26 outubro, 2010

Como Esquecer.

Ao não julgar experimentamos um misto de ressaca seguida de uma sensação de alívio da mente pensante.

É a mente pensante, condicionada, que força o hábito de julgar. Se treinarmos a "mente que não sabe" ela pode bloquear o hábito de julgar.


Às vezes temos pequenos intervalos de experiência de não julgar após retiros muito intensos com várias sessões de zazen. A mente pensante quando levada ao estresse físico do treinamento zen se cala.

Ouvimos ainda sussuros. A gente percebe que a mente condicionada continua ali tagarelando, mas conseguimos decidir não ouvir, desligar. O treinamento a imobiliza. A sensação é de anestesia mental (uma anestesia boa).

Nesses momentos pode ser até angustiante não julgar tamanha força do hábito que grita e esperneia para retornar ao seu posto soberano.

Tão logo voltamos ao nosso cotidiano também voltamos ao normal. O hábito vence e retoma seu lugar.

Como ir dissolvendo o hábito de julgar e tantos outros hábitos nocivos? Observando-o de perto. Percebendo-o agir. Ação-reação. Sentindo o efeito que o hábito provoca em nós e naqueles que submetemos o hábito. O que sentimos? Prazer, satisfação, poder.... Ao conhecer de perto seus hábitos fica mais fácil desmontá-los. Mas não pode fazer isso com todos os hábitos ao mesmo tempo. Escolha um para começar e investigue-o de perto. Toda vez que ele aparecer perceba-o como se disparasse uma campainha na sua mente.

Com o tempo vc. conseguirá antecipar-se ao aparecimento do hábito e então decidir desligá-lo ou deixar que se manifeste. A isso também chamamos de consciência do hábito e mais profundamente podemos adquirir com esse treinamento a consciência do nosso carma. Quando ele surge podemos decidir afastá-lo ou deixá-lo se manifestar porque temos o controle da situação e não ao contrário.

24 outubro, 2010

Fábula Budista.



Essa fábula me lembrou o koan "O Homem pendurado na árvore."

Quinto Caso:

Mestre Hyang Eom disse: "It is like a man up a tree who is hanging from a branch by his teeth; his hands cannot grasp a bough, his feet cannot touch the tree; he is tied and bound. Another man under the tree asks him, 'Why did Bodhidharma come to China?' If he does not answer, he evades his duty and will be killed. If he answers, he will lose his life.

1. If you are in the tree, how do you stay alive?




OS DOIS PATOS E A TARTARUGA

Relaxe, se aquiete e ouça atentamente este conto sobre uma tartaruga que vivia numa enorme lagoa de águas frescas e cristalinas. Quer dizer, até algo muito estranho acontecer! O que poderia ser? Vamos ver se você descobre!

Há muito tempo, a tartaruga morava numa terra distante, onde fazia um calor forte. Durante anos, ela viveu feliz nadando preguiçosamente e tomando sol nas grandes folhas de lírio d'água que cobriam a superfície da lagoa. Às vezes, abocanhava uma libélula, ou tentava capturar um gordo e suculento besouro para comer.

A vida era agradável para a tartaruga... até que, num verão extremamente quente e seco, a chuva parou e o sol brilhou tão ferozmente que a água fresquinha e transparente da lagoa começou a secar. Pouco a pouco, a lagoa diminuía; a cada dia estava mais seca. Um dia, havia tão pouca água que a tartaruga decidiu procurar uma nova casa, antes que a lagoa sumisse de vez. Mas como ela faria isso?

De manhã cedo, quando o sol apareceu no céu, a tartaruga se preparou para buscar ajuda. De repente, ouviu dois patos gritando - qüéim, qüéim, qüéim -, enquanto voavam por cima dela. Sem pensar duas vezes, a tartaruga os chamou:

- Patos! Ei, vocês aí em cima! Por favor, me ajudem! Minha casa está secando. Vocês gentilmente me levariam para outra lagoa cheia de água?

- Mas como podemos fazer isso? - responderam os patos. - Nós estamos voando no céu aberto e você está aí no chão.

