29 setembro, 2010

Como Dissolver a Tristeza.

A tristeza vem do apego a algo ou alguém que não se concretizou. Ao ficarmos presos a ideia de que poderia ser defirente se ainda houvesse uma chance de voltar atrás e não havendo, pois o passado não pode ser mais alcançado a não ser pela lembrança repetitiva do mesmo. E é essa lembrança que nos faz sofrer e nos deixa triste. A tristeza prolongada leva a depressão. Abandonar a tristeza implica em abandonar as lembranças que estão vinculadas a ela. Quando acionamos lembranças entramos num redemoinho que nos arrasta para o passado, aqueles momentos bons ou ruins já vividos. Só repete o mesma cena para tentar entendê-la alguém que queira estudá-la, um editor de imagem que busque onde encaixá-la melhor. Nós não aprendemos nada repetindo cenas em nossa mente, ouvindo frases ditas ou que poderiam ter sido ditas. Apenas alimentamos raiva, frustração. nos colocamos em uma sitação de prostração diante do que já aconteceu. Como se implorassemos misericordia do passado, mas o passado não se move para frente ele nos afunda mais e mais em tristeza.

Depois de dez anos de treinamento (meditação zen, retiros, atenção nas ações e sentimentos) ainda me surpreendo quando alguma tristeza se abate sobre mim, Me surpreendo mais ainda me vendo rapidamente dando a volta nesse estado e saindo da tristeza sem pesar.


Abandonar a tristeza também é um treinamento mental. Quando tentamos uma vez, mesmo que leve mais tempo. Nas demais tentaivas ficamos menos vulneráveis.

A pratica da meditação zen é uma ferramenta eficiente para fortalecer a mente e manter-se imune a tristezas.

A tristeza faz parte da nossa vida. Não consideramos viver sem ela, nem anulá-la. Mas se temos tendencia a ficar muito tempo prostrados devemos tomar medidas preventivas para nos auto ajudarmos.

Para mim já existe vacina contra a tristeza e ela se chama zazen, zazen, zazen.



27 setembro, 2010

Together Action



A pratica em grupo deve ser um treino de como  agir em conjunto. Todos no mesmo ritmo, na mesma vibração. Quando me sento em zazen me sento com todos os seres. Aqueles que estão visíveis e do meu lado, mas também com todos que não podem estar presentes, nem sentar-se, nem mesmo desfrutar dessa pratica.

Ao sentar em zazen fazemos um voto de ali permanecer custe o que custar. Se me movo só estou pensando em mim, na meu desconforto, na minha dor, na minha coseirinha no nariz. Isso não é agir em conjunto e sim agir por mim, apenas pelo meu desejo de aliviar o meu desconforto. Isso enfraquece a qualidade do zazen porque quando um está inquieto no zafu logo isso pode se transformar num efeito dominó em que um vai derrubando o zazen do outro.


Imagine que ao sentar vc. está ligado por um cordão de energia de hara à hara. Se um rompe, ou sai da sua posição o cordão balança e a vibração passa por todos os que estão ligados no fluxo.

Levantar-se bruscamente da almofada também gerar mal estar. Sair da sala sem um motivo urgente e sem reverenciar o círculo também gera instabilidade.

Todos esses detalhes devem ser cuidados. O cuidado com a pratica denota nosso comprometimento e o nosso progresso nela.

O zazen é um momento de ligação, conexão com o universo e todos os seres. Não deve ser feito como se fosse brincadeira mas com reverência e respeito.

25 setembro, 2010

Sobre Meios de Comunicação e Mestres.

Há algum tempo Monja Isshin deixou este comentário interessante por aqui:

A Internet é uma ferramenta fantástica para a divulgação do Darma e até para a transmissão de orientações e o esclarecimento de dúvidas, especialmente num pais grande como o Brasil. Por isso, foi criado o Zendo Virtual.

Mas, nada dispensa a necessidade de um período (que pode variar de alguns meses até dez ou mais anos...) de prática na convivência direta e diária com um(a) professor(a) e uma sanga. Às vezes, o professor envia o aluno para um mosteiro para esta convivência - onde será de forma mais intensa como se fosse "panela de pressão".

