31 dezembro, 2010

Pés Juntos/Círculo/Flor

Reproduzo versos da Ju Penna a poetinha, cantante, cantora zen.(Com autorização dela)

Pela roda
pelo caminho
pelo círculo
pela luz que disso irradia!

Obrigada pelo ano,
pelo viver junto:
que nossos
pés
componham
novas figuras
pelo ano que
vem
e sempe

Paz e Feliz!

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Tradução via Google Translate.

by the wheel

by the way

by the circle

by the light that shines!

Thanks for the year

of living together:

our

feet

compose

new figures

by the year

that comes

and always

Peace and Happy!

28 dezembro, 2010

Budistas de Internet

Para aqueles mais moderninhos que tem Iphone, Ipad e I.t.c.t. a dica é ocupar seu tempo livre ouvindo o Dharma.

 Audios da Monja Coen para alimentar suas férias.

27 dezembro, 2010

Budistas de Livraria

Algumas sugestões para leitura nas férias. Se bem que a pratica não tira férias, mas pra quem vai relaxar nos próximos meses... São livros que podem ser compreendidos com uma leitura atenta.

Oito Aspectos do Budismo

















































21 dezembro, 2010

Carma e Compaixão

Da perspectiva budista, o tipo de sorte, felicidade ou tristeza que encontramos, não está relacionada com alguém fazendo alguma coisa por nós. Seu eu ganho na loteria, não é porque o Buda me selecionou para receber um bônus. Nenhum deus ou buda é responsável pelo que nos acontece. Pelo contrário, nossas circunstâncias são fundamentalmente criadas por ações anteriores.
Esta é uma afirmação perigosa se for mal compreendida. Uma interpretação muito infeliz do que o Buda queria passar em seu ensinamento sobre o carma é a conclusão de que o sofrimento das outras pessoas é simplesmente por culpa delas. O Buda não ensinou que uma criança que sofre de uma doença ou de fome trouxe este sofrimento para si.
A explicação budista do sofrimento é que um ato embebido no continuum da consciência finalmente faz surgir as consequências. O ato pode ter ocorrido nesta ou em outras vidas. Isto não significa que uma pessoa que esteja sofrendo seja moralmente mais degenerada do que se tivesse sofrendo as consequências produzidas pela ingestão de um alimento contaminado. O sofrimento que vivenciamos é devido ao carma acumulado por influência da ilusão e das aflições mentais. Isto se aplica a todos os seres sencientes.
A pessoa que testemunha o sofrimento de uma outra pessoa deve ter somente uma reação: “Como posso ajudar?”. Quando o carma produz seus frutos e causa o sofrimento, a reação nunca deveria ser: “Este é o seu carma. É o seu destino, por isso eu não posso ajudar”. O seu próprio carma pode bem se apresentar como uma oportunidade para ajudar uma pessoa sofredora. Compreender erroneamente as ações e suas consequências pode ser desastroso.
Wallece,Allan. Budismo com Atitude. Cap 2.

Caminhando nos "pés" do Universo


Ainda precisamos nos apoiar em alguém para caminhar? Ainda precisamos. Que não esqueçamos daqueles que nos apoiaram e nos apoiam na vida, no dia-a-dia e na pratica.
Que saibamos ser gratos pois a gratidão não é um ato que nos diminui e sim que nos ilumina.
Se não conseguirmos agradecer pessoalmente que possamos agradecer em oração.
Pois agradecendo a todos os seres estaremos estendendo nossa gratidão ao Universo.
O Universo se encarrega em distribuir as graças a todos que o alimentam com boa energia.
Assim, ele nos ampara, nos carrega e apoia em cada passo como se caminhássemos, levados por outros pés, sem perceber.

30 novembro, 2010

Vamos Voar?

 
Blackbird- Beatles 
 
Blackbird singing in the dead of night
take these broken wings and learn to fly
all your life
you were only waiting for this moment to arise
Blackbird singing in the dead of night
take these sunken eyes and learn to see
all your life
you were only waiting for this moment to be free
Blackbird fly x2
into the light of the dark black night
blackbird fly x2
into the light of the dark black night
Blackbird singing in the dead of night
take these broken wings and learn to fly
all your life
you were only waiting for this moment to arise x3



Melro cantando na calada da noite

Tome estas asas quebradas e aprenda a voar


Toda a sua vida


você só estava esperando por esse momento para levantar

Melro cantando na calada da noite


Pegue estes olhos fundos e aprenda a ver


Toda a sua vida 

Você só estava esperando por esse momento para ser livre

Voe para a luz da noite escuraMelro voe

Para a luz da noite escura

Melro cantando na calada da noite


Tome estas asas quebradas e aprenda a voar


Toda a sua vida 

você só estava esperando por esse momento para levantar



27 novembro, 2010

Posso Repetir o que Buda fez?

Essa é uma pergunta que quase ninguém para para pensar e vai logo fazendo. Um dia Gautama saiu de casa, da barra do sari da família. Saiu de fininho porque se dissesse:"Vou embora!", ninguém o deixaria ir. Ele abandonou o conforto, a riqueza, pai, esposa e filho recem nascido. Gautama era como um bichinho de estimação que cresce e nasce numa gaiola sem saber de onde veio e o que acontece na vida.

O propósito inicial da fuga de Gautama era conhecer o mundo a sua volta. O ciclo natural das coisas das quais ele tinha sido privado.

A medida que procurava conhecimento fazia questionamentos e aprendia com os mestres que encontrava, mas logo demonstrava uma capacidade de ir além desses mestres e eles o dispensavam para que procurasse outro.

Gautama passou por várias experiências de treinamento disponiveis no seu tempo. Anos de praticas ascéticas, comendo cada vez menos. Por fim ele percebeu que aquele caminho o levaria a morte física e sem o veículo que armazena a vida ele não chegaria a nenhum lugar.

Ele abandonou essa prática unilateral e ao abandoná-la causou desagrado naqueles que viam nele um exemplo de santidade.

Buda voltou a se alimentar, banhou-se e foi para outro lugar para meditar em silêncio.

Foi na meditação silenciosa que ele encontrou equilíbrio e o caminho para o despertar que brilhou na mente dele.



Ao ter a experiência do despertar, Buda disse que qualquer um poderia ter acesso a mesma experiência  mas não disse que deveríamos fazer o mesmo que ele fez. Ele disse que o método para conseguir o despertar era o Caminho do Meio e prescreveu os Oito  Passos para Despertar. Portanto começar a busca do despertar tentando fazer o que Buda fez antes de despertar é um equivoco da mente apegada.

25 novembro, 2010

Perguntas e Máximas Via Twitter.




A filosofia do karatê é muito parecida com o zen.
O zazen é como água quente. Se não receber calor constantemente esfria.
Será q. é mais fácil despertar ou escolher um colchão?
O que aconteceria se os insetos não "renascessem" mais? Seria o fim do inseticida e do repelente?
Tenho medo de quem ñ tem medo fazer mal ao seu semelhante.
Será que quem não tem a palavra "saudade" no vocabulário é mais feliz?
Pq. as leis sempre precisam de prazo de adaptação? 
Alguém precisou esperar pra derrubar as florestas, jogar lixo nos rios? Para destruir não precisa de prazo mas para recuperar precisa?  
O que seria do mundo se não houvesse o reclamar e o lamentar-se?
Se Clarice Lispector tivesse escrito todos esses textos q. assinam com o nome dela, ela teria sido a precursora da autoajuda?
"MÃE – Quando você era menina, quem era minha mãe?"  Será um koan?

A coragem de decidir e a alegria de ir nos aproximam do despertar.
A alegria está em si mesma e não nas pessoas e coisas. Pq. esquecemos?
Ao praticar o zen convém usar a máxima: "Desista de qualquer expectativa de resultado."
Zazen, Shiatsu e sinuca. Combinação melhor impossível.
Umidificador umidifica o que?
Já respirou poeira hoje? #seca.
Será que as formigas conseguiriam fazer zazen?
Será possível treinar uma barata?
A intolerância vem da visão de que "eu" estou certo e o "outro" está errado.
A intolerância abre caminho para a aversão: não gosto de quem não gosta do que eu gosto.  