No momento em que tudo isso acontecia, a tartaruga tropeçou num galho bem comprido que estava no meio do caminho. E teve uma ideia:

- E se vocês carregassem esse galho entre os seus bicos? - sugeriu. - Assim eu poderia segurar nele com a boca e vocês me carregariam até uma outra lagoa.

- É uma boa solução - concordaram os patos, e aterrissaram perto da tartaruga. - Mas você deve prometer não abrir a boca enquanto a transportamos.

E assim ficou combinado. Os patos colocaram o galho entre os dois bicos, como uma barra, na qual a tartaruga se segurou pela boca. Eles levantaram voo e carregaram a amiga pelo céu em direção a uma lagoa cheia de águas cristalinas e frescas que brilhava no horizonte.

No caminho, passaram por sobre um campo onde algumas crianças brincavam ruidosamente. Ao ouvirem asas dos patos batendo, as crianças olharam para cima e caíram na gargalhada com a cena estranha.

- Que ridículo! - zombou uma menina. - Dois patos carregando uma tartaruga num galho! Não é uma bobagem?

Hum... a tartaruga ficou muito zangada com aquilo. A cena poderia mesmo parecer muito esquisita, mas havia uma boa razão para tudo aquilo. Irritada, ela esbravejou com as crianças:

- Vocês é que são estúpidos! Não entendem naaaaaada!

Assim que abriu a boca para falar, a pobre tartaruga soltou o galho e caiu pelo céu ensolarado até estatelar-se na grama.

- Ui! - exclamou ela, esfregando a cabeça dolorida. - Se pelo menos eu não tivesse escutado essas crianças... Agora vou pensar duas vezes antes de responder com raiva a alguém.

Muitas vezes, nos expressamos com raiva, sem refletir sobre o que pode acontecer depois. Uma pessoa sábia pensa antes de falar e, se não pode dizer nada gentil, opta por ficar em silêncio.

"Noites Encantadas"
Autor: Dharmachari Nagaraja
Editora: PublifolhaPáginas: 144

23 outubro, 2010

O seu gato tem Rakusu?

                                         Até os gatos teem Rakusu só vc. ainda não tomou vergonha ou coragem e pediu o seu. Gatos não pedem: miau,miau.

O que é real ou realidade?

Real é o que acontece no momento. O resto é o que já conteceu ou pode vir a acontecer.

Só existe realidade no momento. Fora do momento vivemos em uma bolha de ilusão.

Se o momento não for acessado não há realidade, só a ilusão da realidade.

Quando se fala em "momento" no zen não se trata do momento-sentir. O momento verdadeiro não é fácil de ser acessado. Ele exige treinamento em atenção plena. Exige que nos conectemos com o "momento".

Para conectar-se com o momento verdadeiro é preciso desconectar-se do momento-ilusão.
É como congelar um para acessar o outro. É como atravessar de uma dimensão à outra, onde não há espaço e tempo.

10 outubro, 2010

O Presidente deve ser um Bodisatva.

Toda vez que se tem eleições à presidência do país a questão do aborto vem a tona. Como se fosse do foro do presidente legislar ou decidir sobre esse assunto. Quando jogam essa batata quente sobre o presidente ou pretendentes à presidência estão destituindo a democracia e instituindo a ditadura pois só ditadores fazem leis e as fazem de acordo com suas convicções pessoais. Em uma democracia as leis são feitas a partir dos anseios dos cidadões. O Brasil é um pais laico, ou seja cada um gerência sua religião e o Estado não se mete na  religião de ninguém. Todavia há seguimentos que acham que vivemos em Roma e que certas instituições devem ditar o que o Estado deve fazer. Um presidente não tem preferências, nem religião. O presidente serve a todos os cidadões e não um segmento ou outro. Ele, cidadão tem suas convicções, mas não precisa expô-las publicamente. Um presidente deve ser um bodisatva:agir pelo pelo bem de todos os indivíduos e não apenas pelos seus pares e partidários. Um presidente, finda as eleições, deixa de ter partido pois seria incompatível com seu cargo.

