31 agosto, 2012

Sugestão de Livro: Zen Simply Sitting

Tudo o que você precisa é de um zafu e alguma coragem.” 



Philippe Coupey ou Rei Ryu, conheceu mestre Zen Taisen Deshimaru em 1972 e seguiu-o como um discípulo próximo até a morte Deshimaru em 1982.

O Fukanzazenji é um texto curto sobre como sentar-se em zazen e as posturas  O monge zen Philipphe Coupey dedidou-se a estuda-lo e escreveu um livro comentando-o de forma moderna.


"Eu decidi comentar sobre o Fukanzazengi porque é o ensinamento básico da postura zazen  e da mente, como expresso por Dogen. Além disso, mesmo com muitas traduções da Fukanzazengi disponíveis, um comentário completo sobre o texto é muito difícil de encontrar. Mesmo Mestre Deshimaru nunca fez um."
  

"Sinceros praticantes Zen, não fiquem nem um pouco surpresos por um dragão de verdade, ou gastem muito tempo inutilmente apalpando apenas uma pequena parte do elefante."

"Não gastem muito tempo inutilmente apalpando apenas uma pequena parte do elefante. Mestre Dogen faz aqui uma alusão a uma história contada no Sutra do Nirvana sobre as diferentes formas do elefante."
(Comentário 51 de Coupey)


"Um leigo queria obter uma caligrafia do célebre monge Ikkyu. Ele então escreveu em kanji: "Atenção!" O homem não ficou nada impressionado: "Isto não é muito profundo... Vc não teria uma outra coisa para escrever?" Ikkyu escreveu então: "Atenção. Atenção!" O homem nada compreendeu, ele queria qualquer coisa ainda melhor, certamente ele estava pronto para aplicar-lhe um golpe... Então Ikkyu escreveu: "Atenção. Atenção. Atenção!"  Comentário 49

 


30 agosto, 2012

Consciência Atenta em Ação



Mestra do Dharma Heila Downey e Prof.Dhama Senior. Rodney Downey
em sua última visita ao Brasil em SP.

É como um homem pendurado em uma árvore por seus dentes ao longo de um precipício. Seus braços e pernas estão presos. Alguém segurando uma arma está perto e faz-lhe uma pergunta. Se o homem não conseguir responder a pergunta, ele será morto. Se o homem responder, ele vai perder o controle e cair para a morte. O que fazer? (Koan: Man Up a Tree)

Muitas vezes temos problemas em nossas vidas que são como koans, charadas insolúveis aparentemente. Por mais que tentemos encontrar uma resposta ou uma solução, o problema ou a questão se recusa a ir embora. O que podemos fazer em tais situações?

Nós somos como aquele homem pendurado na árvore. Não há maneira de sair de lá. A vida é onde quer que a gente vá - não há maneira de fugir da nossa responsabilidade. Você está onde quer que vá - não há como ignorarmos a nossa condição humana.

Vida? Questões só podem ser resolvidas através da entrega, renúncia, deixando ir. Quando você deixar ir totalmente, e perceber que você nunca teve nada para começar, incluindo a sua própria vida, então você pode fazer as coisas que você precisa fazer. Você não está olhando para finais felizes. Você não está sempre tentando amarrar as pontas soltas. Você não está tentando corrigir e controlar tudo. Você pode relaxar e estar com as coisas como elas são, e estar em paz com isso.


A renúncia começa a afetar o seu estado de espírito e sua conduta. Não faz sentido se agarrar a si mesmo e seus próprios desejos. Você pode se divertir, não há problema, mas não tente se agarrar as coisas. Não tente resolver tudo, para tornar a vida perfeita, porque ele nunca vai ser. Você não pode sempre se livrar dos problemas, mas você pode se livrar da mente que torna as coisas um problema. Deixe de lado essa mente, e você também deixará de ter problemas.

E então será possível para você balançar lá (na árvore), apenas respirando.

Se você se agarrar, está tudo bem, e se você cair, tudo bem.

Socorro, socorro! Salve-me, salve-me! Antes, eu alegremente mergulho na minha morte.

Vejo você na Terra Pura! (referindo-se ao koan)


Que retiro maravilhoso! Foi formal, e todos se comportaram muito bem, com atenção plena e graciosamente. Que maneira bonita de estar neste mundo. Se este tipo de consciência atenta é realizada no local de trabalho, em nossas relações com nós mesmos e com os outros, a mudança positiva irá se manifestar no mundo. Não há necessidade de fazer nada específico - apenas estar presente, estar atento e consciente, de modo que você pode ser você mesmo, e estar com você, de uma maneira linda. Depois, você pode mesmo estar sob uma árvore e relaxar em paz!


Palestra do Dharma "Mindful Awareness in Action" dada em um retiro por Heila e seu marido Rodney Downey. Esse post foi publicadaoem 2006 em inglês. Agora republico traduzido. Mestra Heila foi minha professora de 2003-08. Em 2007 ela desligou-se da Kwan Um. Sigo com outro professor.

28 agosto, 2012

O Segredo da Felicidade


O segredo da felicidade é não pensar nela. Quem se preocupa demais em ser feliz ou como ser feliz esquece de viver o momento e vive tentando achar motivos no passado ou fantasias do que poderia ser, ou futurisando. A felicidade deve ser experimentada no momento e depois largada de lado. O que no budismos chamamos "deixar ir". Quando você toma um sorvete você o aproveita enquanto ele está presente.Se vc. não o fizer ele se derrete e começa a perder sua forma mais deliciosa. A vida é assim: deve ser experimentada da maneira que ela se apresentar e naquele momento. Se damos costas ao momento depois não podemos nos lamentar, pois, apesar de podermos provar outro sorvete, e acharmos que é o mesmo, já não seremos os mesmos e nem as circunstancias talvez o sejam. A felicidade está em nossa mente e somos nos que decidimos: Eu fico aqui ou eu fico no passado ou eu escapo para um lugar de sonho e fantasia.

A receita não funciona se não começarmos a tentar testa-la no dia a dia. O que significa: pôr-em-pra-ti-ca.
Ninguém vai fazer isso por nós. Se queremos a felicidade precisamos praticar felicidade.

