31 março, 2010

Historinhas para Budistas e Não Budistas/Jatakas.














Três livros com historinhas adaptadas das Jatakas, fábulas ou contos que descrevem os muitos renascimentos de Buda, e o que ele aprendeu em cada renascimento. Em muitos deles Buda nasceu como um animal. Por isso quase todas as historinhas tem como personagens animais. São ótimas para contar para as crianças, independente de serem ou não budistas,as histórias em si não fazem alusão a nenhum termo budista. Mas ressaltam as qualidades que devemos buscar para viver em harmonia com todos os seres.

Todos os livros podem ser encontrados em Livrarias on line como Livraria Cultura, Fnac, eventualmente em algum Sebo como Estante Virtual.

Noites Encantadas. Ed. PubliFolha
Noites Iluminadas. Ed. PubliFolha
Noites Mais Iluminadas. Ed. PubliFolha

26 março, 2010

Sonho de Bodhisattva.

Tempos atrás na China havia cinco Escolas Zen: Rinzai, Soto, Poep An, Un Mun, and E An.

E An e An Sahn juntos formaram uma Escola. E An era o professor, An Sahn, o discípulo.

Naquele tempo An Sahn era apenas o secretário de E An. Enquanto E An dormia, ele ajudava a abrir a porta, olhava se o o Mestre Zen estava dormindo e fechava a porta sem fazer ruído. Qdo o Mestre Zen acordava dizia:"Eu tive um sonho agora. Vc. entende?"

An Sahn dizia, "Sim, apenas agora, eu entendo," e lavava o rosto do Mestre Zen. O Mestre dizia, "Oh, obrigado por lavar meu rosto."

Depois outro discípulo,Haeng Om, que mais tarde viria a ser Mestre, vai ao quarto do Mestre Zen. Mestre An Sahn dizia:"Nós estávamos falando sobre meu sonho. Vc. entende meu sonho.?"

Haeng Om diz, "Sim, senhor," e vai pra cozinha e traz um pouco de chá.
O Mestre Zen diz, "Ah, meus alunos são maravilhosos. Todos eles entendem meu sonho."

Essa é uma conversa sobre sonho. O que isso significa? Se vc. levanta, lava seu rosto. Depois vc. toma chá. Esse é o caminho correto. Se vc. entende completamente os sonhos, então vc. entende o caminho correto.

Vc. precisa entender que o mundo todo é um sonho. Então, seu desejo é um sonho, sua raiva é um sonho, e sua vida tb. é um sonho. Se vc. entender os sonhos; então não vai haver desejo por si mesmo. Vc. vai agir somente por todas as pessoas. Então vc. tem um sonho de Bodhisattva -- apenas ajudar os outros. Mas entendendo que isso não é suficiente; vc. precisa ter o sonho. Então vc. vai entender seu verdadeiro "Self".

A parede é branca. O chão é marrom.

Mestre Zen Seung Sahn

22 março, 2010

Ninguém nos é Desconhecido.

[…] aprendi a desenvolver a equanimidade contemplando o ensinamento de Buda, que diz que por infinitos ciclos de renascimentos todos os seres — em número ilimitado — foram nossa mãe ou nosso pai. Na verdade, ninguém nos é desconhecido; já fomos tão íntimos de cada ser — e não apenas uma vez, mas muitas — quanto somos próximos de nossa própria mãe. Seja qual for o papel que alguém desempenhe em sua vida atual, essa pessoa já foi algum dia a sua mãe.

Somos todos como atores em uma peça de teatro que se confundiram com suas personagens; por isso, vemos uns aos outros como amigos ou inimigos. Uma vez que compreendamos isso, é irrelevante se as pessoas são conhecidas ou desconhecidas, feias ou bonitas, amáveis ou não.

Em vez de classificar as pessoas, podemos aprender a superar os limites da nossa compaixão e a tratar todos os seres com a mesma bondade, com paciência e compaixão, ao invés de raiva ou apego.

Chagdud Tulku Rinpoche (Tibete, 1930 - Brasil, 2002)
"Para abrir o coração", cap. 3

17 março, 2010

Por que os mestres não dão respostas convencionais?

