19 abril, 2010

A Vida é um Constante Estado de Adapção.

O movimento que começou com a prática de comer lentamente "slow food" pode ser aplicada em muitos outras áreas da vida. Essa prática de apreciar o que fazemos atentamente, de estar presente é a menina dos olhos do ensinamento de Buda.

O mais engraçado é que aprende-se a duras penas a comer devagar e ai vai num retiro zen budista ou num mosteiro e lá come-se rápido. Então precisa ajustar-se a situação ao invés de lutar contra. Já vi gente desistir de retiro porque não conseguia acompanhar o ritmo da refeição.

A vida é um constante estado de adaptação. Quando uma situação acaba e outra começa. Ou ficamos presos a anterior e sofremos ou seguimos o curso da mudança e vamos em frente.

04 abril, 2010

Volte para seu Mestre Original.

É tão difícil o encontro com um mestre verdadeiro. Comum é ver aqueles que ao encontrá-lo, saem correndo ou mesmo de fininho vão desistindo, porque percebem que ali está alguém que não vai cair nas suas já bem ensaiadas lamurias, desculpas, dissimulações, trapaças. Percebem que serão desarmados e se encontrarão face a face com a verdade e temem ser descobertos, ou terem que abandonar seus hábitos não saudáveis, seus padrões aos quais preferem manter a reformá-los.

Às vezes o mestre nos sinaliza claramente por que estamos aqui.

O mais comum é nem chegar a haver essa aproximação entre mestre e aluno e se há logo começam as costumeiras autosabotagens. "Estou trabalhando muito, moro longe, não entendo o idioma do mestre, ele mora do outro lado do mundo, não tenho dinheiro, ele não me entende, ele é duro demais, não dá bola pra mim, não se comunica, não entende minhas dificuldades, entre outras desculpas.

Se for um mestre inadequado nada sucede, mas se for o mestre original, prepare-se para ver sua vida virar um caos. Desistir do mestre original impõe um certo "castigo" que quase ninguém percebe. É como se o universo mandasse um recado claro e preciso. Alguns retrocedem na prática, abandonam o Sangha, voltam à vida que levavam antes. Se bebiam voltam a beber mais, se usavam drogas voltam a usá-las, alguns até ficam doentes ou acordam doenças que estavam quietinhas lá nas profundezas.

Quem busca o caminho mais fácil está tão iludido quanto quem busca o caminho mais difícil. Um bom mestre vai saber sinalizar o ponto de equilíbrio entre o mais e o menos.

Se seu mestre não se comunica ou não te dá atenção qual a razão do silêncio? Ele pode estar apenas te observando, te conhecendo e te testando. Nós somos cada vez mais ansiosos e queremos resultado imediato. O Zen não funciona nessa vibe.

Ter raiva do mestre verdadeiro é muito danoso porque na verdade o mestre verdadeiro é apenas um espelho para quem o segue perceber seus enganos, perceber o quanto está iludido e transformar-se. O mestre é como uma isca e o discipulo é como o peixe.

Se desistiu do seu mestre verdadeiro volte correndo para ele. Não importa as dificuldades, a distância, barreiras de idioma, pessoais, financeiras, etc.

02 abril, 2010

Contos Zen Budistas

Contos Zen de Compilados por Paul Raps, poeta de haikais e Nyogen Senzaki. Inclui as 10 Figuras do Vaqueiro e o Touro com ilustrações. Tem para download. Já digitalizado no Google Books em espanhol. Título original "Zen Fresh. Zen Bones." Zen de Carne e Ossos.





A Tigela e o Bastão tem no Google Books.



















O zen em Quadrinhos de Tsai Chih Chung também tem para ser baixado aqui, mas por ser quadrinho acho melhor o livro.



Todos estão disponíveis na Estante Virtual ou em Livrarias Virtuais.

01 abril, 2010

Peregrinação & Divertimento

As pessoas só procuram o Caminho quando são tomadas
pela dor e pelo sofrimento. Quando sentem que não têm mais nenhuma saída,
começam finalmente a ter dúvidas
sobre a própria vida e, pela primeira vez, se perguntam se é mesmo assim que deveriam viver.
Tomar consciência da dor e da doença é o primeiro passo para encontrar o Caminho.
É por isso que Buda colocou a dor em primeiro lugar nas Quatro Nobres
Verdades. Mas algumas pessoas, embora sofram terrivelmente, não batem às portas da religião.
Aqueles que o fazem são realmente afortunados. Desejo que todos, guiados pela dor,
possam romper a pequena casca do egocentrismo e sair para este mundo vasto, ao
qual todos pertencemos.

Eiichi Enomoto escreveu a seguinte poesia, intitulada
O empréstimo:

“Está concha não foi feita por mim
É obra do Céu e da Terra
Neste dia, naquele dia, a pego emprestada.”

Nossa vida é um empréstimo do Céu e da Terra. Sem a ajuda das forças celestes e terrenas,
não podemos viver nem mesmo um segundo. Não podemos falar, nem
ver, nem mover as mãos e os pés, ou mesmo fazer funcionar o coração e o estômago.
Se percebermos apenas isto, não poderemos mais nos matar.
Portanto, não nos resta senão unir nossas mãos, palma com palma,
em agradecimento à infelicidade e à adversidade que nos fizeram descobrir nossa
maravilhosa verdade. São as situações adversas da vida que nos tornam mais próximos
da imagem do próprio Buda.

A compassiva Kannon Bosatsu não se intimida ao se misturar com as pessoas que sofrem,
que esperneiam. Ela penetra o sofrimento e a tristeza e se empenha em salvar
cada um de nós. Ela continua sempre a sorrir.
Dizem que sente alegria apenas em nos salvar.

O caractere "yu" do termo "yuge" (peregrinação) significa "divertimento".

Para se divertir, não precisamos de objetivos, ou de nada em troca.
O prazer em si mesmo é a meta. Kannon Bosatsu sente prazer em salvar as pessoas,
usando todo o Seu corpo, dotado de mil olhos e mil mãos.
Dei-me conta de quão profunda é a compaixão de um Bodhisattva.

"Obrigada por ter vindo ao mosteiro. Coragem! Não se deixe vencer pela
tempestade!"

Shundo Aoyama Rôshi [Para uma Pessoa Bonita
- contos de uma mestra zen. Ed. Palas Athena]