Não tem nada a ver com correr atrás. Uma expressão muito usada: "Tô correndo atrás da minha felicidade." E a felicidade por acaso está correndo a sua frente?

Resumindo:O segredo da felicidade é viver o momento seja ele alegre ou triste.

26 agosto, 2012

Bossa Zen Entrevista: Islan Alex Triumpho

Islan no Zendô



Islan é Téc-enfermagem e atua na UTI de Hospital em Porto Alegre. Conviveu, como autodidata, com o Budismo desde meus 9 ou 10 anos. Através seu pai e por leituras que fez desde então. Em torno de 2005 assistiu uma palestra do Mestre Zen Moriyama Roshi e passou a ler tudo que se referia ao Zen, então foi ao Via Zen e lá conheceu a monja Coen que foi sua inspiração para dar os primeiros passos no caminho zen. Através dela conheceu a monja Isshin, a quem recorre para conversar e para pedir orientação. Islan é aluno leigo de monja Isshin desde 2008. Colabora como pode divulgando e escrevendo eventualmente sobre o tema em seu blog e redes sociais. Islan também pratica a "ecologia doméstica" (termo que inventou para definir as coisas simples que podemos fazer em casa para ajudar a não piorar mais o mundo).

Islan chamou-me atenção por replicar meus artigos em seu blog Arando a Mente Fértil, o qual passei a prestar mais atenção, pois tenho o hábito de mudar meus artigos ou corrigir algum erro que vejo depois de publicá-los.




Bossa Zen (BZ) Como "Agricultor Zen" quanto tempo vem  “Arando a Mente Fértil”? 


Front Page do Blog de Islan

IS: O “Arando” nasceu em 2005, de uma necessidade minha de leitor. Precisava juntar de forma mais organizada os artigos, blogs e autores que eu lia e divulgava e usava como referência para “consumo” pessoal, estudo e como referência em uma rede social. O problema era que, volta e meia, me vinha uma pessoa ou outra pedir informação sobre onde eu tinha achado “aquele” autor, ou “aquele” texto, ou “aquela” frase de um dia “x” que eu citar em uma conversa de um ou dois anos antes. Eu ficava frustrado de não fazer a menor ideia de como ajudar . Nisto me apresentaram a ferramenta do Blog. Eu lia muitos Blogs. Comentava de forma discreta em alguns. Foi quando, em 2008 iniciei minhas “colagens”. A ideia inicial era trazer os assuntos abordados nos bate-papos virtuais para o blog. Virou de um pretenso arquivo em uma revista/mural onde postaria as informações, textos e links de pessoas que eu considerasse significantes para o Dharma.  Acabei por deixar de lado as listas de bate papo me dedicando apenas ao Blog. Percebi que os blogs tem um sistema da estatística. Eu estava convicto que escrevia para mim e mais meia dúzia de amigos. Eram mais de uma centena visitas ao mês. Hoje são 3 mil.


BZ: A “mente fértil” também precisa ser arada?

IS: Toda a terra para gerar bons frutos precisa ser trabalhada, não é? Do contrário ela será tomada por ervas daninhas. O mesmo se dá com nossa mente e nossa vida. Se não aprendemos a  conhece-la e gerencia-la ela é tomada por forças e direções que podem nos ser prejudiciais ou desnecessariamente sofridas. Acredito que se toda potencialidade do homem esta como “semente”  latente dentro de cada um, sem o estímulo permanecerá lá.  Apenas encarcerado, como uma semente em um pote de vidro. A árvore se manifesta quando a terra, a água e o sol lhe dão estímulo. Cabe a cada um cultivar as suas sementes, não é. Estimulando as sementes certas que dormitam dentro de si.

No belo livro “Velho Caminho, Nuvens Brancas - Seguindo as Pegadas do BUDA”, de Thich Nhat Hanh, Buda é interpelado por um agricultor que lhe acusa de perder tempo em vez de trabalhar a terra:


 “Nós somos fazendeiros. Nós aramos, semeamos, fertilizamos, cultivamos e ceifamos para comer. Vocês não fazem nada, não produzem nada e, ainda assim, comem. Vocês são inúteis. Não aram, não semeiam, não fertilizam, não cultivam e não ceifam."

“Oh, mas nós fazemos tudo isso. Nós aramos, semeamos, fertilizamos, cultivamos e ceifamos.” – disse o Buda.

.“Então, onde estão seus arados, seus búfalos e suas sementes? Quais culturas vocês plantam? Quais culturas ceifam?”
O Buda respondeu: “Nós cultivamos as sementes da confiança na terra do coração verdadeiro. Nosso arado é a mente alerta, e nosso búfalo é a prática da diligência. Nossa colheita é o amor e a compreensão. Senhor, sem confiança, compreensão e amor, a vida não é nada além de sofrimento.”


BZ: Você pretende plantar algo seu nessa terra virtual ou apenas sementes alheias?

IS: Sou um inveterado leitor. Não sou seguro com as palavras. É algo que eu preciso trabalhar em mim, com certeza. Várias vezes eu tive de escrever por não achar textos que me refletissem a ideia, é claro, fiz algumas intervenções em textos postados aqui para ajudar a introduzir ou contextualizar alguma matéria, mas sou ainda um leitor acima de tudo. E com sorte, um bom praticante. O fato de trazer as pessoas a lerem temas que se unem aqui já é um privilégio. Mas se a produção for um caminho que se manifeste em minha vida não vou deixar de trilha-lo.


BZ: Que outras terras (temas) te interessam além do Budismo?

IS: Buenas, Tenho interesse em muitos temas e trago para o “Arando” os que mais me motivam. Como já falei o “Arando” foi pensado para ser um local para linkar o que leio com prazer. O Budismo é o mais focado, sobre tudo, mas me interesso muito sobre as questões da “mente” num espectro mais amplo, mais ocidental, acabo lendo e publicando sobre psicologia, neurologia, antropologia, filosofia e psicanálise. Nada pensado de forma acadêmica, longe de mim. Mas trazer temas que tragam outras visões que ajudem a entender este mundo em que nos encontramos. Falo também de cultura da cozinha e da cultura da alimentação proativa. Falo de inserção da bicicleta no urbanismo e de Aikidô e Ateísmo. Ou seja, faço ainda um apanhado de coisas que de alguma forma fomentam minha vida.


