30 setembro, 2011

Siddharta












Per Nørgård - Siddharta.
The Danish National Radio Choir
The Danish National Radio Symphony Orchestra
Jan Latham-Koenig

14 setembro, 2011

Como saber se encontramos nosso Verdadeiro Mestre?





          RB.: - Como se tornar iluminado?

MR.: - Praticando com um mestre, esta é a melhor forma. Um mestre iluminado espalha iluminação.

RB.: - É possível reconhecer a iluminação em um discípulo? Como?

MR.: - É fácil quando o mestre é iluminado. Um mestre iluminado reconhece."


Revista Bodhigaya em entrevista a i.Moryama Rosh


Qdo. encontrei com minha professora havia a alegria do encontro, o respeito, a desconfiança e o medo do engano que mais tarde se transformaram em alegria, confiança e comprometimento.

Não há exatamente uma fórmula para não errar. Errar pode até ser bom para amadurecer.
Há o natural encantamento, o deslumbre, mas esses sentimentos acabam no primeiro lance que desagrade.

Há pessoas que passaram por vários professores até encontrar o que é mais adequado para lidar com seu karma. Há pessoas que passaram por várias tradições antes do budismo e dentro dele até achar aquela que lhe sirva como uma luva, que seja adequada a sua estrutura de mente.

Quem não gosta de silêncio dificilmente se conectará com uma Escola rigidamente silenciosa e quem gosta não se adaptará a uma Escola barulhenta.

Quem não gosta de treinamento militar idem. Quem não gosta de observar a ordem das coisas se perderá no caos de si mesmo.

Eu mesma vim de tradição cristã para o budismo tibetano, theravada, zen soto e fui me encontrar no zen rinzai coreano e ainda não sei se é ai que ficarei pra sempre.

Às vezes encontrar o mestre não basta porque atrás dele vem uma instituição e tem muita gente que não gosta de estar preso a instituições e rótulos, mas cedo ou tarde há que se decidir. mesmo uma comunidade alternativa tem regras e se não tem, certamente não irá sobreviver por muito tempo.

A certeza acaba na próxima dúvida.

07 setembro, 2011

O Zen e a Arte de Faxinar

Eu poderia estar marchando, mas estou faxinando meu apartamento. Certo, eu não estaria marchando, não com a chuva persistente que martela os telhados lá fora. Fosse pela prioridade imediata, eu deveria estar estudando para minha prova de amanhã. Entretanto, meu apartamento estava uma tragédia por conta de sucessivas semanas de cabelos arrancados e embates com meu trabalho de conclusão da especialização, e eu, alérgico a poeira e pó de gato, não poderia protelar mais.
A faxina, antes de obrigação, é uma ferramenta de crescimento pessoal e um prazer. Um dos meus preceitos, utópicos e pessoais, e não necessariamente nesta ordem de prioridade, é reduzir. Trata-se de um aparente intransitivo, mas revela-se, mais de perto, um fértil transitivo. Reduzir é reduzir tudo.
Ao reduzir-se a cacalhada do entorno, deixa-se a porta aberta para a simplicidade e para a eficácia. Desta forma, um apartamento de dois quartos, habitado por um homem solteiro e uma gata cinza-e-branca, pode ser limpo em duas horas de trabalho focado. Duas míseras horas por semana, e isto inclui pequenas reformas. Duas horas a menos de televisão ou distrações bobas. E ainda sobram tantas outras horas para ver os amigos, ler alguns livros, e tocar violão.
Oscar Wilde dizia que “apenas a mente pode curar o corpo, assim como apenas o corpo pode curar a mente”, e estava, como no mais das vezes, certo, o fanfarrão irlandês e genial. Varrer uma calçada é um exercício que se reflete na mente, de onde se “varrem” as folhas secas, a poeira velha e os eventuais lixos que os transeuntes por ali deixam.
O conceito pode se expandir. Organizar o espaço onde se vive é uma função que se transfere quase integralmente para dentro da mente. Reposicionar os livros em uma prateleira corresponde diretamente a reposicionar as idéias dentro da cabeça. A beleza disso é que, podemos manter as idéias, mas, no mínimo, tiraremos a poeira de ao redor e de cima delas.
Acredito que uma pessoa deve ser capaz de cuidar adequadamente de tudo o que possui. Seja um carro, seja uma casa, seja qualquer objeto. Não expandirei este conceito para as relações, pois poderia resvalar facilmente para raposas mimimimi e saint-exupèrys diversos. Poupo minha reputação disso.
Restringir as posses ao que se tem condições de cuidar é uma atitude que nos permite evitar a sanha imposta pela sociedade de consumo. É mais fácil dizer quando temos uma base sólida para a decisão. O tamanho de nossos braços e a capacidade de nossas mãos é uma boa medida para definir o que devemos abraçar.
É utopia, entretanto, e há coisas demais em meu apartamento. Há dezenas de lembranças e papéis de que não sei me desfazer, e muito menos organizar. Porém, a utopia é uma meta, uma direção para a qual caminhar, e não uma sereia em busca da qual enlouquecer. O caminho do meio é perceber-se. “Saber o que quer o coração”, como cita uma amiga minha. Ou o cruel “Conhece-te a ti mesmo”, sentença de Sócrates que nos assombrará pela eternidade confusa de telas coloridas e ícones piscantes.
O chão está quase seco. Demora, pois a umidade do ar está alta. É hora de começar a pensar em passar a cera no piso.

