30 setembro, 2012

Kwan Seum Bosal

Foto by Paula Hrešková



Kwan Seum Bosal, conhecida como Avalokitesvara em Sanscrito, é o  bodhisattva da compaixão. Nascida de um raio de luz vindo dos olhos de Amitaba, Kwan Seum Bosal ajuda aqueles que chamam por ela. Kwan Seum literalmente significa "perceber o som do mundo," o que também é traduzido por "aquele que ouve as suplicas dos que sofrem." Ou seja, ela emana grande amor e grande compaixão.



28 setembro, 2012

A Nova Onda é Ser Coreano/a.

Quem já não andou com a bandeira do Estados Unidos ou Grã-Bretanha em algum acessório. Pois a onda agora é andar com a bandeira da Coreia do Sul, aprender coreano e até ir para a Coreia. Todas essas ondas foram alavancadas por bandas de música. A bola da vez é o K-Pop (Korean Pop) ou A-Pop (Asian Pop). Grupos ou cantores são capazes de arrastar multidões, mesmo aqui no Brasil. Certa vez presenciei um grupo de meninas e meninos desvairados por um grupo que estava se apresentando na Paulista. Eles vieram de Belém para ver os coreanos certamente cartar com playback. Os coreanos/nas são bonitinhos e isso deve contar mais que o que eles cantam que certamente quase ninguém entende. Como qualquer onda, essa também vai passar. Se alguém aprender coreano por conta da beleza de alguns pop singer ótimo. É claro que no meio de muito barulho para aparecer tem alguma pérolas basta garimpar ou seria galopar. Muitos  usam melodias conhecidas, mas não sei se são versões de canções conhecidas no Ocidente. Eles também cantam em inglês.










26 setembro, 2012

Cientistas comprovam que viver no presente é melhor que viver disperso.

Este artigo não é de minha autoria.

Artigo publicado na Revista Science comprava que a felicidade só pode ser encontrada vivendo no momento presente.

 

Mente dispersa não é mente feliz 

Por Steve Bradt
Artigo publicado originalmente em inglês no portal Harvard Science 

Tradução: Elisabete Santana


Os psicólogos de Harvard, Killingsworth [à esq.] e Gilbert.
As pessoas despendem 46,9% de suas horas de vigília pensando em algo diferente do que estão fazendo, e essa mente divagante normalmente as torna infelizes. É o que diz um estudo que utilizou um aplicativo para iPhone para reunir dados sobre como temas de pensamentos, sentimentos e ações fazem parte de suas vidas. 

A pesquisa, dos psicólogos Matthew A. Killingsworth e Daniel T. Gilbert, da Universidade de Harvard, está descrita na edição de novembro/2011 da revista Science.

“A mente humana é uma mente dispersa, e uma mente dispersa é uma mente infeliz”, escrevem Killingsworth e Gilbert. “A habilidade de pensar sobre o que não está acontecendo é um feito cognitivo que traz um custo emocional.”

Ao contrário de outros animais, os humanos passam muito tempo pensando sobre o que não está acontecendo ao seu redor: contemplando eventos que aconteceram no passado, que poderão acontecer no futuro ou que nunca acontecerão. Na verdade, a mente divagante parece ser o modo padrão de operação do cérebro.


Para rastrear esse comportamento, Killingsworth desenvolveu um aplicativo para o iPhone que contatava 2.250 voluntários em intervalos aleatórios para perguntar-lhes o quanto estavam felizes, o que faziam naquele momento e se estavam pensando em sua atividade atual ou em outra coisa que era agradável, neutra ou desagradável.

Os indivíduos podiam escolher entre 22 atividades generalizadas, como caminhar, comer, fazer compras e assistir televisão. Em média, os entrevistados relataram que suas mentes estavam divagando 46,9% do tempo, e nada menos que 30% do tempo durante cada atividade, exceto fazer amor.

“A mente errante aparece onipresente em todas as atividades”, diz Killingsworth, estudante de doutorado em psicologia em Harvard. “Este estudo demonstra que nossas vidas mentais são permeadas, em um grau notável, pelo não-presente.”

Killingsworth e Gilbert, professor de psicologia em Harvard, descobriram que as pessoas eram mais felizes quando estavam fazendo amor, se exercitando ou participando de uma conversa. E eram menos felizes quando em repouso, trabalhando ou usando o computador em casa.

“A mente errante é um excelente indicador de felicidade das pessoas”, afirma Killingsworth. “De fato, o quanto nossas mentes deixam o presente e para onde vão é um melhor indicador de nossa felicidade do que as atividades que desempenhamos.”

Os pesquisadores estimam que apenas 4,6% da felicidade das pessoas em um dado momento é atribuída a uma atividade específica que ela ou ele está fazendo, enquanto a condição de mente errante é responsável por cerca de 10,8% da felicidade dela ou dele.

Análises de longo tempo conduzidas pelos pesquisadores sugeriram que a mente dispersa de seus objetos de estudo eram geralmente a causa, e não a consequência, de sua infelicidade.

“Muitas tradições filosóficas e religiosas ensinam que a felicidade pode ser encontrada ao viver o momento, e praticantes são treinados a resistir à mente errante e ‘estar no aqui, agora’”, acrescentam Killingsworth e Gilbert. “Estas tradições sugerem que uma mente dispersa é uma mente infeliz.” Com esta nova pesquisa, dizem os autores, essas tradições estão corretas.

Os 2.250 entrevistados por Killingsworth e Gilbert em seu estudo têm entre 18 e 88 anos, representativos de uma ampla gama de classes sociais e profissões. 74% dos participantes são norte-americanos. Mais de cinco mil pessoas estão usando o aplicativo para iPhone.
Artigo do Blog Cultura da Paz.

24 setembro, 2012

Meditação não é Controlar os Pensamentos.




Há muitos textos que se referem a meditação dizendo que meditação é "controlar os pensamentos" ou até "parar de pensar". Não sei quem começou essa história mas para mim esse tipo de conceito é um equivoco. A pratica da meditação vai mostrar que isso não ocorre.

Parar de pensar é possível sim. Mas por alguns minutos ou segundos. Existem técnicas bem simples para obter esse estágio como o uso de uma pergunta: "O que é isso?" por exemplo. Quando você está tagarelando com seus pensamentos você põe a pergunta no meio: "Bla,bla, bla... O que é isso?"  "Bla, bla, bla.... O que é isso?" ....Ou simplesmente contando a respiração ou focando nela também é possível obter momentos vazios entre os bla bla blas.

Com o tempo essas paradas ou voltas ao momento presente que a pergunta proporciona podem criar um espaço vazio entre um pensamento e outro. A pergunta não deve ser respondida.  É como se você dissesse  a si mesmo: "Atenção!". "Volte a esse momento."  Só isso.

O que acontece quando paramos de pensar?

Quando você percebe que não está pensando você vai por força do hábito tentar pensar e ai aquele momento raro se desfaz. Ou você tenta pensar e não consegue pensar e então você pode ficar eufórico ou   com medo de não voltar mais ao "normal" e ai você  tem de volta seus bla, bla, blas. Então seu medo te puxa de volta para o aquilo que você conhece e se sente melhor: o mundo dos pensamentos e das distrações. Nossa zona de conforto está sempre fazendo seu papel muito bem. Na maior parte das vezes você nem percebe que teve esse espaço vazio entre os pensamentos.