BZ: Poderia contar como foi sua aproximação com o Budismo? Foi através do Aikidô?
IS: Bom, o Budismo foi sempre um assunto próximo de minha vida desde a infância. Mais como uma cultura estimada que uma filosofia praticável. Meu pai me apresentou tanto as artes marciais quanto ao Budismo quando eu tinha uns 10 anos, eu acho. Mas comecei a me interessar MESMO próximo dos 25 anos quando eu fazia faculdade de psicologia. O Aikidô foi uma grata coincidência. Sempre admirei. Aprendi algumas técnicas com meu pai, mas só fui praticar quando descobri que as aulas eram no mesmo espaço que as reuniões da Sanga criada pela Monja Isshin. Foi amor ao primeiro pisar do tatame.

BZ: Quanto tempo dedica à pratica formal no zendô e em casa?

IS: Comecei a praticar em casa ainda sob influência da Monja Coen e do Via Zen (de Porto Alegre) em 2005, eu acho, mas só passei a praticar com regularidade em casa e no Zendô quando passei a fazer Zazen com a Monja Isshin em 2008.

BZ: É membro atuante na comunidade budista?
IS: Estou afastado da Sanga faz um ano,mas sou membro da Comunidade Soto Zen Budista Jisui Zendô-Sanga Águas da Compaixão. Meu afastamento se deve principalmente ao fechamento da academia de Aikido que era local de prática da sanga no bairro onde trabalho. Foi preciso organizar um novo “ZenDô” e fazer a transferência da Sanga. Será preciso que eu faça muitas mudanças, que ainda estou trabalhando para concluir, mas pretendo voltar a vida de Sanga em breve. Faz MUITA diferença a prática de Sanga para a prática individual. Sofro os efeitos disto assim como um atleta que percebe que treinar junto de outros atletas lhe apruma o treino.


BZ: Já pensou em criar algo no seu trabalho mesmo? 

IS: Temos um projeto de trazer a prática de meditação para gestantes internadas... Mas ainda depende de aprovação por parte da administração do hospital.

 

BZ: O que mudou no seu cotidiano depois que tornou-se discípulo leigo e praticante de uma comunidade zen budista?

IS: Com certeza muito em minha vida mudou com a entrada do Budismo em meu cotidiano. Existe uma gritante diferença entre ser uma pessoa introspectiva e ser uma pessoa tranquila. Existe uma gritante diferença entre ser uma pessoa neurótica e ser uma pessoa alerta. Eu sempre fui tido como alguém tranquilo, intelectual e “bem resolvido” mas eu sempre fui um introvertido. Se não exteriorizava meus medos e rancores não era “mérito” nenhum, mas falta de opção. Guardava dentro de mim, vivia sob o julgo das culpas neuróticas, assim como qualquer um. Hoje sou muito mais tranquilo e menos preocupado. Mas sou muito mais atento e percebo (tanto em mim quanto nas pessoas de meus convívios) as sutis linhas que ligam as ações e as consequências. Parei de me punir por coisas que eu não podia ser menos influente e passei a me antecipar de cometer erros recorrentes. Trabalho em um ambiente (UTI) onde a morte e a vida espreitam diariamente e percebo que existem coisas que estão fora do nosso alcance. Não confundo erro com falha. Às vezes fazemos escolhas que foram boas tentativas, às vezes elas acertam. Mas errar de propósito ou me punir pelo que não é como eu gostaria... não obrigado. Busco SIMPLIFICAR minha vida e passar esta maneira de viver para meus filhos. Estou mudando o mundo a partir daqui de Porto Alegre, de dentro de minha casa. A prática Budista é viver este momento. É agora.

BZ: Em seu blog você costuma divulgar artigos sobre o ateísmo. É ateu?

IS: De fato sou ateu, por isto, volta e meia sou questionado como uma pessoa que se diz ateu pode professar uma religião??? Então me sinto obrigado a esclarecer. A questão é que percebi, em minha vida que “apesar” de “Deus” ser uma invenção humana (é o que acredito, deus é um processo/resposta psíquica constituído diante de questões do imponderável, a resposta gatilho para questões que não teem resposta. O documentário de Robert Winston, “A História de Deus”, baseado no livro “The Story of God” do mesmo autor, demonstra exatamente como eu percebo esta questão) existem inúmeras questões que ficam sem uma “resposta” adequada no secularismo ocidental. Estas questões tem no budismo um arcabouço de práticas e vivências que são muito mais adequadas. 

O budismo nos instrumentaliza para observar nossa natureza, nossas dimensões psíquicas, físicas, nossas dimensões sociais e éticas. Nos traz de volta para a realidade de uma forma simples e direta, e nos conecta com toda a experiência presente a nossa volta. Nos ajuda a perceber os sutis caminhos que unem todas as coisas. Nos desafia a avaliar-nos continuamente os aspectos de nossas escolhas (o que é a “fala correta” hoje pode não ser a mesma coisa amanhã.). Mas principalmente, nos ajuda a lidar com nossas escolhas e consequências. Nos ajuda a NÃO CULTIVAR CULPA, mas sim a mudarmos o que prejudica a nós e aos outros. Qualquer prática filosófica que substitui a culpa punitiva pela mudança edificadora já é uma grande prática.
Então, assim como defendo o direito de ser ateu também defendo o direito a fé (no meu caso de apostar na prática desta fé). Mas não sou proselitista. É bom as pessoas perceberem que ateístas são apenas isto: ateus. Sem a necessidade de fazer uma passeata por causa disto. Não vamos nos unir e derrubar templos ou prédios. Nem precisamos queimar livros. A grande diferença é que quando alguém pisa no nosso pé não pensamos que é por castigo divino.

BZ: Você costuma lembrar que seu nome é "Islan", mesmo. Seu nome influenciou na sua opção por ser ateu? 

IS: Não, na verdade foi a soma de muitos outros fatores. Entre os quais minha formação cultural e exposição a diversas religiões (desde cedo convivi com o candomblé, espiritismo e cristianismo católico em casa...) Comecei a perceber que estas, assim como as demais religiões do mundo, tratam as demais como MITO e a si mesmas como verdadeiras. 

