15 setembro, 2010

Mestre é como a Àgua.

O Mestre deve ser como a água, em silêncio adaptar-se às limitações do discípulo, descer ao nível da compreensão de cada um e orientá-lo.

O Mestre deve saber se acomodar aos diversos níveis de compreensão mesmo que ele mesmo não deseje ali permanecer.

A água flui e dá vida sem se preocupar com o resultado do seu trabalho. O dever do Mestre é ensinar e o do discípulo aprender, sem se preocuparem se serão ou não reconhecidos.

"SÁBIO É AQUELE QUE SE RETIRA E VIVE NA PASSIVIDADE" - Lao Tse.

O Mestre não deve querer impor-se pelo simples fato de fazê-lo, mas deixar fluir de si o conhecimento que penetrará na compreensão do discípulo de forma suave tal como a água gota a gotas infiltra-se nas coisas mais sólidas.

Poucas coisas são mais frágeis que a água mas mesmo assim ela penetra à dura rocha; mesmo maleável e flexível ela vence a rigidez da pedra. Assim deve ser o Mestre, suave e persistente ele acaba abrindo a compreensão do discípulo.

Tal como a água, o Mestre deve ser dócil, não insistir acintosamente para que o grupo não se divida e nem resista.

A água vence a rocha pela persistência, também o Mestre deve vencer pela insistência e não pela imposição.

Mesmo frágil a água é extremamente forte, move pesadas turbinas gerando energia que movem pesadas máquinas. O mestre deve entender que mesmo sendo dócil, passivo, ele tem o tem o potencial capaz de fazer com que o discípulo atinja a sua própria meta.

A água obedece ao muro que a represa, mas alem de um certo limite é o muro quem obedece à água, ela rompe a represa e se esvai. Assim também deve ser o Mestre amoldar-se mas no momento certo deve tomar para si o domínio e seguir o seu próprio rumo, mas para precisa saber o exato momento de parar, e de agir.

Diz Lao Tse: "O sábio nunca luta". Isto significa: O Mestre nunca impõe, mas persiste.


O Mestre deve persistir, mas não além de determinados limites. Ele deve retirar-se, silenciar, e procurar ouvidos que possam ouvi-lo, e compreensões que possam entendê-lo; plantar em terra fértil e não sobre cascalhos.

O Mestre deve ser benevolente, ter boa fé no que ensina; saber governar e manter a ordem pela habilidade no comando, mas não lutar tentando em vão conseguir aquilo que no momento o discípulo não está ainda apto a entender e consequentemente aceitar.


A obsessão em ser mestre produz o inverso. O Mestre é aquele que não deseja sê-lo.

O mestre deve compreender o Principio do Gênero, Mestre num momento e discípulo no seguinte, pois não existe aquele que não tem algo a ensinar assim como o que não tem algo a aprender. Mestre num momento discípulo no seguinte e assim sucessivamente. Aquele que se diz mestre apenas é um discípulo a mais.

O Mestre deve respeitar o discípulo mas não exaltá-lo para impedir o surgimento da vaidade. Sabe que a exaltação desperta a inveja, a inveja e rivalidades, e a rivalidade a dissensão do grupo.

O mestre não dá demonstração de si e nem exalta o discípulo para evitar assim competições e ciúmes.

O Mestre estimula o discípulo para que ele caminhe seguro, descubra ser capaz de fazer o necessário, ser cada vez mais eficiente podendo assim atingir a meta com um menino de tempo e de esforço, sem se imiscuir seu âmbito pessoal.


O mestre será muito mais eficiente se estiver consciente como a Lei Natural atua.

Ensinar é ser desprendido...é esquecer-se de si próprio em benefício de todos.

O mestre ao esquecer-se de si, será mais lembrado pelos discípulos. Reprimindo o ego-centrismo o Mestre torna-se cada vez mais eficiente.

O Mestre deve ser como a água, em silêncio adaptar-se às limitações do discípulo, descer ao nível da compreensão de cada um e orientá-lo.

O Mestre jamais deve achar que nada mais tem a aprender, não deve ser como um jarro cheio onde não cabe sequer mais uma gota.

O mestre deve entender que o homem-ego não pode fazer mais que o homem-Eu. Amplia a capacidade da sabedoria pela liberação do EU.

O Mestre não deve exigir que o discípulo torne-se mais aguçado do que lhe permite o seu próprio grau. O Mestre não satura o discípulo com sua especialidade, pois tem que deixar lugar para que outros ensinamentos possam ser acrescidos. Se o vaso for preenchido até a borda, nem uma gota a mais caberá nele.

O Mestre não deve exibir toda sua sabedoria para não despertar a cobiça e atrair a sua própria desgraça.

É errado o Mestre cobrar agradecimentos, elogios e recompensas. Deve contentar-se unicamente com o bom trabalho desenvolvido pelos seus discípulos.

O verdadeiro Mestre deve recusar todo e qualquer mérito faustoso que lhe queiram atribuir.

A fama não lhe deve dizer respeito.

O esquecimento em nada o perturba.

Ante vicissitudes o Mestre prossegue em frente ou contorna de uma maneira equilibrada todas as dificuldades orientando-se pelo seu bom senso e sabedoria e nunca por estar à espera de fama ou honrarias.

Mostrar toda sabedoria é mostrar um tesouro e expor-se a sanha dos ladrões.

Quando a fama se acercar do Mestre ele deve humildemente se recolher à obscuridade deixando que a sua obra receba os elogios mas não a sua pessoa.

O Mestre é aquele que se retira e vive na obscuridade. O refugio na obscuridade não significa, abandono da atividade e sim o desapego a resultados.

O Mestre que se deixa levar pelo brilho ilusório das recompensas, muitas vezes acreditar ter discípulos quando na verdade se vê cercado apenas de bajuladores, enquanto o Mestre humilde atrai os que têm olhos para enxergar e ouvidos para escutar e assim tem discípulos.

O discípulo deve ver no Mestre uma mina de onde com esforço pode recolher as preciosidades, mas não vê-lo como uma caia de jóias da qual tente se apossar.

O Mestre dá a jóia mas cabe ao discípulo a lapidá-la.

Interpretações do Toa Te King

Sem comentários: