17 março, 2010

Por que os mestres não dão respostas convencionais?

O zen tem estratégias de perguntas e respostas que poucos entendem. Em geral ouvir alguma resposta pode soar frustrante quando ainda não se entende esses mecanismos e perguntar pode até gerar algum temor baseado em experiências anteriores.

Os mestres que conheci admitem que se pergunte o que lhe der na telha, quanto mais "não pensada" for a pergunta melhor. Parece doido, mas a pergunta é um dos pilares do treinamento para o aluno e a resposta a outra base para o mestre. Decepcionar um ao outro não importa. Se há decepção há expectativa e apego.

Os mestre em geral fogem das perguntas convencionais e racionais e de respostas na mesma linha. Se alguém busca um conselho numa resposta está mesmo sem perceber comprometendo o mestre pois ninguém sabe em qual contexto sua pergunta está amarrada.

O contexto está na cabeça de quem pergunta e o que quem pergunta vai fazer com uma resposta pode ser perigoso, por isso um professor experiente deve ser desconfiado com perguntas e cuidadoso com respostas. É melhor dizer "não sei" e decepcionar do que dizer algo que pode ser usado em uma solução da qual o professor não tem conhecimento.

Talvez Bodidarma tenha sido um dos que mais usuva o estilo de respostas que deixavam um vácuo entre a pergunta e a resposta. Bodidarma dava respostas desconcertantes para perguntas convencionais. O objetivo era pôr por terra padrões mentais de apego.
Ele não respondia aquilo que seria o esperado e sim algo que levasse o interlucutor ao insight ou pelo menos a refletir.

Alguém pergunta "O que é o zen?"
Em resposta o professor bate com a mão na mesa.
Essa é uma resposta tipicamente zen. Mas para muitos é uma resposta sem graça. Quem pergunta espera uma resposta convencional: "O zen é bla, bla...."

Não sei se foi Bodidarma que inventou esse jeito de ensinar. Mas depois dele muitos seguiram nesse caminho.

Responder como Bodidarma respondia levou a um estilo de perguntas e respostas denominado de koan. O koan não é um brinquedo de lógica para nerds.
O koan é uma ferramenta usada para treinar a mente desde um nível rudimentar ao mais alto nível de despertar.

Porém para tomar parte nesse treinamento é preciso ter um mestre de kons e seguir um treinamento formal moderado pelo mestre.


Sempre temo responder perguntas sem um contexto e sem que a pessoa esteja presente para que eu possa investigar a origem da pergunta.

A mente é um campo vasto para expeculações, divagações, fantasias. Portanto muitas perguntas surgem naturalmente e não devem ser reprimidas. Se algum professor resiste em responder isso não significa que não deve perguntar. Apenas torne a pergunta adequada.

1 comentário:

Ariana disse...

Confesso q. nao entendo nada desse negócio de koan, e por nao entender estou aqui, esperando sem esperar um dia compreender.