17 setembro, 2012

Bossa Zen Entrevista:Do Kwang

Jeff e seu amigão.



Jeff Partridge (Do Kwang) vive em Jeong Won Am, um eremitério em Providence,Rhode Island,US, com sua noiva Emily e seu cão Buster Blue. Ele trabalha como diretor executivo no Centro Zen de Providence e é Head Temple da Escola Zen Kwan Um na América.

No passado, em 1999, enquanto estudava Ética na UMass em Boston, Jeff praticou Choy Lee Fut (Shaolin Kung Fu) e Lohan Qigong, artes marciais cujo estilo vem do Budismo chinês e de Bodhidharma, o primeiro patriarca do Zen Budismo. Durante esse tempo os ensinamentos do Mestre Zen Seung Sahn e do Mestre Chan Hsu Yun (Nuvem Vazia), também tiveram influencias sobre ele.

Jeff decidiu afastar-se das artes liberais e da educação materialista para tornar-se um ativista, músico e escritor. Ele passou dez anos ajudando diferentes ONGs até pouco depois das eleições presidenciais de 2008. Desde então, ele tem vivido uma vida simples, praticando como um estudante Escola Zen Kwan Um (orden Chogye) e como seminarista na Ordem budista coreana Taego. Ele lidera um pequeno grupo de meditação nas manhãs de sábado em seu apartamento em Providence. 


Bossa Zen (BZ):Jeff, você diz no seu perfil que vive um eremitério, como é isso?
 
Jeff (JF): Eu moro em um apartamento em Providence, RI, que costumo chamar de eremitério. Em nossa tradição coreana sempre houve monges ou leigos, que, apesar de sentir uma conexão com a vida monástica, por algum motivo, precisam praticar a maior parte do tempo longe dos outros. A palavra coreana para casa é "Am", que também se refere a uma ermida. Eu sinto uma imensa vocação para a nossa prática e de compartilhá-la com os outros. Como tenho compromissos familiares e não sou um monge me pareceu natural transformarminha casa em um lugar para a pratica espiritual também. Então transformei minha casa em Jeong Won Am. (Casa Originalmente Pura)

Para mim, funciona bem, mas eu gostaria também de viver, um dia, no Centro Zen de Providence (como residente). Eu acho que a maioria das pessoas têm dificuldade em praticar quando vivem sozinhas. Isso não é um julgamento, mas o que eu ouvi dos outros. É bom treinar com a Sangha pelo menos uma vez por semana, se possível. Na pratica dos cantos é onde eu noto a maior diferença. As 108 Prostrações também é bom quando feito como uma ação em grupo. Por outro lado, quando estou sentado sozinho em casa, eu nãopreciso me preocupar tanto com minhas contas clicando (as contas do rosário) em relação a quando sentado com um grupo. E você? Você vive em um eremitério? Como é isso para você?
 

BZ: Seu eremitério está aberto para quem queira vir praticar com você?


Um lugar para prática.


JF: Sim. Há muito tempo comecei um grupo nas manhãs de sábado. Fazemos três períodos de 50 minutos de meditação sentado intercalados por meditação andando. Quem já frequentou o Centro Zen de Providence ou tem alguma experiência anterior em meditação é bem-vindo. Só peço às pessoas que me avisem com 48 horas de antecedência para que eu possa passar todos os detalhes.

 
BZ: Quanto tempo você pratica na Kwan Um?

JF: Três anos.

BZ: A Ordem Taego aceita monges leigos. Você pretende ordenar-se monge?

JF: Eu estava interessado na possibilidade de tornar-me um professor do Dharma na ordem Teago e não um monge. Esse caminho parecia mais claro para mim. Professores do Dharma na Taego-Jong recebem 10 preceitos no início e 48 no final da graduação. O que seria equivalente a um professor Bodisattva na Kwan Um. Pareceu-me um caminho digno de tentar praticar os preceitos. Então, quero deixar claro que não tenho intenção de ser monge celibatário ou leigo.
 