Mas saiba que mesmo quando você conseguir "parar de pensar" você ainda estará pensando. O que para é o bla, bla bla do pensamento racional  E o universo não racional se torna acessível. Nele você pode experimentar outro lado do pensamento. Não há como descrever com palavras porque nem bla bla, bla você vai conseguir dizer ou pensar.

Mas nós não vivemos dessa maneira. Pela pouca experiência que tive acho que seria improvável que fosse viável viver desplugado permanentemente de nossos pensamentos. Somente o Buda chegou a esse estado em condições adequadas e num tempo e lugar bem mais favorável que o nosso. Nem é esse o objetivo da meditação. Nós vivemos num mundo pensante e precisamos dos pensamentos no dia-a-dia. Aquela história que você já ouviu muitas vezes: "Quando andar, apenas ande. Quando comer, apenas coma..." Isso é o exercício da atenção plena. Nesse modesto exercício podemos encontrar o não-pensamento. Podemos experimentar essas técnicas com segurança durante um retiro zen budista. E depois levá-la para nosso cotidiano.

Quando alguém busca a meditação para controlar os pensamentos ou deixar de tê-los isso pressupõe que essa pessoa não quer seus pensamentos, que essa pessoa tem algum problema e acha que deixando de pensar vai resolver seu problema. Para deixar de pensar em algo que nos causa dor ou sofrimento precisamos aprender a mudar de foco. O pensamento vem e mudamos o foco para outro assunto ou para a respiração ou para uma pergunta: "O que é isso?" ou para um mantra. Nesse aspecto a meditação é útil. Mas ela não resolve seus conflitos, dores e sofrimento. Ela apenas te ensina uma ferramenta para lidar com o problema. Como um experimento. Você só vai saber se funciona experimentando. Mas quem tem que fazer isso é você. Como? Vendo o que você tem feito no seu dia a dia. Suas ações. Quem faz ou quem busca o sofrimento somos nós. Direta ou indiretamente. Se você não pode resolver agora, você pode amenizar o sofrimento mudando de foco até que o sofrimento perca força sobre você, se dissipe da sua mente ou a situação mude. Você pode prestar mais atenção para evitar cair em novos campos de sofrimento. Às vezes nós insistimos no mesmo erro por que estamos apegados em alguma coisa ou alguém. E sobretudo abandone a masmorra do passado. Nela reside a grande parte dos nossos pesares. Enquanto estivermos presos ao passado ou ansiando por algo que ainda não aconteceu não teremos paz em nossa mente.

Usar a meditação para fugir de algum problema pode não ser uma boa ideia. Você também pode achar que meditando vai  resolver o problema de alguém. Mas o problema dos outros cabe a eles resolverem.

Sim, meditando você pode harmonizar-se com o universo e mudar o mundo a sua volta. Quando sua mente muda o ambiente muda, as pessoas mudam. O universo conspira a seu favor.

A meditação nesse sentido atua como um remédio. Curamos a nós mesmos e todo o universo se beneficia. Mesmo que esse universo tudo não seja exatamente o grande universo. Então ninguém precisa sair por ai querendo concertar o mundo e as pessoas. Basta meditar e a força da meditação é suficiente para curar o mundo. Como isso acontece? Só experimentando na pratica.

E os pensamentos? Deixe-os em paz. Deixe-os virem e irem da sua mente livremente sem prender-se a eles. Quando virem mude o foco para a respiração, ou a pergunta ou o mantra...

21 setembro, 2012

Quantos Braços Você Tem?




Da série Buda também vende livros: "The Budhha`s Diamonds" de Corolyn Marsden e Thây Pháp Niêm.

A história se passa no Vietnã. "Todas as manhãs o garotinho Tihn acorda cedo para acompanhar seu pai que é pescador. Eles pescam o peixe e levam para vender no mercado. Eles pescam em um barco feito de bambu trançado que parece da cor do ouro em contraste com a cor turquesa do mar. E Tihn se sente orgulhoso de trabalhar ao lado do seu pai (Ba). Durante um ciclone que devasta a vila, eles perdem tudo: o barco feito pelo avô de Tihn, a casa fica descoberta, a irmã se fere na confusão para salvar os barcos na praia. Sem a pesca que sustenta as famílias da vila Tihn se vê obrigado a mendigar por um pouco de arroz na vizinhança. Um ajuda ao outro, como na guerra. Por algum momento ele gostaria de ser apenas uma criança, de jogar bola, empinar pipa, de ter algo mais do que apenas o suficiente para comer, talvez um carrinho com controle remoto como as crianças que tem parentes na América e por isso vivem melhor. Mas seu pai precisa de sua ajuda para consertar o barco e seguir pescando.  A família de Tihn é budista e a medida que os eventos ocorrem o garoto lembra-se do que ouviu o monge falar certo dia no templo. "Hoje eu ofereço a vocês um punhado de diamantes. Não um diamante. Vocês devem pensar que temos pouco na nossa vila. Vocês devem pensar que estamos tristes mas nós temos o sol e a lua, a fonte de todos os poemas. Nós temos o diamante de nossa mãe. Mesmo que sua mãe tenha partido, você a tem com você. Você tem o diamante do seu pai....O mar cheio de peixes, o ar fresco, o ar respirado para dentro e para fora de nosso corpo- todas essas coisas são belos diamantes na nossa vida, brilhando dia e noite. O Buda oferece a vocês esses diamantes de verdadeira felicidade..."

A história se passa sete anos após a guerra do Vietnã ter terminado mas o assunto "guerra" ainda está muito presente na lembrança dos mais velhos. O Vietnã sofreu durante a guerra e depois com o excesso de minas espalhadas pelo país. Muitos perderam a vida ou partes do corpo pisando nelas. ONGs se dedicaram a angariar fundos para desarmar as minas, processo que ainda não acabou.

A história relatada no livro foi ouvida pela autora, do vietnamita Thây Pháp Niêm que estava no Mosteiro Deer Park na Califórnia, comunidade dos seguidores do monge Tihn Nhah Hanh.

E quando as coisas apertamTihn chama pelo Bodisattva da Compaixão "Phat Ba Quam Ahm." ou Avalokiteshvara, para eles a Grande Mãe da Sabedoria e da Compaixão que nos protege e ajuda quando seu nome for chamado.

Tihn ouve o monge dizer que ela tem mil braços e olhos e ele tenta ver na estátua que seu pai leva no barco quantos braços ela tem. Quantos braços VOCÊ tem?

17 setembro, 2012

Bossa Zen Entrevista:Do Kwang

Jeff e seu amigão.



Jeff Partridge (Do Kwang) vive em Jeong Won Am, um eremitério em Providence,Rhode Island,US, com sua noiva Emily e seu cão Buster Blue. Ele trabalha como diretor executivo no Centro Zen de Providence e é Head Temple da Escola Zen Kwan Um na América.

No passado, em 1999, enquanto estudava Ética na UMass em Boston, Jeff praticou Choy Lee Fut (Shaolin Kung Fu) e Lohan Qigong, artes marciais cujo estilo vem do Budismo chinês e de Bodhidharma, o primeiro patriarca do Zen Budismo. Durante esse tempo os ensinamentos do Mestre Zen Seung Sahn e do Mestre Chan Hsu Yun (Nuvem Vazia), também tiveram influencias sobre ele.

