moby Dick, descem ao inferno de Dante, revêm Descartes ou Kant. E redescobrem um antídoto para o niilismo contemporâneo, para o nosso inflexível individualismo. " (Resumo da Editora Lua de Papel)


15 maio, 2013

Meditação Zen e Futebol são Compativeis?



Em algum momento já se tentou levar a meditação as concentrações da Seleção Brasileira. Se funcionou não sei dizer. Yoga e meditação também são usadas por alguns times. 

12 maio, 2013

Mães são Grandes Bodisatvas.


Mães são grandes bodisatvas. Muitas abrem mão de si mesmas para cuidar da família e deixam de realizar seus desejos. Não são todas, mas as mãos à moda antiga eram assim. As mães modernas tentam dar um jeito de fazer tudo o que querem e ter filhos e marido. Arranjos que também exigem um grande esforço e malabarismos estressantes. Mães sofrem mais. Por motivos reais e também por motivos fantasiosos.Quem tem sorte de ter uma mãe zen aproveite. E seja zen também.


06 maio, 2013

O que muda com a meditação não é só a foto

Foto de Peter Seidler feita para o Projeto Before-After

Mostrar com fotos o antes e depois de um período de meditação é valido, mas ao mesmo tempo enganoso. Mudanças acontecem o tempo todo e não são duráveis. Passei duas semanas em retiro e minha foto antes e depois, que não mostrarei, foi significativa, mas o depois do depois já é outra foto. Ou seja aquela "iluminada" que o semblante ganha com a prática intensa, não resiste por muito tempo. Não adianta se entusiasmar muito, nem tentar manter essa aparência de feliz, porque quem é gato escaldado já sabe que os embates do dia-a-dia vão fatalmente nos roubar sorrisos luminosos. O que é importante é manter a prática correta e a "mente que não sabe" a cada momento. Isso pode não resolver sempre, mas resolve se a gente lembra de sempre voltar para aquele estado de meditação plena, mesmo nas tarefas do dia-a-dia. Esse é o exercício mais difícil de manter e como esquecemos de continuar praticando fora das salas de meditação, nossa aparência vai mudar de aberta para fechada e assim por diante. São raros os que conseguem ficar com aquele sorriso sereno por muito tempo. Mas de todo modo a transformação é muito boa e todos que a experimetam se surpreendem. O importante  é não se apegar a esses detalhes e manter a prática constante.

Se ficarmos o dia todo fotografando nossa face vamos constatar que em poucas horas ela também muda muitas vezes de aspecto. Faça o teste.

02 maio, 2013

Dificuldades são o Combustível da Prática.

Este último retiro que fiz foi atípico, com algumas coisas estranhas acontecendo e sob as quais ninguém podia interferir. Você vê alguém sofrendo, ou chorando é normal isso te toca.Você quer saber o que a pessoa do teu lado tem, qual seu sofrimento, mas seu professor te diz: "Não olhe! Não saiba!" Num primeiro momento é difícil aceitar que vc. não pode interferir. Também não significa que vc. não se importa. Mas vc. não está ali para se preocupar com o problema do outro. Quem tem que lidar com isso é o professor.

Lembrei de dois retiros que fiz em que havia cães circulando na sala de meditação. Num primeiro momento era estranho aquela situação. Sou alérgica a pelos, cheiros fortes, etc. Eu via que algumas pessoas ficavam incomodadas com os cães, mas por mais que eles me distraíssem rolando no chão, bocejando, dormindo na minha frente, sonhando sonhos ruidosos, com o passar do tempo eu aprendi a ignorar a presença deles e no fim até sentia a falta quando não estavam presentes.

Todos esses eventos mais me ajudaram que incomodaram porque não me apeguei a "gosto-não gosto" disso. Vi na situação um impulso para me dedicar mais e aprender com a situação ser amorosa e compassiva.

Mestre Seung Sahn costumava dizer que uma vida fácil e confortável não é muito boa para a prática. Que precisamos complicar um pouco, no bom sentido. Se tudo está bem porque vamos querer praticar. Mas basta as coisas se complicarem e corremos para alguma pratica religiosa em busca de bem estar. Quanto quanto tempo vamos conseguir manter esse bem estar?

O bem estar não é ponto mais importante na prática religiosa e sim ter uma "mente que não sabe". Essa mente que não se move diante dos eventos e que é capaz de ficar firme e forte diante de qualquer situação. Sem perder a coragem, sem hesitar, sem temer.

Lembrei de um koan que se chama "O Búfalo d´água está passando pela janela."

Imagine se um búfalo estivesse andando na sala de meditação, passando seu rabo na cabeça das pessoas sentadas nas almofadas, babando nas suas costas, exalando seu odor e quem sabe deixando fezes pelo caminho. Quantos conseguiriam ignorar sua presença e seguir sentados sem se perturbar? Quantos não se levantariam e diriam:"Assim já é demais. Não vim aqui pra isso!" E sairiam correndo dali.

Os obstáculos são ótimos para praticar. As dificuldades são ótimas para praticar. Se tudo estiver zen, tranquilo, sem nenhum incomodo, o que acontece? Talvez nada. Talvez apenas fiquemos ali aguentando uma posição incomoda e esperando o tempo passar até que aquela prática que parece uma tortura física acabe.

Mas se soubermos usar os incomodos e as dificuldades a nosso favor podemos aproveitar muito mais da prática. E não estaremos apenas sentados sentindo as dores do corpo. Poderemos experimentar o sentar mente-corpo. A verdadeira meditação.