O budismo lembra que toda natureza parece estar elaborada em um processo de causa e efeitos. Para mim parece lógico que uma entidade (mesmo que crie algo espetacular como um mundo ou realidade) precisa de causas e condições para existir...Então teremos algo anterior a esta entidade. Alias as mitologias gregas, hindús entre outras, já falavam disto: Sempre existe uma algo antes. O Deus é sempre resultado de um antes que mudou. Melhor dizendo "Deus" é uma explicação para elaborar coisas que as pessoa não conseguem realmente entender. Mas a medida que se instrumentalizam e desvendam passa a ser "NATURAL".


BZ: Acha que ateus, em geral, sentem-se mais confortáveis no meio budista pelo fato de não se falar em Deus?

IS: Eu me senti assim. Acredito que outros também poderão sentir o mesmo. O Taoismo também traz esta configuração, em certo aspecto, mas acredito que o Budismo e sua prática foi mais eficiente, sobre tudo no que diz respeito a minha experiência de vida. Posso dizer que uma posição definida de afirmativa da não existência de Deus no Budismo teria me posto impedimentos também. É a abertura de possibilidade de vivenciar por mim, sem respostas prontas que me trouxe cada vez mais para dentro do Zen e do Budismo.


BZ: O que encontrou no budismo que não encontrou em outras praticas?

IS: Um espelho que reflete o universo.

24 agosto, 2012

Sinais Físicos da Mentira.

Capa do livro de Mônica Portella.


1.Repetir a mesma história e jurar inocência mil vezes.
2.Olhar vidrado ou robotizado.
3.Simular choro e riso nervoso.
4.Olhar para cima e para a direita.
5.Frases prontas, ensaiadas.
6.Apertar os lábios.
7.Erros de vocabulário denotam nervosismo.
8.Apertar as mãos. Esconder as mãos, leva-las ao rosto ou pescoço.
9.Piscar frenético.
10.Corpo ereto.
.


23 agosto, 2012

Fazer Listas Ajuda a se Organizar?


John Lenon disse: "A vida é o que acontece enquanto fazemos planos!"





É importante realizar desejos. Se entregar ao acaso, ao desconhecido. Seguir regras rígidas sempre acaba por nos tornar, seres de pedra andando em ruas de pedra.




As Sete Regras do Amor, é um filminho água com açúcar. O que achei incomum foi o argumento ser uma lista. A mãe da protagonista está morrendo e deixa um guia para a filha: coisas que ela poderá fazer ao longo da sua vida. Mas a filha toma esse guia ao pé da letra e passa sua vida em função de realizar aquilo que a mãe havia sugerido. Não bastasse isso, a vida dela é comandada por listas adicionais que ela faz. Seu maior prazer é riscar um item da sua lista. Mesmo que seja: Atender o telefone depois do terceiro toque. Isso, até aparecer alguém para bagunçar sua cabeça e fazê-la ver que a vida deve ser vivida também ao acaso. Não comandada por determinações elaboradas. Que é saudável fazer coisas que não planejamos ou mudar de planos no meio do caminho, tomar outro rumo ou mesmo chutar o pau da barraca e mudar tudo.

Fui adepta das listas por algum tempo e admito que é uma uma boa estratégia para se organizar e um bom incentivo para quem costuma adiar o que precisa fazer. Ainda existe um site chamado 43Things nele as pessoas podem fazer suas listas online e compartilhar o que conseguiram realizar. Também é possível configurar o sistema para lembra-lo do que você se propôs fazer. Eu nunca usei. Ainda prefiro fazer minha lista no papel.
Talvez o velho John Lennon esteja certo. Também, perde-se algum tempo planejando, mas o planejamento, ainda assim, é necessário.  Não vamos perder uma noite de sono fazendo listas nem deixar de viver por fazer uma listinha de vez em quando.

21 agosto, 2012

Como o caqui amargo se tornou doce?

"O caqui é uma fruta estranha. Se você comê-lo antes que esteja totalmente maduro, tem um gosto horrível. Ele faz sua boca se contrair por ser adstringente (liguento).  Na verdade, você não pode comê-lo verde. Se você não o deixar amadurecer-naturalmente-você terá que cuspi-lo e jogar tudo fora.

Estou usando esse exemplo como uma metáfora para a pratica budista-você só precisa joga-la fora. Eis porque eu espero que as pessoas comecem a praticar e continuem até que a pratica esteja madura.

O caqui tem outra caracteristica que é muito interessante, mas para entende-la você precisa saber algo sobre os caquis orientais: Há dois tipos de caquis, o caqui doce-amagaki em japonês, e o caqui adstringente, chamado shibugaki. Quando você planta sementes de um caqui doce todas as mudas nascem adstringentes, sem exceções. Então, se você quer uma árvore de caqui doce o que você tem que fazer? Bem, primeiro você deve cortar uma galho de caqui doce e depois enxertá-lo na árvore de caqui adstringente. Com o tempo aquele galho produzirá frutos de caqui doce.

O que mais me intrigava é de onde aquela primeira árvore de caqui doce veio. Se as mudas das sementes de caqui doce se tornam todas adstringentes. De onde veio o primeiro caqui doce?

Certa vez eu tive a oportunidade de perguntar a um botânico especialista em árvores frutíferas e ele disse-me que: Primeiro de tudo,o caqui oriental era uma fruta nativa japonesa. Isso foi há muito muito tempo atrás. Levou muitos anos para ser um caqui doce: até mesmo o fruto de uma árvore, por 40-50 anos foi adastringente! Isso significa que estamos falando de árvores com pelo menos 100 anos. Ao longo desse tempo, os primeiros galhos de caqui doce começaram a crescer em uma árvore de caqui adstringente  e seus frutos amadureceram. Esses galhos então passaram a ser cortados e enxertados a uma árvore  jovem de caqui adstringente. O que levou mais uns 100 anos para crescer e então transferir para outra  árvore e continuar esse processo.

