31 dezembro, 2009

Campo Florido.

Todo mundo corre, corre para acabar logo com um ano que nunca acaba. Ele apenas se repete ciclicamente, se renova, faz uns ajustes aqui e ali, mas basicamente, é o mesmo. O ano, mas nós, nós sim, mudamos. Já reparou? Parece que não, mas digo que sim. É porque só consideramos mudança quando for grande, visível. Mudar o corte de cabelo, já é mudança? Então mude.

E quem disse que é ruim, mesmo ruim, é belo. Resta a nós que somos peças no tabuleiro do universo jogarmos um jogo limpo e paciente.

No fim, o que pode acontecer, além de um xeque mate, talvez um empate. Ninguém vence. Porque no fundo, ninguém vence, a não ser a si mesmo, a suas limitações, seus medos, coisas que vale apena se empenhar para tornar a vida melhor para si, e melhor, para todos.

Fico feliz de ter me arrastado neste campo florido, e às vezes ter me sentado nos degraus da preguiça, e estar ainda aqui mais um ano de vida e de blog.

Espero poder continuar a inspira-los na senda do momento presente, seja lá quem vier. Sejam bem vindos mais uma vez.

23 dezembro, 2009

Lembrar de Lembrar.

Quando vai chegando a reta final do ano fazemos planos, até os colocamos numa lista. Mas depois esquecemos da lista e seguimos nossa natureza preguiçosa. Alguns adotam a milenar tradição da faxina de fim-de-ano:arrumar coisas, se desfazer do entulho acumulado, dar o que não temos mais precisão, reciclar, e ainda aprender a doar o que achamos que vamos precisar, mas que não passa de puro apego. Lembra de algumas senhoras velhinhas que às vezes são notícia por encherem a casa de lixo e coisas que parecem serem úteis. Quando pensamos: "Posso precisar disso ou daquilo". Estamos indo nesse caminho doentio. Na outra ponta da doença há também aquelas pessoas que tem obsessão por limpeza e arrumação. Mas a limpeza saudável acontece todos os dias, não só na casa, mas na nossa mente. Vamos olhando para nossos atos e pensamentos e deixando eles irem embora aos pouquinhos. Essa limpeza é mais difícil porque assim como na faxina da casa, por muitos motivos, vamos adiando, na faxina da mente, também encontramos desculpas. E nessa tarefa, nosso maior obstáculo é o esquecimento. Esquecemos de nós mesmos, de olhar para si e ver como estamos. Quem fomos, quem somos agora e quem queremos ser?

Faço minha retrospectiva mentalmente e percebo detalhes muito sutis. Nada especial, Nenhuma grandiosa mudança, mas intenções, empenho, e pequenas ações aqui e ali que passam desapercebidas. Vejo-me fazendo e desfazendo meus enganos, indo e voltando atrás para reparar erros que podem custar mais caro que o desejo. É útil treinar-se para perceber o que fazemos, mesmo que em algum momento não funcione. Sempre é possível tentar de novo. Tenho a graça de novas chances. Mas não sei quantas ainda terei.

Minha lista foi demasiado ambiciosa e demandava uma fortuna para realizá-la toda em um ano. Por isso mantenho a mesma por vários anos Assim cada ano posso prever o que na minha lista será possível. Algumas viagens, algum dinheiro, movimento.

Foi um ano de ensaio como é a vida em si: um longo ensaio para voltar para casa, onde só podemos entrar de mãos vazias. E no próximo ano o ensaio deve continuar. Ainda não revi minha lista e pouco há para acrescentar às listas anteriores.
Conto com o inesperado vento à favor. Quem sabe as surpresas que ele poderá trazer.
Boas ou ruins, todas serão bem vindas. Porque tudo que vem é aprendizado e experiência.

Que os ventos da bonança soprem para todos vocês. Façam sua parte. Não sejam como eu que fico sentada esperando a sorte chegar e sequer jogo na mega sena. Preciso lembrar de lembrar dessa vez.

21 dezembro, 2009

Não Evite o Natal.

