31 dezembro, 2012

Um ano que vem mais desperto.

Pouco tenho a dizer de um ano que quase acaba, mas sempre acaba quando tem que acabar. E quase nem percebo que já acaba pois mal começou e outro já começa.

Alguém disse que todos os dias acabam quando vamos dormir e começam quando acordamos. E quem dorme à tarde tem mais vidas ou quem não dorme, já está morto?

Conjecturas.

O que importa é não estar dormindo acordado.

Algumas vezes a gente se distrai, cochila e o momento nos surpreende com flechas certeiras de susto ou dor.

Se passei o ano sem sustos e com algumas dores que persistem sem solução que eu encontre a solução. E se ainda o acaso me reservar algumas flechas do despertar, agradecerei.  Já aprendi o caminho que se caminha de olhos fechados, de noite ou de dia. Mas isso não me faz melhor só mais sonsa. O que não é bom.

Um mestre zen costumava dizer que a vida fácil e confortável não é um bom caminho para o despertar e nem para a prática e é esse caminho que mais procuramos. O caminho das flores. Aquele que desemboca direto no inferno. Seguirei juntando pedrinhas para não andar no macio e uma lanterna que ilumine o caminho para aqueles que ainda não o encontraram, assim como alguém, algum dia, iluminou o caminho para que eu o encontrasse.

Agradeço a todos que por aqui passaram por acaso ou como leitores do acaso. Que eu possa seguir oferecendo reflexões para despertar as mentes sonolentas e que possamos nos encontrar pelas esquinas do mundo virtual ou real.

Agradeço ainda mais aos amigos e amigas que colaboraram no projeto de entrevistas. Fico feliz pelo resultado e pela oportunidade de inspirar aos que aqui passaram com suas experiências de vida e de prática.

Criem a felicidade que tanto desejam e promovam a paz que tanto clamam.  Não deixem um dia passar sem tentar, sem lembrar de que o despertar se faz momento a momento e não apenas em breves sessões de meditação. Se ainda não começou, comece agora e vá em frente. Boa sorte a todos.

26 dezembro, 2012

Meditar nos faz feliz?



Muitos gurus da felicidade estão sempre vendendo a ideia de que meditar nos faz bem, nos deixa tranquilos e tantos outros argumentos. Um mestre zen diria: "Depende!"

A longo prazo até poderíamos ariscar que, sim, faz bem. Mas a ideia de bem estar associada a meditação é ilusória. É uma isca para fisgar as pessoas para que eles se permitam experimentar uma determinada técnica meditativa. Não necessariamente meditar nos fará feliz.

Depende da nossa estrutura de mente. Há pessoas que meditam é tem nessa pratica seus aspectos mais ruins intensificados, mesmo obtendo calma e tranquilidade quando estão meditando, depois não conseguem levar a calma para seu dia-a-dia.

Buscar a felicidade na meditação pode ser frustrante porque a felicidade é um estado que você ativa ou desativa de acordo com as situações com as quais se depara e das que já estão na sua lembrança. A meditação é apenas um caminho a percorrer em direção ao momento presente.

Felicidade implica em escolhas. Escolher por remexer no passado, viver agarrado a que já passou,ao que não pode mais ser resgatado é escolher um estado que não levará à felicidade.

Às vezes a pessoa está muito mal, com dores ou sem dinheiro e sem trabalho. Cabe a ela escolher que importância dará a esses aspectos.  Não dar nenhuma importância é desleixo, mas dar demasiada importância pode não só não trazer nenhuma solução quanto imobilizar

Escolha esquecer o que já passou. Deixar ir o que o magoou, despedir-se de quem já não faz mais parte de sua vida e então a "felicidade", esse ente tão frágil e impermanente voltará a fazer parte de seu dia a dia, mas não o tempo todo. Só o tempo que você se permitir.

Comer também cura

Comida é remédio

21 dezembro, 2012

Lendo no Metro

Estava no vagão do metro em São Paulo quando vi uma senhora lendo esse livro. Buda talvez não achasse estranho um Sutra chegar a ser tão popular para ser lido no metro, então sorri para ausência de botões. Talvez seja uma versão adaptada, pois do que me lembro do Sutra de Lótus não é uma leitura tão atraente. É um Sutra do tipo esotérico. Pode ser lido nesse link.

Alguns elementos desse Sutra são usados na pratica do Zen Budismo como o Dharani, ele vem do Sutra de Lótus.

Por outro lado a leitura de Sutras sem um estudo guiado pode acentuar aspectos de apego e fanatismo.

Quem se usa mais desse Sutra é uma seita que tem crescido muito no Brasil.. Pela maneira como trabalha sua divulgação ou martela suas pregações não é considerada como budista e sim como uma seita aparte que usa elementos do budismo para ganhar adeptos e obter deles o que puderem dar em dinheiro, mesmo que um valor mínimo multiplicado por milhares.

 Alguns que sabem de eu ser budista vêem me perguntar sobre essa seita, pois ela chega aos mais pobres e distantes lugarejos. Minhas tias e minha cunhada já foram abordadas e gostaram da novidade, embora sejam católicas dizem que mal não faz. Ás vezes é chato dizer para a pessoa o que praticar ou não praticar. Quem sou eu para estabelecer o que é e o que não é budismo. Quem inventou o budismo? Alguns precisam parar com essa mania de querer lotear os ensinamentos ou se apropriar deles como se fossem seus. Se o próprio sutra de lótus apela para opções de simplismo na abordagem e na prática dizendo que basta recitar seu nome para obter a salvação porque implicar com isso. No mínimo posso dizer que não é o tipo de budismo que eu pratico, só. No mais, não me intrometo nos ismos dos outros. Eles por seu lado dirão que o que pratico não é budismo. Mas se lhe serve e lhe dá o que procuras,ok.Cada um com seu cada um.

O sutra diz que basta recitar seu nome para se iluminar. Veja bem: se iluminar e não para ficar rico, comprar um carro, arranjar um bom emprego, um namorado, etc.

Fico com a primeira opção:Sutra de lótus, sutra de lótus, sutra de lótus.........e seu eu ganhar na mega sena distribuo sutras de lótus no metro, no ônibus e na rua, pra quem quiser e quem não quiser. Boa leitura!

09 dezembro, 2012

Bossa Zen Entrevista: Jason Quinn


Jason e seu big smile



Jason foi monge por alguns anos. Residiu no Centro Zen de Providence e no Centro Zen Empty Gate em São Francisco, CA. Atualmente é abade no PZC. Há dois retornou seus votos, casou-se e já tem um filho.



BZ: Você é da Califórnia e mudou-se para Seattle para viver de música, mas nunca te vi tocando nenhum instrumento. Desistiu da música?

Antes de ir morrar no Centro Zen de Providence eu tocava violão e table (instrumento de percussão). Eventualmente, percebi que eu não tinha tempo suficiente para tocar. Agora eu ainda toco violão de vez em quando.



BZ: Você foi o mestre cozinheiro em alguns retiros. O que esse atividade te ensinou?