Os aversivos vivem em tribos, onde nutrem a ilusão de que não serão contrariados.
O acaso não faz planos.
Que delicia poder desfrutar de espaço e silêncio para si.
Uma formiguinha caiu no meu chá. Nem as formigas sabem pra onde vão. Seg a fito chinesa chá de formiga deve ser bom pra alguma coisa :-)
Se "A vida é um vir a ser constante." Ainda posso vir a ser alguma coisa.
Vou ver o mundo todo em uma única flor. 
Tem gente q. promete cortar o cabelo. Tem gente q. promete não cortar.
Será q. vou ter q. fazer trancinhas como o Buda e enrolar em forma de pirâmide?  No semáforo um catador de lixo:"Oi, Natureza, Buda!"
Se me agarrar às nuvens o que acontece? Atchim!
Q. a dor nos torna sabios não duvido,mas uma bolsa térmica alivia.
Tem algum Bodisatva ai?
O que vc. prefere ser: o obstáculo no caminho ou a sabedoria compassiva q. ajuda todos os seres?
Meditarei ao som da chuva: ploc-ploc.
Será q. a vida feita só de êxitos é uma vida saudável?
Mami disse q. hoje ñ pode comer carne. E peixe é o que?
Estiquei a coluna no zafu. Foi bom,bom,bom.
Mais uma ninhada de gatinhos pedintes na porta: miau, miau...
Hoje o arroz ñ vai queimar. O wireless funciona bem na cozinha.
Todos os seres são meus filhos. Todos meus filhos são Budas. 
Todos os Budas do passado, presente e futuro um dia se encontram.
A "Natureza Buda" tem orelhas grandes para ouvir todos os seres?
Como é difícil fotografar a "Natureza Buda". O Buda não quer aparecer na foto. Será que a Natureza Buda não se fotografa?
Vou levar a "Natureza Buda " para passear.
Precisa lavar a "Natureza Buda" antes de usar?
A "Natureza Buda" mesmo qdo lavada continua com perfumes que veem de longe.
A 'Natureza Buda" tb. chega pelo correio?
Pq. aceitamos os venenos q. nos oferecem como se fosse um bombom irresistível?
Tem estátua de Buda por todo lado. Pelo menos como item de decoração Buda está em alta.
Equanimidade=equilíbrio, harmonia.
Existe êxtase pictórico: pós Abaporu de Tarcila do Amaral no MALBA.
¿Existe êxtase aquático?
Trovões roncam?
Causas são produzidas e consequências veem a galope.
Tem gente que joga na mega sena e fica torcendo pra não ganhar.
O obstáculo é uma passagem, uma abertura, uma porta, não um problema.
Qdo. vc. está indeciso alguém vem é te mostra uma direção q. vc. já havia descartado.
Tudo q. é muito doce ou muito salgado ñ me atrai.
Ouvir ñ é minha profissão. Mas é como se fosse sem que tivesse me dado conta que é.
Pq. somos tão desleixados com aquilo q. ñ nos interessa?
Ainda tem gente que pergunta se budistas comemoram o Natal. O que Buda tem a ver com Papai Noel e neve?
Tem meu sobrenome na Índia! Bo é contração de Buddo. Já sabia desse parentesco com Buda :-)
Pq. qd. alguém se suicida as pessoas silenciam sobre a causa morte?
Cartinha de Natal dos Correios;"Papai Noel eu só quero uma mãe nesse Natal!" Triste. Se alguém puder avisar o Papai Noel.
Cartinha de Natal dos Correios: "Eu sei q. o sr. é muito ocupado, mas eu só quero doces, muitos doces!" Horário de verão é bom para meditar. #zazen
Mentes precisam ser treinadas?
Gabriel assistimos Kung Fu Panda. Todos os bichos lutando kung fu. As crianças ñ entendem a filosofia do filme. Bom pra elas.
A filosofia do Kung Fu Panda é :"Quem é vc?" Simples e complexa.
Está é nossa vida. estamos sempre sendo levados sem saber para onde nem pq. Sempre adormecidos e desatentos.
Crença é apego, desejo ou uma ilusão necessária?
"Eu sei tudo sobre o universo." Dito por um garotinho de 5 anos.
Não sabe como pronunciar palavras e frases? A moça/ço dão uma ajuda. http://bit.ly/GY082
Ontem fiquei o dia de pés descalços. Como diz meu sobrinho: "Foi o melhor dia da minha vida." Ele diz isso de vez em quando.
O melhor lugar pra encontra pessoas do passado: cemitério. Vivos inclusos.
O que fazer com 228 canais de TV? Vou meditar.
Será que os espíritos famintos gostam de cream cracker? :-)
Uma vez perguntaram ao Buda qual era a religião correta. Ele respondeu: "Aquela em que você se sentir bem, e pratique o bem." Deve ser por isso q. tem tanta gnt buscando "se sentir bem.
Não deixaria de ouvir o Dharma do Buda pq. alguns budinhas ñ me agradam.
Não há necessidade alguma de qualquer exibição externa para se obter êxito no caminho espiritual.
Um encontro na hora certa com as pessoas pode mudar totalmente nossa vida.
Por que as palestras para leigos são mais interessantes que as palestras para discípulos?
Nunca é tarde para novas descobertas. A vida está encoberta em muitas e muitas camadas, mãos a obra!
Cuidado com o que vc. detesta. É o que vc. irá atrair.
Ao reconectar com sua verdadeira essência, as perguntas metafísicas caem por terra sem importância.
Deve-se eliminar o desejo para eliminar a dor? Não diria "eliminar", mas "suavizar".
Use :"O que é isso?" para qualquer coisa que surja na sua mente. Não em zazen, mas em qualquer momento que se lembre da pergunta.
Qual a sua doença?
Anda comendo veneno?
Todos os Caminhos tem um mesmo objetivo: nos levar ao entendimento de quem somos.
Como vai sua vida de Buda?
O que se quer depois de um retiro? Voltar para casa e descansar.
Todos nós acreditamos que nunca vamos morrer.
Quando vc. morrer para onde vc. vai?            
                  
      
          
                

    

20 novembro, 2010

Existem pessoas que nos obrigam e ser melhor e as que apenas nos mostram com seu exemplo.

Por que resistimos?

15 novembro, 2010

Já viu a flor da grama?

Muita gente costuma usar um ditado zen que diz:"A grama cresce." e significa a "A vida continua."
Sim, a grama cresce mas gosto de vê-la crescendo. Me dar conta depois: Uau, a grama cresceu!
Perdi as flores e as cores  da grama.

Apreciar a vida continuamente é como observar a grama crescendo, mudando de cor, mostrando sua semente e flores. Em anos de vida, mesmo tendo estudado botânica,  só fui ver a flor da grama quando tive que cuidar de um jardim. É assim, na maioria das vezes, só vemos o que queremos ver. Se não precisamos olhar pro céu nem nos damos conta das constelações. Sabemos que existem, mas não nos interessa olhar. Um dia, quando passa a nos interessar, nos surpreendemos. Como pode? Sempre estiveram lá e não as vi.



A grama cresce, alheia a tudo que há. Sem prescindir do nosso conhecimento, tampouco da nossa existência. Quantas coisas belas perdemos em nosso alienamento continuo. A beleza da flor da grama é apenas um exemplo.

11 novembro, 2010

Dificuldade em Lidar com a Gratidão

Quando vc. der esqueça estas três coisas: Eu, você e dar.

Mestre Zen Ko Bong

A vida, segundo o nosso estilo, não cabe na gratidão. Nós não gostamos ou não temos  hábito de sermos gratos a todo momento. Não temos porque ninguém nos ensinou. É assim, portanto não podem nos culpar.

Uma das muitas coisas que aprendi no Zen foi exatamente a agradecer. Seja com um simples gasshô, com um obrigada ou com algum presente ou mesmo uma doação em dinheiro, se eu puder e tiver para dar.

Não é fácil em nossa cultura dar. Nós fomos acostumados ao sentimento de que não precisa, de que temos pouco ou somos pobres, de que antes devemos receber algo do que dar. Ou na pior das hipóteses achamos que devemos nos aproveitar ao máximo do que não nos é cobrado. Assim ao ir em uma festa de casamento algumas pessoas comem em excesso e ainda não satisfeitas levam comida escondido para casa, só por que lhes foi dado. Mas jamais lhes ocorre o sacrifício que os noivos e sua família fizeram para lhes dar aquela festa.

Por outro lado temos a cultura de não aceitar o que nos dão. Já que também não damos achamos que o mais correto é não aceitar, pois se aceitamos vem a obrigação moral de retribuir.

Dar não é um ato de competição. Também não é uma obrigação.



"Dana, significa Generosidade em sânscrito. Dana está intrínseca nos 2500 anos da tradição budista.
Desde o tempo do Buda, os ensinamentos eram considerados sem preço,e, portanto, oferecidos gratuitamente.