De certa forma,o budismo e nossas próprias vidas são assim. Se você deixa a humanidade como ela é, ela tem uma qualidade adstringente (liguenta), não importa qual país, ou qual mundo você olhar. Isso já aconteceu muitos anos atrás na Ìndia, na cultura daquele momento, um caqui amargo nasceu, o budismo ou mais especificamente Shakyamuni Buda- que nasceu- como um galho de uma árvore de caqui amargo, que depois de muitos, muitos anos se tornou um caqui doce. Depois de um tempo um galho foi cortado e transplantado no solo adstringente da China. De lá um ramo do fruto doce foi levado para o Japão e plantado num país de bárbaros. Eis porque nós não podemos achar o budismo no Japão hoje. Agora o caqui doce está sendo nutrido na América, e ele precisa ser cuidado e cultivado. Então ele poderá florescer e amadurecer aqui. Isso não acontece automaticamente."


Trad. e adaptação minha para a palestra (1977) de Kosho Uchiyama Roshi  "Practice and Persimmons" in: Openig the Hand of Thought-Approuch to Zen.

20 agosto, 2012

Um dia para lembrar quem ajuda.




Os outros vídeos do Dia Humanitário Mundial também são interessantes!
Uma das convidadas é  a fotografa Erin Dinan. Ela começou a fotografar pessoas que vivem nas ruas de N.Y e  a partir do contato com essas pessoas criou One Sandwiche at Time cujo lema é:

"Nós temos duas mãos: Uma para ajudar nós mesmos e outra para ajudar aos outros" Audrey Hepburn

 Voluntários fazem sanduiches que são doados a moradores de rua. O dinheiro vem de doações.




Mestres e Amigos

Mestre Zen Seung Sahn e Taizan Maezumi Roshi compartilharam uma longa amizade.




Talvez poucas pessoas saibam quanto os coreanos detestam os japoneses pelos anos de opressão aos quais a Coreia foi submetida pela invasão japonesa. Da mesma forma os chineses não nutrem nenhum sentimento de benesse aos japoneses pelos mesmos motivos e os japoneses sempre aprenderam que coreanos e chineses não são confiáveis ou não são amigos do seu país. Mesmo dentro do próprio país eles fazem distinção com quem é do sul ou do norte. Como nós fazemos com os nordestinos. Vivendo tão próximos durante séculos eles sempre viram em seus vizinhos um inimigo em potencial ou quanto muito mantiveram uma distância aceitável.

Quando o mestre Zen Seung Sahn viveu em Los Angeles um dos seus amigos mais próximos foi o mestre zen japonês Maezumi Roshi. Eles se encontravam varias vezes e conversavam sobre si, sobre o zen, e assuntos os mais banais. Um exemplo de que apesar das desavenças do passado criadas sues lideres políticos, eles cidadãos do mundo, podiam esquecer esse passado e viver somente o momento presente.

Mestre Zen Seung Sahn nasceu na Coreia do Norte, mas seus pais fugiram para  Coreia do Sul. Eles eram critãos pois o budismo só podia ser praticado pelos monges e monjas. Depois de ler o Sutra do Diamante ele decidiu ser monge e fez um retiro de 100 dias em uma montanha na Coreia do Sul. Ao voltar, ele passou três anos em retiro no mosteiro recebendo mais tarde a Inka-transmissão. 

O governo na Coreia do Sul não é budista e faz o possível para dificultar a vida dos monges e mosteiros favorecendo a religião do presidente e perseguindo a religião que sempre foi predominante na Coreia do Sul: O Budismo Zen. Por esse motivo, o Mestre Zen Seung Sahn foi aconselhado a imigrar e levar o zen para outros países onde ele fosse mais receptivo.

Ambos: Maezumi Roshi, Mestre Seung Sahn e tantos outros mestres construíram os pilares do zen budismo no Ocidente. Muitos, professores e mestres, estudaram com eles, e hoje são nossos professores. Tetsugen Bernard Glassman, Dennis Genpo Merzel, John Daido Loori,Charlotte Joko Beck e Monja Coen foram alguns dos alunos de Maezumi Roshi na América. Maezumi estudou no Rinzai e depois no Soto zen. Combinava a pratica de koans com o Shikantaza. Provavelmente o Roshi bateu koans no estilo coreano com o MZ Seung Sahn.

Que o esforço desses mestres seja sempre honrado. E a amizade e não a rivalidade sejam cultivadas.

19 agosto, 2012

Sugestão de Livro:Tenzo Kyokun

 Em casa todos cozinham. Minha mãe faz a comida do dia a dia. Simples, com pouco tempero. Já meu pai cozinha na base do improvisos, jogando tudo que encontra dentro da panela e exagerando no sal e nos condimentos. Minha mãe reclama e diz que a boa comida é a simples. Tenho que concordar que no dia a dia não se come caviar, mas no fim de semana tudo bem um prato fora do lugar comum. Também gosto de cozinhar. Até hoje pouco ajudei na preparação de comida nos retiros pois em geral eles já definem quem vai cozinhar com bastante antecedência.

Poucos gostam das tarefas na cozinha e quando para lá são enviados, em retiros, ficam bastante deslocados. Eu fico bem a vontade. Minha técnica é bem organizada. Vou preparando, lavando e guardando o que usei. Já meu pai faz a maior bagunça e deixa para alguém limpar.

O cozinheiro, na tradição japonesa é chamado de Tenzo e o texto de Tenzo Kyokun é um clássico. O texto não é muito extenso e foi compilado pelo mestre fundador da escola Zen Soto, Dogen. Monja Isshin tem feito módulos de estudo sobre o tema do Tenzo Kyokun:


Parte 1.A Refeição como Disciplina Espiritual
Parte 2: Os Efeitos espirituais do cozinhar
Parte 3: Lavando arroz, lavando o coração
Parte 4: Arranjo e Procedimento
Parte 5: Discriminação para a Comida
Parte 6: Respeitar a Comida

e sobre o livro Mente Zen Mente de Principiante.