O ego condicionado veste máscaras de todo tipo com uma habilidade inimaginável. Por isso, mesmo ver um professor por alguns dias periodicamente, como para um retiro, não é o suficiente para o verdadeiro cultivo da prática, pois as máscaras resistem estes períodos curtos de tempo. Somente na convivência diária mais prolongada é que as máscaras vão começar a se quebrar. Nestas horas vão surgir aquelas manifestações de nosso ego condicionado que precisamos perceber e das quais devemos nos libertar. Aí vai ser a prova de fogo - vamos querer "fugir", "rejeitar o professor" (pois, parte de nos não quer mudar), mas, se desejamos realmente trilhar o Caminho de Buda, precisamos "abrir mão" dos condicionamentos...

Mas, quando a gente consegue resistir a tentação de "fugir", de "trocar de professor", "trocar de tradição" - quando a gente consegue resistir estas tentações e superar a fase doloroso do confronto com o ego condicionado, como é maravilhosa a nossa prática!!!!

23 setembro, 2010

Mudando o Foco.

Há algum tempo ouvi a história de um homem e uma mulher que moravam na China [...]. Eles haviam acabado de se casar e, quando a noiva se mudou para a casa do marido, ela imediatamente começou a brigar com a sogra por causa de pequenas questões caseiras. Aos poucos, as diferenças aumentaram, até que esposa e sogra não suportavam sequer olhar uma para a outra.

[...] Não havia nenhum motivo real para que a raiva tivesse crescido daquela forma. Mas, um dia, a esposa ficou tão furiosa com a sogra que decidiu que precisava tomar alguma providência para tirá-la do caminho. Então, foi ao médico e pediu um veneno para colocar na comida da sogra.

Ao ouvir as reclamações da jovem esposa, o médico concordou em vender o veneno. “Mas”, ele advertiu, “se eu lhe desse algo forte e com efeito imediato, todos apontariam o dedo para você e diriam: ‘Você envenenou sua sogra’ e eles também descobririam que você comprou o veneno de mim, o que não seria bom para nenhum de nós. Então, vou lhe dar um veneno mais suave que terá um efeito bem gradual, de forma que ela não morrerá imediatamente”.

Ele também a instruiu que, enquanto estivesse dando o remédio, deveria tratar a sogra muito, muito bem. “Sirva todas as refeições com um sorriso”, ele aconselhou. “Diga que você espera que ela goste da comida e pergunte se ela quer que você faça mais alguma coisa. Seja muito humilde e doce para que ninguém suspeite de você.”

Ela concordou e levou o veneno para casa. Na mesma noite, começou a colocar o veneno na comida da sogra e, muito educadamente, lhe ofereceu a refeição. Depois de alguns dias sendo tratada com tanto respeito, a sogra começou a mudar sua opinião sobre a esposa do filho. “Talvez ela não seja tão arrogante assim”, a velha mulher pensou. “Talvez eu tenha me enganado a respeito dela”. E, aos poucos, começou a tratar a nora com mais gentileza, elogiando as refeições e a forma como ela administrava o lar e até conversando e contando piadas.

À medida que a atitude e o comportamento da mulher mudavam, o da jovem também. Depois de alguns dias, ela começou a pensar: “Talvez minha sogra não seja tão ruim quanto imaginei. Na verdade, ela até parece ser uma pessoa muito boa.”

Isso continuou por cerca de um mês, até que as duas mulheres passaram a ser boas amigas. E começaram a se dar tão bem que, em um determinado momento, a moça parou de envenenar a comida da sogra. E, então, começou a se preocupar porque percebeu que já havia colocado tanto veneno em cada refeição que a sogra poderia morrer.

Assim, voltou ao médico e disse: “Cometi um erro. Na verdade, minha sogra é uma pessoa muito boa. Eu não deveria tê-la envenenado. Por favor, me ajude e me dê um antídoto para o veneno”.

O médico ficou em silêncio por um momento depois de ouvir a moça. “Sinto muito”, ele lhe disse. “Não tenho como ajudá-la. Não existe um antídoto”.

Ao ouvir aquilo, a moça ficou terrivelmente abalada e começou a chorar, jurando que se mataria.

“Por que você iria querer se matar?”, o médico perguntou.

A moça respondeu: “Porque envenenei uma boa pessoa e agora ela vai morrer. Eu deveria tirar minha própria vida para me punir pelo ato terrível que cometi”.

Mais uma vez, o médico ficou em silêncio por um momento e então começou a rir.

