21 dezembro, 2010

Carma e Compaixão

Da perspectiva budista, o tipo de sorte, felicidade ou tristeza que encontramos, não está relacionada com alguém fazendo alguma coisa por nós. Seu eu ganho na loteria, não é porque o Buda me selecionou para receber um bônus. Nenhum deus ou buda é responsável pelo que nos acontece. Pelo contrário, nossas circunstâncias são fundamentalmente criadas por ações anteriores.
Esta é uma afirmação perigosa se for mal compreendida. Uma interpretação muito infeliz do que o Buda queria passar em seu ensinamento sobre o carma é a conclusão de que o sofrimento das outras pessoas é simplesmente por culpa delas. O Buda não ensinou que uma criança que sofre de uma doença ou de fome trouxe este sofrimento para si.
A explicação budista do sofrimento é que um ato embebido no continuum da consciência finalmente faz surgir as consequências. O ato pode ter ocorrido nesta ou em outras vidas. Isto não significa que uma pessoa que esteja sofrendo seja moralmente mais degenerada do que se tivesse sofrendo as consequências produzidas pela ingestão de um alimento contaminado. O sofrimento que vivenciamos é devido ao carma acumulado por influência da ilusão e das aflições mentais. Isto se aplica a todos os seres sencientes.
A pessoa que testemunha o sofrimento de uma outra pessoa deve ter somente uma reação: “Como posso ajudar?”. Quando o carma produz seus frutos e causa o sofrimento, a reação nunca deveria ser: “Este é o seu carma. É o seu destino, por isso eu não posso ajudar”. O seu próprio carma pode bem se apresentar como uma oportunidade para ajudar uma pessoa sofredora. Compreender erroneamente as ações e suas consequências pode ser desastroso.
Wallece,Allan. Budismo com Atitude. Cap 2.

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