24 maio, 2011

Meu Primeiro Zafu de Paina.


Almofada Zafu preenchida com paina
Encontrei paina no lugar mais remoto do país. Não tão remoto, apenas distante. Se eu soubesse teria ido antes. Não tem gente que vai à Miami pra comprar bolsa de marca fake. Iria a Manaus só pra comprar paina, mas o encontro foi casual. Vi numa loja que vende suprimentos para pescadores. me disseram que a paina é usada para calafetar (preencher espaços) em barcos já que é impermeável. Também é usada para preencher bóias por ser leve, embora hoje se use mais o isopor. Lá não chamam de paina ou kapok, chamam de algodão de calafete ou algodão de corda. Mas não é todo mundo que conhece, por isso tem que procurar onde ele já está exposto. Foi assim que encontrei. Vi na loja e perguntei o que era. Apesar de ser leve é volumoso. Não deu pra trazer mais que 3 kg. Pelo menos 3-4 almofadas (zafus) conseguirei preencher com essa quantidade. Em 12 anos é meu primeiro zafu de paina. Agora vou sentar nas nuvens.


Sumauma: árvore amazônica, da família do Baobá, que produz o algodão da paina.

08 maio, 2011

Ser Independente

Colocamos a felicidade nas mãos dos outros para ter a quem culpar quando fracassamos. Ser independente é mais difícil mas não há nenhuma divida a pagar.

Quando dependemos até mesmo de um sorriso alheio para estar bem, do estado do tempo e da temperatura, de uma palavra de ânimo não somos independentes.

Ser independente é olhar as situações e deixa-las serem. Se chove, deixe chover. Se faz calor, deixe fazer calor ou tome as medidas para amenizar um possível desconforto.

05 maio, 2011

A Hierarquia dos Meninos

Dia das Crianças no Japão é tradição pendurar a carpa nas casas.

No Japão hoje é o dia do menino, mas as meninas brincam juntas. O dia das meninas é chamado Dia das Bonecas. A tendência moderna é que o dia dos meninos seja incorporado ao dia das crianças ocidental.

Sabemos que a cultura do filho homem é muito forte no Oriente, como já foi entre nós, mas não com tanta obsessão como é por lá.


Para os orientais o filho homem é o que perpetua a descendência e dá sustento à família. Traz riqueza, sorte, etc. É uma cultura de sobrevivência, mas também bastante interesseira, vide os casamentos arranjados na Índia, a proibição de ultrassom na China para que as meninas não sejam descartadas no lixo. É uma escolha triste e desigual, mas não cabe julgarmos e sim esperar que o tempo mude os padrões medievais em que certas culturas vivem.

Para quem quiser comprar uma carpa saiba que elas se chama: "koinobori carp kite".

A carpa preta é a que representa o pai e as demais coloridas as crianças ou adultos de acordo com o tamanho da carpa. A carpa vermelha representa o primeiro filho, a azul o filho mais novo. Se houver mais crianças a sequência é verde-violeta e azul.

Primeiro filho-vermelha
Segundo-verde
Terceiro-violeta
Quarto-azul
Pai-preta e grande

Se for ao Japão preste atenção aos telhados pode ser que vc. veja carpas ao vento então vc. saberá quantos meninos vivem naquela casa.

Por aqui são mais usadas como decoração.

03 maio, 2011

Disciplina X Paternalismo

A disciplina a que os orientais são submetidos nos primeiros anos de vida faz toda a diferença na sua vida adulta.  Para nós  latinos a disciplina é vista como castigo ou pior como chatice. Não é por nada que nos retiros vemos como as pessoas resistem à disciplina. Querem se rebelar e acabam em muitos lugares obrigando os professores a  pegar leve pra não espantar as pessoas porque se for no caminho da disciplina algumas pessoas reclamam, fazem cara feia ou simplesmente vão embora. Nossa disciplina chama-se paternalismo. Passar a mão na cabeça,pegar leve, minimizar os erros nossos e  escrachar com o erro dos outros. Esquecer rapidamente em nome do "não quero trabalho e não quero problemas". Se paternalismo fosse sinônimo de compaixão ainda assim estaria muito longe de ser compaixão porque mesmo na compaixão muitas vezes é preciso ser duro com alguém.


Joy Brown Esculturas

A disciplina oriental tem objetivo principal: tornar os indivíduos independentes porque a vida é mais fácil pra todo mundo quando se é independente. Para nós, quanto mais tempo ficarmos na casa dos país melhor, mas para os orientais isso é um sinal de fraqueza.  Se somos independentes não precisamos que ninguém nos dê nada e podemos conseguir o que queremos com nosso trabalho. Não há porque pegar o que não nos
pertence porque podemos comprar com nosso dinheiro. Outro objetivo da disciplina é o respeito mutuo e a solidaridade.

Não, nem tudo são flores na disciplina oriental. O indivíduo independente tem dificuldade em pedir ajuda, muitas vezes acha que pode resolver tudo sozinho e acaba se isolando. Muitos não conseguem se ajustar e sofrem com a pressão para ser quase perfeito, um robizinho que faz tudo que foi programado a fazer na infância. A competição é imensa e muitos jovens se suicidam. Visto de fora parece um sistema perfeito, mas basta conviver com uma família oriental (japonesa,chinesa e coreana) por um tempo para perceber que as aparências enganam. Porém, para quem se adapta, a grande maioria, o sistema funciona bem.

Às vezes achamos que seria bom se tivéssemos um pouco da disciplina oriental em nossa vida tão bagunçada, mas temos a vida que corresponde a nossa cultura e isso é muito difícil mudar. Os que conseguem sofrerão por estarem sós na sua disciplina. Sofrerão tentando mudar os outros. Ou manterão seu modo de vida em segredo.

Não estou dizendo esqueça disso. Não, mantenha sua disciplina, mas seja suave, seja flexível, seja amável com aqueles que não querem seguir nenhuma disciplina ou só a seguem obrigados por determinadas circunstâncias. Apenas observe o momento e ria dele e de você.

Tanto a disciplina oriental quanto nosso paternalismo são em si extremos. Podemos viver melhor se formos flexíveis dentro desses padrões: nem demasiada disciplina, nem demasiado paternalismo. Se colocarmos um pouco de cada juntos podemos ser mais harmoniosos.