Porém, há uma tendência em nossa cultura em ver o "dar" como uma perda, um sacrifício.
Dar é uma oportunidade de cultivar um coração generoso, e também uma forma de conectar com aquilo que é bom.

Nos ensinamentos budistas a prática da "dana" é o fundamento do despertar.
Não há uma quantia "certa", que possa ser calculada, a ser dada.
Ela vem do coração, uma escolha pessoal que é inteiramente voluntária, de acordo com o desejo de cada um."

02 novembro, 2010

Ciclo Nascimento e Morte.

A confusão condiciona a atividade, que condiciona o pensamento, que condiciona a personalidade corporificada que condiciona a experiência dos sentidos, que condiciona o contato, que condiciona o estado de ânimo, que condiciona o desejo, que condiciona o apego, que condiciona a transformação, que condiciona o nascimento, que condiciona o envelhecimento e a a morte.

Buda

26 outubro, 2010

Como Esquecer.

Ao não julgar experimentamos um misto de ressaca seguida de uma sensação de alívio da mente pensante.

É a mente pensante, condicionada, que força o hábito de julgar. Se treinarmos a "mente que não sabe" ela pode bloquear o hábito de julgar.


Às vezes temos pequenos intervalos de experiência de não julgar após retiros muito intensos com várias sessões de zazen. A mente pensante quando levada ao estresse físico do treinamento zen se cala.

Ouvimos ainda sussuros. A gente percebe que a mente condicionada continua ali tagarelando, mas conseguimos decidir não ouvir, desligar. O treinamento a imobiliza. A sensação é de anestesia mental (uma anestesia boa).

Nesses momentos pode ser até angustiante não julgar tamanha força do hábito que grita e esperneia para retornar ao seu posto soberano.

Tão logo voltamos ao nosso cotidiano também voltamos ao normal. O hábito vence e retoma seu lugar.

Como ir dissolvendo o hábito de julgar e tantos outros hábitos nocivos? Observando-o de perto. Percebendo-o agir. Ação-reação. Sentindo o efeito que o hábito provoca em nós e naqueles que submetemos o hábito. O que sentimos? Prazer, satisfação, poder.... Ao conhecer de perto seus hábitos fica mais fácil desmontá-los. Mas não pode fazer isso com todos os hábitos ao mesmo tempo. Escolha um para começar e investigue-o de perto. Toda vez que ele aparecer perceba-o como se disparasse uma campainha na sua mente.

Com o tempo vc. conseguirá antecipar-se ao aparecimento do hábito e então decidir desligá-lo ou deixar que se manifeste. A isso também chamamos de consciência do hábito e mais profundamente podemos adquirir com esse treinamento a consciência do nosso carma. Quando ele surge podemos decidir afastá-lo ou deixá-lo se manifestar porque temos o controle da situação e não ao contrário.

24 outubro, 2010

Fábula Budista.



Essa fábula me lembrou o koan "O Homem pendurado na árvore."

Quinto Caso:

Mestre Hyang Eom disse: "It is like a man up a tree who is hanging from a branch by his teeth; his hands cannot grasp a bough, his feet cannot touch the tree; he is tied and bound. Another man under the tree asks him, 'Why did Bodhidharma come to China?' If he does not answer, he evades his duty and will be killed. If he answers, he will lose his life.

1. If you are in the tree, how do you stay alive?




OS DOIS PATOS E A TARTARUGA

Relaxe, se aquiete e ouça atentamente este conto sobre uma tartaruga que vivia numa enorme lagoa de águas frescas e cristalinas. Quer dizer, até algo muito estranho acontecer! O que poderia ser? Vamos ver se você descobre!

Há muito tempo, a tartaruga morava numa terra distante, onde fazia um calor forte. Durante anos, ela viveu feliz nadando preguiçosamente e tomando sol nas grandes folhas de lírio d'água que cobriam a superfície da lagoa. Às vezes, abocanhava uma libélula, ou tentava capturar um gordo e suculento besouro para comer.

A vida era agradável para a tartaruga... até que, num verão extremamente quente e seco, a chuva parou e o sol brilhou tão ferozmente que a água fresquinha e transparente da lagoa começou a secar. Pouco a pouco, a lagoa diminuía; a cada dia estava mais seca. Um dia, havia tão pouca água que a tartaruga decidiu procurar uma nova casa, antes que a lagoa sumisse de vez. Mas como ela faria isso?

De manhã cedo, quando o sol apareceu no céu, a tartaruga se preparou para buscar ajuda. De repente, ouviu dois patos gritando - qüéim, qüéim, qüéim -, enquanto voavam por cima dela. Sem pensar duas vezes, a tartaruga os chamou:

- Patos! Ei, vocês aí em cima! Por favor, me ajudem! Minha casa está secando. Vocês gentilmente me levariam para outra lagoa cheia de água?

- Mas como podemos fazer isso? - responderam os patos. - Nós estamos voando no céu aberto e você está aí no chão.

No momento em que tudo isso acontecia, a tartaruga tropeçou num galho bem comprido que estava no meio do caminho. E teve uma ideia:

- E se vocês carregassem esse galho entre os seus bicos? - sugeriu. - Assim eu poderia segurar nele com a boca e vocês me carregariam até uma outra lagoa.

- É uma boa solução - concordaram os patos, e aterrissaram perto da tartaruga. - Mas você deve prometer não abrir a boca enquanto a transportamos.

E assim ficou combinado. Os patos colocaram o galho entre os dois bicos, como uma barra, na qual a tartaruga se segurou pela boca. Eles levantaram voo e carregaram a amiga pelo céu em direção a uma lagoa cheia de águas cristalinas e frescas que brilhava no horizonte.

No caminho, passaram por sobre um campo onde algumas crianças brincavam ruidosamente. Ao ouvirem asas dos patos batendo, as crianças olharam para cima e caíram na gargalhada com a cena estranha.

- Que ridículo! - zombou uma menina. - Dois patos carregando uma tartaruga num galho! Não é uma bobagem?

Hum... a tartaruga ficou muito zangada com aquilo. A cena poderia mesmo parecer muito esquisita, mas havia uma boa razão para tudo aquilo. Irritada, ela esbravejou com as crianças:

- Vocês é que são estúpidos! Não entendem naaaaaada!

Assim que abriu a boca para falar, a pobre tartaruga soltou o galho e caiu pelo céu ensolarado até estatelar-se na grama.

- Ui! - exclamou ela, esfregando a cabeça dolorida. - Se pelo menos eu não tivesse escutado essas crianças... Agora vou pensar duas vezes antes de responder com raiva a alguém.

Muitas vezes, nos expressamos com raiva, sem refletir sobre o que pode acontecer depois. Uma pessoa sábia pensa antes de falar e, se não pode dizer nada gentil, opta por ficar em silêncio.

"Noites Encantadas"
Autor: Dharmachari Nagaraja
Editora: PublifolhaPáginas: 144

23 outubro, 2010

O seu gato tem Rakusu?

                                         Até os gatos teem Rakusu só vc. ainda não tomou vergonha ou coragem e pediu o seu. Gatos não pedem: miau,miau.

O que é real ou realidade?

Real é o que acontece no momento. O resto é o que já conteceu ou pode vir a acontecer.

Só existe realidade no momento. Fora do momento vivemos em uma bolha de ilusão.

Se o momento não for acessado não há realidade, só a ilusão da realidade.

Quando se fala em "momento" no zen não se trata do momento-sentir. O momento verdadeiro não é fácil de ser acessado. Ele exige treinamento em atenção plena. Exige que nos conectemos com o "momento".

Para conectar-se com o momento verdadeiro é preciso desconectar-se do momento-ilusão.
É como congelar um para acessar o outro. É como atravessar de uma dimensão à outra, onde não há espaço e tempo.

10 outubro, 2010

O Presidente deve ser um Bodisatva.

Toda vez que se tem eleições à presidência do país a questão do aborto vem a tona. Como se fosse do foro do presidente legislar ou decidir sobre esse assunto. Quando jogam essa batata quente sobre o presidente ou pretendentes à presidência estão destituindo a democracia e instituindo a ditadura pois só ditadores fazem leis e as fazem de acordo com suas convicções pessoais. Em uma democracia as leis são feitas a partir dos anseios dos cidadões. O Brasil é um pais laico, ou seja cada um gerência sua religião e o Estado não se mete na  religião de ninguém. Todavia há seguimentos que acham que vivemos em Roma e que certas instituições devem ditar o que o Estado deve fazer. Um presidente não tem preferências, nem religião. O presidente serve a todos os cidadões e não um segmento ou outro. Ele, cidadão tem suas convicções, mas não precisa expô-las publicamente. Um presidente deve ser um bodisatva:agir pelo pelo bem de todos os indivíduos e não apenas pelos seus pares e partidários. Um presidente, finda as eleições, deixa de ter partido pois seria incompatível com seu cargo.