Algumas pessoas perguntam como é o Natal dos Budistas? Não sei. Ele de fato não existia no mundo Oriental, mas hoje com a tal globalização parece que invadiu todos os cantos do planeta. Muitos japoneses, chineses, coreanos são católicos, protestantes ou evangélicos. Poucos budistas, para os quais certamente o Natal não faz sentido, já que os budistas tem no nascimento de Buda o seu dia de festa.

Para alguns o Natal é uma praga do consumismo e do desperdício. Para outros mais uma chance para pelo menos por alguns momentos reconectar-se com bons sentimentos, perdoar coisas do passado e festejar com a família, mesmo que algumas festas não acabem bem. Afinal juntar tanta gente diferente num único lugar não pode dar certo. Nem nos retiros dá certo porque no Natal daria? Já viu quanta gente briga ou reclama nos retiros? Deve ser da natureza de quem vai à encontros.
Ficar sozinho para evitar os encontros e as brigas é bobagem. Ficar sozinho quando muitos estão confraternizando-se nos torna mesquinhos e tristes.


Moramos no Ocidente e a única maneira de evitar o Natal é ir para um lugar onde não haja nenhum vestígio dele. Do contrário é melhor não evitá-lo porque faz parte de nossas vidas desde bebê. Não há como negar. Só precisa curtir e aproveitar da melhor maneira possível pois certamente sua família e seus amigos não são budistas e não ficarão sem festa.


Portando se vc. é Budista não deve se preocupar com o Natal. Apenas esteja presente no momento e não se agarre a sua ideia de como as coisas devem ser ou como vc. gostaria que fossem.

Fotos daqui.

19 dezembro, 2009

E se vc. só tivesse alguns meses de vida?

Se lhe fosse dito que você teria apenas alguns meses de vida, em que isso o mudaria?



Já tive essa experiência. Foi quando comecei a meditar. Do nada veio-me um sensação de que eu não tinha tempo. Então pensei comigo:"E se eu viver agora cantando apenas com seis meses de vida?" Foram os seis meses mais interessantes que tive. E eu não fiz nada demais. Não bebi todas, não transei com quem quis, não dei a volta ao mundo. Apenas sentei na almofada e vi o mundo passando pela minha mente. Foi uma bela limpeza que me renovou para viver muitos anos mais. Reconheci que estava doente, sim, mas era uma doença antiga, que vinha de muitas vidas e da qual nem estou completamente curada, mas descobri o caminho e o remédio que tenho aplicado desde então tem me mantido viva e mais saudável do que era antes.

17 dezembro, 2009

Como vc. se relaciona com o ego?

Este ano falei com mais empenho sobre a questão do ego pois há muita confusão em relação a esse termo e sobretudo quando ele se relaciona ao budismo. Muitas pessoas apegam-se a ideia de que o ego é o "grande vilão", um obstáculo à vida e a prática saudável. Quando na verdade é preciso e necessário aprender a lidar com esse elemento essencial à vida nesse mundo. Portanto quando alguém fala em eliminar, matar, reprimir, afastar ou até enganar o ego só pode estar doente. Devemos ter uma relação saudável com o nosso ego e não ao contrário. Apenas isso já é suficiente. Além disso há riscos.


Enganos com o Ego, Grande Ego X Pequeno Ego,Cuidado para não dar um tiro no próprio pé

Mestre

De alguma forma expressei mais sobre minha experiência com mestres. Talves por estar carente de um e por ter aprendido muito com os que tive. Foi meu primeiro ano sem mestre depois de ter recebido preceitos. Foi ano de estar só comigo mesma. Talves esse processo acabe logo ou talves ainda seja longo. É muito difícil confiar em alguém e não pode haver relacionamento sem confiança, mas esse confiança não se constroí através da fantasia e preciso um mínimo relacionamento e sobretudo uma ligação cármica.

Descobertas e Conexões.

Este ano descobri que tinha conexão com Buda Amitaba. Insistia em Kwan Seung Bosal mas nada acontecia. Então ganhei um Buda Vermelho e algo pareceu se abrir num horizonte impenetrável. Ou seria num paraíso. Dizem que quem chama por Amitaba quer colo de mãe. Não sei se é verdade também não tinha nenhum propósito ao recitar seu mantra. Namu Amita Bul.

Mas também há muito preconceito com esse manifestação de Buda por ser muito popular na China e muito associado a pratica de pedidos. Como não se deve pedir nada a Buda então desviaram os pedidos para Amitaba entre outros. Alguém sempre dá uma bengala para quem não consegue andar sem elas. Mas não acho certo e também não acho errado pedir se houver o empenho em conseguir por si mesmo. Se espera-se que caia do céu...No budismo é comum primeiro pagar a promessa e depois esperar pela graça.

Na Escola Zen Coreana o Buda Amitaba tem lugar de destaque. Às vezes ao invés de uma estátua do Buda, quem está no altar é o Amitaba.

Buda Amitaba é tudo de bom:

"Sua cor é vermelha como o rubi e seu agregado é a percepção pura. Seu símbolo é o lótus (sânsc. padma), que representa a compaixão, a pureza, a natureza verdadeira. Seu gesto é o dhyana-mudra, o gesto da meditação, feito pelo Buddha ao meditar sob a árvore de Bodhi."

Acho que tem tudo a ver comigo. São qualidades que me atraem e me servem de exemplo.

Veja onde mais escrevi sobre Amitaba: Presente de Niver, Amitaba,seu Coelho de Cartola.

16 dezembro, 2009

Qual o seu trabalho?

Perguntado sobre sua função um mestre disse: "Meu trabalho, muitas vezes, é desiludir as pessoas."

E o seu qual é?

13 dezembro, 2009

Línguas Furacão.

Buda disse: Vc. não será punido pela raiva. vc. será punido por causa dela.


Este ano escrevi muito sobre curar a língua e tagarelice. Muitos vieram ao blog à procura da cura para ínguas. Não encontraram o que procuravam. A cura para a língua é simples e complexa ao mesmo tempo tanto que nem eu mesma apesar de conhecer alguns elementos da fórmula, nada mágica, não cheguei a curar-me. Não tomei do remédio que costumo receitar.

Alguém me perguntou por que estou quieta, se estou doente, triste. Preferi não falar nada, mas pensei: "Melhor ficar quieta". Depois do furacão instala-se o silêncio do arrependimento. "Por que abri minha boca?" Sempre que há muita energia circulando qualquer descuido vira um furação. Os furacões por mais que destruam e causem danos, as pessoas recompõem o dano material, mas quando o dano vem da nossa língua, muitas vezes, deixa marcas que nunca se apagam por completo. Basta uma lembrança e tudo volta à mente. Até hoje lembro de uma professora que me xingou no primeiro ano da escola. Vejo ela com frequência e rio de mim mesma por ainda lembrar de algo que não tem mais importância.

Se não treinarmos a habilidade de perceber o vento se movendo com aquela energia que faz estragos. Se não treinarmos a nós mesmos para lidar com esses eventos fica muito difícil escapar das consequências. Nos veremos sempre em meio a furacões provocados por nós ou pelos outros com os quais nos intrometemos por não conseguir deixar de vigiar o outro ou ficar fora de uma discussão.

Então a melhor maneira de evitar furacões, talvez seja, cuidar de si e do que lhe diz respeito e não do outro. Tenho testado isso e funciona. Não há outra forma de paz. Ou vc. cuida do seu quintal ou vive em guerra com seus vizinhos.


Acho que não sou a melhor pessoa para indicar esses artigos, mas se houver algo para remediar (aproveitar) vale a pena ainda lê-los. Aprenda a Curar sua Língua e Abandone a Tagarelice Desnecessária, Mantra Contra Língua Suja.

08 dezembro, 2009

O Processo da Meditação.

O objeto da meditação deve ser algo com raízes em vc. mesmo; não pode ser um tema para especulação filosófica. Deve ser como certo tipo de comida que precisa ser cozida por longo tempo ao fogo. A panela somos nós mesmos, e o calor usado para cozinhar é o poder da concentração. O combustível vem da contínua prática de alertar a mente. sem o necessário calor, a comida nunca ficará cozida, ela revela sua natureza e nos ajuda a chegar à libertação.

Thich Nhât Hanh [Para Viver em Paz]