10 outubro, 2010

O Presidente deve ser um Bodisatva.

Toda vez que se tem eleições à presidência do país a questão do aborto vem a tona. Como se fosse do foro do presidente legislar ou decidir sobre esse assunto. Quando jogam essa batata quente sobre o presidente ou pretendentes à presidência estão destituindo a democracia e instituindo a ditadura pois só ditadores fazem leis e as fazem de acordo com suas convicções pessoais. Em uma democracia as leis são feitas a partir dos anseios dos cidadões. O Brasil é um pais laico, ou seja cada um gerência sua religião e o Estado não se mete na  religião de ninguém. Todavia há seguimentos que acham que vivemos em Roma e que certas instituições devem ditar o que o Estado deve fazer. Um presidente não tem preferências, nem religião. O presidente serve a todos os cidadões e não um segmento ou outro. Ele, cidadão tem suas convicções, mas não precisa expô-las publicamente. Um presidente deve ser um bodisatva:agir pelo pelo bem de todos os indivíduos e não apenas pelos seus pares e partidários. Um presidente, finda as eleições, deixa de ter partido pois seria incompatível com seu cargo.

Portanto quem deve decidir sobre questões de interesse dos cidadões são os cidadões e não o presidente. Todavia vivemos em um país paternalista em que os cidadões esperam que o Estado lhes diga o que podem e o que não podem fazer  (através das leis). Quando o Estado assume a sua função vem aqueles que não querem assumir para reclamar. Enquanto nós não assumirmos nossa função o Estado terá que fazer o que julgar melhor para todos, mesmo que isso desagrade alguns. Enquanto acreditarmos que a única função que nos cabe é votar e lavar as mãos não poderemos reclamar do que for decidido enquanto lavávamos as mãos.

Os presidenciáveis até podem assinar acordos com determinados segmentos para não desagradá-los e ganhar votos. Mas finda a votação esses acordos perdem a validade porque o presidente não assina esse tipo de acordo com ninguém. Acordo não tem poder de lei e quem irá decidir os interesses do país será o Congresso e em último caso um plebiscito.

Faltou dizer que o Brasil  não é a Holanda e jamais será e aqueles poucos que sonham com esse dia fazem melhor em mudar-se para lá. No Brasil cabem muitas Holandas por isso dificilmente os anseios de lá caberiam aqui. Mesmo na Holanda aquilo que é permitido está regulado por leis que foram fruto da vontade dos cidadões e quando os cidadões querem o Estado não tem porque negar. Mas no Brasil dificilmente a maioria dos cidadões aprovaria a livre escolha de decidir sobre fazer ou não aborto.

Misturar direitos civis com religião não passa de uma tentativa de impor a vontade de algumas religiões dominantes. Um Estado laico não pode ficar refém de tais movimentos.

Portanto levantar tais assuntos a cada eleição não passa de uma estratégia para desviar a atenção do que deveria estar sendo discutido.

1 comentário:

ENTENDER DO RISCADO disse...

Muito oportuno!
Obrigada.
Tomei a liberdade de replicar no meu blog. Se houver algum incoveniente para você, por favor, me avise que eu retiro.