Portanto quem deve decidir sobre questões de interesse dos cidadões são os cidadões e não o presidente. Todavia vivemos em um país paternalista em que os cidadões esperam que o Estado lhes diga o que podem e o que não podem fazer  (através das leis). Quando o Estado assume a sua função vem aqueles que não querem assumir para reclamar. Enquanto nós não assumirmos nossa função o Estado terá que fazer o que julgar melhor para todos, mesmo que isso desagrade alguns. Enquanto acreditarmos que a única função que nos cabe é votar e lavar as mãos não poderemos reclamar do que for decidido enquanto lavávamos as mãos.

Os presidenciáveis até podem assinar acordos com determinados segmentos para não desagradá-los e ganhar votos. Mas finda a votação esses acordos perdem a validade porque o presidente não assina esse tipo de acordo com ninguém. Acordo não tem poder de lei e quem irá decidir os interesses do país será o Congresso e em último caso um plebiscito.

Faltou dizer que o Brasil  não é a Holanda e jamais será e aqueles poucos que sonham com esse dia fazem melhor em mudar-se para lá. No Brasil cabem muitas Holandas por isso dificilmente os anseios de lá caberiam aqui. Mesmo na Holanda aquilo que é permitido está regulado por leis que foram fruto da vontade dos cidadões e quando os cidadões querem o Estado não tem porque negar. Mas no Brasil dificilmente a maioria dos cidadões aprovaria a livre escolha de decidir sobre fazer ou não aborto.

Misturar direitos civis com religião não passa de uma tentativa de impor a vontade de algumas religiões dominantes. Um Estado laico não pode ficar refém de tais movimentos.

Portanto levantar tais assuntos a cada eleição não passa de uma estratégia para desviar a atenção do que deveria estar sendo discutido.

08 outubro, 2010

Como Funciona o Karma.

Quando alguém me pedir para explicar o que é karma vou mostrar esse desenho. Será que dá para entender que quando movemos uma ação ela fatalmente volta para nós mesmos. Vc. move a primeira pedra e não percebe que a última cairá sobre sua cabeça. Cuidado com suas ações.  

04 outubro, 2010

Cultive o Comprometimento.

No início o zazen SOLITÁRIO.
Pouco a pouco a prática COM os outros e PELOS outros.
Perdi essas pequenas coisas que alguns chamam “meu” e me tornei o mundo inteiro.

Muso Soseki [ Mestre Zen do Séc XIII]


Quando nos dispomos a seguir o caminho com determinação é necessário assumir o compromisso conosco de que nos empenharemos em manter a pratica diária para nos e se possível para o benefício demais praticantes.

Quando praticamos em conjunto é preciso assumir responsabilidades pelo conjunto. Se apenas um carrega o grupo nas costas não haverá progresso para o grupo pois cedo ou tarde esse elemento se sentirá insatisfeito ou injustiçado  Cada um precisa assumir uma posição no grupo e honrá-la.

Por isso cada um deve ter sua função e contribuir para a manutenção do grupo. Esquivar-se de contribuir e apenas se beneficiar do que o grupo oferece não é digno de um praticante honesto.

Um grupo precisa organizar-se de maneira a ser coeso e bem administrado. As necessidades do grupo devem ser supridas pela colaboração de todos. Uma boa sugestão é formar uma associação com CNPJ,conta em banco e diretoria. Membros fixos devem contribuir mensalmente com um valor decidido em assembléia e pessoas que vem exporadicamente para a prática devem contribuir com um valor de carater de "doação expontãnea", deixado em uma caixa de doação a cada visita.

Qualquer item produzido para a sanga (zafu, zabuton, camisetas) não deve ser dado e sim pago pois alguém pagou para confeccioná-los.

Atividades extras como palestras,zazenkais, retiros devem ser cobrados pois essas despesas não podem ser sempre custeadas pelos membros. Cada um deve investir esforço e dinheiro no seu treinamento e não esperar ganhar de graça ou com facilidade. O esforço e a dificuldade fortalecem a pratica.

Não tenha medo de assumir compromissos na sanga. Não tenha medo de assumir um grupo. Faça sua escolha e siga em frente sem pensar, apenas dê o seu melhor sem esperar nada em troca. Seja paciente e deixe o tempo agir a seu favor. Quando as condiçoes aparecem o zen aparece. Quando vc. está pronto o mestre verdadeiro bate a porta. Ou ele já passou por ai e vc. não viu?

29 setembro, 2010

Como Dissolver a Tristeza.

A tristeza vem do apego a algo ou alguém que não se concretizou. Ao ficarmos presos a ideia de que poderia ser defirente se ainda houvesse uma chance de voltar atrás e não havendo, pois o passado não pode ser mais alcançado a não ser pela lembrança repetitiva do mesmo. E é essa lembrança que nos faz sofrer e nos deixa triste. A tristeza prolongada leva a depressão. Abandonar a tristeza implica em abandonar as lembranças que estão vinculadas a ela. Quando acionamos lembranças entramos num redemoinho que nos arrasta para o passado, aqueles momentos bons ou ruins já vividos. Só repete o mesma cena para tentar entendê-la alguém que queira estudá-la, um editor de imagem que busque onde encaixá-la melhor. Nós não aprendemos nada repetindo cenas em nossa mente, ouvindo frases ditas ou que poderiam ter sido ditas. Apenas alimentamos raiva, frustração. nos colocamos em uma sitação de prostração diante do que já aconteceu. Como se implorassemos misericordia do passado, mas o passado não se move para frente ele nos afunda mais e mais em tristeza.

Depois de dez anos de treinamento (meditação zen, retiros, atenção nas ações e sentimentos) ainda me surpreendo quando alguma tristeza se abate sobre mim, Me surpreendo mais ainda me vendo rapidamente dando a volta nesse estado e saindo da tristeza sem pesar.


Abandonar a tristeza também é um treinamento mental. Quando tentamos uma vez, mesmo que leve mais tempo. Nas demais tentaivas ficamos menos vulneráveis.

A pratica da meditação zen é uma ferramenta eficiente para fortalecer a mente e manter-se imune a tristezas.

A tristeza faz parte da nossa vida. Não consideramos viver sem ela, nem anulá-la. Mas se temos tendencia a ficar muito tempo prostrados devemos tomar medidas preventivas para nos auto ajudarmos.

Para mim já existe vacina contra a tristeza e ela se chama zazen, zazen, zazen.



27 setembro, 2010

Together Action



A pratica em grupo deve ser um treino de como  agir em conjunto. Todos no mesmo ritmo, na mesma vibração. Quando me sento em zazen me sento com todos os seres. Aqueles que estão visíveis e do meu lado, mas também com todos que não podem estar presentes, nem sentar-se, nem mesmo desfrutar dessa pratica.

Ao sentar em zazen fazemos um voto de ali permanecer custe o que custar. Se me movo só estou pensando em mim, na meu desconforto, na minha dor, na minha coseirinha no nariz. Isso não é agir em conjunto e sim agir por mim, apenas pelo meu desejo de aliviar o meu desconforto. Isso enfraquece a qualidade do zazen porque quando um está inquieto no zafu logo isso pode se transformar num efeito dominó em que um vai derrubando o zazen do outro.


Imagine que ao sentar vc. está ligado por um cordão de energia de hara à hara. Se um rompe, ou sai da sua posição o cordão balança e a vibração passa por todos os que estão ligados no fluxo.

Levantar-se bruscamente da almofada também gerar mal estar. Sair da sala sem um motivo urgente e sem reverenciar o círculo também gera instabilidade.

Todos esses detalhes devem ser cuidados. O cuidado com a pratica denota nosso comprometimento e o nosso progresso nela.

O zazen é um momento de ligação, conexão com o universo e todos os seres. Não deve ser feito como se fosse brincadeira mas com reverência e respeito.

25 setembro, 2010

Sobre Meios de Comunicação e Mestres.

