29 novembro, 2012

Livro:Confissões de um Ateu Budista



Estava em São Paulo zapeando numa livraria e vi este livro. Não deve ser tão recente: a tradução ao português é deste ano, mas não o tinha visto ainda. O autor Stephen Batchelor já transitou pelo budismo theravada, chegou a ser monge tibetano e encontrou-se no Zen Coreano, onde também foi monge. Hoje é filosofo e ensina budismo academico. Pelo que li rapidamente ao acaso ele conta a sua experiência nesses percursos. Para quem quiser ler tanto em português quanto em inglês ou comprar no formato e-book (só em inglês). A editora Pensamento disponibiliza o primeiro cap. para ser lido aqui.  Eu, pessoalmente, não gostei de nenhum dos livros do Batchelor que li, portanto, não sei se vou arriscar ler mais um. Vou esperar que algum ateu leia e me diga algo mais sobre ele. Até acho que a esposa dele, Martine Batchelor, tem livros mais interessantes e  escreve melhor que ele.



A Amazon permite leitura de dois caps.

A sinopse do livro é essa: "Durante sua exploração pelo mundo, Stephen tornou-se monge budista e fez parte do círculo íntimo do Dalai Lama. Posteriormente, transferiu-se para um mosteiro da Coreia do Sul a fim de se aprofundar no zen-budismo. Porém, quanto mais lia sobre o Buda, mais se conscientizava de que o modo como o budismo era ensinado e praticado pouco tinha a ver com os verdadeiros ensinamentos do próprio Buda. Detalhando sua jornada Stephen reconstroi uma biografia do Buda histórico, inserindo-o no contexto social e político de seu mundo. Segundo ele, a visão do Buda estava muito distanciada da fé irrestrita e da religiosidade que passaram a definir o budismo tal qual o conhecemos hoje."


Entrevista com Batchelor 

13 novembro, 2012

O Topete Zen e Deus Careca.



O ideograma a esquerda significa altar, há também quem interprete-o como sol, lua e estrela. O ideograma da direita significa nuvens sendo cortadas por raios.  Antigamente significava falar com a natureza, também oferecer sacrifício no altar, comunicar-se com as divindades. Modernamente pode ser entendido como uma espinha ereta diante do altar. Chan, meditar sentado. Resumidamente meditar em silêncio para despertar a verdadeira natureza.

Embora muito parecido com o kanji Kami 神  (Deus), não é. Fácil confundir. Apenas pelo detalhe da franjinha sobre a cabeça Zen .  Kami não tem topete. O zen tem. Os chineses apenas aproveitaram um ideograma que já estava pronto e só acrescentaram mais o topete.Como se dissesse: O Zen vai além de Deus. Que topete! Deus está careca de saber que Deus está em tudo, até no Zen.

Na minha interpretação visual esse ideograma mais parece alguém que encontra outro alguém e ambos abrem os braços para esse encontro. Zen é se abrir para o encontro. Mas note que Deus não tem braços. Nem pernas, nem ouvidos, nem nariz, nem boca......

Brincadeira à parte, não sou especialista em ideogramas Apenas curiosa. Se tiver algum erro me falem.

08 novembro, 2012

Nada Falta

Quando chegamos ao estado de que nada falta estamos bem e felizes.
Nada falta não significa abrir mão daquilo que gostamos. Mas ver quanto apego temos por aquilo ou aquelas pessoas e que podemos deixar essas coisas e pessoas irem em paz de nossa vida, podemos deixa-la livres e escolher viver de maneira mais harmoniosa sem medo de perder ou ficar só e sem ninguém. 

Convivo com pessoas que tem medo de ficar só, que tem medo de perder coisas ou dinheiro e não vivem. Apenas estão ai para vigiar  e para guardar essas coisa que adquiriram e o dinheiro que guardaram para ter alguma segurança. É claro que ter uma reserva é importante, mas não fazer nada por temer a perda, ou se privar demais não me parece saudável. 

Há também o outro lado da moeda: Aqueles que não sabem dizer não as tentações e gastam mais do ganham e depois sofrem com uma divida que não conseguem pagar. Estão sempre endividados.

Como diz o ditado: nem tanto ao céu, nem tanto a terra. O ponto de equilíbrio está na mudança. E mudar não é algo fácil. Mas é algo que cedo ou tarde deveríamos encarar ou a própria vida nos confrontará com situações muito mais dolorosas do que se nós mesmos tomássemos a iniciativa de pôr em andamento as mudanças necessárias. Não espere que um acidente leve suas pernas para começar a andar. Use as pernas que você tem agora e faça o que de bom você pode fazer com elas. 

Se nada falta é porque tudo está completo.



05 novembro, 2012

Bossa Zen Entrevista a Autora do Blog Be More With Less.



Courtney Carver é autora do blog Be More With Less onde escreve como viver melhor simplificando sua vida. Escrever no blog rendeu-lhe dois livros e oportunidade de ajudar muitas pessoas que tem dificuldade em organizar sua vida e seus negócios. Ela deixou seu trabalho para se dedicar a essa tarefa e diz-se muito satisfeita pela escolha que fez.



Bossa Zen (BZ): Quando você percebeu que poderia viver com menos? Conte-nos sua experiência.


Courteney Caver (CC): Toda vez que eu doava alguma coisa eu percebia que poderia viver com menos do que eu tinha. Meu caminho, para simplificar minha vida, começou em 2006 quando eu fui diagnosticada com Esclerose Múltipla. Esse diagnóstico me fez ver de forma dura como eu estava vivendo minha vida. Eu comecei a simplificar minha vida com uma dieta, depois eu passei a simplificar minhas contas e as coisas e finalmente o tempo e as obrigações.


BZ: Como você está agora?


CC: Estou muito bem. Estou 100% recuperada.