O trabalho do Tenzo em um retiro ou  mosteiro é essencial assim como a tarefa de cada um. O que o texto nos ensina é que cada um deve fazer sua parte para a harmonia do todo e que não há diferença na pratica de quem só fica sentada em zazen e de quem fica na cozinha ou quem limpa os banheiros, varre o quintal ou passa pano no zendô. Cada um deve fazer a sua parte sem olhar para os lados e se comparar com o outro. Ou pensar "Porque eu tenho que fazer esse trabalho e enquanto o outro faz aquele." Além disso a pratica do Tenzo é uma pratica de paciência e precisão. Lidar com a comida com respeito e revererência, tratar cada utensílio como cuidado e atenção. Usa-los bem e em favor de todos os seres. O jeito de pegar, de usar e de lavar cada coisa e alimento, sem fazer ruídos, sem pressa, mas com destreza e precisão. Cada coisa que sai do seu lugar deve voltar a seu lugar. Nada deve ser desperdiçado. nem um grão de arroz. E sobretudo não se deve ser muito exigente com a qualidade ou quantidade da comida.



18 agosto, 2012

A Vida que Costumamos Temer


*Nota: Este texto não é de minha autoria.


"Estudantes romanos de estoicismo eram frequentemente ensinados a praticar aquilo que mais temiam, a fim de experimentar o mundo que eles tinham medo. Como estava lendo Seneca, um dia, me deparei com esta citação:     

"Ponha de lado agora um número de dias durante os quais você vai se contentar com o mais simples dos alimentos, e muito pouco, uma roupa quente e grosseira, e se pergunte: 'É isso que costumamos temer? "

Então comecei a experimentar o meu mais profundo desconhecido: um mês sem tecnologia. No saco de dormir, sem barraca, sem mochila, apenas um cobertor, uma bússola, e algumas necessidades para sobreviver. 


Vinte e oito dias focando em habilidades primitivas, aprendendo a preparar-nos para sobreviver no deserto. Três instrutores nos guiaram através do deserto de Utah, nos ensinando a fazer fogo, usar a bússola para encontrar água, a montar acampamento e a ficar quente em altitudes elevadas.

Minimalismo, em sua raiz, é mais do que
apenas jogar fora tudo o que você possui. Trata-se de aprender a prosperar, não sobreviver, mas prosperar, independentemente das suas circunstâncias. Viver na natureza revela que a felicidade e a satisfação vem de dentro, não de bens materiais

*Traduzido e editado do texto: Vivendo em Cavernas e Combatendo Distrações. Autor Maneesh Sethi"

17 agosto, 2012

Meditando no Estilo Zen sem Abandonar sua Religião.

Cristãos meditando no estilo Zen.





Todo ano, após o retiro de verão (Summer Kyol Che), acontece em Providence Zen Center o retiro Cristão-Budista liderado pelo Frei e Sensei (Professor do Dharma)  Kevin Jiun Hunt, e mais um professor da Escola Zen Kwan Um.


Mais informações aqui.

16 agosto, 2012

Blog de Selos

Transformei um blog dedicado a poesias em um blog para colar selos e postais que juntei ao longo de muitos anos. Certa vez, uma amiga perguntou-me por que eu não os organizava. Respondi que estava guardando para ter o que fazer na velhice. Ela riu da minha prevenção, mas, pelo andar da carruagem, certamente, ainda terei muito a fazer na velhice.

Quem se interessar dê uma olhada em Sentar no Vazio.

PS: Se alguém tiver algum selo relacionado ao tema "Budismo" e não quiser pode envia-los para mim :-) 

15 agosto, 2012

Organize-se e Viva Melhor com Menos.

Foto Aman Morbeck



*Nota: Este texto não é de minha autoria.



"Leitores perguntam-me frequentemente:

"Como eu posso fazer meu marido se organizar?"
"Como levar uma vida simples com as crianças?"
"Como posso fazer minha esposa limpar seu armário?"
"Como posso convencer meus amigos e família a viver com menos?"

A minha resposta é sempre a mesma.
"Você não pode."

Pense em todas as mudanças que você fez em sua vida. Quantas vezes foi que seus amigos e familiares  fizeram as mesmas mudanças? Tornei-me vegetariana sozinha. Comecei organizar-me sozinha. Perdi peso por mim mesma. Embora  meus amigos e familiares tenham sido gentis e me apoiassem, eles não estavam interessados ​​nas mesmas mudanças de estilo de vida que eu naquele momento. E tudo bem.


Escrevo sobre viver com menos, um estilo de vida saudável que acrescentando mais alegria à sua vida, não porque eu quero convencê-lo a viver uma certa maneira, mas para lembrá-lo que você tem uma escolha e a convidá-lo a viver a sua vida com propósito.

Você pode

     viver livre de dívidas

     trabalhar para si mesmo
     comer melancia picante
     cancelar a sua tv a cabo
     ter uma cozinha minimalista
     vestir-se com menos
     criar um bom blog


Isso não significa que essas escolhas são as melhores para você e sua vida, mas são opções.

Quando se trata de organizar-se, a coisa mais importante que você pode fazer em uma situação familiar é lidar com suas próprias coisas primeiro. Não se preocupe com seus sapatos, seus brinquedos ou até itens compartilhados. Aprenda com a experiência e começar com seus próprios objetos pessoais. Uma vez que você terminar com seus próprios itens (e que poderia levar dias ou meses ou anos), desfrute de sua realização, sem comparação.


Em vez de convencer seus amigos e família a viver como você, ensine pelo exemplo. Demonstre os benefícios de suas escolhas de estilo de vida, vivendo plenamente. Responda às perguntas sem pregação, ajudar as pessoas sem foco no ganho pessoal, e ame-os, independentemente das circunstâncias."


Texto de Courtney Carver
Traduzido e editado do seu blog Be More With Less -Life on Purpose

14 agosto, 2012

Sim, porque não?

Yes Man lançado no Brasil como Sim Senhor.

A opção de Jim tem sido por filmes que passam alguma mensagem baseado em alguma teoria de construção da felicidade. Já foi assim em "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças".e outros que ainda não vi.

O protagonista é convencido por um amigo a ir em  uma palestra de auto-ajuda de um cara cuja filosofia é só dizer "sim" jamais dizer "não".  "Quando uma situação se apresentar a vc. diga "sim." 


O roteiro é baseado no livro "Yes Man" de Denny Wallece que o escreveu depois de ouvir um conselho no ônibus:" Vc. deveria dizer mais "sim" do que "não" a sua vida."