BZ: É possível fazer parte de duas ordens ou você teria que escolher uma delas?
 

JF: Participei de dois semestres do Seminário da Taego-Jong. Ficou claro, depois de algum tempo, que eu teria que escolher ou uma escola ou outra. Para mim o ensinamento do Mestre Zen Seung Sahn é mais claro e mais simples, então a decisão de apenas ser filiado a Kwan Um foi fácil. Eu prefiro a experiência direta de sentar, fazer prostrações e cantar, bem como trabalhar com o Haw-Du e Kong-Ans, enquanto que a ordem Taego pareceu-me mais focada em atividades acadêmicas. Eu ainda mantenho um bom relacionamento com meus professores e colegas de classe da ordem Taego e os ajudo para que eles continuam a crescer no Ocidente.
 

BZ: Você já havia praticado em outros estilos de Budismo antes de encontrar Escola Zen Kwan Um. Como foi esse encontro?
 

JF: A primeira vez que ouvi falar da Escola Zen Kwan Um foi no final dos anos 90 ... Eu tinha um monte de ideias sobre o mundo, a religião organizada, etc ... Então eu nunca fui para o Centro Zen. Gostava de ler os ensinamentos e pensar: "Ah! Eu entendo. " E coisas assim, mas não tinha a experiência direta do meu entendimento, apenas sabia sobre a experiência de outras pessoas. 

Eu vivi e trabalhei a minha vida inteira próximo da estrada onde o Centro Zen de Providence está localizado e nunca foi lá! Eu ouvia coisas como: "Aqueles budistas loucos" com frequencia, mas nunca fui lá. Enfim, quando voltei de Boston para minha casa em Providence, então eu li um pouco Bodhidharma, e o Mestre Chan Hsu Yun, e, claro, Mestre Zen Seung Sahn, mas ainda não fazia a prática da meditação real. 

Por um curto período de tempo eu pratiquei artes marciais chinesas em um estilo chamado Choy Lee Fut. O fundador desse estilo foi obrigado a estudar e praticar o budismo por dez anos antes que seu professor, que era um monge, lhe ensinasse quaisquer artes marcias. Eu sempre achei isso impressionante, especialmente porque ele já era considerado um grande Mestre antes desse teste. Então eu fiquei ligada ao Budismo assim também. Lá por 2009 comecei a praticar indo eventualmente ao Centro Zen de Providence. Foi lá que o monge Kwan Sahn Sunim apareceu na minha vida e realmente me mostrou o caminho. Kwan Sahn (Jason Quinn) hoje não é mais monge.
 

BZ: Muitas pessoas vivem perto do Centro Zen de Providence nunca estiveram lá, não é? E muitas pessoas veem de outros países.
 

JF: Sim, é verdade! Eu encontro pessoas o tempo todo que vivem perto ou na mesma cidade que nem sabia que o centro zen estava aqui. Sinto-me tão feliz de fazer parte de um sangha internacional. A paz acontece todos os dias aqui quando temos russos, tchecos, coreanos, americanos e brasileiros vivendo e praticando juntos sob o mesmo teto.
 

BZ: Quantos preceitos você tem e quem foi seu prrofessor de preceitos?

JF: Eu tenho cinco preceitos. Meu professor de preceitos foi o Mestre Zen Dae Kwang mas eu considero que este momento é o verdadeiro professor. Todavia, eu trabalho em um centro zen e convivo com muitos professores como Mestre Zen Bon Haeng, Mestre Zen Soeng Hyang, Nancy Hedgpeth JDPSN e José Ramírez JDPSN. Tenho a oportunidade de praticar com todos eles. Eu me sinto muito feliz por ter esta carma. Eu não sinto a necessidade de me identificar com um professor em em particular. 

 
BZ: Qual é a importância de ter preceitos?

JF: Isso cabe a cada um decidir. No entanto, em algum momento você terá que fazerum compromisso público para sinalizar qual a direção de sua vida.
 

BZ: Como parte do staff do PZC qual é o seu trabalho?

