31 janeiro, 2011

Poema

If I can stop one Heart from breaking
I shall not live in vain
If I can ease one Life the Aching
Or cool one Pain
Or help one fainting Robin
Unto his Nest again
I shall not live in vain.

 Emily Dickinson

Se eu puder impedir um Coração de parar
Eu não terei vivido em vão
Se eu puder aliviar a uma Vida o Sofrimento
Ou acalmar uma Dor
Ou levar um atordoado Pintarroxo
Até seu Ninho novamente
Eu não terei vivido em vão.

Trad. Jeane Dalbo

24 janeiro, 2011

Pondo a Carpa ao Vento

A carpa da lenda é um símbolo muito popular e vc. pode comprar essa pipa no formato de carpa. Podem ser encontradas em lojas de artigos oriental. A carpa representa a coragem e a perseverança. Os japoneses costumam pendurá-las fora da casa. Uma para cada filho homem. Para que o filho cresça forte e corajoso. Elas aparecem mais no dia das crianças. Antigamente se comemorava um dia só para os meninos e um dia para as meninas (Dia das Bonecas). Ainda é assim, mas as meninas aproveitam o dia dos meninos e os meninos o dia das meninas. Todos brincam juntos. Já sabemos que a tradição do filho homem é muito forte na cultura oriental como já foi na nossa. Mas lá é mais radical.

A carpa nos lembra do esforço, coragem e perseverança para levar a pratica até o despertar. Da correnteza e das cachoeiras que precisamos enfrentar para chegar ao topo, no lago da tranquilidade,. nadando contra tudo que se opõe ao nosso progresso.

Se vc. comprar uma carpa dessas fique atento para a tradição: carpa preta representa o pai, a vermelha o primeiro filho, os demais filhos na sequência: a carpa verde e violeta, e o filho mais novo a carpa é azul. A tamanho da carpa também indica se a pessoa representada é uma criança, um filho maior ou um adulto.

20 janeiro, 2011

Uma pessoa pode se transformar em dragão?

Certamente alguma criança passou por aqui com essa questão, curiosa.
O que não deixa de ser interessante. Não sou especialista em dragões portanto faço algumas anotações do que li por ai:

Dragões, leões e outros "ões", foram símbolos usados pela nobreza, realeza, imperadores, clãs, senhores feudais para impor respeito. Para dizer que eles eram os dragões e leões do pedaço. Eles eram os que mandavam nos seus domínios e se alguém se atrevesse a tirar o que eles já haviam tirado de alguém com garras de dragão, eles não exitariam em defender seu território como leões.

Na simbologia oriental, especialmente chinesa, há  tantos tipos de dragões que seria necessário um guia sobre dragões para saber quem é quem.

Mas dragões de fato nunca existiram: pele, carne, ossos, garras, boca que cospe fogo, etc. Dragões foram representações tribais para expressar algo que se queria ensinar, ou um puro passa tempo, atividade recreativa ou artística de tribos muito primitivas. Ao longo do tempo essas representações evoluíram e ganharam outros usos. Delas se criaram lendas que ganharam vulto na imaginação popular e foram usadas; para se fazer respeitar já que muitos acreditavam nas lendas do passado como se de fato tivessem acontecido.E as crianças quase sempre acreditam nas histórias que lhes contam.

Genericamente dragões significam: energia para a luta e transformação, guerra, domínio,destruição e renascimento. Também significam sabedoria.

Por muito tempo a máfia oriental usou dragões e flor de lótus como  símbolo para identificar a que família cada grupo pertencia.  Provavelmente ainda é assim. Se vir alguém (no oriente) em pleno verão todo tapado é  porque está escondendo as tatuagens que o identifica com determinada  clã.

Há um proverbio chinês que diz: "Esperando o único filho virar dragão." Em outras palavras, que ele seja bem sucedido e poderoso como o dragão. Na cultura chinesa é importante ser bem sucedido, ter sorte. A cultura é baseada em atos para evitar o azar. A número da sorte, o dia da sorte, a cor da sorte etc.

Outra lenda muito popular é a lenda da carpa que viu o topo da montanha e decidiu alcançá-lo.Nadou contra correnteza e escalou cachoeiras. Lá no topo ainda havia um portal, chamado "portal do dragão", e ao saltar por essa porta a carpa se transformou em dragão. Essa lenda representa o esforço necessário para superar obstáculos e alcançar o sucesso.


Nem a carpa se transforma em dragão, nem pessoas se transformam em dragão, nem nos transformamos em Buda tal e qual. Mas podemos nos inspirar no que eles representam, em caracteristicas boas, simbolicamente.

Da mesma forma que o Superman é um personagem criado da imaginação de um artista o dragão também o foi um dia criado da imaginação de alguém.

16 janeiro, 2011

Como se Pratica o Budismo?

Aparentemente essa é uma pergunta difícil de responder porque depende muito da motivação de cada um.

Para mim a motivação foi uma decepção amorosa :-) E quando vc. não surta, se mata ou quer matar alguém,. uma decepção amorasa pode ser uma sacudida na sua vida pra melhor.

Mas hoje eu diria que todos nós estamos o tempo todo praticando, sem saber, sem pensar, sem escolher. Praticamos os preceitos que são universais ou nos submetemos a eles por tentativa e erro, passamos por experiências e aprendemos com elas ou não e se não aprendemos teremos outras oportunidades não pedidas e não conscientes para rever o não aprendido.