Jeff decidiu afastar-se das artes liberais e da educação materialista para tornar-se um ativista, músico e escritor. Ele passou dez anos ajudando diferentes ONGs até pouco depois das eleições presidenciais de 2008. Desde então, ele tem vivido uma vida simples, praticando como um estudante Escola Zen Kwan Um (orden Chogye) e como seminarista na Ordem budista coreana Taego. Ele lidera um pequeno grupo de meditação nas manhãs de sábado em seu apartamento em Providence. 


Bossa Zen (BZ):Jeff, você diz no seu perfil que vive um eremitério, como é isso?
 
Jeff (JF): Eu moro em um apartamento em Providence, RI, que costumo chamar de eremitério. Em nossa tradição coreana sempre houve monges ou leigos, que, apesar de sentir uma conexão com a vida monástica, por algum motivo, precisam praticar a maior parte do tempo longe dos outros. A palavra coreana para casa é "Am", que também se refere a uma ermida. Eu sinto uma imensa vocação para a nossa prática e de compartilhá-la com os outros. Como tenho compromissos familiares e não sou um monge me pareceu natural transformarminha casa em um lugar para a pratica espiritual também. Então transformei minha casa em Jeong Won Am. (Casa Originalmente Pura)

Para mim, funciona bem, mas eu gostaria também de viver, um dia, no Centro Zen de Providence (como residente). Eu acho que a maioria das pessoas têm dificuldade em praticar quando vivem sozinhas. Isso não é um julgamento, mas o que eu ouvi dos outros. É bom treinar com a Sangha pelo menos uma vez por semana, se possível. Na pratica dos cantos é onde eu noto a maior diferença. As 108 Prostrações também é bom quando feito como uma ação em grupo. Por outro lado, quando estou sentado sozinho em casa, eu nãopreciso me preocupar tanto com minhas contas clicando (as contas do rosário) em relação a quando sentado com um grupo. E você? Você vive em um eremitério? Como é isso para você?
 

BZ: Seu eremitério está aberto para quem queira vir praticar com você?


Um lugar para prática.


JF: Sim. Há muito tempo comecei um grupo nas manhãs de sábado. Fazemos três períodos de 50 minutos de meditação sentado intercalados por meditação andando. Quem já frequentou o Centro Zen de Providence ou tem alguma experiência anterior em meditação é bem-vindo. Só peço às pessoas que me avisem com 48 horas de antecedência para que eu possa passar todos os detalhes.

 
BZ: Quanto tempo você pratica na Kwan Um?

JF: Três anos.

BZ: A Ordem Taego aceita monges leigos. Você pretende ordenar-se monge?

JF: Eu estava interessado na possibilidade de tornar-me um professor do Dharma na ordem Teago e não um monge. Esse caminho parecia mais claro para mim. Professores do Dharma na Taego-Jong recebem 10 preceitos no início e 48 no final da graduação. O que seria equivalente a um professor Bodisattva na Kwan Um. Pareceu-me um caminho digno de tentar praticar os preceitos. Então, quero deixar claro que não tenho intenção de ser monge celibatário ou leigo.
 

BZ: É possível fazer parte de duas ordens ou você teria que escolher uma delas?
 

JF: Participei de dois semestres do Seminário da Taego-Jong. Ficou claro, depois de algum tempo, que eu teria que escolher ou uma escola ou outra. Para mim o ensinamento do Mestre Zen Seung Sahn é mais claro e mais simples, então a decisão de apenas ser filiado a Kwan Um foi fácil. Eu prefiro a experiência direta de sentar, fazer prostrações e cantar, bem como trabalhar com o Haw-Du e Kong-Ans, enquanto que a ordem Taego pareceu-me mais focada em atividades acadêmicas. Eu ainda mantenho um bom relacionamento com meus professores e colegas de classe da ordem Taego e os ajudo para que eles continuam a crescer no Ocidente.
 

BZ: Você já havia praticado em outros estilos de Budismo antes de encontrar Escola Zen Kwan Um. Como foi esse encontro?
 

JF: A primeira vez que ouvi falar da Escola Zen Kwan Um foi no final dos anos 90 ... Eu tinha um monte de ideias sobre o mundo, a religião organizada, etc ... Então eu nunca fui para o Centro Zen. Gostava de ler os ensinamentos e pensar: "Ah! Eu entendo. " E coisas assim, mas não tinha a experiência direta do meu entendimento, apenas sabia sobre a experiência de outras pessoas. 

Eu vivi e trabalhei a minha vida inteira próximo da estrada onde o Centro Zen de Providence está localizado e nunca foi lá! Eu ouvia coisas como: "Aqueles budistas loucos" com frequencia, mas nunca fui lá. Enfim, quando voltei de Boston para minha casa em Providence, então eu li um pouco Bodhidharma, e o Mestre Chan Hsu Yun, e, claro, Mestre Zen Seung Sahn, mas ainda não fazia a prática da meditação real. 

Por um curto período de tempo eu pratiquei artes marciais chinesas em um estilo chamado Choy Lee Fut. O fundador desse estilo foi obrigado a estudar e praticar o budismo por dez anos antes que seu professor, que era um monge, lhe ensinasse quaisquer artes marcias. Eu sempre achei isso impressionante, especialmente porque ele já era considerado um grande Mestre antes desse teste. Então eu fiquei ligada ao Budismo assim também. Lá por 2009 comecei a praticar indo eventualmente ao Centro Zen de Providence. Foi lá que o monge Kwan Sahn Sunim apareceu na minha vida e realmente me mostrou o caminho. Kwan Sahn (Jason Quinn) hoje não é mais monge.
 

BZ: Muitas pessoas vivem perto do Centro Zen de Providence nunca estiveram lá, não é? E muitas pessoas veem de outros países.
 

JF: Sim, é verdade! Eu encontro pessoas o tempo todo que vivem perto ou na mesma cidade que nem sabia que o centro zen estava aqui. Sinto-me tão feliz de fazer parte de um sangha internacional. A paz acontece todos os dias aqui quando temos russos, tchecos, coreanos, americanos e brasileiros vivendo e praticando juntos sob o mesmo teto.
 

BZ: Quantos preceitos você tem e quem foi seu prrofessor de preceitos?

JF: Eu tenho cinco preceitos. Meu professor de preceitos foi o Mestre Zen Dae Kwang mas eu considero que este momento é o verdadeiro professor. Todavia, eu trabalho em um centro zen e convivo com muitos professores como Mestre Zen Bon Haeng, Mestre Zen Soeng Hyang, Nancy Hedgpeth JDPSN e José Ramírez JDPSN. Tenho a oportunidade de praticar com todos eles. Eu me sinto muito feliz por ter esta carma. Eu não sinto a necessidade de me identificar com um professor em em particular. 

 
BZ: Qual é a importância de ter preceitos?

JF: Isso cabe a cada um decidir. No entanto, em algum momento você terá que fazerum compromisso público para sinalizar qual a direção de sua vida.
 

BZ: Como parte do staff do PZC qual é o seu trabalho?

JF:Eu trabalho no escritório como diretor. Como posso ajudá-lo?
 

BZ: Você acha que é importante viver perto de um centro zen ou viver como residente para melhorar a nossa prática?

JF: Todos nós temos nosso próprio carma individual, de modo que nem sempre é tão preto no branco. Praticar com um grupo é importante por isso gostaria de encorajar a todos para pratica, se puderem.
Como eu nunca vivi em um Centro Zen não posso dizer se ser residente iria melhorar a nossa pratica. Para alguns sim, outros não. Todos devem ver por si mesmos. Experimente!
 