No início ele fica cético, mas depois  ele tem algumas experiências dizendo "sim" e sua vida começa a mudar o que o faz perceber que o negócio de dizer "sim" funciona. Mas é claro que nas situações onde o sim seria "não" vale um jogo de cintura e muito bom humor para contornar a situação. Afinal o filme é uma comédia e nisso Jim é expert.


Ainda não vi o filme até o fim. Como de costume, a TV por aqui não é minha e quando alguém chega pedindo para mudar de canal digo "sim" e vou ler um livro. Porque sei que esse filme vai passar muitas vezes e na próxima que o vir pesco mais uma parte.




11 agosto, 2012

As Formas e os Flocos de Neve.

Quando estive em retiro no Mosteiro de Wong Kwang Sa, no interior da Hungria,no final do inverno, fez pouco frio nesse período. Um dia nevou bem fininho. Os flocos pousavam no meu casaco preto.Pude observar a forma do floco. Um deles era assim como o do desenho ao lado. Depois nevou mais e os flocos eram bolinhas de gelo. Fiquei intrigada.  Então quando neva pouco são plumas, quando neva bastante são bolinhas? Sei lá, nunca tinha reparado nesse detalhe. Em WKS fazemos a pratica no mosteiro, refeições, banho, etc, mas dormimos em uma casa há 300 m do mosteiro. Em Providence Zen Center tudo é feito no mosteiro sem necessidade de sair para fora do prédio principal. Pessoalmente gosto mais do fazer todas as praticas no mesmo lugar. Ambas situações exigem adaptação.

Formas diferentes de pratica são como flocos de neve. Há milhares de formas de flocos e há muitas formas de pratica. Cada lugar adota a forma que precisa para que a pratica seja possível para todos. A cada um cabe apenas seguir a forma sem questionar se essa é melhor ou aquela outra. Comparações surgem na mente apegada. O "gosto" "não gosto" faz parte, mas com o tempo aprendemos a nem gostar nem desgostar:

09 agosto, 2012

Sugestão de Livro Zen Kwan Um: Os Dez Potões de Koans






 Ten Gates (Os Dez Portões) é um livro sobre os dez tradicionais koans. Comentados pelo Mestre Zen Seung Sahn.
Ele reúne cartas de alunos que o escreveram enviando uma tentaiva de solução do seus  koans de trabalho. Em inglês chama-se "home work koan". O Mestre Seung Sahn lhes responde dizendo se estão no caminho certo ou não. Hoje isso seria feito via Internet :Chat. Naquele tempo não havia Internet então, os alunos se comunicavam com o Mestre, quando distantes,  através de cartas ou do telefone. Pode ser encontrado aqui.

05 agosto, 2012

Bossa Zen Entrevista Barry Briggs




Barry Briggs é professor Bodisatva na Escola Zen Kwan Um. Praticante nesta Escola há 20 anos ou mais ele vive em Seattle com sua família. Atende ao Centro Zen Ocean Light e é aluno do Professor, Mestre do Dharma, Tim Lerch. Eu não o conheço pessoalmente, mas nos esbarramos na saída de um retiro de inverno esse ano em Providence Zen Center. Eu saia do retiro e ele entrava, portanto não creio que ele lembre de mim. Eu mesma achei que já tinha visto aquele cara em algum lugar mas só depois me dei conta que era ele. Barry é bastante conhecido pelo seu blog Ox Herding.


Enviei-lhe algumas perguntas bobas, que talvez ele nem quisesse responder, mas, ele foi muito gentil e respondeu as que enviei e muitas outras. Por isso ele está dando início a este projeto de entrevistar alguns alunos, praticantes ou até mesmo simpatizantes do Budismo, bem como professores.

Na medida que eles me enviarem as respostas, os que enviarem, serão publicados aqui. Agradeço ao Barry pela colaboração nesse projeto.

A entrevista foi feita  em inglês e traduzida por mim, para ver as respostas em inglês clique aqui.




BZ: Conte-nos quem foi Barry Briggs antes de entrar para o Caminho Zen?
 
Antes de começar o treinamento Zen, eu tinha uma vida ativa como executivo na indústria de software de computador e como marido e pai. Depois que eu comecei a praticar Zen, eu continuei a trabalhar na indústria do software e honrar minhas obrigações familiares.




BZ: Você atualmente é Professor Bodhisattva. Explicar o que significa e qual o papel de um professor Bodhisattva?

 Dentro da Escola Zen Kwan Um, o professor do dharma senior pode (com a autorização do seu professor) receber os 48 Preceitos do Bodhisattva (além de 16 preceitos do professor de dharma senior). Esses preceitos de bodhisattva vêm da Brahma Net Sutra, um texto antigo em sânscrito que fornece um guia para a libertação de ganância, raiva e ilusão.
 
Libertação significa que podemos usar nossa vida para ajudar a todos os seres.
Assim, um professor bodhisattva promete ir além das preocupações pessoais e de trabalho para o benefício da sangha e de todos os seres. Na Escola Zen Kwan Um,  o professor bodhisattva pratica regularmente no Centro Zen, é voluntário de várias maneiras: consultaria de entrevistas, e pode guiar retiros (com autorização do professor orientador). 


Muitos anos atrás, o nome de Professor Bodhisattva era "Monge Bodhisattva." (Talvez 25 anos atrás.) Naquele tempo, os 64 preceitos eram dados a pessoas que queriam ordenar-se como um monge ou monja, mas não podiam deixar a sua situação mundana (talvez eles tivessem filhos ou pais idosos).

No entanto, hoje em dia, os preceitos de Professor Bodhisattva são tomadas por pessoas que sentem uma profunda ligação com a sangha e que dedicam suas vidas para a libertação dos outros.


BZ: É muito parecido com a função dos monges e monjas? Você já quis ser monge?

Apesar de a "forma exterior" de monges e professores bodhisattva ser diferente, os dois: monges e professor bodhisattva tem o mesmo "trabalho interno" - que é praticar muito e ajudar todos os seres, especialmente ajudar a sangha.

Nunca cogitei ser monge porque tinha que cuidar da minha família. Agora não tenho mais idade para ser ordenado, mesmo que quisesse.


BZ: Não sabia que tinha um limite de idade para ser ordenado monge em nossa Escola.

