31 dezembro, 2012

Um ano que vem mais desperto.

Pouco tenho a dizer de um ano que quase acaba, mas sempre acaba quando tem que acabar. E quase nem percebo que já acaba pois mal começou e outro já começa.

Alguém disse que todos os dias acabam quando vamos dormir e começam quando acordamos. E quem dorme à tarde tem mais vidas ou quem não dorme, já está morto?

Conjecturas.

O que importa é não estar dormindo acordado.

Algumas vezes a gente se distrai, cochila e o momento nos surpreende com flechas certeiras de susto ou dor.

Se passei o ano sem sustos e com algumas dores que persistem sem solução que eu encontre a solução. E se ainda o acaso me reservar algumas flechas do despertar, agradecerei.  Já aprendi o caminho que se caminha de olhos fechados, de noite ou de dia. Mas isso não me faz melhor só mais sonsa. O que não é bom.

Um mestre zen costumava dizer que a vida fácil e confortável não é um bom caminho para o despertar e nem para a prática e é esse caminho que mais procuramos. O caminho das flores. Aquele que desemboca direto no inferno. Seguirei juntando pedrinhas para não andar no macio e uma lanterna que ilumine o caminho para aqueles que ainda não o encontraram, assim como alguém, algum dia, iluminou o caminho para que eu o encontrasse.

Agradeço a todos que por aqui passaram por acaso ou como leitores do acaso. Que eu possa seguir oferecendo reflexões para despertar as mentes sonolentas e que possamos nos encontrar pelas esquinas do mundo virtual ou real.

Agradeço ainda mais aos amigos e amigas que colaboraram no projeto de entrevistas. Fico feliz pelo resultado e pela oportunidade de inspirar aos que aqui passaram com suas experiências de vida e de prática.

Criem a felicidade que tanto desejam e promovam a paz que tanto clamam.  Não deixem um dia passar sem tentar, sem lembrar de que o despertar se faz momento a momento e não apenas em breves sessões de meditação. Se ainda não começou, comece agora e vá em frente. Boa sorte a todos.

26 dezembro, 2012

Meditar nos faz feliz?



Muitos gurus da felicidade estão sempre vendendo a ideia de que meditar nos faz bem, nos deixa tranquilos e tantos outros argumentos. Um mestre zen diria: "Depende!"

A longo prazo até poderíamos ariscar que, sim, faz bem. Mas a ideia de bem estar associada a meditação é ilusória. É uma isca para fisgar as pessoas para que eles se permitam experimentar uma determinada técnica meditativa. Não necessariamente meditar nos fará feliz.

Depende da nossa estrutura de mente. Há pessoas que meditam é tem nessa pratica seus aspectos mais ruins intensificados, mesmo obtendo calma e tranquilidade quando estão meditando, depois não conseguem levar a calma para seu dia-a-dia.

Buscar a felicidade na meditação pode ser frustrante porque a felicidade é um estado que você ativa ou desativa de acordo com as situações com as quais se depara e das que já estão na sua lembrança. A meditação é apenas um caminho a percorrer em direção ao momento presente.

Felicidade implica em escolhas. Escolher por remexer no passado, viver agarrado a que já passou,ao que não pode mais ser resgatado é escolher um estado que não levará à felicidade.

Às vezes a pessoa está muito mal, com dores ou sem dinheiro e sem trabalho. Cabe a ela escolher que importância dará a esses aspectos.  Não dar nenhuma importância é desleixo, mas dar demasiada importância pode não só não trazer nenhuma solução quanto imobilizar

Escolha esquecer o que já passou. Deixar ir o que o magoou, despedir-se de quem já não faz mais parte de sua vida e então a "felicidade", esse ente tão frágil e impermanente voltará a fazer parte de seu dia a dia, mas não o tempo todo. Só o tempo que você se permitir.

Comer também cura

Comida é remédio

21 dezembro, 2012

Lendo no Metro

Estava no vagão do metro em São Paulo quando vi uma senhora lendo esse livro. Buda talvez não achasse estranho um Sutra chegar a ser tão popular para ser lido no metro, então sorri para ausência de botões. Talvez seja uma versão adaptada, pois do que me lembro do Sutra de Lótus não é uma leitura tão atraente. É um Sutra do tipo esotérico. Pode ser lido nesse link.

Alguns elementos desse Sutra são usados na pratica do Zen Budismo como o Dharani, ele vem do Sutra de Lótus.

Por outro lado a leitura de Sutras sem um estudo guiado pode acentuar aspectos de apego e fanatismo.