“Como você pode rir desta situação?”, a moça lhe perguntou, indignada.

“Porque você não precisa se preocupar com nada”, ele respondeu. “Não existe um antídoto para o veneno porque nunca lhe dei veneno algum. O que lhe dei foi uma erva inofensiva”.

Gosto dessa história porque é um exemplo simples de como uma transformação natural da experiência pode ocorrer com tanta facilidade. [...] Como pessoas, elas não mudaram em nada. A única coisa que mudou foi sua perspectiva.

Yongey Mingyur Rinpoche

15 setembro, 2010

Mestre é como a Àgua.

O Mestre deve ser como a água, em silêncio adaptar-se às limitações do discípulo, descer ao nível da compreensão de cada um e orientá-lo.

O Mestre deve saber se acomodar aos diversos níveis de compreensão mesmo que ele mesmo não deseje ali permanecer.

A água flui e dá vida sem se preocupar com o resultado do seu trabalho. O dever do Mestre é ensinar e o do discípulo aprender, sem se preocuparem se serão ou não reconhecidos.

"SÁBIO É AQUELE QUE SE RETIRA E VIVE NA PASSIVIDADE" - Lao Tse.

O Mestre não deve querer impor-se pelo simples fato de fazê-lo, mas deixar fluir de si o conhecimento que penetrará na compreensão do discípulo de forma suave tal como a água gota a gotas infiltra-se nas coisas mais sólidas.

Poucas coisas são mais frágeis que a água mas mesmo assim ela penetra à dura rocha; mesmo maleável e flexível ela vence a rigidez da pedra. Assim deve ser o Mestre, suave e persistente ele acaba abrindo a compreensão do discípulo.

Tal como a água, o Mestre deve ser dócil, não insistir acintosamente para que o grupo não se divida e nem resista.

A água vence a rocha pela persistência, também o Mestre deve vencer pela insistência e não pela imposição.

Mesmo frágil a água é extremamente forte, move pesadas turbinas gerando energia que movem pesadas máquinas. O mestre deve entender que mesmo sendo dócil, passivo, ele tem o tem o potencial capaz de fazer com que o discípulo atinja a sua própria meta.

A água obedece ao muro que a represa, mas alem de um certo limite é o muro quem obedece à água, ela rompe a represa e se esvai. Assim também deve ser o Mestre amoldar-se mas no momento certo deve tomar para si o domínio e seguir o seu próprio rumo, mas para precisa saber o exato momento de parar, e de agir.

Diz Lao Tse: "O sábio nunca luta". Isto significa: O Mestre nunca impõe, mas persiste.


O Mestre deve persistir, mas não além de determinados limites. Ele deve retirar-se, silenciar, e procurar ouvidos que possam ouvi-lo, e compreensões que possam entendê-lo; plantar em terra fértil e não sobre cascalhos.

O Mestre deve ser benevolente, ter boa fé no que ensina; saber governar e manter a ordem pela habilidade no comando, mas não lutar tentando em vão conseguir aquilo que no momento o discípulo não está ainda apto a entender e consequentemente aceitar.


A obsessão em ser mestre produz o inverso. O Mestre é aquele que não deseja sê-lo.

O mestre deve compreender o Principio do Gênero, Mestre num momento e discípulo no seguinte, pois não existe aquele que não tem algo a ensinar assim como o que não tem algo a aprender. Mestre num momento discípulo no seguinte e assim sucessivamente. Aquele que se diz mestre apenas é um discípulo a mais.

O Mestre deve respeitar o discípulo mas não exaltá-lo para impedir o surgimento da vaidade. Sabe que a exaltação desperta a inveja, a inveja e rivalidades, e a rivalidade a dissensão do grupo.

O mestre não dá demonstração de si e nem exalta o discípulo para evitar assim competições e ciúmes.

O Mestre estimula o discípulo para que ele caminhe seguro, descubra ser capaz de fazer o necessário, ser cada vez mais eficiente podendo assim atingir a meta com um menino de tempo e de esforço, sem se imiscuir seu âmbito pessoal.


O mestre será muito mais eficiente se estiver consciente como a Lei Natural atua.

Ensinar é ser desprendido...é esquecer-se de si próprio em benefício de todos.