Há algum tempo Monja Isshin deixou este comentário interessante por aqui:

A Internet é uma ferramenta fantástica para a divulgação do Darma e até para a transmissão de orientações e o esclarecimento de dúvidas, especialmente num pais grande como o Brasil. Por isso, foi criado o Zendo Virtual.

Mas, nada dispensa a necessidade de um período (que pode variar de alguns meses até dez ou mais anos...) de prática na convivência direta e diária com um(a) professor(a) e uma sanga. Às vezes, o professor envia o aluno para um mosteiro para esta convivência - onde será de forma mais intensa como se fosse "panela de pressão".

O ego condicionado veste máscaras de todo tipo com uma habilidade inimaginável. Por isso, mesmo ver um professor por alguns dias periodicamente, como para um retiro, não é o suficiente para o verdadeiro cultivo da prática, pois as máscaras resistem estes períodos curtos de tempo. Somente na convivência diária mais prolongada é que as máscaras vão começar a se quebrar. Nestas horas vão surgir aquelas manifestações de nosso ego condicionado que precisamos perceber e das quais devemos nos libertar. Aí vai ser a prova de fogo - vamos querer "fugir", "rejeitar o professor" (pois, parte de nos não quer mudar), mas, se desejamos realmente trilhar o Caminho de Buda, precisamos "abrir mão" dos condicionamentos...

Mas, quando a gente consegue resistir a tentação de "fugir", de "trocar de professor", "trocar de tradição" - quando a gente consegue resistir estas tentações e superar a fase doloroso do confronto com o ego condicionado, como é maravilhosa a nossa prática!!!!

23 setembro, 2010

Mudando o Foco.

Há algum tempo ouvi a história de um homem e uma mulher que moravam na China [...]. Eles haviam acabado de se casar e, quando a noiva se mudou para a casa do marido, ela imediatamente começou a brigar com a sogra por causa de pequenas questões caseiras. Aos poucos, as diferenças aumentaram, até que esposa e sogra não suportavam sequer olhar uma para a outra.

[...] Não havia nenhum motivo real para que a raiva tivesse crescido daquela forma. Mas, um dia, a esposa ficou tão furiosa com a sogra que decidiu que precisava tomar alguma providência para tirá-la do caminho. Então, foi ao médico e pediu um veneno para colocar na comida da sogra.

Ao ouvir as reclamações da jovem esposa, o médico concordou em vender o veneno. “Mas”, ele advertiu, “se eu lhe desse algo forte e com efeito imediato, todos apontariam o dedo para você e diriam: ‘Você envenenou sua sogra’ e eles também descobririam que você comprou o veneno de mim, o que não seria bom para nenhum de nós. Então, vou lhe dar um veneno mais suave que terá um efeito bem gradual, de forma que ela não morrerá imediatamente”.

Ele também a instruiu que, enquanto estivesse dando o remédio, deveria tratar a sogra muito, muito bem. “Sirva todas as refeições com um sorriso”, ele aconselhou. “Diga que você espera que ela goste da comida e pergunte se ela quer que você faça mais alguma coisa. Seja muito humilde e doce para que ninguém suspeite de você.”

Ela concordou e levou o veneno para casa. Na mesma noite, começou a colocar o veneno na comida da sogra e, muito educadamente, lhe ofereceu a refeição. Depois de alguns dias sendo tratada com tanto respeito, a sogra começou a mudar sua opinião sobre a esposa do filho. “Talvez ela não seja tão arrogante assim”, a velha mulher pensou. “Talvez eu tenha me enganado a respeito dela”. E, aos poucos, começou a tratar a nora com mais gentileza, elogiando as refeições e a forma como ela administrava o lar e até conversando e contando piadas.

À medida que a atitude e o comportamento da mulher mudavam, o da jovem também. Depois de alguns dias, ela começou a pensar: “Talvez minha sogra não seja tão ruim quanto imaginei. Na verdade, ela até parece ser uma pessoa muito boa.”

Isso continuou por cerca de um mês, até que as duas mulheres passaram a ser boas amigas. E começaram a se dar tão bem que, em um determinado momento, a moça parou de envenenar a comida da sogra. E, então, começou a se preocupar porque percebeu que já havia colocado tanto veneno em cada refeição que a sogra poderia morrer.

Assim, voltou ao médico e disse: “Cometi um erro. Na verdade, minha sogra é uma pessoa muito boa. Eu não deveria tê-la envenenado. Por favor, me ajude e me dê um antídoto para o veneno”.

O médico ficou em silêncio por um momento depois de ouvir a moça. “Sinto muito”, ele lhe disse. “Não tenho como ajudá-la. Não existe um antídoto”.

Ao ouvir aquilo, a moça ficou terrivelmente abalada e começou a chorar, jurando que se mataria.

“Por que você iria querer se matar?”, o médico perguntou.

A moça respondeu: “Porque envenenei uma boa pessoa e agora ela vai morrer. Eu deveria tirar minha própria vida para me punir pelo ato terrível que cometi”.

Mais uma vez, o médico ficou em silêncio por um momento e então começou a rir.

“Como você pode rir desta situação?”, a moça lhe perguntou, indignada.

“Porque você não precisa se preocupar com nada”, ele respondeu. “Não existe um antídoto para o veneno porque nunca lhe dei veneno algum. O que lhe dei foi uma erva inofensiva”.

Gosto dessa história porque é um exemplo simples de como uma transformação natural da experiência pode ocorrer com tanta facilidade. [...] Como pessoas, elas não mudaram em nada. A única coisa que mudou foi sua perspectiva.

Yongey Mingyur Rinpoche

15 setembro, 2010

Mestre é como a Àgua.

O Mestre deve ser como a água, em silêncio adaptar-se às limitações do discípulo, descer ao nível da compreensão de cada um e orientá-lo.

O Mestre deve saber se acomodar aos diversos níveis de compreensão mesmo que ele mesmo não deseje ali permanecer.

A água flui e dá vida sem se preocupar com o resultado do seu trabalho. O dever do Mestre é ensinar e o do discípulo aprender, sem se preocuparem se serão ou não reconhecidos.

"SÁBIO É AQUELE QUE SE RETIRA E VIVE NA PASSIVIDADE" - Lao Tse.

O Mestre não deve querer impor-se pelo simples fato de fazê-lo, mas deixar fluir de si o conhecimento que penetrará na compreensão do discípulo de forma suave tal como a água gota a gotas infiltra-se nas coisas mais sólidas.

Poucas coisas são mais frágeis que a água mas mesmo assim ela penetra à dura rocha; mesmo maleável e flexível ela vence a rigidez da pedra. Assim deve ser o Mestre, suave e persistente ele acaba abrindo a compreensão do discípulo.

Tal como a água, o Mestre deve ser dócil, não insistir acintosamente para que o grupo não se divida e nem resista.

A água vence a rocha pela persistência, também o Mestre deve vencer pela insistência e não pela imposição.

Mesmo frágil a água é extremamente forte, move pesadas turbinas gerando energia que movem pesadas máquinas. O mestre deve entender que mesmo sendo dócil, passivo, ele tem o tem o potencial capaz de fazer com que o discípulo atinja a sua própria meta.

A água obedece ao muro que a represa, mas alem de um certo limite é o muro quem obedece à água, ela rompe a represa e se esvai. Assim também deve ser o Mestre amoldar-se mas no momento certo deve tomar para si o domínio e seguir o seu próprio rumo, mas para precisa saber o exato momento de parar, e de agir.

Diz Lao Tse: "O sábio nunca luta". Isto significa: O Mestre nunca impõe, mas persiste.


O Mestre deve persistir, mas não além de determinados limites. Ele deve retirar-se, silenciar, e procurar ouvidos que possam ouvi-lo, e compreensões que possam entendê-lo; plantar em terra fértil e não sobre cascalhos.

O Mestre deve ser benevolente, ter boa fé no que ensina; saber governar e manter a ordem pela habilidade no comando, mas não lutar tentando em vão conseguir aquilo que no momento o discípulo não está ainda apto a entender e consequentemente aceitar.


A obsessão em ser mestre produz o inverso. O Mestre é aquele que não deseja sê-lo.

O mestre deve compreender o Principio do Gênero, Mestre num momento e discípulo no seguinte, pois não existe aquele que não tem algo a ensinar assim como o que não tem algo a aprender. Mestre num momento discípulo no seguinte e assim sucessivamente. Aquele que se diz mestre apenas é um discípulo a mais.

O Mestre deve respeitar o discípulo mas não exaltá-lo para impedir o surgimento da vaidade. Sabe que a exaltação desperta a inveja, a inveja e rivalidades, e a rivalidade a dissensão do grupo.