BZ: Por que você decidiu pôr sua experiência em um blog?


CC:Decidi escrever um blog  sobre minhas experiências em viver com menos  para inspirar e conectar-me  com outras pessoas que queriam fazer o mesmo. Eu queria demonstrar que mudar é possível.

BZ: O que sua família e amigos pensam sobre sua atividade como blogueira?


CC: Meus amigos e minha família são muito favoráveis e ficaram animados com as oportunidades que a atividade de escrever em um blog trouxe para mim.



BZ: Como minimizar nosso apego àquelas coisas que acumulamos em toda nossa vida e deixá-las ir?


CC: Essa é uma excelente pergunta. Nós passamos toda nossa vida comprando, juntando, colecionando e armazenando coisas. Nós só conseguiremos deixar essas coisas irem facilmente quando nós identificarmos o que é mais importante para nós. Para mim, o mais importante é amor e saúde. Se alguma coisa que eu possuo não contribuir para gerar amor e saúde, então será fácil dizer adeus a elas. 




BZ: Algumas pessoas pensam que não conseguiriam viver com menos e acumulam muitas coisas que elas pensam que um dia irão precisar. Esse tipo de atitude pode ser doentia?


CC: Muitas vezes, nós comparamos nossas vidas com nossos vizinhos, ou propagandas ou a sociedade em geral.  Achamos que precisamos de mais para acompanhar os outros. Eu encontrei no oposto a verdadeCostumava pensar que precisava de muito dinheiro para encontrar a liberdade, mas, na realidade, possuir menos significa que preciso menos. Essa é a chave para a liberdade.



BZ: Você acha que ter mais do que precisamos só complica nossa vida?


CC: Viver com menos é a chave para viver melhor? Sim, reconhecendo o que é “o suficiente” e eliminando a necessidade de mais, nos livramos de muitas complicações.

Para mim o único jeito de ajustar o que é “o suficiente” foi experimentando viver com menos do que eu pensei que eu precisava.

O que eu pensei que seria um dificuldade se transformou em uma bênção e uma nova forma de viver.




BZ: Buda costumava dizer que quando estamos buscando por distrações não estamos vivendo. Como podemos viver sem distrações?


CC: Há muitas maneiras de eliminar a distração, mas eu acho que uma das coisas mais importantes a fazer é declarar jejuns digitais ou licenças sabáticas digitais. Eu tento desplugar-me por um determinado período de tempo todos os dias e um longo período de tempo cada semana.

BZ: Você poderia falar sobre a ideia das mini-missões e como elas funcionam?


Eu comecei a escrever sobre as mini-missões como uma forma de as pessoas experimentarem imediatamente os benefícios de viver com menos. Às vezes leva um tempo para realmente apreciar as mudanças que você fez, mas as mini-missões vão te dar um impulso de confiança ao longo do caminho. Elas normalmente são pequenas ações que você pode colocar em pratica imediatamente.

BZ: O que você escreve no seu blog rendeu-lhe dois livros. Escrever tornou-se seu principal trabalho ou você tem outros projetos além do blog?


 CC: Escrever é uma grande parte do meu trabalho, mas eu também trabalho com clientes para ajudá-los a simplificar seus negócios, começar um novo projeto, ou fazer uma grande mudança. Eu amo meu trabalho.


 

  














  

BZ: Quais outros bloggers inspiraram você nessa jornada como escritora?


CC: Muitos blogueiros me inspiraram! Alguns também escrevem sobre simplicidade esses são os que eu gosto mais: Joshua Becker, Joshua Millburn and Ryan Nicodemus, Leo Babauta, Tammy Strobel, Francine Jay e outros blogueiros que escrevem sobre outras coisas que eu também gosto e tenho interesse como: Ali Edwards, Kris Carr, Chris Guilibeau,Tyler Tervooren and Heidi Larsen. Há muitos mais. O que eu mais gosto nesses blogueiros é sua integridade, transparência e vontade de agir.

02 novembro, 2012

Por que tememos a morte?

Buda em Parinirvana


Vir de mãos vazias, ir de mãos vazias; isso é humano.
Quando você nasceu, de onde você veio?
Quando você morrer, para onde você vai?

O Percurso Humano in: The Whole World is Single Flower

Devemos ser diligentes hoje.
Esperar pelo amanhã será tarde demais.
A morte chega inesperadamente.
Como barganhar com ela?

Gatha in Velho Caminho, Nuvens Brancas p. 265



Morrer faz parte do ciclo de uma vida. Até os mais ignorantes sabem que é o corpo que fenece. Que enfim não podemos nos arrastar por ai com esse corpo infinitamente a menos que sejamos da classe dos zumbis, ou vampiros, que são personagens, e não seres vivos.


Alguém diria que não quer morrer por que tem medo da finitude da vida. Ou por que não sabe o que tem do outro lado. No fundo as pessoas não querem morrer porque sabem que por mais conhecidas ou estrelas que sejam, acabadas as homenagens serão esquecidas. Exceção as pessoas que ficam doentes com a morte de alguém, todos nós seremos sumariamente esquecidos. O ego que é vaidoso não gosta da morte. O ego sabe que a morte o desfavorece.

Saber que a vida continua é um alento para muitos. O corpo é deixado de lado como um carro velho que não pode mais ser concertado. Quando for possível entramos em outro carro novinho e a vida segue num continuom sem fim.

Se pensarmos que "A vida" é apenas energia vital que se renova ou vem e vai por que temer. Do ponto de vista Budista deveríamos temer nossa mente e não a morte. Nossa mente enquanto energia pulsante vem e vai e o que acumulamos em cada vida fica registrado (depositado) nela. Como se carregássemos um baú nas costas vida após vida.Tema a sua mente não a morte do corpo físico.