Quem se usa mais desse Sutra é uma seita que tem crescido muito no Brasil.. Pela maneira como trabalha sua divulgação ou martela suas pregações não é considerada como budista e sim como uma seita aparte que usa elementos do budismo para ganhar adeptos e obter deles o que puderem dar em dinheiro, mesmo que um valor mínimo multiplicado por milhares.

 Alguns que sabem de eu ser budista vêem me perguntar sobre essa seita, pois ela chega aos mais pobres e distantes lugarejos. Minhas tias e minha cunhada já foram abordadas e gostaram da novidade, embora sejam católicas dizem que mal não faz. Ás vezes é chato dizer para a pessoa o que praticar ou não praticar. Quem sou eu para estabelecer o que é e o que não é budismo. Quem inventou o budismo? Alguns precisam parar com essa mania de querer lotear os ensinamentos ou se apropriar deles como se fossem seus. Se o próprio sutra de lótus apela para opções de simplismo na abordagem e na prática dizendo que basta recitar seu nome para obter a salvação porque implicar com isso. No mínimo posso dizer que não é o tipo de budismo que eu pratico, só. No mais, não me intrometo nos ismos dos outros. Eles por seu lado dirão que o que pratico não é budismo. Mas se lhe serve e lhe dá o que procuras,ok.Cada um com seu cada um.

O sutra diz que basta recitar seu nome para se iluminar. Veja bem: se iluminar e não para ficar rico, comprar um carro, arranjar um bom emprego, um namorado, etc.

Fico com a primeira opção:Sutra de lótus, sutra de lótus, sutra de lótus.........e seu eu ganhar na mega sena distribuo sutras de lótus no metro, no ônibus e na rua, pra quem quiser e quem não quiser. Boa leitura!

09 dezembro, 2012

Bossa Zen Entrevista: Jason Quinn


Jason e seu big smile



Jason foi monge por alguns anos. Residiu no Centro Zen de Providence e no Centro Zen Empty Gate em São Francisco, CA. Atualmente é abade no PZC. Há dois retornou seus votos, casou-se e já tem um filho.



BZ: Você é da Califórnia e mudou-se para Seattle para viver de música, mas nunca te vi tocando nenhum instrumento. Desistiu da música?

Antes de ir morrar no Centro Zen de Providence eu tocava violão e table (instrumento de percussão). Eventualmente, percebi que eu não tinha tempo suficiente para tocar. Agora eu ainda toco violão de vez em quando.



BZ: Você foi o mestre cozinheiro em alguns retiros. O que esse atividade te ensinou?

Muitas pessoas nos retiros precisam de energia para a sua prática, de modo que, eu ajudo a alimentá-los. Nesse momento, minha esposa está com fome, então, vou fazer seu macarrão.


BZ: Você morou muito tempo em um centro zen e continua a morar. Por que?


Quando eu comecei a praticar Zen, tentei praticar todos os dias no apartamento onde eu morava Não consegui manter uma rotina firme de pratica por isso eu me mudei para um centro zen. Além disso, quando praticava sozinho, era muito fácil, basta seguir o seu próprio carma ou ideias rígidas. Viver em uma comunidade é como um espelho para sua própria mente, por isso é muito difícil de se agarrar a essas ideias rigidas.



BZ: Qual seu trabalho atualmente?

Atualmente sou o Abade do Centro Zen de Providence, marido e pai!!


BZ: Você é muito querido e brincalhão. Isso ajuda no seu trabalho?


Eu não sabia que era! Acho que o que ajuda mais é ser sincero, honesto, e ajudar as pessoas .....isso é o que as pessoas dizem.


BZ: Por um longo tempo sua única responsabilidades diziam respeito a pratica e ao centro zen. Agora você é pai e esposo. Como se sente com novas responsabilidades?


Mais cansado! Falando sério, essencialmente, sente-me o mesmo. Apesar de tudo em nossos vidas parecer diferente, o trabalho é o mesmo, o que significa cuidar do que está na nossa frente neste momento.


BZ: Monges costumam passar três anos num mosteiro na Coreia. Por que você não teve esse treinamento?


Tornei-me monge na Escola Zen Kwan um e não na Ordem Chogye Na Kwan Um, devemos antes treinar como postulantes (Heang Ja) assim como head temple em PZC ou em Mu Sang Sa na Coreia do Sul, na ocasião o PZC precisava de um House Master. Então decidi treinar em PZC. Só fui para a Coreia para fazer 3 meses de retiro.


BZ: Você fez um retiro solo. Conte-nos como foi passar 100 dias longe da civilização e qual era sua rotina.