O mestre não dá demonstração de si e nem exalta o discípulo para evitar assim competições e ciúmes.

O Mestre estimula o discípulo para que ele caminhe seguro, descubra ser capaz de fazer o necessário, ser cada vez mais eficiente podendo assim atingir a meta com um menino de tempo e de esforço, sem se imiscuir seu âmbito pessoal.


O mestre será muito mais eficiente se estiver consciente como a Lei Natural atua.

Ensinar é ser desprendido...é esquecer-se de si próprio em benefício de todos.

O mestre ao esquecer-se de si, será mais lembrado pelos discípulos. Reprimindo o ego-centrismo o Mestre torna-se cada vez mais eficiente.

O Mestre deve ser como a água, em silêncio adaptar-se às limitações do discípulo, descer ao nível da compreensão de cada um e orientá-lo.

O Mestre jamais deve achar que nada mais tem a aprender, não deve ser como um jarro cheio onde não cabe sequer mais uma gota.

O mestre deve entender que o homem-ego não pode fazer mais que o homem-Eu. Amplia a capacidade da sabedoria pela liberação do EU.

O Mestre não deve exigir que o discípulo torne-se mais aguçado do que lhe permite o seu próprio grau. O Mestre não satura o discípulo com sua especialidade, pois tem que deixar lugar para que outros ensinamentos possam ser acrescidos. Se o vaso for preenchido até a borda, nem uma gota a mais caberá nele.

O Mestre não deve exibir toda sua sabedoria para não despertar a cobiça e atrair a sua própria desgraça.

É errado o Mestre cobrar agradecimentos, elogios e recompensas. Deve contentar-se unicamente com o bom trabalho desenvolvido pelos seus discípulos.

O verdadeiro Mestre deve recusar todo e qualquer mérito faustoso que lhe queiram atribuir.

A fama não lhe deve dizer respeito.

O esquecimento em nada o perturba.

Ante vicissitudes o Mestre prossegue em frente ou contorna de uma maneira equilibrada todas as dificuldades orientando-se pelo seu bom senso e sabedoria e nunca por estar à espera de fama ou honrarias.

Mostrar toda sabedoria é mostrar um tesouro e expor-se a sanha dos ladrões.

Quando a fama se acercar do Mestre ele deve humildemente se recolher à obscuridade deixando que a sua obra receba os elogios mas não a sua pessoa.

O Mestre é aquele que se retira e vive na obscuridade. O refugio na obscuridade não significa, abandono da atividade e sim o desapego a resultados.

O Mestre que se deixa levar pelo brilho ilusório das recompensas, muitas vezes acreditar ter discípulos quando na verdade se vê cercado apenas de bajuladores, enquanto o Mestre humilde atrai os que têm olhos para enxergar e ouvidos para escutar e assim tem discípulos.

O discípulo deve ver no Mestre uma mina de onde com esforço pode recolher as preciosidades, mas não vê-lo como uma caia de jóias da qual tente se apossar.

O Mestre dá a jóia mas cabe ao discípulo a lapidá-la.

Interpretações do Toa Te King

09 setembro, 2010

Você já Comeu sua Cota?

Um grande mestre costumava dizer: "Se comermos tudo o que temos para comer em todos as nossas vidas, inevitavelmente passaremos fome nas vidas que nos restam." Porque será que existe países onde as pessoas passam fome? Será que quem comeu toda a sua cota irá renascer lá?

Ver pessoas comendo por prazer ou comendo por comer sem ter fome. Sem necessidade apenas para socializar me faz pensar no que esse mestre dizia. às vezes também me pego comendo por não ter o que fazer. Quando estudava tinha uma frase grudada na geladeira "Comer para viver ou viver para comer." Talvez eu pendure umas frases assim na geladeira: "Cuidado para não comer tudo agora e passar fome depois!"

07 setembro, 2010

Cultive a Honestidade

The real source of inner joy is to remain truthful and honest.
A verdadeira fonte de alegria interior é permanecer verdadeiro e honesto.
Dalai Lama


Honestidade é um preceito muito simples para aqueles que nunca cogitaram agir de forma inapropriada, mesmo por necessidade. A vida sempre nos dará o que precisamos na medida certa a cada renascimento. Se pegarmos mais do que precisamos estaremos fazendo um empréstimo sem saber se nessa ou em outras vidas poderemos devolver e talvez o que pegamos a mais agora nos falte lá adiante. Tudo que precisamos já está conosco. Se somos honestos nas nossas ações, pensamentos e palavras isso terá um enorme efeito benefício sobre nosso carma. Pode ser que isso não apareça agora ou nessa vida. Mas as sementes que plantamos seja no passado ou presente um dia aparecerão de forma positiva ou negativa, vai depender da nossa conduta. Portanto, desistir da honestidade pressupondo que ele não nos traz nenhum benefício não passa de desculpa daqueles que teem inclinações desonestas.

26 agosto, 2010

Antídoto e Remédio

O antídoto para a preguiça é cultivar a perseverança.
O antídoto para o egoísmo e cultivar a generosidade.
O antídoto para a mentira é cultivar a confiança.
O antídoto para a arrogância e prepotência é cultivar a reverencia e humildade.
O antídoto para a raiva é cultivar o perdão.
O antídoto para aversão é cultivar admiração.
O antídoto para o preconceito é amar a diversidade.
O antídoto para a possessividade é cultivar a generosidade.
O antídoto para a raiva é cultivar a compaixão.
O antídoto para o medo é cultivar a coragem saudável.
O antídoto para a coragem é cultivar a energia.
O antídoto para a intolerância é cultivar a tolerância.


O antídoto para o veneno e provar do próprio veneno.


Buda sempre tinha um remédio para cada doença. O remédio era o ensinamento do caminho correto baseado na profunda sabedoria de quem experimentou esse caminho na pratica, no dia a dia. Mas o remédio mais acessível a todos nos até hoje deixado por Buda é a meditação. É um remédio disponível a todos que o encontrarem em seu caminho, sem custo e com benefícios imensuráveis.

19 agosto, 2010

Por que Gostamos de Sofrer?

Quando Buda começou a ensinar o Dharma ele dizia que a vida é cheia de Dukkha, uma palavra sanscrita que na maioria dos textos ocidentais foi traduzida como sofrimento. Todavia há outros significados. Embora seja difícil para nós ocidentais, que vivemos em busca da felicidade, aceitar que a vida, viver, constitui-se em sofrimento. Dukkha também pode ser traduzido como descontentamento, insatisfação e medo. Três elementos que levam ao sofrimento. Se estamos contentes, satisfeitos e seguros por algum momento há sensação de que não há sofrimento.

Quando se fala em sofrimento no Budismo, muitas pessoas entendem que é preciso sofrer para atingir o Nirvanna, ou a liberação do sofrimento. Que o o budismo é uma religião que prega o sofrimento.
E é exatamente ao contrário. Buda ensinou o caminho, o meio e o fim do sofrimento. E o que ele ensinou nós sempre soubemos.

Buda disse que se temos apego a algo e esse algo nos falta sofreremos a perda.
Se não temos ou não conseguimos ter algo ou alguém sofremos pelo desejo de ter algo, ou alguém.
Isso é tão óbvio que qualquer um já experimentou em sua vida várias vezes.

Para Buda a solução desses problemas é simples. Se o problema é o desejo daquilo que queremos e não temos ou daquilo não conseguimos ter, basta parar de querer o que não podemos ter, ou quem não nos quer, e pronto, acabou o sofrimento no mundo.

Parece fácil enquanto teoria, mas sem testar na pratica não dá para ver a dimensão dessa obviedade.No fim Buda só disse algo que todos nós já estamos carecas de saber, mas não queremos entender. Por que? Será que gostamos de sofrer? Será que é mais fácil lidar com um hábito adquirido do que adquirir outro que nos dará uma qualidade de vida melhor?

Embora o ensinamento do Buda tenha sido fundamentado na vida monástica, isso não significa que não devemos querer nada e abandonar tudo e virar monges. Para Buda a melhor vida era a de monje. Mas o mundo mudou muito e não vivemos mais no tempo que Buda viveu. Todavia o ensinemento nos serve de base para nos guiar no caminho de equilibrio, moderação, harmonia, compaixão, para levar uma vida que possamos conduzir sem maiores problemas. Uma vida simples traz menos problemas que uma vida complicada.

