30 outubro, 2012

Questões sobre a Morte

Perguntas e respostas dadas por Monja Coen sobre a morte:




Yoga Journal: Como superar a dor de perder alguém querido?

MC: Através da memória correta. Tudo é passageiro, transitório. Sofremos a perda e perdemos o sofrimento também. Precisamos nos refazer e refazer a teia de relacionamentos que fica fracionada com a morte de alguém próximo. Saber que um pouco de nós morre com nossos amigos e parentes e que um tanto grande de quem morreu vive em nós. Como dar vida a vida em nossas vidas?


YJ: O tempo é o melhor remédio?

MC: Somos o tempo. Não é remédio o tempo. O remédio é a sabedoria suprema. A compreensão da transitoriedade. A aceitação da vida-morte como um processo de causas-condições-efeitos. E todos somos essa teia de inter-relacionamentos. Não podemos apenas ficar nos lamentando pelo que perdemos, centrados em nosso ego. É preciso orar pelos que se vão. Agradecer suas vidas, seus momentos conosco e libertá-los de nossos apegos.

YJ: Qual é o medo maior de morrer ou de perder alguém?

MC:Depende de cada um. O essencial é conhecer o medo. O que é o medo? Como se manifesta em nosso corpo? Como ficam nossos músculos, nossa respiração e o batimento cardíaco? Então reconhecemos o medo e não somos mais controlados pelo medo. Ninguém quer perder um filho, uma filha, uma criança. Quantos pais não entregam suas vidas para manter a de seus filhos? Talvez nosso instinto de preservação da espécie seja mais forte em manter as vidas sucessivas invés de primeiro pensarmos nas nossas. Mas nem todos são assim. E isso não são pensamentos de valores, quem é melhor, quem é pior. Apenas somos o que somos. E somos processos em transformação.

YJ: É possível ser feliz depois da morte de alguém muito querido?

MC Sempre é possível ser feliz. A felicidade está em nós. Uma capacidade de contentamento mesmo nas maiores dificuldades, dores e perdas. Reconhecemos o processo vida-morte em ação. É o nosso processo. E todos vamos morrer, assim como todos nossos ancestrais morreram. Faz parte da natureza humana. Não apagamos a memória. Não substituímos a pessoa por outra, mas continuamos nossa jornada, levando em nosso ser a marca da dor, mas não o peso, o trauma, a incapacidade de viver. Somos a vida. Somos a morte. Estamos todos inter-relacionados. Intersomos.

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