Foi a uma das coisas mais importantes que eu já fiz. Uma coisa que se destaca, foi o horário era exatamente o mesmo. A comida foi a mesma e o tempo foi geralmente o mesmo (dos retiros). No entanto, alguns dias eu queria ficar no retiro para sempre, alguns dias eu não podia esperar para sair. Às vezes era o retiro mais pacífico e outras vezes ele era um inferno. Ele me mostrou claramente que a nossa mente faz o bem e o mal, gosto e não gosto, fácil e difícil.
Minha rotina era basicamente  a mesma dos retiros no Centro Zen: Prostrações, cantos, meditação e um adicional de 1000 prostrações diárias.


BZ: Quando foi abade no Empty Gate Zen Center em Berkeley, CA você costumava fazer a pratica formal em Ustream uma vez por semana. Acha importante que os professores usem novas ferramentas para ensinar, como a TV online ou Skype?

Eu acho que isso é importante para chegar até as pessoas em qualquer lugar do mundo, que querem praticar e entender seu verdadeiro self. Acho que encontrar e praticar com as pessoas pessoalmente é o melhor, mas há aqueles que não vivem perto de um centro de meditação e querem praticar. Hoje a tecnologia é uma boa forma de conectar com essas pessoas e ajudá-las e dar suporte na sua pratica.

06 dezembro, 2012

O que o Budismo Ensina?



Essa é uma das perguntas que qualquer praticante vai ouvir pelo resto da vida sempre que se deparar com alguém que tome conhecimento de sua prática como budista. Respondê-la pode não ser nada fácil. Mas não respondê-la pode ser mais difícil ainda.

Eu costumo não entrar no túnel do tempo e falar das origens do Buda e toda a história a seu respeito.


Mas se a pergunta vir de uma criança então a opção de falar da história do Buda pode ser a melhor saída.

Dizer que o budismo ensina basicamente o caminho para o despertar pode puxar outras perguntas: Qual caminho? O que é despertar? Como se consegue isso?

Dizer que o budismo ensina a sermos independentes de qualquer lei superior ou Deus ou guru. Que por nós mesmos podemos decidir nossa vida baseada nas experiências que tivemos e teremos, assumindo as consequencias de nossas escolhas.

O mais comum a se dizer é que: o budismo ensina a ser bom, a viver no presente, a praticar a meditação, a praticar a generosidade e a viver sem causar o mal ou sofrimento aos outros seres e as pessoas, e que as coisas todas e nós mesmos somos impermanentes. Nada é o mesmo para sempre.


Há quem seria mais direto e diria: O budismo não ensina nada. Tudo está ai na sua frente. Perceba e agregue a sua vida.


Mas quem lembra de tudo isso quando a pergunta a queima roupa aparece?

Outras sugestões?


O Koan do Rinoceronte




"Um dia o mestre zen chamou seu assistente e disse:

-Traga-me o léque do rinoceronte.
O assistente disse:- Ele está quebrado.
-Se o léque está quebrado, traga-me o rinoceronte, disse o mestre."

Metting the Inconseivable in The Blue Cliff Record

02 dezembro, 2012

O Zen de Steve Jobs




Steve Jobs tinha um mestre zen. Parece que sim e por vinte anos. Ele se chama Kubon Chino Otagawa de Tassajara Zen Center. Esse HQ conta um pouco da trajetória de Jobs no Zen Budismo. A sua tentativa de trazer os conceitos do zen para suas criações. No vídeo abaixo os autores falam sobre o HQ.









01 dezembro, 2012

Upsaka ou Upasika.






Vi por ai algum texto meu cuja assinatura do texto aparece Upasaka Jeane Dal Bo. Mas o feminino é Upasika.. Upasakas eram os discípulos leigos de Buda. Aqueles que tomavam apenas o refúgio nos três tesouros mais cinco preceitos. Upasaka deriva de "sentar-se perto" e Upasika de "servir  ou atender."


Nenhuma das expressões me desfavorecem ou são impróprias em sua referência. De fato sou uma praticante leiga que ocasionalmente serve em sua sanga ou em retiros. E mais frequentemente serve este blog de textos e reflexões.

De qualquer forma não é um termo usual no budismo zen e sim no sudoeste asiático (Birmânia, Tailândia...), na tradição do Budismo Theravada. No zen há a expressão mas ela é bem específica e somente usada em mosteiros ou em centros durante retiros.

Há também um Sutra com o nome de Upasaka onde estão as regras para o praticante leigo.