BZ: O que você diria para quem não pode acessar um centro zen ou um grupo zen?

JF: Comece fazendo prostrações, cantando e fazendo meditação sentado. Talvez um grupo se forme perto de você. Também há muitos vídeos e outras mídias disponíveis: palestras de Dharma, cantos, etc, que podem ajudar a ter uma ideia de como começar a praticar. Você também pode convidar um professor para ir até sua cidade para dar uma palestra pública e gerar interesse.
Também gostaria de tentar fazer exatamente o que você já está fazendo e visitar locais como PZC uma vez por ano.
 

BZ: Soube que você deu a sua primeira palestra do dharma recentemente. Muitas pessoas têm medo de falar em público ou se sentem desconfortáveis. Como foi?

JF: Parte de nossa prática é fazer as coisas que achamos assustadora ou desconfortáveis, mas nem todos são talhados para dar palestras de Dharma também. Se achamos que essas ideias e sentimentos estão nos controlando, então, temos de voltar para o nosso centro e a nossa prática. Eu, você, podemos fazer isso, então qualquer coisa não será um problema.
 
 Eu me diverti falando na minha palestra e espero que as pessoas que ouviram também.
 

BZ: Você ainda é um ativista?

JF: Claro, mas eu não estou mais envolvidocom partidos políticos ou ONGs. Uma vez eu vi alguém pegar um pedaço de lixo da calçada e jogá-lo na lixeira. Isso também é ativismo.
 

BZ: Como você age no seu dia a dia para praticar o que aprendeu no zen budismo?

Cada momento é apenas assim como é...escrevendo,lendo, em frente a uma tela de computador. Uma combinação de “O que é isso? Não seiiiiiiiiiiiiiiiiii!” Ações de Bodisattva, momento a momento.  
 


BZ: Vi o seu cão Buster (foto) sentado no colchão de meditação. Será que ele está meditando com você?



Buster tentando meditar!


JF: (Sorrindo) Sim, Buster Blue muitas vezes fica sentado na almofada ao meu lado. No entanto, nas prostrações matinais, ele geralmente está dormindo!


BZ: Tem mais alguém na sua família que tem praticadoe praticou no Zen Budismo, exceto o seu cão?


JF: Não que eu saiba ... Minha noiva Emily vem ocasionalmente fazer prostrações comigo, mas eu não acredito que ela se considere uma praticante.


BZ: Que interesses você tem além do Zen Budismo? Você joga alguma coisa, canta, escreve epinta, faz poesias,etc.


JF: Sim, eu fiz todas essas coisas e desfrutei muito delas. A rotina entre o Centro Zen e a vida em casa, eu também gosto de jogar beisebol e bilhar, ou tocar música com os amigos. Eu sou muito simples, no meu ponto de vista.


Entrevista feita por mim a Jeff, em inglês e traduzida ao português com auxilio nem sempre luxuoso do google tranlator, que ao invéz de otimisar meu tempo me dá mais trabalho pois ainda demanda muitas correções. Algumas edições foram necessárias, mas nada que altere o que Jeff disse. Editar é necessário :-)

14 setembro, 2012

"O Meu Buda Lava Melhor que o Seu"



Ou Quando uma crença torna-se doentia.

Todo mundo já viu a guerra que é travada nas propagadas entre as marcas de sabão em pó. Um promete lavar melhor que o outro. Um promete branquear mais que o outro. Um promete perfumar mais que o outro. E nas prateleiras das lojas: um quer mais espaço que o outro. Chegam a oferecer dinheiro, brindes para ter mais espaço e visibilidade. Seja nas lojas seja nos consultórios o que importa é vender mais. Graças a esses brigões que tive meu primeiro notebook, um netbook, TVS, Lavadora...-brindes dados em troca de visibilidade de produtos.


Mas isso é a concorência. Faz parte do mercado. Pensar que entre religiões também se use esse mecanismo de concoreêcia parece absurdo. Afinal cada um deveria cuidar do seu jardim zen e não ficar olhando o que os outros fazem para dizer: "O desenho do nosso jardim zen é melhor que o deles." Cada um deveria cuidar só do seu rebanho, para usar uma expressão familiar. No entanto parece que há uma preocupação exagerada em vigiar o que os outros em outras religiões estão fazendo. São em maior número, faturam mais, o que fazem para ter mais gente nas suas audiências? E o mais danoso: Estão felizes? Se estivessem conosco estariam melhor.Como ser uma instituição sem fins lucrativos, não pagar impostos e agir como uma empresa que vende a fé ou crença usando subterfúgios? Algo está em contradição.

Claro, eles sabem que tendo mais gente nas audiências, mais podem receber em doações, mais podem pedir e mais portas podem abrir. Por esse ponto de vista há muito mais portas abertas em religiões não budistas do que em  budistas porque no budismo fazer propaganda ou sair por ai chamando as pessoas para ir a tal centro ou grupo não é um meio bem visto. Lembra da lei do carma? Cada um deve decidir por si se quer seguir o Caminho do Buda e não ser empurrado até ele, forçado ou seduzido. Mas o budismo também usa estratégias para gerar indiretamente interesse. Afinal se você se esconder ninguém vai te achar, mesmo tendo interesse.

Mas este artigo é para falar de quando a religião torna-se uma doença.
Ele torna-se doente quando sua única ocupação é a igreja, o centro, a religião. Tudo gira em torno  disso. Acontece o mesmo com quem vive só para o trabalho e se esquece da família, dos amigos, do lazer

A vida comum é toda gerenciada a partir da religião. O pastor ou monge ou Bramâne, ou quem for o líder da comunidade é quem diz o que você deve fazer? É a ele que você recorre quando precisa de conselhos?  Como se eles fossem um conselheiros da vida cotidiana e não da vida espiritual. Alguém pode dizer, mas se a vida cotidiana não vai bem a espiritual também não irá. O líder espiritual vai te dizer ao contrario: se a vida espiritual não vai bem a vida cotidiana não irá bem. Mas será que você não é capaz de decidir por si só?


Quando os preceitos aprendidos lá na instituição religiosa tomam conta do seu cotidiano e são levados ao pé da letra não é mais você quem conduz a rédeas da sua vida e sim os conselheiros espirituais que te conduzem e eles te levam para onde eles quiserem levar e você diz sim ou já nem reflete mais. O outro que te guia está sempre certo. Você não pensa mais por si. Não questiona, não duvida. A fé cega não é um porto seguro. É apenas uma fraqueza de quem passa o bastão para o outro decidir sua vida e apenas aceita o que outro diz. O outro diz: pule da ponte e você pula. Se você ainda se questiona. "Peraí, porque esse cara tá me mandando pular da ponte?" Ai você ainda tem jeito.

Não pense que só em religiões que martelam o nome de seus mártires e trituram as escrituras despejadas na mente ingenua dos desesperados geram fanatismo. No budismo isso também ocorre, especialmente no início com um natural deslumbramento pela pratica ou por um professor. Com a leitura excessiva de ensinamentos não depurados, e bem esclarecidos. Tem até um termo para esse momento: "Doença Zen". Com o tempo e o amadurecimento isso passa, mas se o professor não cortar o excessivo entusiasmo, se não corrigir o aluno, se for displicente com seu Sanga (grupo ou comunidade), ou até se aproveitar do entusiasmo dos alunos ou simpatizantes para angariar fundos mais facilmente então é provável que ele tenha problemas no futuro com pessoas sendo abordadas ou ofendidas por esse aluno fanático. Ou quanto muito o aluno irá ver algo que não gosta, que contraria as demandas do seu fanatismo e irá se afastar do grupo. Não sem falar para todo mundo que se decepcionou, que isso e aquilo que o professor não presta. Quando o fanático é desarmado ele corre para outro lugar em busca de outro culto onde possa seguir sendo fanático. Este tipo é o mais doente e talvez dificilmente mude seu comportamento mesmo porque quase ninguém dentro de uma comunidade vai lhe dizer que não deve agir de tal forma.