Muitas pessoas nos retiros precisam de energia para a sua prática, de modo que, eu ajudo a alimentá-los. Nesse momento, minha esposa está com fome, então, vou fazer seu macarrão.


BZ: Você morou muito tempo em um centro zen e continua a morar. Por que?


Quando eu comecei a praticar Zen, tentei praticar todos os dias no apartamento onde eu morava Não consegui manter uma rotina firme de pratica por isso eu me mudei para um centro zen. Além disso, quando praticava sozinho, era muito fácil, basta seguir o seu próprio carma ou ideias rígidas. Viver em uma comunidade é como um espelho para sua própria mente, por isso é muito difícil de se agarrar a essas ideias rigidas.



BZ: Qual seu trabalho atualmente?

Atualmente sou o Abade do Centro Zen de Providence, marido e pai!!


BZ: Você é muito querido e brincalhão. Isso ajuda no seu trabalho?


Eu não sabia que era! Acho que o que ajuda mais é ser sincero, honesto, e ajudar as pessoas .....isso é o que as pessoas dizem.


BZ: Por um longo tempo sua única responsabilidades diziam respeito a pratica e ao centro zen. Agora você é pai e esposo. Como se sente com novas responsabilidades?


Mais cansado! Falando sério, essencialmente, sente-me o mesmo. Apesar de tudo em nossos vidas parecer diferente, o trabalho é o mesmo, o que significa cuidar do que está na nossa frente neste momento.


BZ: Monges costumam passar três anos num mosteiro na Coreia. Por que você não teve esse treinamento?


Tornei-me monge na Escola Zen Kwan um e não na Ordem Chogye Na Kwan Um, devemos antes treinar como postulantes (Heang Ja) assim como head temple em PZC ou em Mu Sang Sa na Coreia do Sul, na ocasião o PZC precisava de um House Master. Então decidi treinar em PZC. Só fui para a Coreia para fazer 3 meses de retiro.


BZ: Você fez um retiro solo. Conte-nos como foi passar 100 dias longe da civilização e qual era sua rotina.

Foi a uma das coisas mais importantes que eu já fiz. Uma coisa que se destaca, foi o horário era exatamente o mesmo. A comida foi a mesma e o tempo foi geralmente o mesmo (dos retiros). No entanto, alguns dias eu queria ficar no retiro para sempre, alguns dias eu não podia esperar para sair. Às vezes era o retiro mais pacífico e outras vezes ele era um inferno. Ele me mostrou claramente que a nossa mente faz o bem e o mal, gosto e não gosto, fácil e difícil.
Minha rotina era basicamente  a mesma dos retiros no Centro Zen: Prostrações, cantos, meditação e um adicional de 1000 prostrações diárias.


BZ: Quando foi abade no Empty Gate Zen Center em Berkeley, CA você costumava fazer a pratica formal em Ustream uma vez por semana. Acha importante que os professores usem novas ferramentas para ensinar, como a TV online ou Skype?

Eu acho que isso é importante para chegar até as pessoas em qualquer lugar do mundo, que querem praticar e entender seu verdadeiro self. Acho que encontrar e praticar com as pessoas pessoalmente é o melhor, mas há aqueles que não vivem perto de um centro de meditação e querem praticar. Hoje a tecnologia é uma boa forma de conectar com essas pessoas e ajudá-las e dar suporte na sua pratica.

06 dezembro, 2012

O que o Budismo Ensina?



Essa é uma das perguntas que qualquer praticante vai ouvir pelo resto da vida sempre que se deparar com alguém que tome conhecimento de sua prática como budista. Respondê-la pode não ser nada fácil. Mas não respondê-la pode ser mais difícil ainda.

Eu costumo não entrar no túnel do tempo e falar das origens do Buda e toda a história a seu respeito.


Mas se a pergunta vir de uma criança então a opção de falar da história do Buda pode ser a melhor saída.

Dizer que o budismo ensina basicamente o caminho para o despertar pode puxar outras perguntas: Qual caminho? O que é despertar? Como se consegue isso?

Dizer que o budismo ensina a sermos independentes de qualquer lei superior ou Deus ou guru. Que por nós mesmos podemos decidir nossa vida baseada nas experiências que tivemos e teremos, assumindo as consequencias de nossas escolhas.

O mais comum a se dizer é que: o budismo ensina a ser bom, a viver no presente, a praticar a meditação, a praticar a generosidade e a viver sem causar o mal ou sofrimento aos outros seres e as pessoas, e que as coisas todas e nós mesmos somos impermanentes. Nada é o mesmo para sempre.


Há quem seria mais direto e diria: O budismo não ensina nada. Tudo está ai na sua frente. Perceba e agregue a sua vida.


Mas quem lembra de tudo isso quando a pergunta a queima roupa aparece?

Outras sugestões?


O Koan do Rinoceronte




"Um dia o mestre zen chamou seu assistente e disse:

-Traga-me o léque do rinoceronte.
O assistente disse:- Ele está quebrado.
-Se o léque está quebrado, traga-me o rinoceronte, disse o mestre."

Metting the Inconseivable in The Blue Cliff Record

02 dezembro, 2012

O Zen de Steve Jobs




Steve Jobs tinha um mestre zen. Parece que sim e por vinte anos. Ele se chama Kubon Chino Otagawa de Tassajara Zen Center. Esse HQ conta um pouco da trajetória de Jobs no Zen Budismo. A sua tentativa de trazer os conceitos do zen para suas criações. No vídeo abaixo os autores falam sobre o HQ.









01 dezembro, 2012

Upsaka ou Upasika.






Vi por ai algum texto meu cuja assinatura do texto aparece Upasaka Jeane Dal Bo. Mas o feminino é Upasika.. Upasakas eram os discípulos leigos de Buda. Aqueles que tomavam apenas o refúgio nos três tesouros mais cinco preceitos. Upasaka deriva de "sentar-se perto" e Upasika de "servir  ou atender."


Nenhuma das expressões me desfavorecem ou são impróprias em sua referência. De fato sou uma praticante leiga que ocasionalmente serve em sua sanga ou em retiros. E mais frequentemente serve este blog de textos e reflexões.

De qualquer forma não é um termo usual no budismo zen e sim no sudoeste asiático (Birmânia, Tailândia...), na tradição do Budismo Theravada. No zen há a expressão mas ela é bem específica e somente usada em mosteiros ou em centros durante retiros.

Há também um Sutra com o nome de Upasaka onde estão as regras para o praticante leigo.

29 novembro, 2012

Livro:Confissões de um Ateu Budista



Estava em São Paulo zapeando numa livraria e vi este livro. Não deve ser tão recente: a tradução ao português é deste ano, mas não o tinha visto ainda. O autor Stephen Batchelor já transitou pelo budismo theravada, chegou a ser monge tibetano e encontrou-se no Zen Coreano, onde também foi monge. Hoje é filosofo e ensina budismo academico. Pelo que li rapidamente ao acaso ele conta a sua experiência nesses percursos. Para quem quiser ler tanto em português quanto em inglês ou comprar no formato e-book (só em inglês). A editora Pensamento disponibiliza o primeiro cap. para ser lido aqui.  Eu, pessoalmente, não gostei de nenhum dos livros do Batchelor que li, portanto, não sei se vou arriscar ler mais um. Vou esperar que algum ateu leia e me diga algo mais sobre ele. Até acho que a esposa dele, Martine Batchelor, tem livros mais interessantes e  escreve melhor que ele.



A Amazon permite leitura de dois caps.

A sinopse do livro é essa: "Durante sua exploração pelo mundo, Stephen tornou-se monge budista e fez parte do círculo íntimo do Dalai Lama. Posteriormente, transferiu-se para um mosteiro da Coreia do Sul a fim de se aprofundar no zen-budismo. Porém, quanto mais lia sobre o Buda, mais se conscientizava de que o modo como o budismo era ensinado e praticado pouco tinha a ver com os verdadeiros ensinamentos do próprio Buda. Detalhando sua jornada Stephen reconstroi uma biografia do Buda histórico, inserindo-o no contexto social e político de seu mundo. Segundo ele, a visão do Buda estava muito distanciada da fé irrestrita e da religiosidade que passaram a definir o budismo tal qual o conhecemos hoje."


Entrevista com Batchelor 

13 novembro, 2012

O Topete Zen e Deus Careca.



O ideograma a esquerda significa altar, há também quem interprete-o como sol, lua e estrela. O ideograma da direita significa nuvens sendo cortadas por raios.  Antigamente significava falar com a natureza, também oferecer sacrifício no altar, comunicar-se com as divindades. Modernamente pode ser entendido como uma espinha ereta diante do altar. Chan, meditar sentado. Resumidamente meditar em silêncio para despertar a verdadeira natureza.

Embora muito parecido com o kanji Kami 神  (Deus), não é. Fácil confundir. Apenas pelo detalhe da franjinha sobre a cabeça Zen .  Kami não tem topete. O zen tem. Os chineses apenas aproveitaram um ideograma que já estava pronto e só acrescentaram mais o topete.Como se dissesse: O Zen vai além de Deus. Que topete! Deus está careca de saber que Deus está em tudo, até no Zen.

Na minha interpretação visual esse ideograma mais parece alguém que encontra outro alguém e ambos abrem os braços para esse encontro. Zen é se abrir para o encontro. Mas note que Deus não tem braços. Nem pernas, nem ouvidos, nem nariz, nem boca......

Brincadeira à parte, não sou especialista em ideogramas Apenas curiosa. Se tiver algum erro me falem.

08 novembro, 2012

Nada Falta

Quando chegamos ao estado de que nada falta estamos bem e felizes.
Nada falta não significa abrir mão daquilo que gostamos. Mas ver quanto apego temos por aquilo ou aquelas pessoas e que podemos deixar essas coisas e pessoas irem em paz de nossa vida, podemos deixa-la livres e escolher viver de maneira mais harmoniosa sem medo de perder ou ficar só e sem ninguém. 

Convivo com pessoas que tem medo de ficar só, que tem medo de perder coisas ou dinheiro e não vivem. Apenas estão ai para vigiar  e para guardar essas coisa que adquiriram e o dinheiro que guardaram para ter alguma segurança. É claro que ter uma reserva é importante, mas não fazer nada por temer a perda, ou se privar demais não me parece saudável. 

Há também o outro lado da moeda: Aqueles que não sabem dizer não as tentações e gastam mais do ganham e depois sofrem com uma divida que não conseguem pagar. Estão sempre endividados.

Como diz o ditado: nem tanto ao céu, nem tanto a terra. O ponto de equilíbrio está na mudança. E mudar não é algo fácil. Mas é algo que cedo ou tarde deveríamos encarar ou a própria vida nos confrontará com situações muito mais dolorosas do que se nós mesmos tomássemos a iniciativa de pôr em andamento as mudanças necessárias. Não espere que um acidente leve suas pernas para começar a andar. Use as pernas que você tem agora e faça o que de bom você pode fazer com elas. 

Se nada falta é porque tudo está completo.



05 novembro, 2012

Bossa Zen Entrevista a Autora do Blog Be More With Less.



Courtney Carver é autora do blog Be More With Less onde escreve como viver melhor simplificando sua vida. Escrever no blog rendeu-lhe dois livros e oportunidade de ajudar muitas pessoas que tem dificuldade em organizar sua vida e seus negócios. Ela deixou seu trabalho para se dedicar a essa tarefa e diz-se muito satisfeita pela escolha que fez.



Bossa Zen (BZ): Quando você percebeu que poderia viver com menos? Conte-nos sua experiência.


Courteney Caver (CC): Toda vez que eu doava alguma coisa eu percebia que poderia viver com menos do que eu tinha. Meu caminho, para simplificar minha vida, começou em 2006 quando eu fui diagnosticada com Esclerose Múltipla. Esse diagnóstico me fez ver de forma dura como eu estava vivendo minha vida. Eu comecei a simplificar minha vida com uma dieta, depois eu passei a simplificar minhas contas e as coisas e finalmente o tempo e as obrigações.


BZ: Como você está agora?


CC: Estou muito bem. Estou 100% recuperada.



BZ: Por que você decidiu pôr sua experiência em um blog?


CC:Decidi escrever um blog  sobre minhas experiências em viver com menos  para inspirar e conectar-me  com outras pessoas que queriam fazer o mesmo. Eu queria demonstrar que mudar é possível.

BZ: O que sua família e amigos pensam sobre sua atividade como blogueira?


CC: Meus amigos e minha família são muito favoráveis e ficaram animados com as oportunidades que a atividade de escrever em um blog trouxe para mim.



BZ: Como minimizar nosso apego àquelas coisas que acumulamos em toda nossa vida e deixá-las ir?


CC: Essa é uma excelente pergunta. Nós passamos toda nossa vida comprando, juntando, colecionando e armazenando coisas. Nós só conseguiremos deixar essas coisas irem facilmente quando nós identificarmos o que é mais importante para nós. Para mim, o mais importante é amor e saúde. Se alguma coisa que eu possuo não contribuir para gerar amor e saúde, então será fácil dizer adeus a elas. 




BZ: Algumas pessoas pensam que não conseguiriam viver com menos e acumulam muitas coisas que elas pensam que um dia irão precisar. Esse tipo de atitude pode ser doentia?


CC: Muitas vezes, nós comparamos nossas vidas com nossos vizinhos, ou propagandas ou a sociedade em geral.  Achamos que precisamos de mais para acompanhar os outros. Eu encontrei no oposto a verdadeCostumava pensar que precisava de muito dinheiro para encontrar a liberdade, mas, na realidade, possuir menos significa que preciso menos. Essa é a chave para a liberdade.



BZ: Você acha que ter mais do que precisamos só complica nossa vida?


CC: Viver com menos é a chave para viver melhor? Sim, reconhecendo o que é “o suficiente” e eliminando a necessidade de mais, nos livramos de muitas complicações.

Para mim o único jeito de ajustar o que é “o suficiente” foi experimentando viver com menos do que eu pensei que eu precisava.

O que eu pensei que seria um dificuldade se transformou em uma bênção e uma nova forma de viver.




BZ: Buda costumava dizer que quando estamos buscando por distrações não estamos vivendo. Como podemos viver sem distrações?


CC: Há muitas maneiras de eliminar a distração, mas eu acho que uma das coisas mais importantes a fazer é declarar jejuns digitais ou licenças sabáticas digitais. Eu tento desplugar-me por um determinado período de tempo todos os dias e um longo período de tempo cada semana.

BZ: Você poderia falar sobre a ideia das mini-missões e como elas funcionam?


Eu comecei a escrever sobre as mini-missões como uma forma de as pessoas experimentarem imediatamente os benefícios de viver com menos. Às vezes leva um tempo para realmente apreciar as mudanças que você fez, mas as mini-missões vão te dar um impulso de confiança ao longo do caminho. Elas normalmente são pequenas ações que você pode colocar em pratica imediatamente.

BZ: O que você escreve no seu blog rendeu-lhe dois livros. Escrever tornou-se seu principal trabalho ou você tem outros projetos além do blog?


 CC: Escrever é uma grande parte do meu trabalho, mas eu também trabalho com clientes para ajudá-los a simplificar seus negócios, começar um novo projeto, ou fazer uma grande mudança. Eu amo meu trabalho.


 

  














  

BZ: Quais outros bloggers inspiraram você nessa jornada como escritora?


CC: Muitos blogueiros me inspiraram! Alguns também escrevem sobre simplicidade esses são os que eu gosto mais: Joshua Becker, Joshua Millburn and Ryan Nicodemus, Leo Babauta, Tammy Strobel, Francine Jay e outros blogueiros que escrevem sobre outras coisas que eu também gosto e tenho interesse como: Ali Edwards, Kris Carr, Chris Guilibeau,Tyler Tervooren and Heidi Larsen. Há muitos mais. O que eu mais gosto nesses blogueiros é sua integridade, transparência e vontade de agir.

02 novembro, 2012

Por que tememos a morte?

Buda em Parinirvana


Vir de mãos vazias, ir de mãos vazias; isso é humano.
Quando você nasceu, de onde você veio?
Quando você morrer, para onde você vai?

O Percurso Humano in: The Whole World is Single Flower

Devemos ser diligentes hoje.
Esperar pelo amanhã será tarde demais.
A morte chega inesperadamente.
Como barganhar com ela?

Gatha in Velho Caminho, Nuvens Brancas p. 265



Morrer faz parte do ciclo de uma vida. Até os mais ignorantes sabem que é o corpo que fenece. Que enfim não podemos nos arrastar por ai com esse corpo infinitamente a menos que sejamos da classe dos zumbis, ou vampiros, que são personagens, e não seres vivos.


Alguém diria que não quer morrer por que tem medo da finitude da vida. Ou por que não sabe o que tem do outro lado. No fundo as pessoas não querem morrer porque sabem que por mais conhecidas ou estrelas que sejam, acabadas as homenagens serão esquecidas. Exceção as pessoas que ficam doentes com a morte de alguém, todos nós seremos sumariamente esquecidos. O ego que é vaidoso não gosta da morte. O ego sabe que a morte o desfavorece.

Saber que a vida continua é um alento para muitos. O corpo é deixado de lado como um carro velho que não pode mais ser concertado. Quando for possível entramos em outro carro novinho e a vida segue num continuom sem fim.

Se pensarmos que "A vida" é apenas energia vital que se renova ou vem e vai por que temer. Do ponto de vista Budista deveríamos temer nossa mente e não a morte. Nossa mente enquanto energia pulsante vem e vai e o que acumulamos em cada vida fica registrado (depositado) nela. Como se carregássemos um baú nas costas vida após vida.Tema a sua mente não a morte do corpo físico.


30 outubro, 2012

Questões sobre a Morte

Perguntas e respostas dadas por Monja Coen sobre a morte:




Yoga Journal: Como superar a dor de perder alguém querido?

MC: Através da memória correta. Tudo é passageiro, transitório. Sofremos a perda e perdemos o sofrimento também. Precisamos nos refazer e refazer a teia de relacionamentos que fica fracionada com a morte de alguém próximo. Saber que um pouco de nós morre com nossos amigos e parentes e que um tanto grande de quem morreu vive em nós. Como dar vida a vida em nossas vidas?


YJ: O tempo é o melhor remédio?

MC: Somos o tempo. Não é remédio o tempo. O remédio é a sabedoria suprema. A compreensão da transitoriedade. A aceitação da vida-morte como um processo de causas-condições-efeitos. E todos somos essa teia de inter-relacionamentos. Não podemos apenas ficar nos lamentando pelo que perdemos, centrados em nosso ego. É preciso orar pelos que se vão. Agradecer suas vidas, seus momentos conosco e libertá-los de nossos apegos.

YJ: Qual é o medo maior de morrer ou de perder alguém?

MC:Depende de cada um. O essencial é conhecer o medo. O que é o medo? Como se manifesta em nosso corpo? Como ficam nossos músculos, nossa respiração e o batimento cardíaco? Então reconhecemos o medo e não somos mais controlados pelo medo. Ninguém quer perder um filho, uma filha, uma criança. Quantos pais não entregam suas vidas para manter a de seus filhos? Talvez nosso instinto de preservação da espécie seja mais forte em manter as vidas sucessivas invés de primeiro pensarmos nas nossas. Mas nem todos são assim. E isso não são pensamentos de valores, quem é melhor, quem é pior. Apenas somos o que somos. E somos processos em transformação.

YJ: É possível ser feliz depois da morte de alguém muito querido?

MC Sempre é possível ser feliz. A felicidade está em nós. Uma capacidade de contentamento mesmo nas maiores dificuldades, dores e perdas. Reconhecemos o processo vida-morte em ação. É o nosso processo. E todos vamos morrer, assim como todos nossos ancestrais morreram. Faz parte da natureza humana. Não apagamos a memória. Não substituímos a pessoa por outra, mas continuamos nossa jornada, levando em nosso ser a marca da dor, mas não o peso, o trauma, a incapacidade de viver. Somos a vida. Somos a morte. Estamos todos inter-relacionados. Intersomos.

23 outubro, 2012

Quantas qualidades você tem?


Buda ensinou as Quatro Qualidades Incomensuraveis. É mais comum debater-se sobre esses aspectos no budismo Tibetano e no Theravada. No Zen percebe-se que as qualidades são intrinsicas a nossa vida e precisamos despertá-las e pondo-as em pratica. São qualidades grandiosas por isso se chamam "incomensuraveis", pois não são fáceis de serem realizadas seja em separado ou em conjunto. Às vezes temos períodos bons em que podemos passear por todas elas com facilidade e às vezes temos períodos ruins em que elas são esquecidas.


Amor - Generosidade amorosa ou bondade amorosa-é quando você estende a todos os seres a liberação do sofrimento. É fácil amar quem nos é próximo ou a quem nutrimos simpatia, mas amar todos os seres é muito mais grandioso que amar só quem gostamos  

Compaixão - Desejar que todos os seres tenham a liberação das causas que geram o sofrimento. Confundir compaixão com pena é comum. Mas compaixão é se colocar no lugar dos outros.  

Alegria - Perceber as potencialidades de todos e se alegrar com isso. Todos tem condições de serem melhores e mudar seu carma. Todos são Budas iluminados e quão facilmente nos esquecemos disso quando desejamos que alguém que nos fez algum mal morra.

Equanimidade - Desejar a liberação para todos, sem distinção de amigos e inimigos, pessoas que se gosta, pessoas que não se gosta.

O Caminho do Bodisattva é o caminho da Compaixão. É cuidar de todos para que todos juntos alcancem a realização e não apenas um ou apenas eu.

Eu certamente não tenho nenhuma dessas qualidades. Sou bastante imperfeita.

21 outubro, 2012

Budismo em Novelas





Fico sabendo por Patricia Kogut que haverá uma novela a se chamar "Pequeno Buda"  as autoras costumam escrever novelas de temática espírita como a última das seis: Amor Eterno Amor.


Não sei qual será o argumento ainda, mas parece ter a ver com uma garota que será dada como a reencarnação de Buda. Pra começo de conversa não há esse negócio de reencarnação de Buda. A reencarnação é tratada como tema pelo Budismo tibetano que busca o próximo Dalai Lama ou escolhe crianças que possam ser apontadas como reencarnação de lamas anteriores.

Na novela será uma menina que renascerá como Buda. Um escolha ousada, já que raramente uma mulher seria apontada como sucessora do Buda ou de um Dalai Lama. Sucessora do Buda iria contra ao que o Buda ensinou. Ele nunca disse que voltaria, mas também nunca disse que não voltaria.

Prevejo muita polemica nessa escolha. Mas ficção é ficção e como costumo dizer: "Na ficção tudo é possível."  Na vida real .... uma Dalai Lama mulher pode demorar eons para ser aceita.

Mel Maia, fará o Pequeno Buda. É a mesma que fez o papel de Rita na fase infantil da recente novela Avenida Brasil. Eis ela aqui em foto com as autoras da novela Pequeno Buda.





A única vez que vi o Budismo representado numa novela foi em Mandalla onde Osmar Prado interpretava um monge.

Certamente que os Budistas ficarão atentos para qualquer noção equivocada sobre o tema.

Em tempo: a nome da novela foi mudado para Jóia Rara.

17 outubro, 2012

Satyagraha, a Força da Não-Violência.



 Embora Gandhi tenha dito "Me considero hindu, muçulmano, cristão, judeu e budista" ele seguia a Fé  Bahá'í.

"Satyagraha,o termo talvez nos tenha chegado aos ouvidos por outras fontes,mas ele foi muito usado por Gandhi quando propôs a resistência ou desobediencia civil.

A filosofia de Gandhi e suas ideias sobre o satya e o ahimsa foram influenciadas pelo Bhagavad Gita e por crenças hindus e da religião jainista. O conceito de 'não-violência' (ahimsa) permaneceu por muito tempo no pensamento religioso da Índia e pode ser encontrado em diversas passagens do textos hindus, budistas e jainistas. Gandhi explica sua filosofia como um modo de vida em sua autobiografia A História de meus Experimentos com a Verdade (As Minhas Experiências com a Verdade, em Portugal) - (The Story of my Experiments with Truth). 

Estritamente vegetariano, escreveu livros sobre o vegetarianismo enquanto estudava direito em Londres (onde encontrou um entusiasta do vegetarianismo, Henry Salt, nos encontros da chamada Sociedade Vegetariana). Ser vegetariano fazia parte das tradições hindus e jainistas. A maioria dos hindus no estado de Gujarat eram vegetarianos. Gandhi experimentou diversos tipos de alimentação e concluiu que uma dieta deve ser suficiente apenas para satisfazer as necessidades do corpo humano. Jejuava muito, e usava o jejum frequentemente como estratégia política.

Gandhi renunciou ao sexo quando tinha 36 anos de idade e ainda era casado, uma decisão que foi profundamente influenciada pela crença hindu do brachmacharya, ou pureza espiritual e prática, largamente associada ao celibato. 

Também passava um dia da semana em silêncio. Abster-se de falar, segundo acreditava, lhe trazia paz interior. A mudez tinha origens nas crenças do mouna e do shanti. Nesses dias ele se comunicava com os outros apenas escrevendo. 

Depois de retornar à Índia de sua bem-sucedida carreira de advogado na África do Sul, ele deixou de usar as roupas que representavam riqueza e sucesso. Passou a usar um tipo de roupa que costumava ser usada pelos mais pobres entre os indianos. Promovia o uso de roupas feitas em casas (khadi). Gandhi e seus seguidores fabricavam artesanalmente os tecidos da própria roupa e usavam esses tecidos em suas vestes; também incentivava os outros a fazer isso, o que representava uma ameaça ao negócio britânico - apesar dos indianos estarem desempregados, em grande parte pela decadência da indústria têxtil, eles eram forçados a comprar roupas feitas em indústrias inglesas. Se os indianos fizessem suas próprias roupas, isso arruinaria a indústria têxtil britânica, ao invés de fortalecê-la

O tear manual, símbolo desse ato de afirmação, viria a ser incorporado à bandeira do Congresso Nacional Indiano e à própria bandeira indiana. Também era contra o sistema convencional de educação em escolas, preferindo acreditar que as crianças aprenderiam mais com seus pais e com a sociedade. Na África do Sul, Gandhi e outros homens mais velhos formaram um grupo de professores que lecionava diretamente e livremente às crianças. Dentro do ideal de paz e não-violência que ele defendia. "


Já há algum tempo monges budistas no Tibete tem se imolado em chamas para chamar a atenção do governo chinês e do mundo para a causa da Independência do Tibete. Imagino que Gandhi não aprovaria esse tipo de atitude. Mas porque os tibetanos não fazem algo parecido com que Gandhi fez? Talvez lhes falte um líder como Gandhi.


15 outubro, 2012

O que é Doença Zen: Sintomas e Cura.

"Um cavalo que é difícil de dominar para um carroça pode ser treinado para passeios. Ouro reluzente pode ser transformado em algo bonito. Sem esforço, nada é realizado. um ditado que diz que "Estar frequentemente doente não é nada para se preocupar. O que deveria nos preocupar, de fato, é a ausência de doença." Ditado chinês.




A primeira vez que ouvi o termo "zen sickness" fiquei meio chocada. Pelos sintomas eu achava que já tinha tido essa doença. Volta e meia percebo-a em outras pessoas da forma mais leve com apego ao que é certo.

Na formas mais graves acontecem alucinações. A pessoa para de comer para praticar mais e mais e fica doente fisicamente quando não surta mentalmente. Há um caso famoso no universo zen. O caso do monge Hakuin.

A Internet e a facilidade de acesso e difusão de posições e tagarelice só contribui para piorar o estado do doente zen ou pode ajudá-lo? Esta ainda é uma questão a ser depurada.

Já escrevi sobre isso algumas vezes, Para não me repetir colo aqui o texto de um psicólogo e zen budista.