06 setembro, 2011

Retornar a Nossa Natureza

Foto  Dauro Veras


 Pessoas que vêm a centros Zen com frequência estão perturbadas por suas experiências anteriores com religião. O significado original da palavra “religião” é interessante: vem do latim “religare”, que significa “ligar novamente, ligar homem e os deuses”. [...]
O que estamos ligando? Antes de tudo, ligamos nosso ser a ele mesmos— porque até dentro de nós mesmos estamos separados. E nos ligamos aos outros; e, eventualmente, a todas as coisas, sencientes e não sencientes. E ligamos os outros aos outros. Tudo que não estiver ligado é nossa responsabilidade. Mas na maior parte do tempo nossa tarefa é nos ligar ao nosso colega de quarto, ao nosso trabalho, nosso companheiro(a), filho ou amigo, e então nos ligar ao Sri Lanka, ao México, a todas as coisas neste mundo e neste universo.
Ah, isso soa bem! Mas na verdade não vemos com frequência a vida dessa maneira. [...] As pessoas sempre me perguntam: se essa unidade fundamental é o estado real das coisas, por que quase nunca é vista? Não é por falta de dados científicos; conheço muitos físicos que têm o conhecimento intelectual, mas o modo como lidam com a vida não reflete esse conhecimento.
A causa principal da barreira, e o motivo principal porque falhamos em ver aquilo que já é, é nosso medo de sermos machucados por aquilo que parece separado de nós. [...] É triste, mas alguns de nós morrem sem ter vivido, porque estamos obcecados em tentar não nos machucar. [...]
Se realmente quisermos ver a unidade fundamental, não apenas uma vez, mas na maior parte do tempo — que é o que a vida religiosa é — nossa prática primária [...] é com a chamada “barreira do pensamento-emoção”. Significa que quando algo parece nos ameaçar, reagimos. No minuto que reagimos, surge uma barreira e nossa visão fica nublada. Como a maioria de nós reage a cada cinco minutos, é óbvio que na maior parte do tempo a vida está nublada para nós. [...] Nossa prática primária é com essa barreira. Sem essa prática, sem compreensão sobre tudo que entra e sai das barreiras que construímos — o que não é fácil — permanecemos escravizados e separados.
[...] mas quando não há sujeito ou objeto, a barreira do pensamento-emoção cai e pela primeira vez podemos ver claramente. Quando podemos ver, sabemos o que fazer. E o que faremos será amor e compaixão. A vida religiosa pode ser vivida.
Enquanto não nos sentirmos abertos e amáveis, nossa prática está ali nos esperando, e já que na maior parte do tempo não nos sentimos abertos e amáveis, devemos praticar meticulosamente. Essa é a vida religiosa; isso é que é “religião” — embora não precisemos usar tais palavras. É a reconciliação das pessoas e seus conceitos separados, a reconciliação de nossos pontos de vista sobre como deve ser, como as pessoas devem ser, a reconciliação com nossos medos. A reconciliação de tudo que é experiência… de quê? De Deus? Daquilo que simplesmente é? A vida religiosa é um processo de reconciliação, segundo a segundo.
E cada vez que atravessamos essa barreira algo muda dentro de nós. Com o tempo nos tornamos menos separados. E isso não é fácil, porque queremos nos agarrar ao que é familiar: ser separado, ser superior ou inferior, ser “alguém” na relação com o mundo. Uma das marcas da prática séria é estar alerta e reconhecer quando a separação está ocorrendo. No minuto em que surgir a ideia — mesmo que só de passagem — de julgar outra pessoa, a luz vermelha da prática deve acender.
Todos fazemos algumas ações danosas de que não temos consciência. Mas quanto mais praticarmos, mais veremos aquilo que antes não podíamos ver. Isso não significa que iremos ver tudo — sempre há algo que não podemos ver. E isso não é bom nem ruim; é apenas a natureza das coisas.
Então prática não é só vir a retiros ou meditar toda manhã. Isso é importante, mas não suficiente. A força de nossa prática, e a habilidade de comunicá-la aos outros, depende de sermos nós mesmos. Não precisamos tentar ensinar os outros. Não precisamos dizer uma única palavra. Se nossa prática for forte ela se mostra o tempo todo. Não precisamos falar sobre o Dharma; o Dharma é simplesmente aquilo que somos.
Charlotte Joko Beck
“Everyday Zen”, VII