O autor Amos Oz , escreveu o livro "Como Curar um Fanático" e receita doses de bom-humor contra o fanatismo, recorrendo a escritores como Shakespeare, em cujas obras “toda forma de fanatismo acaba em tragédia ou comédia”.

"Usando do bom humor Amos Oz diz: "Muito frequentemente o fanático só consegue contar até um, dois é um número muito grande para ele. "


"Um verso do poeta israelense Yehuda Amichai diz:

 “Onde temos razão não podem crescer flores.”

"Senso de humor é a grande cura.
Quanto mais você tem razão, mais engraçado fica."

"... a essência do fanatismo reside no desejo de forçar as outras pessoas  a mudarem. O fanático é uma pessoa bastante generosa. É um grande altruísta. Frequentemente o fanático está mais interessado em você do que nele próprio. Ele quer salvar a sua alma, quer redimi-lo, quer libertá-lo do pecado, do erro, do fumo, da sua fé, da sua falta de fé, quer melhorar seus hábitos alimentares ou curá-lo de seus hábitos de bebida ou de voto. Ele está sempre atirando no seu pescoço apertando sua garganta, caso você prove ser irrecuperável. "

O fanatismo pode ser contagioso? Sim, para Amos Oz  "Vocês podem contrair facilmente fanatismo, mesmo quando estiverem tentando derrotá-lo ou combatê-lo."

Convivo no trabalho com alguns fanáticos religiosos e sei por experiência que não adianta argumentar com quem tem todas as escrituras linha por linha,palavra por palavra na ponta da língua. Eu não discuto, muito pelo contrario até concordo porque assim eles ficam sem argumentos. Ir contra um fanático é declarar guerra e pode ser perigoso.

É mais fácil deixá-los de lado. Desistir do fanático por ele nos incomodar é o caminho mais razoável e fácil. Se eles nos incomoda será que nós também não somos um pouco presos a nosso ponto de vista?

Como cura-los? Eu uso a sugestão do Amos Oz: Bom-humor e amorosamente ir sinalizando o caminho. Não com discurso, mas com bons exemplos. Ou você se afasta ou ele te abduz para seu mundo alienado.

Como pessoas de religiões diferentes se entendem então nos relacionamentos?
Você não pode exigir que alguém te siga na mesma fé. Seria como pedir para que seu parceiro(a) fumasse ou bebesse porque pra te acompanhar. Se você sente só em seus hábitos e crença deve buscar companhia naqueles que tem a mesma crença sem necessidade de impô-la a seu parceiro/a
Em geral, alguém faz aquela pressão para que o outro abra mão da sua crença em favor de um dos parceiros. É muito mais comum parceiros cederem a essa pressão e abrirem mão da sua crença em favor do relacionamento. Poucos abrem mão do relacionamento em favor da crença do seu parceiro/a.

Há alguns que se entendem perfeitamente bem praticando em religiões diferentes, mas talvez isso seja a minoria.  Há sobretudo que se  respeitar a opção de cada um. Se isso não for possível ou abre-se mão da crença ou da relação. Ou seja ou ficamos juntos ambos com ou sem crença ou ficamos separados cada um com sua crença.

Do ponto de vista zen budista o remédio é: menos leitura, menos discussão sobre os ensinamentos e mais ação, mais prática. Viver no cotidiano o ensinamento mais do que teorizar sobre ele. Dê-me uma vassoura e um balde e eu te ensino o que é o zen.

13 setembro, 2012

Como ser Tranquilo?

O texto abaixo é de Félix Maranganha.


Os kanjis que gostamos muito de usar nem sempre são o que dizem ser literalmente. "Tranquilidade" para os orientais é: olhe o kanji de cima para baixo "casa" + "mulher". Ou juntando os dois "Mulher dentro de casa." Isso num tempo muito remoto onde às mulheres, realmente, cabia cuidar da casa.

Quando as pessoas pensam em tranquilidade, o que vem à mente delas é um sujeito calmo, sempre parado, movimentando-se na vida a passos de tartaruga, como se nenhuma motivação o fustigasse. Na verdade, ser tranquilo é outra coisa. Ouvi essa palavra e entendi seu conceito pela primeira vez quando li A tranquilidade da vida, do filósofo estóico romano Sêneca. Ali aprendi que ser tranquilo é simplesmente deixar as coisas passarem por você sem se apegar a nenhuma delas. Para entender melhor esse conceito, imagina a vida como um filme. Se você apertar o pause na vida para reter um momento, perderá todo o resto da sua vida. Se voltar ao passado para rever outro momento, esquecerá do momento presente que sempre acontece. Então, espera-se viver apenas o presente, sem dispersar-se, e sem perder o foco do que se faz no momento.


Uma pessoa tranquila é em essência uma pessoa desapegada. Essa pessoa é capaz de passar anos vivendo com alguém alterando o mínimo de suas atividades de quando era solteiro, e quando a solterice volta, ele não fica remoendo o relacionamento que acabou, mas segue a vida como se nada tivesse acontecido. Ele é capaz de passar vários anos com uma pessoa até perceber que está definitivamente casado. Uma pessoa tranquila, quando perde o emprego, simplesmente parte em busca de outro. Em dificuldades financeiras, apenas procura um jeito de resolvê-la. Em tudo, uma pessoa tranquila não lamenta, não fica ansioso, não sente medo e nem desenvolve culpa, apenas reage da maneira que é mais apropriada para a situação. E, se não der certo, tem seu "foda-se" ligado desde sempre para ajudá-lo. Ele não se abala, apenas caminha. Ele não para nem rebobina a vida, ele apenas vive, pois sabe que a vida não tem pausa para ir ao banheiro.

Quando finalmente aprendi a ser tranquilo, percebi que o medo é um fator de atraso, pois nos faz saltar para um futuro além do desconhecido em busca de uma segurança, nos tornando ansiosos, criando fantasias a respeito dos resultados de nosso presente, que serão inevitavelmente frustradas, acarretando em sentimento de culpa por não ter feito diferente. Como podem ver, a inter-relação de todos esses sentimentos é complexa, daí o nome Complexo. E no caso específico, prefiro chamar de Complexo do Chorão. Quer resolver todo o complexo? Ataque no ponto em que ele começa, no medo, mas não assuma a coragem, pois ela leva a atitudes impensadas. Troque a dicotomia medo/coragem pela tranquilidade, e siga em frente.


Nos últimos seis anos, minha principal tarefa foi simplificar a vida e cada vez mais ir largando peso extra, me desapegando de coisas do passado ou ansiando pelo futuro. Larguei Deus, larguei a religião, larguei a necessidade de ser rico, larguei a necessidade de chamar atenção, a necessidade de dar satisfação, a submissão aos outros, a ânsia doentia pelo prazer etc. Pouco a pouco fui vendo o quanto largar tudo isso foi me tornando mais calmo. E a calma me ajudou a encontrar a tranquilidade. Pra mim, ser feliz é isso: ser tranquilo. Tenho de aprender mais ainda, claro, mas estou no caminho certo.