"Problema - mesmo pequeno - é aquele que acomete todos aqueles que começam a praticar alguma coisa que carrega, em seu discurso, uma certa dose de idealismo: as pessoas começam a acreditar muito nele. Acreditar em um ideal não é, em si mesmo, grande mal, e todos sabemos o quanto perder um ideal - um direcionamento, uma expectativa em relação ao futuro - pode abalar as pessoas. Então é melhor que fiquem, os ideais e expectativas. Temperados com um pouco de realismo, esperamos.
Na prática do zen este problema pode ter um nomezinho específico: a doença do zen. Terrível, terrível, e o mais terrível dela é que, como toda boa doença que se preze, o diagnóstico só pode ser feito de fora: o tal indivíduo não percebe. Praticar zen e zazen não é garantia que alguém não vá ser preconceituoso ou raivoso; não é garantia de saber mais que os outros; não é garantia de sabedoria. Infelizmente, não dispomos desta garantia.
Quem é acometido pela doença do zen passa a acreditar demasiado nas palavras do zen e do budismo, e a sutilmente fazer distinções no mundo. Desde os casos mais patentes em que alguém acha que está fazendo a melhor coisa do mundo praticando o zen, e que consequentemente será uma das melhores pessoas - talvez elevada do lodo, digamos - até os mais simples, em que os ideais do budismo passam a regular o que é "bom" ou não, a doença do zen tem um parentesco muito grande com outras doenças similares."
 
Seigaku-Lucas Brandão aluno de Saikawa Roshi.


A sugestão para curar-se da doença zen dada por Lucas Brandão é continuar fazendo zazen.

Então lembrei-me do Dr. Samuel Hahnemann, o pai da homeopatia, cujos princípios básicos são:

Semelhante cura semelhante
Experimente em seres sadios
Medicamento único
Doses mínima

Na homeopatia quanto maior a diluição mais forte é o remédio.

A prática em doses mínimas corre menor risco que em doses exageradas. Tudo que é exagerado foge do controle. Alguém que esteja bem terá menos chance de ficar mal. E alguém que estiver mal pode acentuar seu estado se praticar mesmo que minimamente. Quando optar por uma prática que ela seja única e não experimentar uma, depois outra ou fazer varias práticas. Se fizer zazen faça só zazen. Se fizer mantra só mantra, e assim por diante. Por fim como disse o Lucas zazen cura zazen. Ou seja se fizer zazen em excesso faça menos zazen e tudo deverá se ajustar, se equilibrar. Não deixe sua vida cotidiana,social ou familiar de lado apenas para praticar. A menos que esteja num mosteiro fazendo um retiro ou em treinamento monástico, sua vida é esse momento e deve ser vivida plenamente agora, sem excessos.




06 outubro, 2012

Bossa Zen Entrevista Félix Maranganha



Félix Maranganha-Escritor, poeta, linguista e Zen Budista. Não há o que não interesse a esse cabra (com todo respeito). Poesia, literatura, filosofia, linguística, idiomas modernos e remotos, sinuca... A lista é imensa. Seu blog O Calango Abstrato é uma prova disso. Félix mora em João Pessoa e pratica Zen Budismo há três anos no estilo Soto Zen. Atualmente frequenta o Centro Zen de Campina Grande sob responsabilidade do monge Rui Ikko, aluno de Monja Coen.



Front Page do Blog do Félix


BZ:.Poderia contar como foi sua aproximação com o budismo?

Félix (FL): Na adolescência, visitou-nos na escola, um budista amigo do professor de matemática, ele me falou algo estranho e fiquei cabreiro. A curiosidade voltou depois do divórcio. Resolvi estudar mais a fundo, e gostei.

BZ: Você diz que já foi católico, neo-ateu, ocultista, evangélico e agnóstico. O que te atraiu no Zen Budismo que não encontrou nas demais religiões?

FL:Simplicidade máxima de crença e ação, e o espaço para a dúvida, que acho importante.

BZ:.Por que mudar de religião?
  
FL: Eu considero uma religião apenas um conjunto de sistemas doutrinários, e nada além disso. Se mudo de religião, significa que adotei sua visão de mundo. Se a visão de mundo se mostra ineficiente ou insuficiente, abandono sem dó.

BZ:.Como sua família ou amigos reagiram quando você se declarou budista ou começou a fazer meditação?
 
FL: Minha mãe quis "confiscar" o altar improvisado, mas foi algo rápido. Senti a tristeza no olhar de muitos deles depois de um tempo. Hoje parecem ignorar, ainda mais por eu namorar há três anos uma nitirenista. Porém, ainda hoje medito pouco, para não afetar demais o "ritmo da casa".

BZ:.O que tem a dizer aqueles que enfrentam oposição, em casa, a sua pratica?
  
FL: Persistam, sejam calmos e pacientes e façam o possível para não causar sofrimento. Aprender a tolerar é importante.


BZ: Você faz parte de algum grupo em João Pessoa, qual ? 

FL: Temos um grupo, que no momento, se reúne, de tempos em tempos, para debater o darma, meditar e trocar experiências. Alguns de nós vão ao centro zen de uma cidade do estado periodicamente, e fazemos o possível para sempre melhorar no intuito de ajudar uns aos outros.

BZ:.Já recebeu preceitos como discípulo. Quem é seu professor formal (se tiver)?
 
FL: Não cheguei a receber nenhum preceito, apenas os estudei, e faço o possível para aplicá-los no dia-a-dia. Logo, não tenho professor formal, mas apenas um monge que de vez em quando recorro em Campina Grande, o Rui Ikko. Pretendo começar a frequentar duas vezes ao ano e, quando a situação financeira melhorar, contribuir.

BZ: Quanto tempo dedica a pratica formal em grupo ou em casa?
 
FL: Estudo desde os 16 anos, medito há cerca de 5 anos, pratico especificamente o Budismo há três anos, e só vim começar a visitar o Centro Zen este ano (até agora, só uma vez) e estou com um grupo em João Pessoa de reuniões esporádicas por ausência de local fixo.

BZ: A sinuca é zen?


FL: Na verdade, tento trazer a filosofia do Viver o Agora do zen para todas as minhas áreas da vida, seja como sinuqueiro, seja como escritor, como cientista, em casa com os familiares ou qualquer outra área. Por isso, não sei dizer se a sinuca é zen, ou se o zen é uma sinuca. Posso dizer que posso jogar sinuca como um hobby interessante e aplicar nela e entender dela princípios do zen.

BZ:.Quando as pessoas sabem de você ser zen budista elas lhe fazem perguntas sobre o assunto?

FL: Algumas sim, outras não. As que perguntam, procuram saber como eu consigo praticar o Budismo e não crer em Deus, ou como consigo ser ateu e ser religioso. Os que não perguntam, não forço, apenas explico que pratico o zen e fica por isso mesmo. Nessas conversas não tenho nenhum interesse em  arrebanhar "fiéis" para o zen-budismo. Prefiro conversar com os amigos numa mesa de bar.


BZ:Você se relaciona com uma pessoa de outra religião. A convivência é pacifica ou vocês tem dificuldades? 