02 setembro, 2011

Cultive a Renúncia

Abrir mão de algo pode parecer infundado para muita gente considerando que não somos ensinados a abrir mão e sim a fechar a mão. Somos ensinados não a dar mas a nos omitir de dar. Ou a pedir.

A renúncia é muito mais que um ato de desapego. É aprender a viver sem preferências. O que lhe for dado é o bastante, o suficiente. Se vc. quer mais vá atrás de mais e se vc. conquistar muito mais do que precisa saiba deixar diamantes no caminho por onde passa. Mas mesmo sem ter preferências vc. pode ter diamantes para distribuir.

Vc. pode renunciar a muitas coisas: bens, sexo, vaidade, etc, mas isso é apenas a casca (exterior) da renuncia. Abrir mão é mais singelo e profundo que ter e ser. É não querer mesmo podendo ter. É dizer não ao seu carma pré-determinado ao invés de apenas aceitá-lo passivamente.

Tem gente que renuncia a própria satisfação em favor de alguém. geralmente nossas avós e mães se anularam para servir a casa, a família e o marido. Se isso é feito por amor e compaixão, ok, mas se é feito com insatisfação esse sentimento aparece o tempo todo como uma cobrança diária de um débito que pelos serviços prestados, geralmente não reconhecidos. Causam sofrimento a si e a quem está em débito. O melhor é esquecer o débito e viver sem amarras.

Quem não tem preferências não se importa em demasia com a pouca ou nenhuma consideração que os outros lhe dão. Apenas percebe e deixa que as coisas se diluam de sua mente. E assim consegue viver de maneira saudável. Viver de maneira saudável é deixar os eventos cotidianos passarem por sua mente como a areia passa entre os dedos abertos. Apenas percebendo os enventos da vida sem agarrar-se a eles.

01 setembro, 2011

Professor e o Sino.


Um novo estudante aproximou-se do mestre Zen e perguntou-lhe como ele poderia absorver seus ensinamentos de forma correta.

Pense em mim como um sino,” o mestre explicou. “Me dê um suave toque, e eu irei lhe dar um pequeno tinido. Toque-me com força e você receberá um alto e profundo badalo.”