Pois bem, é assim que aprendi a não ter problemas com a vida: aceitando-a como inevitável, com todos os seus revezes e suas glórias. Assim como os problemas, as soluções são também temporárias, pois a própria vida, enfim, é temporária. Temos pouco tempo aqui no planeta. Posso morrer amanhã com a cabeça estourada em um acidente de trânsito, como posso morrer daqui a 80 anos em uma cama confortável, pois nada é mais frágil que a vida. Se a vida é impermanente, então por que pausá-la? Por que não vivê-la?

10 setembro, 2012

Shobogenzo:Fonte Inesgotável de Dharma.


Shobogenzo é o livro base de estudo do zen soto japonês. Não sei se há uma boa tradução completa ao português. Um aluno do Mestre Tokuda traduziu-o há algum tempo. Estava disponível free mas agora só a venda em e-book. Algumas pessoas já traduziram alguns capítulos. Se você lê em inglês pode aproveitar desse site que coloca todo o livro a disposição online. São mais de 1100 páginas  Bom proveito.

E se lhe calhar traduzir algum capitulo disponibilize-o para o benefício daqueles que não entendem inglês ou japonês.

Já tentei ler algumas vezes, mas não acho um livro do tipo que apenas se lê. Não é bem um livro que recomendaria a iniciantes. Está mais para um livro do tipo que se estuda. Alguns professores buscam nele inspiração para suas palestras. E imagino que em alguns mosteiros no Japão alguns de seus capítulos sejam objeto de estudo. Ademais o professor que buscar nele inspiração jamais ficará sem ter assunto nas suas palestras do dharma pois assunto e inspiração é o que não faltam.Basta pescar uma única frase e tem-se assunto para a vida toda. 


Talvez não seja o tipo de livro que vá atrair um iniciante. Pode até parecer difícil de entender com muitos conceitos teóricos do budismo zen. Dogen era muito intelectual mas também era um poeta e talvez um pouco de simplicidade e depuração tenha lhe faltado. Ele só conseguiu revisar doze dos mais de noventa capítulos, em vida.Mas seus discípulos sempre terão como depura-lo enquanto o estudarem. Eu diria que sobre cada um dos capítulos daria para escrever um livro. Tanto que muitos livros já foram escritos sobre temas encontrados no Shobogenzo. Mas nem todos os capítulos são impalataveis, alguns são até poéticos.


Shoboguenzo significa o dharma transmitido de mente para mente. Quando Buda transmitiu o Dharma a Mahakashyapa a isto também poderíamos chamar de um evento do tipo shobogenzo.
Apesar de Shobogenzo ser uma transmissão sem palavras o que Mestre Dogen deixou foram ensinamentos por escrito. Então, o termo com o qual ele cunhou seu livro sinaliza que talvez ele não tinha para quem transmitir "olho no olho" ou "mente com mente" portanto sua transmissão seria por escrito. Deixando assim uma marca muito caracteristica na Escola que fundou a Soto Zen. Um pouco na contramão do que Bodhidharma pretendia ensinar: O Zen sem palavras que é mais bem representado na técnica dos koans.

Não é uma crítica de forma alguma, apenas uma constatação que pode muito bem estar equivocada já que não sou estudiosa desse livro. Já no Rinzai japonês vê-se a combinação entre o shikantaza (apenas sentar) do Soto com os koans (o zen  sem palavras). Embora o tratamento dado aos koans no rinzai japonês não seja tão sem palavras. Assim como há ramos do Rinzai onde não se utilam os kaons. Há opções para todos os gostos.

Mas os koans também estão presentes no Shobogenzo.


A palavra Sho Bo Gen Zo é composta de quatro kanjis.

Sho-Verdadeiro
Ho (bo) Dharma
Gen- Olho
Zo-Fonte ou depósito


A palavra Shobogenzo  apareceu pela primeira vez no sutra de lótus em chinês -  sessão:"das perguntas e respostas entre Mahabrahman e Buda" e no capítulo 66 da Shobogenzo "A Flor Udanbara" , onde Dogen se  refere a transmissão:


Flor Udumbara. A flor que Buda mostrou a Mahakashyapa.
Só floresce a cada três anos. É usada como metáfora para referir-se
quão difícil é encontrar o Verdadeiro Dharma

Muitos textos referem-se a flor de lótus, mas Mestre Dogen diz que a flor usada por Buda na Transmissão a Mahakashyapa se chama Udumbara.


"O Buda Shakyamuni tomou uma flor de udumbara e balançou-a suavemente entre os dedos. Ninguém entendeu o gesto, apenas Mahakashyapa sorriu. Então o Buda disse:

"Eu tenho os olhos do verdadeiro Dharma, o Tesouro de maravilhoso do Despertar. Agora eu o transmito a você,Mahakashyapa."


Em:  A Flor Udumbara Esse dentre os 96 capítulos, e dentre o que já li, é meu o favorito.

05 setembro, 2012

A Casa Autossustentável é Possível

Flagrei papi catando folhas de papel usadas que joguei fora, para imprimir no verso. Eu mesma deveria fazer isso mas não fiz. São textos que imprimi em algum momento nos tempos da faculdade ou xerox. Folhas que em minhas faxinas foram para a caixa de descarte e minha mãe acaba guardando para acender o fogo (fogão a lenha) ai meu pai viu e achou que ainda poderiam ser usadas no verso e pegou para imprimir os números de uma rifa do Coral Italiano. E assim o papel teve múltiplos usos e destinos. Nota 10 para meus pais na reciclagem do papel e zero para mim.



Temos vários hábitos de reciclagem em casa. Tudo que consumimos é reciclado. A única coisa que vai para a rua são ossos porque sempre tem gatos ou cães e ratos que são atraídos por esses itens e minha mãe acha que não adianta enterrar porque eles acabam achando, mas de resto separamos em sacos e depois de algum tempo encaminhamos para uma pessoa que colega recicláveis.



Coletamos água da chuva que desce pelas calhas da casa e usamos essa água para limpeza externa. Poderíamos usar na descarga, mas ainda não usamos. Usamos reservatório para banheiro menor e regulamos o nível da água na metade. Se tem 6 litros por descarga, usamos 3 litros e não acionamos a descarga todas as vezes que fazemos xixi.


Nunca lavamos a calçada com mangueira ou máquina a jato. Varremos bem para tirar a sujeira e depois usamos um balde para passar pano ou eventualmente jogar um pouco d´água e depois secar a calçada.



Lavamos a louça numa pia de duas cubas: uma com água fria para tirar a sujeira e uma com água quente para enxaguar a louça. Os itens a serem lavados são limpos ao máximo para gastar menos sabão e menos água. Evitamos o sabão pois quanto mais espuma ficar na louça mais água vai precisar usar.


Gostaria de ter um sistema solar para aquecer a água e quem sabe aquecer o ambiente no inverno.

É um item que falta.