Me relaciono com uma Nitirenista, e a convivência com ela é igual à convivência com qualquer outro ser humano. Às vezes há divergências, às vezes convergências. O que faz com que meus relacionamentos durem é que passo o mínimo de tempo possível debatendo religião. Se ela for motivo de separação, ou de união, é algo que não pertence ao presente, que é a única coisa que me importa.

BZ:.Você parece gostar de ensinar pretende seguir no treinamento para ensinar o zen budismo?


FL:Eu gosto de ensinar, mas não budismo. Gosto de ensinar língua portuguesa e filologia. O budismo, gosto de praticar. Se minha prática tornar-se um ensino, não vejo problemas nisso, se não, também não vejo problemas.


BZ:.Os idiomas que falamos hoje vieram de uma raiz indo-europeia. Buda falava que língua? Por que se interessa por línguas tão remotas como o nostrático?
 
FL: Buda falava em páli, uma versão vulgar do sânscrito, descendente do ramo indo-europeu. O nostrático, que eu pesquiso, é uma língua ainda anterior reconstruída por vários linguistas e filólogos, muitos deles conhecedores de línguas orientais. Os idiomas que falamos hoje, porém, derivam de pelo menos 15 a 25 famílias linguísticas, agrupadas em torno de seis a sete grupos basilares. Então, quando Buda começou a espalhar o darma, o nostrático já era uma língua em desuso fazia mais de dez mil anos. Meu interesse por línguas remotas é como pesquisador e porque gosto desse assunto.


BZ: Você faz mestrado em Ciências das Religiões. Que tipo de tema pretende estudar. Tem algo a ver com o Budismo?
 
FL: Meu mestrado tem mais a ver com linguística e filologia aplicada a conceitos espirituais modernos na pré-história.

BZ:.Os Calangos são pequenos lagartos que quando ameaçados se fazem de mortos. Para se proteger tentam se camuflar com o ambiente. Você já precisou se fazer de morto por causa do que escreve ou do modo de ser?


FL: Até o momento, não. Os calangos também se camuflam muito bem, apesar de eu não ligar muito com as consequências da sinceridade. Digamos que a sinceridade choca, e é impossível viver sem chocar ou ser chocado por algo.

BZ:.O chapéu de couro que você usa  é para se mimetizar com o ambiente?
  
FL: O chapéu de couro deixou de ser usado faz tempo aqui, mas alguns ainda o utilizam em meios intelectuais. No meu dia-a-dia, opto pelo uso da boina, que me destaca apenas o suficiente pra criar uma identidade dentro da sociedade.

BZ:.Você também é um calango que esquenta e esfria (pecilotérmico) de acordo com o ambiente?
FL: Faço o possível. Já tive situações em que foi difícil permanecer de sangue-frio, e outros em que tive sangue-frio sem perceber. Ainda estou trabalhando nisso, e espero conseguir antes de morrer (risos).

01 outubro, 2012

Teste para Viver com Pouco

Não há teste melhor de que podemos viver com poucas coisas do que participar de um retiro zen budista.

Geralmente levo duas calças de meditação, o robe, e duas camisetas longas e duas curtas. Se for frio serão blusas segunda pele do tipo warm skin e roupa de baixo tb. segunda pele. No lugar onde vou tem roupa de cama e toalhas, então, isso não preciso levar, mas levaria uma toalha de secagem rápida, 3 pares de meias e pouca coisa de higiene. Um calçado para usar dentro de casa e um fora. Um livro para ler na viagem, câmara de fotografia, celular, mas apenas para usar antes e depois do retiro. Documentos e nada mais. Ainda assim acho que levo muitos itens, mas sendo fora do país e em estações diferentes entre os países acaba sendo necessário. 


Nos retiros onde vou a organização é essencial. Tudo tem o seu lugar pois não podemos nos comunicar ou ficar toda hora perguntando onde está tal coisa. Então as gavetas tem etiquetes indicando o que tem dentro, assim como os armários, a geladeira. Há instruções por escrito do como limpar o banheiro e você só precisa ler. Isso facilita muito a vida e gera menos atritos entre as pessoas. Ao invés de ficar abrindo todas as portas e gavetas a procura de algum objeto só temos que parar e ler as etiquetas ou instruções. Um bom retiro deve ser minimalista. A comida deve ser fácil de preparar e de digerir. Os utensílios devem ser fáceis de manejar, lavar e guardar. A pratica é baseada em uma rotina não por acaso. A rotina no retiro facilita bastante. Se cada dia for de um jeito vai dar muito mais trabalho. Passam-se anos e quando volto lá, nada mudou. As coisas não mudaram de lugar.

O trabalho também deve ser simples. O objetivo do trabalho no retiro não o trabalho em si, mas aprender a usar a técnica aprendida, no dia a dia. Aprender a levar para nosso cotidiano aquilo que fazemos formalmente quando meditamos.A meditação é uma extensão da pratica, pois ficar sentados na almofada nós só ficamos por alguns minutos, mas se conseguimos trabalhar nossa mente para meditar a cada momento, pra manter-nos focados no momento, em cada ação ai sim aquela pratica do retiro ou das salas de meditação fará alguma diferença em nossas vidas.

Quando faço retiros geralmente me cabe limpar os banheiros. Se os limpar como faço em casa, poderia limpa-los em cinco minutos, mas eu tenho uma hora, então é quase como se nesse tempo eu tivesse uma longa conversa com a pia, o vaso sanitário, o chão e as janelas do banheiro. Eu preciso fazer aquele trabalho de forma mais lenta e atenta. Em uma semana ou mais limpando banheiros eu percebo cada detalhe, cada pequena imperfeição e fico tão intima daquele lugar que poderia sentar ali e meditar nele.

Há muitos livros que ensinam sobre como organizar-se e viver com menos. A corrente minimalista tem muitos adeptos. A vida com menos não é necessariamente sem nada, ela apenas é mais clean e simples.  De certa forma, intuitivamente, já sabemos do que esses livros falam. Eles mais servem para dar um empurrão em quem já estava pensando no assunto mas ainda não havia posto em pratica. O estilo minimalista vai desde o modo de vida a forma com que decoramos a nossa casa e como gastamos nosso dinheiro com o que é essencial ou apenas consumindo coisas da moda.


Nesse processo também gosto de enfatizar a pratica da reciclagem. Aquilo que não queremos mais pode servir a outras pessoas e podemos doar ou vender, assim as coisas ao invés de irem para o lixo podem ter seu tempo útil estendido. Fazer um inventario de nossas coisas ajuda muito a decidir o que é prioridade e o que não precisamos mais e podemos descartar.  Podemos adquirir coisas que duram mais ao invés de coisas descartáveis ou tentar usar algo por mais tempo mesmo sabendo que podemos comprar outro mais bonito e moderno. Minha mãe ainda usa coisas que foram dadas a ela quando se casou. Meu pai afia as facas para que possam continuar a serem usadas do contrario iriam para o lixo e já temos bastante lixo no mundo. Sem destino adequado ele vai parar em rios, no mar e poluem e contaminam o ambiente. Não colocamos quase nada na rua para ser recolhida pelo sistema de coleta de lixo. Temos nosso próprio sistema de reciclagem e compostagem caseiros. Isso é tão antigo que não é natural que as pessoas não o façam expontaneamente e que alguém ou alguma instituição precise fazer alguma ação para motivar ou premiar quem recicla.