Portanto quem deve decidir sobre questões de interesse dos cidadões são os cidadões e não o presidente. Todavia vivemos em um país paternalista em que os cidadões esperam que o Estado lhes diga o que podem e o que não podem fazer  (através das leis). Quando o Estado assume a sua função vem aqueles que não querem assumir para reclamar. Enquanto nós não assumirmos nossa função o Estado terá que fazer o que julgar melhor para todos, mesmo que isso desagrade alguns. Enquanto acreditarmos que a única função que nos cabe é votar e lavar as mãos não poderemos reclamar do que for decidido enquanto lavávamos as mãos.

Os presidenciáveis até podem assinar acordos com determinados segmentos para não desagradá-los e ganhar votos. Mas finda a votação esses acordos perdem a validade porque o presidente não assina esse tipo de acordo com ninguém. Acordo não tem poder de lei e quem irá decidir os interesses do país será o Congresso e em último caso um plebiscito.

Faltou dizer que o Brasil  não é a Holanda e jamais será e aqueles poucos que sonham com esse dia fazem melhor em mudar-se para lá. No Brasil cabem muitas Holandas por isso dificilmente os anseios de lá caberiam aqui. Mesmo na Holanda aquilo que é permitido está regulado por leis que foram fruto da vontade dos cidadões e quando os cidadões querem o Estado não tem porque negar. Mas no Brasil dificilmente a maioria dos cidadões aprovaria a livre escolha de decidir sobre fazer ou não aborto.

Misturar direitos civis com religião não passa de uma tentativa de impor a vontade de algumas religiões dominantes. Um Estado laico não pode ficar refém de tais movimentos.

Portanto levantar tais assuntos a cada eleição não passa de uma estratégia para desviar a atenção do que deveria estar sendo discutido.

08 outubro, 2010

Como Funciona o Karma.

Quando alguém me pedir para explicar o que é karma vou mostrar esse desenho. Será que dá para entender que quando movemos uma ação ela fatalmente volta para nós mesmos. Vc. move a primeira pedra e não percebe que a última cairá sobre sua cabeça. Cuidado com suas ações.  

04 outubro, 2010

Cultive o Comprometimento.

No início o zazen SOLITÁRIO.
Pouco a pouco a prática COM os outros e PELOS outros.
Perdi essas pequenas coisas que alguns chamam “meu” e me tornei o mundo inteiro.

Muso Soseki [ Mestre Zen do Séc XIII]


Quando nos dispomos a seguir o caminho com determinação é necessário assumir o compromisso conosco de que nos empenharemos em manter a pratica diária para nos e se possível para o benefício demais praticantes.

Quando praticamos em conjunto é preciso assumir responsabilidades pelo conjunto. Se apenas um carrega o grupo nas costas não haverá progresso para o grupo pois cedo ou tarde esse elemento se sentirá insatisfeito ou injustiçado  Cada um precisa assumir uma posição no grupo e honrá-la.

Por isso cada um deve ter sua função e contribuir para a manutenção do grupo. Esquivar-se de contribuir e apenas se beneficiar do que o grupo oferece não é digno de um praticante honesto.

Um grupo precisa organizar-se de maneira a ser coeso e bem administrado. As necessidades do grupo devem ser supridas pela colaboração de todos. Uma boa sugestão é formar uma associação com CNPJ,conta em banco e diretoria. Membros fixos devem contribuir mensalmente com um valor decidido em assembléia e pessoas que vem exporadicamente para a prática devem contribuir com um valor de carater de "doação expontãnea", deixado em uma caixa de doação a cada visita.

Qualquer item produzido para a sanga (zafu, zabuton, camisetas) não deve ser dado e sim pago pois alguém pagou para confeccioná-los.

Atividades extras como palestras,zazenkais, retiros devem ser cobrados pois essas despesas não podem ser sempre custeadas pelos membros. Cada um deve investir esforço e dinheiro no seu treinamento e não esperar ganhar de graça ou com facilidade. O esforço e a dificuldade fortalecem a pratica.

Não tenha medo de assumir compromissos na sanga. Não tenha medo de assumir um grupo. Faça sua escolha e siga em frente sem pensar, apenas dê o seu melhor sem esperar nada em troca. Seja paciente e deixe o tempo agir a seu favor. Quando as condiçoes aparecem o zen aparece. Quando vc. está pronto o mestre verdadeiro bate a porta. Ou ele já passou por ai e vc. não viu?