19 agosto, 2012

Sugestão de Livro:Tenzo Kyokun

 Em casa todos cozinham. Minha mãe faz a comida do dia a dia. Simples, com pouco tempero. Já meu pai cozinha na base do improvisos, jogando tudo que encontra dentro da panela e exagerando no sal e nos condimentos. Minha mãe reclama e diz que a boa comida é a simples. Tenho que concordar que no dia a dia não se come caviar, mas no fim de semana tudo bem um prato fora do lugar comum. Também gosto de cozinhar. Até hoje pouco ajudei na preparação de comida nos retiros pois em geral eles já definem quem vai cozinhar com bastante antecedência.

Poucos gostam das tarefas na cozinha e quando para lá são enviados, em retiros, ficam bastante deslocados. Eu fico bem a vontade. Minha técnica é bem organizada. Vou preparando, lavando e guardando o que usei. Já meu pai faz a maior bagunça e deixa para alguém limpar.

O cozinheiro, na tradição japonesa é chamado de Tenzo e o texto de Tenzo Kyokun é um clássico. O texto não é muito extenso e foi compilado pelo mestre fundador da escola Zen Soto, Dogen. Monja Isshin tem feito módulos de estudo sobre o tema do Tenzo Kyokun:


Parte 1.A Refeição como Disciplina Espiritual
Parte 2: Os Efeitos espirituais do cozinhar
Parte 3: Lavando arroz, lavando o coração
Parte 4: Arranjo e Procedimento
Parte 5: Discriminação para a Comida
Parte 6: Respeitar a Comida

e sobre o livro Mente Zen Mente de Principiante.

O trabalho do Tenzo em um retiro ou  mosteiro é essencial assim como a tarefa de cada um. O que o texto nos ensina é que cada um deve fazer sua parte para a harmonia do todo e que não há diferença na pratica de quem só fica sentada em zazen e de quem fica na cozinha ou quem limpa os banheiros, varre o quintal ou passa pano no zendô. Cada um deve fazer a sua parte sem olhar para os lados e se comparar com o outro. Ou pensar "Porque eu tenho que fazer esse trabalho e enquanto o outro faz aquele." Além disso a pratica do Tenzo é uma pratica de paciência e precisão. Lidar com a comida com respeito e revererência, tratar cada utensílio como cuidado e atenção. Usa-los bem e em favor de todos os seres. O jeito de pegar, de usar e de lavar cada coisa e alimento, sem fazer ruídos, sem pressa, mas com destreza e precisão. Cada coisa que sai do seu lugar deve voltar a seu lugar. Nada deve ser desperdiçado. nem um grão de arroz. E sobretudo não se deve ser muito exigente com a qualidade ou quantidade da comida.



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