A vida não é sofrimento. A vida é vida. Quem põe o tempero do sofrimento ou do não-sofrimento somos nós. Não é o outro, nem Buda, nem Deus, somente nós mesmos podemos pôr ou remover coisas em nossa mente.

13 agosto, 2010

Como Fazer um Zafu.



O tecido recomendado é lonita, sarja peletizada, popeline 100% algodão.  Se optar por esses tecidos e eles tenham um pouco de elastano veja se não são muito lisos e se o fio da costura não irá puxar demais o pano. A costura pode ficar deformada. O ideal é um tecido escuro que não escorregue quando vc. for sentar no zafu.  Escuro para não precisar lavar pois depois de lavar perde a cor e fica feio. O preto é a cor padrão dos centros zens. Se vc. vai praticar em algum lugar que já tem um padrão de cor escolha a mesma cor. Se vai usar a almofada só em casa pode escolher outras cores.

Nunca fiz eu mesma meu zafu. Essas medidas são tradução do inglês para um zafu médio. Se algum tentar fazer me fale se deu certo ou se há algum ajuste a fazer.

03 agosto, 2010

Saber Esperar.

Para ir no primeiro retiro tive que vender meus livros e Cd´s. Quanto mais praticava mais flechas eram miradas sobre mim. Por um tempo aguentei firme. Em algum momento desisti. Desisti porque não sabia como lidar com tanta oposição e tanto ataque. Optei por me retirar do campo de batalha para me fortalecer no silêncio e no isolamento.

Pode até ter sido uma fraqueza minha, mas esse recuo me fez ver claramente coisas que eu não poderia ver se ficasse com raiva da situação. Era necessário esse distanciamento para ver melhor todas os elementos envolvidos e a mim mesma.

Na maioria das vezes, apenas não estamos prontos para lidar com os obstáculos que surgem e não sabemos deixá-los ir sem tentar prender ou controlar, sem se irritar e acabamos por destruir o que nos levou ao encontro do Dharma.

Paciência e humildade são elementos importantes no início. A arrogância ou pretensão de saber e querer podem nos levar a conflitos com os demais e certamente essas ondas irão gerar sofrimento.

Agora tenho melhor discernimento que antes. Agora sei esperar e fortalecer meus pontos fracos. Nada mais é tão importante e tão urgente que despertar. Tempo e espaço não tem importância para aquele que sabe esperar.

A luz do Dharma está em tudo. Só precisamos aprender a ver.

21 julho, 2010

Pratique a Sabedoria.

Nossa Verdadeira Natureza é sempre desperta, sabia e boa, não importa o que aconteça.


Ser cuidadoso é uma premissa de qualquer relacionamento. Não apenas no sentido de cuidar do outro. Mas de ter cuidado com nossa mente apegada aos padrões que trazemos de outras vidas que são nosso carma, e que, sem um treinamento adequado, quase sempre não temos consciencia ou controle,de quando e como ele irá se manifestar.

As coisas que fazemos sem pensar, as coisas que dizemos no calor de uma discussão. As acusações, que, muitas vezes, são para outras pessoas, e lançamos sobre quem dizemos que amamos.

Como amar e odiar podem ser tão próximos? E na verdade não são, porque são opostos. O amor ligado a posse e ao desejo está de mãos dadas com a raiva, a culpa o ressentimento, o ciúme, todos os sentimentos que arrastam a mente para o sofrimento.

Não adianta brigar. A briga não vai resolver. A briga apenas alimenta a raiva e aumento o sofrimento. Aquele que causa sofrimento é quem mais sofre.

Ser cuidadoso é tentar evitar o sofrimento do outro. Porque, se o outro sofrer esse sofrimento virá para quem o fez sofrer. E mais carma será acumulado. Carma gera sofrimento e sofrimento gera carma. Ir nesse caminho é entrar numa rua sem saída.

Encontre uma saída para não gerar sofrimento. A sabedoria é o caminho mais hábil e humano para resolver tudo que nos aflige.

Não há maior tesouro que o da sabedoria. Cultivar sabedoria nos torna mediadores da paz. Com sabedoria podemos resolver qualquer problema sem causar sofrimento.

Onde melhor podemos praticar a sabedoria que nas relações e nos relacionamentos? Há ai um terreno infinito de oportunidades para aprender e testar. Cada relação ou relacionamento agrega mais sabedoria. Errando e aprendendo aumentamos nossa percepção de como agir. Seja com nossos país, com nossos irmãos, com conjujes,filhos, com colegas de trabalho, com amigos a todo momento somos testados e a todo momento damos as costas a oportunidade de treinarmos sabedoria. Não há sabedoria numa relação de posse porque a posse impede que as pessoas cresçam e as torna cegas e intolerantes com o próximo.

A sabedoria para alguns vem desde cedo e para outros só chega com a maturidade ou com o sofrimento, mas estar aberto a ela é um ganho que nos acompanhará por toda nossa existência cíclica.

O budismo ensina que para ser um indivíduo equilibrado e completo, você deve desenvolver a sabedoria e compaixão.

No Budismo sabedoria vem com a pratica. Ela carrega: prajna, a energia desperta. Portanto praticando a meditação zen, estamos no caminho da sabedoria.

Manjushri é o Bodisatva da Sabedoria. Montado em um leão ou elefante (que representam um Buda completamente desperto) ele carrega uma espada em uma das mãos (para cortar a ilusão, a aversão e o desejo), e na outra uma flor de lótus ou o Sutra Prajna Pararamita (para revelar a compreensão, compaixão e equanimidade).

Manju significa: suave, amigo gentil.

O sábio não briga. Ele usa de outros meios para conseguir pacificar as mentes.

16 julho, 2010

Com qual Natureza vc. está Vivendo?

A dog understands dog's job and a cat understands cat's job, only human beings do not understand their job. Zen Master Seung Sahn


Com qual Natureza vc. está vivendo? A Natureza Humana ou a Natureza Aninal?
Há muitos "Brunos" por ai, muito mais do que se possa imaginar.

Cultive e desperte a Natureza Buda para não ser surpreendido por outras naturezas. Até mesmo os mais perversos tem Natureza Buda mas se apenas despertarem sua Natureza Animal terão ações de acordo com essa Natureza. Cuidado! Com qual Natureza vc. quer viver?

06 julho, 2010

Fique longe da Fumaça.

Nunca gostei do incenso indiano com vareta de madeira por ser muito forte e por fazer muita fumaça. Mesmo os incensos de resina, sem madeira, devem ser usados com moderação em em ambientes ventilados. Mantendo-se uma distância considerável.




Teste mostra que fumaça de incenso é prejudicial à saúde

Usado desde a Antiguidade com sentido de purificação e proteção, o incenso acaba de receber sinal vermelho da Pro Teste, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Cinco marcas avaliadas mostram que daquela fumacinha, aparentemente inocente, exalam substâncias altamente tóxicas.

Queimando um incenso todos os dias, por exemplo, a pessoa inala a mesma quantidade de benzeno --substância cancerígena-- contida em três cigarros, ou seja, em torno de 180 microgramas por metro cúbico. Há também alta concentração de formol, cerca de 20 microgramas por metro cúbico, que pode irritar as mucosas.

As substâncias nem de longe lembram as especiarias aromáticas com as quais o incenso era fabricado no passado, como gálbano, estoraque, onicha e olíbano. Se há uma leve semelhança, ela reside na forma obscura da fabricação. No passado, o incenso era preparado secretamente por sacerdotes.

Hoje, o consumidor também não é informado como esses produtos são feitos e quais substâncias está inalando. O motivo é simples: por falta de regulamentação própria, os fabricantes de incenso não são obrigados a fazer isso.

Nas cinco marcas avaliadas (Agni Zen, Big Bran, Golden, Hem e Mahalakshimi), todas indianas, não há sequer o nome do distribuidor brasileiro na embalagem. Muito menos a descrição de quais substâncias compõem o produto. A Folha tentou localizar as empresas, por meio dos nomes dos incensos, mas, assim como a Pro Teste, não teve sucesso.

A avaliação foi feita a partir da simulação do uso em ambiente parecido com uma sala. Segundo a Pro Teste, foi medida a emissão de poluentes VOCs (compostos orgânicos voláteis) e de substâncias passíveis de causar alergias, como benzeno e formol. As concentrações foram medidas após meia hora do acendimento.

Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste e colunista da Folha, alerta que os aromatizadores de ambiente, como o incenso, são vendidos sem regulamentação ou fiscalização, o que representa perigo à saúde.

