23 agosto, 2011

Apagar o Apego.

Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet)
Se vc. só viu Jim Carrey fazendo as  macaquices de sempre deveria vê-lo fazendo outros personagens "normais". Fazendo dramas. Ele é muito melhor ator nesses filmes. Em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, infelizmente ele não convence, mas tem outros que está bem melhor. O filme é bom porque o tema, apesar de ser recorrente, é mostrado de outra perspectiva. Aqui se introduz uma técnica de apagamento de memórias dolorosas. A priori ninguém precisaria mais sofrer perdas, ou fins de relacionamentos. Bastaria pagar pelo serviço de apagamento das lembranças ligadas a situações que causam sofrimento. O filme prova que isso não funciona se o apagamento acontecer apenas com um dos envolvidos no relacionamento. Ambos teriam que passar pelo processo de apagamento. É o que acontece no filme. A moça apaga o cara da sua memória. O cara procura por ela e ela não o conhece. Nem sabe quem é ele. Ele fica desnorteado e acaba descobrindo que ela o apagou. Ele procura o médico para pedir explicações e decide apagar a moça da sua memória, mas enquanto o processo de apagamento está sendo feito acontecem outros eventos a sua volta e ele decide que não quer apagar as lembranças, mas não pode parar o processo porque está dopado. Então, tenta fugir (em sonho) com a moça para lugares onde eles não tenham lembranças juntos que possam ser apagadas. No fim isso se mostra inútil e eles combinam se encontrarem em uma praia. Então, os dois já apagados se encontram novamente no lugar combinado. Teem a impressão de já se conhecerem, mas não sabem de onde e o relacionamento recomeça, mas o fim lhes reserva uma surpresa. Suas memorias apagadas (fitas com o que um disse sobre o outro) e objetos, desenhos, etc, são enviadas por uma funcionária da clínica pelo correio.

Seria interessante se fosse possível apagar lembranças, mas como o filme mostra há implicações éticas a serem consideradas. Mas apagar apegos é algo possível sem técnicas de ficção cientifica ou máquinas mirabolantes. A técnica, ainda que lenda, mais eficaz que conheço chama-se: Meditação Zen.



12 agosto, 2011

Jack: O Buda dos Andarilhos.

Nesses dias de viagem li outro livro do Jack Kerouac. No início me empolguei com a possibilidade de Jack ter reescrito a história de Buda em; Despertar: Uma Vida de Buda. Há muitos livros sobre a vida de Buda. Cheguei a imaginar que Jack se pôs no lugar de Buda para escrever falas que ele poderia ter dito, mas depois de algumas páginas parece que o próprio Jack desiste de ser original e passa a transcrever discursos (sutras) do Buda a rodo. Já li os Sutras, muitos e quando os lia me eram inspiradores, mas ao mesmo tempo sentia que me puxavam para um terreno de apego, de "Isso não pode", "Buda disse..". Foi bom ter lido os Sutras, mas elas pertencem a um tempo que não tem mais muito a ver conosco e foram proferidos para uma audiência que precisava daqueles ensinamentos tal qual foram dados. Não me refiro a todos os Sutras, mas aqueles mais repetitivos e simples. Há Sutras bem difíceis e com ensinamentos que não chegamos a compreender.

Talvez  Jack tenha sido influenciado pelo Sidarta de Hermann Hesse. Desse também não gostei. Talvez ler esses livros que tentam romancear a vida de Buda não nos ajuda em nada e corremos o risco de acreditar que essas ficções são de fato sobre a vida de Buda, mas são só uma história como qualquer outra. A verdadeira história do Buda ninguém, de fato, saberia contar com precisão.

E Jack parece um tanto apegado ao escrever esse livro. Ele diz que foi escolhido para escrevê-lo. Como uma missão. Ok, talvez, naquele tempo poucas pessoas tivessem acesso aos Sutras, mas hoje soa coisa de quem não tem o que fazer.

Todavia, apesar de ter escrito ou compilado a vida do Buda dos Sutras, Jack não era budista. Apesar de ter muitos amigos zen budistas, ele parece ter usado os ensinamentos para justificar seu estilo de vida. Da forma que ele interpretava o Darma e ele pode ter se equivocado bastante nesse caminho.
Seu caminho, suas escolhas exerceram grande influência. Muitos andarilhos surgiram depois de ler seus livros. Eu mesma sem ter lido seus livros anteriormente já me considerava uma seguidora de Jack. Sem os excessos de seus seguidores mais fieis.


Há muitos outros livros com nomes atraentes, mas ainda não os li para saber se tem algo a ver com o Budismo. Entre eles:  Vagabundos Iluminados (The Dharma Bums) e Satori em París.






08 agosto, 2011

Aversão às Boas Maneiras.

Foto: Jeane Dalbo.  Montreal,CA.
Essa aversão ao "Bom dia!" é um sinal de que as pessoas não dizem mais bom dia umas as outras. Outro dia disse bom dia ao acaso pra varias pessoas. Uma olhou para mim de atravessado como se perguntasse: "Eu te conheço?" E lá é preciso conhecer-me para dizer "Bom dia!"

Ser mal educado, marrento, pode ser um sinal avesso de liberdade. "Faço o que quero e quando quero", mas não é legal. Não é uma escolha de quem vive em sociedade. Quem faz o que quer deveria ser eremita e não viver na cidade entre pessoas.

Já falei aqui de como somos pegos de surpresa ao ir à França, principalmente em Paris, mas não só lá, porque os franceses fazem questão de cumprimentos. Eles não esqueceram. Chega a soar doentio para nós que achamos que isso é chato e não precisa. Lá ninguém fala com vc. antes de um bom dia, boa tarde, obrigado, até logo. São os mandamentos da cortesia. Quer ser bem tratado diga "Bom dia!"

Da mesma forma noto a aversão ao "Obrigado" Os pais ficam empurrando obrigado aos filhos e eles parecem sentir-se envergonhados em dizer obrigado. Estão tão cheios de ganhar coisas facilmente sem serem gratos ao que ganham sem esforço algum. Por que dizer "Obrigado?" E mesmo aqueles já adultos teem dificuldade em agradecer. Observo atentamente as pessoas que não agradecem.