O mestre ao esquecer-se de si, será mais lembrado pelos discípulos. Reprimindo o ego-centrismo o Mestre torna-se cada vez mais eficiente.

O Mestre deve ser como a água, em silêncio adaptar-se às limitações do discípulo, descer ao nível da compreensão de cada um e orientá-lo.

O Mestre jamais deve achar que nada mais tem a aprender, não deve ser como um jarro cheio onde não cabe sequer mais uma gota.

O mestre deve entender que o homem-ego não pode fazer mais que o homem-Eu. Amplia a capacidade da sabedoria pela liberação do EU.

O Mestre não deve exigir que o discípulo torne-se mais aguçado do que lhe permite o seu próprio grau. O Mestre não satura o discípulo com sua especialidade, pois tem que deixar lugar para que outros ensinamentos possam ser acrescidos. Se o vaso for preenchido até a borda, nem uma gota a mais caberá nele.

O Mestre não deve exibir toda sua sabedoria para não despertar a cobiça e atrair a sua própria desgraça.

É errado o Mestre cobrar agradecimentos, elogios e recompensas. Deve contentar-se unicamente com o bom trabalho desenvolvido pelos seus discípulos.

O verdadeiro Mestre deve recusar todo e qualquer mérito faustoso que lhe queiram atribuir.

A fama não lhe deve dizer respeito.

O esquecimento em nada o perturba.

Ante vicissitudes o Mestre prossegue em frente ou contorna de uma maneira equilibrada todas as dificuldades orientando-se pelo seu bom senso e sabedoria e nunca por estar à espera de fama ou honrarias.

Mostrar toda sabedoria é mostrar um tesouro e expor-se a sanha dos ladrões.

Quando a fama se acercar do Mestre ele deve humildemente se recolher à obscuridade deixando que a sua obra receba os elogios mas não a sua pessoa.

O Mestre é aquele que se retira e vive na obscuridade. O refugio na obscuridade não significa, abandono da atividade e sim o desapego a resultados.

O Mestre que se deixa levar pelo brilho ilusório das recompensas, muitas vezes acreditar ter discípulos quando na verdade se vê cercado apenas de bajuladores, enquanto o Mestre humilde atrai os que têm olhos para enxergar e ouvidos para escutar e assim tem discípulos.

O discípulo deve ver no Mestre uma mina de onde com esforço pode recolher as preciosidades, mas não vê-lo como uma caia de jóias da qual tente se apossar.

O Mestre dá a jóia mas cabe ao discípulo a lapidá-la.

Interpretações do Toa Te King

09 setembro, 2010

Você já Comeu sua Cota?

Um grande mestre costumava dizer: "Se comermos tudo o que temos para comer em todos as nossas vidas, inevitavelmente passaremos fome nas vidas que nos restam." Porque será que existe países onde as pessoas passam fome? Será que quem comeu toda a sua cota irá renascer lá?

Ver pessoas comendo por prazer ou comendo por comer sem ter fome. Sem necessidade apenas para socializar me faz pensar no que esse mestre dizia. às vezes também me pego comendo por não ter o que fazer. Quando estudava tinha uma frase grudada na geladeira "Comer para viver ou viver para comer." Talvez eu pendure umas frases assim na geladeira: "Cuidado para não comer tudo agora e passar fome depois!"

07 setembro, 2010

Cultive a Honestidade

The real source of inner joy is to remain truthful and honest.
A verdadeira fonte de alegria interior é permanecer verdadeiro e honesto.
Dalai Lama


Honestidade é um preceito muito simples para aqueles que nunca cogitaram agir de forma inapropriada, mesmo por necessidade. A vida sempre nos dará o que precisamos na medida certa a cada renascimento. Se pegarmos mais do que precisamos estaremos fazendo um empréstimo sem saber se nessa ou em outras vidas poderemos devolver e talvez o que pegamos a mais agora nos falte lá adiante. Tudo que precisamos já está conosco. Se somos honestos nas nossas ações, pensamentos e palavras isso terá um enorme efeito benefício sobre nosso carma. Pode ser que isso não apareça agora ou nessa vida. Mas as sementes que plantamos seja no passado ou presente um dia aparecerão de forma positiva ou negativa, vai depender da nossa conduta. Portanto, desistir da honestidade pressupondo que ele não nos traz nenhum benefício não passa de desculpa daqueles que teem inclinações desonestas.