Muitas pessoas vêem essas ações como se nós fossemos como se diz por aqui "mãos de vaca", zelosos demais com as coisas e o dinheiro, mas não é porque alguém tem condições de pagar a conta da luz ou água que vai gastar mais do que precisa. Nós fazemos a nossa parte e pensamos nos demais que também precisam. Aqueles que não pensam e consomem sem critério porque tem para pagar estão penalizando todos os demais, estes não pensam em nada mais que no dinheiro. Adianta ter dinheiro se não houver chuva. O dinheiro pode até fazer chover, mas não vai ser tão barato quanto a conta da água que se paga todo mês.


E se realmente não houver água de nada servirá ter dinheiro.

Há muitos outros itens que podem ser incluídos. E quem pode fazer um projeto antes de construir a casa fazendo um reservatório maior para coletar água da chuva, instalando placas solares que não precisam ser as mais caras. Há placas que podem ser feitas em casa, basta saber como funcionam e os materiais que absorvem mais calor. Meu sonho é ter uma casa completamente autossustentável que produza o mínimo de lixo e recicle tudo que consome. Já fazemos muito, mas poderíamos fazer mais.






04 setembro, 2012

Sugestão de Livro:Velho Caminho, Nuvens Brancas.



Velho Caminho Nuvens Brancas, Editora Bodigaya, é um daqueles livros que vale a pena ler. Entre tantos autores que tentaram trazer a vida de Buda para um tom mais atual ou até romanceá-la em várias livros ao estilo Harry Potter, este, escrito pelo Mestre Zen Vietnamite Thich Nhat Hanh é o mais interessante. Não, que Thich o tenha escrito com mais fidelidade ou não o tenha floreado também, pois por mais que se tente recontar essa história, pouco se sabe sobre o que aconteceu senão o que foi passado oralmente pelos seus discípulos e nesse processo de contar e recontar histórias perde-se um pouco da originalidade em detrimento do ensinamento. As histórias eram muito usadas para ensinar. O próprio Buda se valia delas para ensinar a seus discípulos.

Então entre tantos livros que há no mercado sobre a vida de Buda, este por certo me parece o mais interessante e gostoso de ler.

Eu mesma não tenho esse livro e o leio emprestado de um amigo, mas por certo quem frequenta algum grupo ou centro zen poderá encontrá-lo em sua biblioteca e se houver a possibilidade de emprestá-lo poderá lê-lo senão poderá até mesmo comprar um exemplar e depois doa-lo a seu grupo para que mais pessoas possam ter a oportunidade de lê-lo.

02 setembro, 2012

Como Começar na Prática do Zen Budismo?


Comece aos poucos.

A meditação sentada é a base da prática em todas as Escolas Zen Budistas?

Sim, a meditação é a pratica mais antiga e importante ensinada por Buda desde que despertou. Ela já existia bem antes do Buda nascer. Há outras praticas auxiliares, mas no início você não precisa se preocupar com outras praticas. Elas só irão ser importantes se você algum dia for praticar em algum centro zen. Então essas outras praticas lhe serão apresentadas.

Como sentar-se no estado meditativo?

Procure um lugar que seja calmo, sem interferências, nem muito escuro, nem muito claro.
Se estiver frio, enrole-se em um cobertor.  Use roupas folgadas e confortáveis.
Se você.não tem uma almofada de meditação não se preocupe. Você pode usar um cobertor dobrado e ajusta-lo na altura ideal,de modo que fique confortável  para sentar-se. A medida certa é aquela em que  suas pernas dobradas na posição escolhida, os joelhos  toquem o chão. No início suas pernas poderão ficar levantadas,  pois elas não estão acostumadas a essa posição, mas com o tempo o seu joelho encostará no chão, então você  saberá que está na posição certa.

Quais são os jeitos de sentar?




O mais comum é o birmanês. Se você  já consegue sentar de outros jeitos pode sentar-se em lótus completo, meio lótus, seiza (usando almofada entre as pernas ou um banquinho de meditação).  Se tem problemas na lombar, joelho, fez alguma cirurgia...pode sentar-se em uma cadeira.  Veja a ilustração abaixo:



Qual a posição das mãos na meditação zen budista?





A sua mão esquerda irá repousar sobre a mão direita. Os seus polegares tocam-se suavemente. Se os polegares se inclinarem para baixo ou para cima, apenas volte-os para a posição original. Mantenha essa posição das mãos na altura do diafragma. Se não conseguir, apenas deixe-as repousarem sobre seu colo.
Antes de começar você pode balançar seu corpo, quando sentado, para frente e para trás e depois para esquerda e para a direita até encontrar uma posição confortável. Mas só faça esse procedimento uma vez. Depois tente não mover-se da posição escolhida.


Os olhos ficam abertos ou fechados?


Os olhos não devem ficar fechados pois você pode ficar sonolento, nem totalmente abertos pois pode se distrair.
Os olhos devem ficar entreabertos e focalizando de leve o chão, de um
a dois metros ou um ângulo de 45 graus, à sua frente. Melhor sentar-se de frente para uma parede vazia, nesse caso “olhe através dela”, para onde o chão deveria entrar. Assim irá piscar menos.


A cabeça não deve pender para frente nem inclinar-se para qualquer lado, mas manter-se ereta seguindo a postura da coluna.  O queixo fica ligeiramente para baixo A boca, lábios e dentes cerrados; coloque a ponta da língua no céu da boca, logo atrás dos dentes da frente. Engula a saliva da boca e elimine o ar,
de modo que haja um ligeiro vácuo. Isso inibe a salivação.






Preciso fazer alguma reverência?

Se se sentir confortável faça uma reverência antes de senta-se e uma ao final da sessão de meditação, depois de levanta-se.  Com as mãos palma com palma, incline-se para frente.




O que fazer quando sentado?

Apenas sentar é o suficiente. Você pode perguntar: Mas só isso? Sim, só isso. Parece monótono e chato, mas já é um bom teste. Alguns recomendam contar a respiração: você conta 1 quando inspira e 2 ao expirar e assim por diante até dez. Se você se distrair volte ao começo da contagem, mais tarde basta observar o vai e vem do abdômen respirando. A respiração é silenciosa. Também pode-se usar uma frase para focar só nela. Uma boa frase para meditar é :"O que é isso?" Não precisa responder a frase. Apenas quando algum pensamento surgir você volta seu foco para a frase. Há quem preste atenção nos polegares da mão como se o ar passasse entre eles ao entrar (inspirando) e ao sair (expirando).

O que fazer com os pensamentos que surgem enquanto estou sentado?

Os pensamentos são parte da nossa vida. São como a respiração. Não podem ser eliminados. Apenas os aceite como parte do processo. Quando virem mude o foco e volte a contar a respiração ou observa-la fluindo no seu abdômen, ou para frase "O que é isso?"  Não brigue com os pensamentos,  pois isso só cria uma mente de raiva e não é esse o objetivo da pratica.

O que faço com a dor nas pernas, ombros, braços....?

A dor faz parte desse treinamento. Todos sentem dor. Até aqueles que já praticam meditação há muitos anos. Lembre-se que no início  você ainda não está meditando, está apenas treinando seu corpo para ficar em uma posição que ele não está acostumado a ficar no dia a dia. Quando seu corpo estiver treinado ele não te incomodará tanto quando no início e você poderá relaxar e usufruir do estado meditativo de fato. Isso leva algum tempo. Costuma-se dizer que só meditamos quando nossa mente é a que senta e não o corpo. Você vai perceber quando isso acontecer. Não tenha pressa e nem busque resultados. Não é esse o objetivo dessa pratica.

Quanto tempo devo ficar sentado?