O zen tem estratégias de perguntas e respostas que poucos entendem. Em geral ouvir alguma resposta pode soar frustrante quando ainda não se entende esses mecanismos e perguntar pode até gerar algum temor baseado em experiências anteriores.

Os mestres que conheci admitem que se pergunte o que lhe der na telha, quanto mais "não pensada" for a pergunta melhor. Parece doido, mas a pergunta é um dos pilares do treinamento para o aluno e a resposta a outra base para o mestre. Decepcionar um ao outro não importa. Se há decepção há expectativa e apego.

Os mestre em geral fogem das perguntas convencionais e racionais e de respostas na mesma linha. Se alguém busca um conselho numa resposta está mesmo sem perceber comprometendo o mestre pois ninguém sabe em qual contexto sua pergunta está amarrada.

O contexto está na cabeça de quem pergunta e o que quem pergunta vai fazer com uma resposta pode ser perigoso, por isso um professor experiente deve ser desconfiado com perguntas e cuidadoso com respostas. É melhor dizer "não sei" e decepcionar do que dizer algo que pode ser usado em uma solução da qual o professor não tem conhecimento.

Talvez Bodidarma tenha sido um dos que mais usuva o estilo de respostas que deixavam um vácuo entre a pergunta e a resposta. Bodidarma dava respostas desconcertantes para perguntas convencionais. O objetivo era pôr por terra padrões mentais de apego.
Ele não respondia aquilo que seria o esperado e sim algo que levasse o interlucutor ao insight ou pelo menos a refletir.

Alguém pergunta "O que é o zen?"
Em resposta o professor bate com a mão na mesa.
Essa é uma resposta tipicamente zen. Mas para muitos é uma resposta sem graça. Quem pergunta espera uma resposta convencional: "O zen é bla, bla...."

Não sei se foi Bodidarma que inventou esse jeito de ensinar. Mas depois dele muitos seguiram nesse caminho.

Responder como Bodidarma respondia levou a um estilo de perguntas e respostas denominado de koan. O koan não é um brinquedo de lógica para nerds.
O koan é uma ferramenta usada para treinar a mente desde um nível rudimentar ao mais alto nível de despertar.

Porém para tomar parte nesse treinamento é preciso ter um mestre de kons e seguir um treinamento formal moderado pelo mestre.


Sempre temo responder perguntas sem um contexto e sem que a pessoa esteja presente para que eu possa investigar a origem da pergunta.

A mente é um campo vasto para expeculações, divagações, fantasias. Portanto muitas perguntas surgem naturalmente e não devem ser reprimidas. Se algum professor resiste em responder isso não significa que não deve perguntar. Apenas torne a pergunta adequada.

07 março, 2010

Meditar faz bem?

Volta e meia aparece um artigo em revistas sobre estudos científicos que comprovam os benefícios da meditação. Até o Dalai Lama já fez testes com eletrodos que mediam as ondas cerebrais. Comprovou-se que em estado meditativo o cérebro desacelera, descansa. Isso dá subsídios aos estressados para buscarem na meditação uma ferramenta de alívio. E encoraja médicos a recomendarem a meditação como uma opção de terapia. Se o marketing é bom e para quem só o tempo dirá.

Existem varias tipos de meditação. As ditas meditações com abordagem no estresse não são essencialmente meditação. É mais uma técnica de relaxamento.

A meditação zen tem por objetivo num primeiro plano treinar corpo e mente e depois de ultrapassados estas resistências físicas, espiar a natureza "de tudo o que é". A maravilha de toda a existência de quem somos e de onde viemos. Isso é só o aperitivo. O caminho do despertar vai mais além e exige mais que Om´s.


Como qq. remédio a meditação requer consultar a bula. Em alguns casos tem contra indicações. A bula pode ser o bom senso. Se vc. não costuma ter bom senso melhor consultar o médico, que vem a ser por analogia, o seu mestre espiritual. Não tem mestre? Não se aflija. Ai cabe saber ser comedido para não exagerar na doze. Ninguém fica curado tomando um vidro de pílulas de uma só vez.