JF:Eu trabalho no escritório como diretor. Como posso ajudá-lo?
 

BZ: Você acha que é importante viver perto de um centro zen ou viver como residente para melhorar a nossa prática?

JF: Todos nós temos nosso próprio carma individual, de modo que nem sempre é tão preto no branco. Praticar com um grupo é importante por isso gostaria de encorajar a todos para pratica, se puderem.
Como eu nunca vivi em um Centro Zen não posso dizer se ser residente iria melhorar a nossa pratica. Para alguns sim, outros não. Todos devem ver por si mesmos. Experimente!
 

BZ: O que você diria para quem não pode acessar um centro zen ou um grupo zen?

JF: Comece fazendo prostrações, cantando e fazendo meditação sentado. Talvez um grupo se forme perto de você. Também há muitos vídeos e outras mídias disponíveis: palestras de Dharma, cantos, etc, que podem ajudar a ter uma ideia de como começar a praticar. Você também pode convidar um professor para ir até sua cidade para dar uma palestra pública e gerar interesse.
Também gostaria de tentar fazer exatamente o que você já está fazendo e visitar locais como PZC uma vez por ano.
 

BZ: Soube que você deu a sua primeira palestra do dharma recentemente. Muitas pessoas têm medo de falar em público ou se sentem desconfortáveis. Como foi?

JF: Parte de nossa prática é fazer as coisas que achamos assustadora ou desconfortáveis, mas nem todos são talhados para dar palestras de Dharma também. Se achamos que essas ideias e sentimentos estão nos controlando, então, temos de voltar para o nosso centro e a nossa prática. Eu, você, podemos fazer isso, então qualquer coisa não será um problema.
 
 Eu me diverti falando na minha palestra e espero que as pessoas que ouviram também.
 

BZ: Você ainda é um ativista?

JF: Claro, mas eu não estou mais envolvidocom partidos políticos ou ONGs. Uma vez eu vi alguém pegar um pedaço de lixo da calçada e jogá-lo na lixeira. Isso também é ativismo.
 

BZ: Como você age no seu dia a dia para praticar o que aprendeu no zen budismo?

Cada momento é apenas assim como é...escrevendo,lendo, em frente a uma tela de computador. Uma combinação de “O que é isso? Não seiiiiiiiiiiiiiiiiii!” Ações de Bodisattva, momento a momento.  
 


BZ: Vi o seu cão Buster (foto) sentado no colchão de meditação. Será que ele está meditando com você?



Buster tentando meditar!


JF: (Sorrindo) Sim, Buster Blue muitas vezes fica sentado na almofada ao meu lado. No entanto, nas prostrações matinais, ele geralmente está dormindo!


BZ: Tem mais alguém na sua família que tem praticadoe praticou no Zen Budismo, exceto o seu cão?


JF: Não que eu saiba ... Minha noiva Emily vem ocasionalmente fazer prostrações comigo, mas eu não acredito que ela se considere uma praticante.


BZ: Que interesses você tem além do Zen Budismo? Você joga alguma coisa, canta, escreve epinta, faz poesias,etc.


JF: Sim, eu fiz todas essas coisas e desfrutei muito delas. A rotina entre o Centro Zen e a vida em casa, eu também gosto de jogar beisebol e bilhar, ou tocar música com os amigos. Eu sou muito simples, no meu ponto de vista.


Entrevista feita por mim a Jeff, em inglês e traduzida ao português com auxilio nem sempre luxuoso do google tranlator, que ao invéz de otimisar meu tempo me dá mais trabalho pois ainda demanda muitas correções. Algumas edições foram necessárias, mas nada que altere o que Jeff disse. Editar é necessário :-)

2 comentários:

Anónimo disse...

Boa tarde, gosto muito de ler seu blog, acho muito inspirador.

Parabéns.

Com relação à formatação: já tentou jogar o texto no bloco de notas?

Abraço!

Jeane Dal Bo disse...

Obrigada pela dica!