O tempo de meditação sentada em praticas formais costuma ser de 20-30-40 minutos. Você pode começar sentando poucos minutos e à medida que for sentindo-se mais forte você pode ir aumentado o tempo de sentadas.  Tente sentar 20 minutos por algum tempo e depois mude para 30 minutos.  Se não conseguir sentar tempos longos não se preocupe. Fique o tempo que conseguir sentando mesmo sendo poucos minutos.  Se cansar ou doer muito seu corpo, alterne um tempo sentado com outro andando.

O que mais eu preciso para meditar?

Só precisa perseverar nessa pratica. Estabelecer uma rotina e se possível mantê-la pois se não praticamos ficamos enferrujados. Nada mais. Deixe os acessórios para outro momento.
No início, não precisa se preocupar em fazer um altar, acender incenso ou velas. Isso pode não ser uma boa ideia principalmente quando fazermos meditação em casa. As pessoas que moram com você podem não gostar desses acessórios, então respeite o ambiente e apenas sente em meditação.


Se estou apenas treinando quando vou saber que estou meditando?


Quando você ficar sentado 30 minutos e parecer que ficou sentado só 3 minutos então você realmente  esqueceu-se do seu corpo e sentou sua mente.


Como mostrar a minha família que não estou fazendo nada de errado?

Se você mora sozinho é mais fácil praticar meditação. Mas em geral começamos a fazer meditação em casa. Antes de começar fale com as pessoas que moram com você sobre o que você pretende fazer. Mostre a elas como é a técnica. Mostre o lugar onde você vai se sentar  e antes de sentar-se avise que você irá fazer “x” minutos de meditação. Não se tranque no quarto, nem se esconda.  Deixe a porta aberta para que a sua família possa ver o que você está fazendo. Peça para que, naqueles minutos  em que estiver sentado, se possível,  eles colaborem fazendo menos ruídos que de costume.  No começo haverá alguma interferência. Isso é natural. Seja paciente e não se importe em interromper a meditação para responder alguma pergunta ou dar alguma explicação. Você só está começando e tem todo tempo do mundo para sentar em meditação muitas vezes mais. Se houver alguma oposição prefira meditar depois que todos estiverem dormindo ou antes que acordem.

Com o tempo sua família vai ver que você não está fazendo nada de errado e vai respeitar sua pratica. Se alguém mais se interessar pela técnica seja humilde e ensine, mesmo que seja apenas uma curiosidade passageira e ninguém mais venha a sentar-se com você.
Não desanime com os comentários negativos dos outros. Nem tente provar que estão errados pensando de modo diferente do seu.

Se eu não conseguir fazer meditação sozinho o que faço?

Nesse caso tente ver se há algum grupo zen budista na sua cidade ou Estado e programe-se para fazer uma visita. Você poderá ir conhecer e ver como eles praticam em grupo. Se gostar volte mais vezes lá. Se sentir afinidade com aquele estilo de zen você pode participar regularmente daquele grupo ou centro zen.
Mais tarde, se você dispuser de um local que possa receber algumas pessoas você poderá iniciar um grupo sob a orientação de alguém mais experiente.  Também é possível se  associar a alguma academia de artes marciais ou Yoga compartilhando o mesmo espaço em horários diferentes.

E se eu não conseguir fazer esse tipo de meditação?

Para quem não consegue fazer meditação sentada recomendo que pelo menos faça meditação andando. Mantenha um passo não muito lento nem muito rápido. As mãos ficam cruzadas na altura do umbigo e você pode manter a sua atenção na respiração contando um para cada passo dado, até dez. O olhar fica focado a sua frente sem baixar a cabeça. Do mesmo jeito que se você estivesse meditando. Isso é bem simples e qualquer um que possa caminhar poderá fazer esse tipo de meditação.




Outras praticas depende de você aprendê-las do modo correto. Não basta procurar um mantra na internet e sair fazendo. Às vezes um mantra feito da maneira incorreta pode não servir a sua função. Cada Escola Zen Budista tem praticas adicionais que lhes são próprias, embora muito parecidas entre si, divergem no idioma de origem usado. Você pode recitar o sutra do coração mas quando procurar por ele vai encontra-lo em pali, em chinês, em japonês em coreano, em inglês e até traduzido ao português. Assim como o grande darani, que são bons para começar. Já as prostrações tem alguma variação dependendo da Escola Zen e algumas nem usam mais essa pratica. 


Escrevi este texto em forma de pergunta-resposta para que aqueles que não sabem como iniciar ou que ainda tem alguma dúvida, possam ter uma ideia de onde e como começar a praticar meditação estilo zen budista. Se ainda permanecer alguma pergunta sem resposta escreva-me na caixa de comentários ou no email.  É possível que eu ainda mude esse texto acrescentando mais perguntas e ilustrações,´portanto se vc. o copiar faça o favor de atualiza-lo depois.

01 setembro, 2012

O Movimento Vagaroso e o Zen.

Ando devagar porque já tive pressa.
Levo esse sorisso porque já chorei demais.

Tocando em frente (Almir Sater)



Desenho
O Movimento slow começou com o slow food (comer devagar) e se espalhou para todos os setores da vida: andar, dirigir, trabalhar, faxinar, conversar...Fazer tudo aquilo que normalmente fazemos mais rápido e sem prestar atenção.

O Movimento Slow tem muito a ver com a premissa ensinada por Buda de que é preciso estar presente 100% na vida, em tudo que fazemos ao que ele chamou de mente plena ou mente atenta.

Parece que há tempos atrás nossos avós ou bisavós viviam de forma mais vagarosa, ainda que trabalhassem muito eles faziam o que podiam fazer com as ferramentas que tinham. Hoje temos mais ferramentas que fazem o trabalho pesado por nós, ferramentas que facilitam nossa vida. Fazem mais coisas e mais rápido. Mesmo assim parece que o tempo de que dispomos é insuficiente. Talvez a noção que tenhamos de tempo esteja viciada. Precisamos repensar nossa noção de tempo e desacelerar aos poucos.

A nossa mente também sofre grande pressão para estar muito tempo acelerada, agitada. O que isso nos traz é muita dor de cabeça. Se não temos tempo para refletir e observar nossas ações e pensamentos podemos agir de forma irascível, explosiva, agressiva apenas porque nos sentimos pressionados a dar uma resposta a alguma provocação ou situação de demanda diária. Nem sempre precisamos responder de pronto a tudo. Podemos pedir um tempo para pensar melhor sobre o que responder.

A vida acelerada gera ansiedade, estresse, doenças, cansaço físico e mental e para nos livrarmos desses estados buscamos compensações nem sempre saudáveis como comer mais, fumar, beber no final do dia para relaxar, etc.

Podemos nos conectar com uma vida mais vagarosa praticando os princípios do zen budismo.e uma das praticas mais acessíveis no processo de desacelerar a mente pode ser a meditação zen budista.
Nos retiros zen budistas experimentamos o movimento vagaroso há muito tempo. Fazemos as atividades de forma mais lenta que no dia a dia. Observando cada movimento e vivenciando a atenção plena em cada ação.


Varrendo no ritmo da respiração.

Experimente no seu dia a dia, na sua casa e veja o que rola. Experimentar pressupões não só tentar fazer mas testar e ajustar as ações de modo a serem apropriadas para você para quem convive com você. Assim você vai saber a melhor forma de agir. O que funciona para melhor para você e como funciona. Vá devagar e continue tentando, sempre.