Tem gente que prefere abandonar um sofá na rua ou jogar num rio do que dar para alguém, isso certamente não faz parte do conceito de viver com menos. Alguém também pode interpretar o conceito de viver com menos ao desapego. Mas não é por ai que a banda toca. A opção de viver com menos é baseada em viver melhor. Menos é mais, porque menos coisas gera menos bagunça. Quando há menos coisas para arrumar, limpar, pode-se ter mais tempo para se dedicar a si  mesmo, à família, a uma boa conversa, um passeio. Menos coisas para gerenciar, menos problemas para resolver. Quem tem um carro ou já teve sabe quanto custa carregá-lo por ai. Às vezes ele nos carrega, mas quando só vira despesa somos nós que o carregamos. Há muitos exemplos nessa linha. E sobretudo, o consumismo vai totalmente contra essa corrente de viver com menos. Ser minimalista implica em consumir menos. Produzir menos lixo, e viver mais, aproveitar mais o que já está aqui a milhares de anos só esperando por nós.



Foto do Rick que minimizou seu ap/antes-depois.

30 setembro, 2012

Kwan Seum Bosal

Foto by Paula Hrešková



Kwan Seum Bosal, conhecida como Avalokitesvara em Sanscrito, é o  bodhisattva da compaixão. Nascida de um raio de luz vindo dos olhos de Amitaba, Kwan Seum Bosal ajuda aqueles que chamam por ela. Kwan Seum literalmente significa "perceber o som do mundo," o que também é traduzido por "aquele que ouve as suplicas dos que sofrem." Ou seja, ela emana grande amor e grande compaixão.



28 setembro, 2012

A Nova Onda é Ser Coreano/a.

Quem já não andou com a bandeira do Estados Unidos ou Grã-Bretanha em algum acessório. Pois a onda agora é andar com a bandeira da Coreia do Sul, aprender coreano e até ir para a Coreia. Todas essas ondas foram alavancadas por bandas de música. A bola da vez é o K-Pop (Korean Pop) ou A-Pop (Asian Pop). Grupos ou cantores são capazes de arrastar multidões, mesmo aqui no Brasil. Certa vez presenciei um grupo de meninas e meninos desvairados por um grupo que estava se apresentando na Paulista. Eles vieram de Belém para ver os coreanos certamente cartar com playback. Os coreanos/nas são bonitinhos e isso deve contar mais que o que eles cantam que certamente quase ninguém entende. Como qualquer onda, essa também vai passar. Se alguém aprender coreano por conta da beleza de alguns pop singer ótimo. É claro que no meio de muito barulho para aparecer tem alguma pérolas basta garimpar ou seria galopar. Muitos  usam melodias conhecidas, mas não sei se são versões de canções conhecidas no Ocidente. Eles também cantam em inglês.










26 setembro, 2012

Cientistas comprovam que viver no presente é melhor que viver disperso.

Este artigo não é de minha autoria.

Artigo publicado na Revista Science comprava que a felicidade só pode ser encontrada vivendo no momento presente.

 

Mente dispersa não é mente feliz 

Por Steve Bradt
Artigo publicado originalmente em inglês no portal Harvard Science 

Tradução: Elisabete Santana


Os psicólogos de Harvard, Killingsworth [à esq.] e Gilbert.
As pessoas despendem 46,9% de suas horas de vigília pensando em algo diferente do que estão fazendo, e essa mente divagante normalmente as torna infelizes. É o que diz um estudo que utilizou um aplicativo para iPhone para reunir dados sobre como temas de pensamentos, sentimentos e ações fazem parte de suas vidas. 

A pesquisa, dos psicólogos Matthew A. Killingsworth e Daniel T. Gilbert, da Universidade de Harvard, está descrita na edição de novembro/2011 da revista Science.

“A mente humana é uma mente dispersa, e uma mente dispersa é uma mente infeliz”, escrevem Killingsworth e Gilbert. “A habilidade de pensar sobre o que não está acontecendo é um feito cognitivo que traz um custo emocional.”

Ao contrário de outros animais, os humanos passam muito tempo pensando sobre o que não está acontecendo ao seu redor: contemplando eventos que aconteceram no passado, que poderão acontecer no futuro ou que nunca acontecerão. Na verdade, a mente divagante parece ser o modo padrão de operação do cérebro.


Para rastrear esse comportamento, Killingsworth desenvolveu um aplicativo para o iPhone que contatava 2.250 voluntários em intervalos aleatórios para perguntar-lhes o quanto estavam felizes, o que faziam naquele momento e se estavam pensando em sua atividade atual ou em outra coisa que era agradável, neutra ou desagradável.

Os indivíduos podiam escolher entre 22 atividades generalizadas, como caminhar, comer, fazer compras e assistir televisão. Em média, os entrevistados relataram que suas mentes estavam divagando 46,9% do tempo, e nada menos que 30% do tempo durante cada atividade, exceto fazer amor.

“A mente errante aparece onipresente em todas as atividades”, diz Killingsworth, estudante de doutorado em psicologia em Harvard. “Este estudo demonstra que nossas vidas mentais são permeadas, em um grau notável, pelo não-presente.”

Killingsworth e Gilbert, professor de psicologia em Harvard, descobriram que as pessoas eram mais felizes quando estavam fazendo amor, se exercitando ou participando de uma conversa. E eram menos felizes quando em repouso, trabalhando ou usando o computador em casa.

“A mente errante é um excelente indicador de felicidade das pessoas”, afirma Killingsworth. “De fato, o quanto nossas mentes deixam o presente e para onde vão é um melhor indicador de nossa felicidade do que as atividades que desempenhamos.”

Os pesquisadores estimam que apenas 4,6% da felicidade das pessoas em um dado momento é atribuída a uma atividade específica que ela ou ele está fazendo, enquanto a condição de mente errante é responsável por cerca de 10,8% da felicidade dela ou dele.

Análises de longo tempo conduzidas pelos pesquisadores sugeriram que a mente dispersa de seus objetos de estudo eram geralmente a causa, e não a consequência, de sua infelicidade.

“Muitas tradições filosóficas e religiosas ensinam que a felicidade pode ser encontrada ao viver o momento, e praticantes são treinados a resistir à mente errante e ‘estar no aqui, agora’”, acrescentam Killingsworth e Gilbert. “Estas tradições sugerem que uma mente dispersa é uma mente infeliz.” Com esta nova pesquisa, dizem os autores, essas tradições estão corretas.

Os 2.250 entrevistados por Killingsworth e Gilbert em seu estudo têm entre 18 e 88 anos, representativos de uma ampla gama de classes sociais e profissões. 74% dos participantes são norte-americanos. Mais de cinco mil pessoas estão usando o aplicativo para iPhone.
Artigo do Blog Cultura da Paz.