19 agosto, 2010

Por que Gostamos de Sofrer?

Quando Buda começou a ensinar o Dharma ele dizia que a vida é cheia de Dukkha, uma palavra sanscrita que na maioria dos textos ocidentais foi traduzida como sofrimento. Todavia há outros significados. Embora seja difícil para nós ocidentais, que vivemos em busca da felicidade, aceitar que a vida, viver, constitui-se em sofrimento. Dukkha também pode ser traduzido como descontentamento, insatisfação e medo. Três elementos que levam ao sofrimento. Se estamos contentes, satisfeitos e seguros por algum momento há sensação de que não há sofrimento.

Quando se fala em sofrimento no Budismo, muitas pessoas entendem que é preciso sofrer para atingir o Nirvanna, ou a liberação do sofrimento. Que o o budismo é uma religião que prega o sofrimento.
E é exatamente ao contrário. Buda ensinou o caminho, o meio e o fim do sofrimento. E o que ele ensinou nós sempre soubemos.

Buda disse que se temos apego a algo e esse algo nos falta sofreremos a perda.
Se não temos ou não conseguimos ter algo ou alguém sofremos pelo desejo de ter algo, ou alguém.
Isso é tão óbvio que qualquer um já experimentou em sua vida várias vezes.

Para Buda a solução desses problemas é simples. Se o problema é o desejo daquilo que queremos e não temos ou daquilo não conseguimos ter, basta parar de querer o que não podemos ter, ou quem não nos quer, e pronto, acabou o sofrimento no mundo.

Parece fácil enquanto teoria, mas sem testar na pratica não dá para ver a dimensão dessa obviedade.No fim Buda só disse algo que todos nós já estamos carecas de saber, mas não queremos entender. Por que? Será que gostamos de sofrer? Será que é mais fácil lidar com um hábito adquirido do que adquirir outro que nos dará uma qualidade de vida melhor?

Embora o ensinamento do Buda tenha sido fundamentado na vida monástica, isso não significa que não devemos querer nada e abandonar tudo e virar monges. Para Buda a melhor vida era a de monje. Mas o mundo mudou muito e não vivemos mais no tempo que Buda viveu. Todavia o ensinemento nos serve de base para nos guiar no caminho de equilibrio, moderação, harmonia, compaixão, para levar uma vida que possamos conduzir sem maiores problemas. Uma vida simples traz menos problemas que uma vida complicada.

A vida não é sofrimento. A vida é vida. Quem põe o tempero do sofrimento ou do não-sofrimento somos nós. Não é o outro, nem Buda, nem Deus, somente nós mesmos podemos pôr ou remover coisas em nossa mente.

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