"Os consumidores pensam que se trata de produtos inofensivos, que trazem harmonia e, na verdade, estão inalando substâncias altamente tóxicas e até cancerígenas."

A Pro Teste reivindica que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) faça um estudo sobre o impacto dos produtos na saúde e elabore regulamentação para a produção, importação e venda no Brasil.

Fonte:Folha de São Paulo

02 julho, 2010

Por que o Zazen deixa a pessoa com cara de apaixonada?

Ao praticar Zazen (meditação zen budista) por um período mesmo curto porém intensivo, como acontece nos retiros não é comum que ao voltarmos para casa sejamos surpreendidos por comentários tias como:

-Como vc. está bem. Seus olhos estão com um brilho... Cê tá apaixonada, né?

Já ouvi vários comentários semelhantes.

Talvez quem esteja fora do círculo zen não entenda e até ache estranho ou duvide que a pessoa de fato foi a um retiro.

A meditação zen vai dissolvendo nosso carma lentamente e clareando a mente. Essa claridade transparece, transpira, sai para fora como se iluminasse a pessoa.

Mas é claro, essa qualidade não dura para sempre porque a rotina, o esquecimento dos fundamentos que aprendemos no retiro,e a retomada dos nossos padrões mentais, vão nos obscurecendo novamente.

Por isso manter o treinamento do zazen diário é importante para manter-se firme, forte e radiante.

28 junho, 2010

Agir de Acordo com a Situação.

E, enquanto irradiamos a nossa admirável luz interior,inconscientemente estamos a permitir que os outros façam o mesmo.
Nelson Mandela.

Um dos mais preciosos ensinamentos que aprendi com minha mestra foi "Agir de acordo com a situação."

É muito difícil agir de acordo com a situação pois ao fazê-lo percebemos o mecanismo do apego agindo como obstáculo. apego ao nosso modo de ser, de pensar, de ver e sobretudo nos perdemos de vez quando nossa atenção não está conosco. Quando nos deixamos levar por nosso desejo. A atenção é o elemento mais importante no processo.
A primeira vez que estive num retiro em PZC, logo percebi o quanto a atenção era importante, pois num retiro é ela que rege nossos movimentos. Mas num retiro não temos saída, ou seguimos a rotina ou caímos fora. Todavia, no dia a dia como manter a atenção plena sobre o que fazemos e dizemos?

Lendo um texto sobre o mestre da cozinha, aquele que faz a comida durante os retiros, conhecido como Tenzo, percebi que há uma maneira de manter a atenção por mais tempo e fora do retiro. O mestre da cozinha ensina que devemos fazer uma coisa de cada vez, de uma forma precisa e sem tirar o olho daquilo que estamos fazendo. No início enquanto treinamos a atenção, os movimentos podem ser bem lentos.
Eu já sabia disso pois já havia feito um treinamento semelhante que Mestra Heila nos ensinou. Vinte Passos para Despertar.

Agir de acordo com a situação requer não só atenção mas abrir mão do nosso modo de ser, ver, agir.

Por exemplo: Nós temos a cultura do contato. Quando encontramos alguém já vamos pegando na mão, beijando ou abraçando.

Já os orientais tem a cultura do não-contato. Dar a mão para cumprimentar é um dado que não existe na cultura oriental. Pelo menos nos países que tiverem pouco contato com a cultura ocidental. É mais comum para um japonês no meio corporativo, ao encontrar alguém oferecer seu cartão do que um aperto de mãos.

Então vc. vai no Japão e como vc. age de acordo com a situação ao encontrar com um japonês vc. estende a mão, dá beijo na face, tapinha nas costas? Não! Agir de acordo com a situação e se adaptar ao modo deles. No Japão qualquer contato é feito juntando palma com palma /\. Serve para tudo: "Oi, como vai, obrigado, tchau."

Nem precisa falar.

Então vc. vai na casa de alguém que te convidou para um jantar e não falou antes:"Eu sou vegetariano." Ai vc. chega lá e só tem carne. O que vc. faz? Diz que não come carne e frustra a pessoa que te convidou e preparou um banquete pra vc? Claro que não. Vc age de acordo com a situação e come o que tem para comer.

E por ai vai. Inúmeros exemplos de estar aberto a situação. Isso significa não-apego. Abro mão do que sou e quero, Abro mão do que gosto pela harmonia do todo.

O que mais fazemos é exatamete ao contrário: fincamos pé nos nossos hábitos: "gosto, não gosto, quero não quero, mas eu sou assim, esse é meu jeito, não vou mudar", e vivemos a causar imenso sofrimento a nós mesmos e a todos que encontramos.

Os Bodisatvas somente agem de acordo com a situação. Para um Bodisatva não há "meu,minha,eu" querer,não quero, gosto, não gosto".

Se precisa ser um mendigo pra ajudar um mendigo o Bodisatva vai lá e se faz de mendigo. Um Bodisatva protege, ajuda, se sacrifica pelo bem e pelo despertar de todos os seres. Qualquer um pode ser um Bodisatva.

25 junho, 2010

Natureza Buda

Natureza Buda é a natureza presente em todos os seres. Ela se manifesta quando há afinidade entre as pessoas. Quando há afinidade e prática. Prática é realização.


Monja Coen.


Cinco méritos em apontar a presença da natureza Buda:

1. O medo será removido e a pessoa ficará ansiosa para alcançar o despertar, sabendo que não é difícil de concretiza-lo.
2. A arrogância em relação a outros seres será removida, e a pessoa se tornará respeitosa em relação a todos, que são iguais aos Budas, assim como em relação ao mestre.
3. A ignorância, em relação ao absoluto e a sabedoria, será removida de nossas mentes, e a sabedoria do despertar completo surgirá.
4. Ao compreender a natureza dessa maneira, a pessoa acaba com os extremos do eternalismo e do niilismo, e a sabedoria da verdadeira natureza irá surgir.
5. O sentimento de importância do eu e o apego ao ego serão removidos, a pessoa verá eu e outros como iguais, e irá desenvolver grande amor por todos.

Longchenpa

24 junho, 2010

A Importância da Respiração Correta.


Para respirar bem, você deve exalar e inspirar completamente, tentando expelir cada átomo de ar impuro dos pulmões da mesma forma que faria se estivesse tirando água de um pano umido.


J.H. Pilates


A respiração é uma ação básica da vida, apesar disso, poucos lhe dão a devida importância. Todos nós sabemos que é preciso respirar melhor, que o ar deve ser mais puro, que fumar faz mal à saúde, e que devemos respirar quando estamos alterados. No entanto, ninguém nos ensinou qual a forma mais correta de respirar no dia-a-dia.

Os benefícios de uma boa respiração são múltiplos: ao inspirar e expirar de forma completa, usando a maior parte dos pulmões, oxigenamos melhor todo o corpo por meio do sangue, com isso, aumentamos a nutrição de cada parte do organismo.

Ao expulsar o ar viciado do fundo dos pulmões eliminamos toxinas e gases nocivos.

A respiração pulmonar representa apenas a respiração externa do corpo; a interna se produz quando cada célula absorve o dióxido de carbono, que é levado aos pulmões pelo sangue para ser eliminado.

Por outro lado, a respiração abdominal, no diafragma, ajuda todos os órgãos a funcionarem muito melhor.

Do ponto de vista psicológico, este tipo de respiração mais profunda (no diafragma), tem uma função de acalmar pois o cérebro recebe uma maior quantidade de oxigênio. Respirar mais fundo permite que tanto a mente quanto o corpo trabalhem com mais energia e calma.

A simples adoção da respiração correta, em qualquer prática física, pode acabar com dores na coluna provenientes do atrito dos discos da região lombar.

O principal músculo da respiração é o diafragma. Este se conecta com a coluna em diversos pontos, desde o topo até a base. Além disso, se conecta também com músculos, como os abdominais, órgãos internos, além de nervos, veias e artérias. Um diafragma inibido, que não funciona bem, pode afetar todos estes sistemas e causar danos diversos, como por exemplo dores nas costas. Uma respiração otimizada, mobiliza a coluna vertebral na região do tórax, que provoca a mobilização do sistema nervoso autônomo que, dentre tantas outras atividades, é responsável pela digestão, reprodução, sono e relaxamento.

Nesse vídeo tudo está explicadinho como usar o diafragma na respiração correta.

Ao respirar corretamente podemos mudar o estado mental no qual nos encontramos.

Texto editado e foto do livro de José Rodrigues: Pilates 101 Exercícios Passo a Passo.