Muitos começam a se interessar pelo Budismo depois de lerem algum livro ou verem algum filme, vídeo ou assistirem alguma palestra, buscas na internet, ou através de alguém que já fez esse caminho, mas o simples interesse é como acender o fogo. Se ele não for alimentado apaga-se.

Quando se tem um interesse profundo e sincero, as oportunidades aparecem e é preciso investigar e experimentar o que aparece até encontrar aquele grupo, centro ou mestre ou estilo com qual tem-se mais afinidade. Muitas pessoas pulam de galho em galho até achar seu lugar em uma religião. No Budismo ocidental não é diferente. Queremos primeiro analisar e dissecar os ensinamentos. Se eles batem com nossas convicções, com nossa filosofia de vida ok, mas enquanto houver um fio que não se alinhe, resistimos. A resistência pode ser útil até que amadureçamos nossa mente e possamos escolher, mas também nos priva de experimentar. E não há nada que nos impeça de experimentar até encontrarmos o que alinhava nosso carma com um estilo de prática. Experimentar é um dos ensinamentos dados por Buda. É como se a loja deixasse vc. experimentar todas as calças que ela tem livremente, sem nenhuma expectativa que vc. no final encontre uma que lhe agrade. Se encontrar ótimo pra vc. se não vc. poderá procurar em outras lojas.

Minha experiência começou com a meditação (zazen), depois a leitura de alguns livros e sutras, retiros, o encontro com um mestre, tomada de preceitos .... Nesse percurso passei por quase todas as Escolas ou estilos até encontrar a que se afinava comigo.

Muito raramente o que vc. procura lhe cairá nas mãos por acaso, mas pode acontecer. Se vc. estiver destinado a praticar no Budismo e não empreender nenhum esforço o Universo pode mandar sinais. Fique atento.

Hoje diria que não estava propositalmente procurando por esse caminho. Que ele surgiu em um momento de dor e foi o remédio que me trouxe consciência das minhas dificuldades. Aprender a fortalecer a mente me ajudou a não cair mais nas mesmas ciladas.


Quando vc. põe as mãos na roda do darma, ela, o guiará como uma bússola pelo caminho, desde que vc. se permita.

10 janeiro, 2011

Saltando da Teoria para a Prática.

Como minha fase de ler livros por ler já passou e fazia muito tempo que não lia nada de Pema Chodrön, a meu ver uma das melhores budistas que sabem escrever e o fazem com simplicidade transmitindo o ensinamento de forma que se torne acessível sobretudo aos leigos no assunto, eis que encontro-me com este:

O Salto-Um novo caminho para enfrentar as dificuldades inevitáveis, é mais simples ainda, por não trazer nenhuma grande revelação. É um discurso que todos nós já conhecemos desde que aprendemos a pensar por si mesmos. Mas esses discursos prontos ou requentados às vezes servem de lembrete para reavivar coisas que esquecemos e nos puxar de volta para a atenção. Podem também conter alguma revelação, insight para algumas pessoas. Poderia passar como uma leitura de auto-ajuda, que seja,  para alguém certamente será útil. No que me diz respeito, apreciar um texto que foi depurado a ínfima simplicidade já vale a leitura. Ademais em post anterior disse que há budistas que só leem os livros e não põem em pratica o que deles apreendem. Os livros de Pema trazem ensinamentos que podem ser postos em prática ser risco. Se este não lhe agradar tente: "Comece onde vc. está."

Em O Salto Pema enfatiza nossa tendência em evitar o momento presente fugindo o tempo todo para distrações. Se distrair é um hábito do qual precisamos nos dissociar para encontrar o momento presente. Se não pararmos de nos distrair, se não aquietarmos mente e corpo jamais acessaremos o verdadeiro momento.

08 janeiro, 2011

Crença não precisa ser um problema.

 Tem um livro que chama Budismo sem Crenças.
O livro não é interessante e nem fala sobre o título, mas o título nos permite divagar sobre a necessidade de crer em algo ou alguém como meio de expressão ou conexão com o sagrado. O Budismo Zen não alimenta a crença em algo e nem mesmo no Buda. Todavia reconhece que a grande maioria das pessoas precisa de alguma motivação, de algum veículo ou símbolo para buscar a pratica. Muitas vezes a figura do Mestre, também, funciona como uma inspiração.


A relação que temos com as entidades budistas não deve ser de co-dependência, de acordos, de toma lá, dá cá. De fazer sacrifícios em troca de alguém benefício. Pois quando algo não sair de acordo com o esperado nossa atitude será abandonar o caminho que não nos satisfaz mais ou culpar outros por não termos obtido êxito em nosso empenho, troca, acordo, barganha. Seja com a entidade que for.

Não ter esse tipo de relação com o Buda, os Bodisatvas e mesmo com Deus e Jesus é um grande alívio. Nem mesmo acreditar nesses veículos, que são grande alento para muitos, nos faz falta. Isso não significa que devemos varrê-los do nosso pensamento, mas sim deixar de nos agarrar a eles como tábua de salvação.

Cada ser é Buda assim como aprendemos, que somos Um com Deus. Só precisamos lembrar disso, como um mantra e o resto podemos esquecer.


Foto do Blog da Regininha.