Sim, ambos da Escola Zen Kwan Um e a Ordem Chogye (Escola Zen Kwan Um é parte da Ordem Chogye) têm um limite de 50 anos de idade.

BZ: Por que há cada vez menos monges em nossa Escola, no Ocidente, o os que o são tendem a retornar seus votos?

Eu não posso falar com autoridade sobre este assunto, pois eu nunca fui um monge. No entanto, eu sei de vários atuais e ex-praticantes monásticos,  e por ter falado com eles sobre este tópico.
 
É importante reconhecer que a Escola Zen Kwan Um desenvolveu uma comunidade monástica de sucesso na Coréia do Sul, centrada em nosso templo principal, Mu Sang Sa. Além disso, ainda há um punhado de monges na América do Norte e Europa.

 
O caminho monástico depende do apoio e incentivo de uma comunidade leiga. Na Ásia, essas comunidades já existem há mais de 2.000 anos, mas a maioria das pessoas ocidentais nunca encontrou um monge ou monja (de qualquer tradição espiritual). Como resultado, as pessoas leigas mais ocidentais não entendem as exigências da prática monástica. Isso torna difícil para um monge ou monja para sustentar a sua vocação no Ocidente.


BZ: Você está conectado ao Ocean Light Zen Center. Você já pensou em ter seu próprio Centro Zen ou você acha que este não é o seu caminho?

Eu teria dificuldade para sustentar minha prática sem o apoio de uma comunidade de companheiros praticantes. Como membro da comunidade do Ocean Light Zen Center e um estudante comum  do Zen, eu não consideraria começar o meu próprio centro zen. No entanto, se eu fosse morar em uma cidade que não tem um centro zen  local, então, eu iria certamente começar um!


BZ: Em sua longa trajetória na KUSZ, mais de 20 anos, você já fez retiros de 90 dias, retiros individuais, e foi viver na Coreia do Sul? O que você sente que ainda falta em sua prática diária ou formal. Ainda tem dificuldade para sentar-se?

Minha prática diária sentado manteve-se estável durante um certo número de anos. Todas as manhãs eu faço 108 prostrações, um dos cantos, e medito por um período sentado. Eu também leio a partir de um texto budista ou um livro todos os dias. Assim, a minha prática diária parece completa, pelo menos em sua consistência.

Nem todo mundo pode participar de retiros longos (de uma semana ou mais), mas tais retiros têm sido importantes na minha própria formação. Na verdade, às vezes me pergunto se eu poderia sustentar a prática diária regular, sem a estabilidade desenvolvido em retiros mais longos.

No início deste ano tive a sorte de viver em Cambridge Zen Center por um mês e práticar duas vezes por dia com essa comunidade maravilhosa. Estas comunidades só existem por um motivo: ajudar as pessoas a praticar todos os dias. Espero que todos possam praticar regularmente em seu centro local Zen, se ele oferecer treinamento residencial ou não.


Tive a maravilhosa oportunidade de visitar várias vezes a Coréia do Sul nos últimos 20 anos, mas eu nunca vivi lá.
 

BZ: Por favor, fale sobre a importância do kong ans em nossa Escola. (Escola Zen Kwan Um)

Eu não sou a melhor pessoa para fazer isso, pois não estou autorizado a ensinar kong-ans. Mas eu vou oferecer o meu entendimento inadequado.

Como todo mundo, minha mente tem formas habituais de se relacionar com experiência. Esses hábitos se manifestam como ilusão, raiva e desejo, e produzem sofrimento - não só para mim, mas para aqueles que eu encontro.

O treinamento com Kong-ans dissolve esses hábitos mentais, criando uma experiência direta de "não sei". Não-saber corta o pensamento, as opiniões, ideias, medos e dúvidas. Na Escola Zen Kwan Um, nós chamamos isso de "substância" e a minha substância e a sua substância é a mesma. Antes de pensar, nós somos o mesmo.

muitos nomes para "não sei" em tradições espirituais ao redor do mundo. Alguns chamam isso de amor, Deus ou Tao, ou a natureza de Buda ou Espírito Santo ou vazio. Esses nomes apontam para a mesma coisa: a mente antes de pensar.

O treinamento com Kong-ans cria uma experiência direta de "não sei" a partir do qual algo novo e fresco pode aparecer. Quando nos tornamos livres de hábitos mentais, mesmo que apenas por um momento, nós podemos diretamente aliviar o grande sofrimento dos outros.

Algumas pessoas resistem ao treinamento com kong-ans, mas kong-ans não são diferentes da própria vida. A vida sempre apresenta situações onde o pensamento não vai ajudar. Se podemos entrar em "não sei" nesses momentos, então podemos usar a situação para beneficiar o mundo todo.


BZ: Por que os alunos devem bater no chão antes de responder um kong-an?

Os alunos batem no chão, a fim de retornar "Ponto Principal"  É como apertar o botão "Limpar" em uma calculadora pessoal - Ele limpa a calculadora para que um novo cálculo correto possa ser feito.



 BZ:O que te motiva a manter três blogs sobre Zen Budismo: Ox Herding, Go Drink Tea, e Zen Woman?
 
Eu tenho três blogs, mas eu só escrevo regularmente (cinco dias por semana) para o Ox Herding

Alguns anos atrás, juntei as histórias disponíveis de mulheres praticantes Zen na Dinastia Tang na China. No começo eu pensei que eu iria publicá-los em um livro, mas, como a tecnologia do blog surgiu, eu decidi, em vez de publicar um livro, colocar todas as histórias em um blog para que outros pudessem acessá-las livremente. Minha esperança é que estas histórias venham a inspirar especialmente as mulheres a se tornarem líderes em suas comunidades de prática.

Desenvolvi Go Drink Tea! como um lugar para reunir kong-ans, que tinham importância na minha vida. No entanto, ao longo dos últimos anos eu raramente tenho postadas neste blog.

Ox Herding serve como um diário pessoal da prática e da vida cotidiana. No blog, eu não me apresento como um professor bodhisattva ou como alguém especial. Como resultado, eu posso escrever sobre um vasto leque de temas, desde a arte de viajar, e do budismo para o relacionamento. O blog se concentra especialmente sobre o que significa ser um ser humano responsável.