30 agosto, 2009

Mestre Online.

Alguns resistem a usar a Internet como meio de chegar às pessoas. O aconselhamento online já uma realidade há algum tempo. Em algumas religiões é amplamente usado. Mas qual o limite entre o contanto online e o contato direto?

Quem faz uso da Internet há décadas sabe como esse meio é envolvente e permite que as pessoas sejam mais ousadas e expansivas do que seriam olho no olho. Será que o aluno não precisa do olho no olho com seu professor? Será que apenas tagarelar no MSN basta?

Uso a Internet há muito tempo e ainda hoje não me sinto confortável "falando" com um teclado. Também não é fácil encarar o professor pessoalmente. Mas quando estou com um professor/a posso observá-lo, posso apreender dele, da sua experiência.

Palavras bonitas são sedutoras e podem até ser um conforto em um momento que precisamos delas. Mas o silêncio da experiência sem palavras também me ensinam.

Talvez cada vez mais o contato online seja uma ferramenta de uso habitual, mas ela não deve mascarar ou falsear o contato "mente com mente".

Estando na frente um do outro não há como fugir ou fingir. Tudo que somos se revela.

2 comentários:

MonjaIsshin disse...

Muito bem - é isso mesmo.

A Internet é uma ferramenta fantástica para a divulgação do Darma e até para a transmissão de orientações e o esclarecimento de dúvidas, especialmente num pais grande como o Brasil. Por isso, foi criado o Zendo Virtual (http://zendovirtual.wordpress.com).

Mas, nada dispensa a necessidade de um período (que pode variar de alguns meses até dez ou mais anos...) de prática na convivência direta e diária com um(a) professor(a) e uma sanga. Às vezes, o professor envia o aluno para um mosteiro para esta convivência - onde será de forma mais intensa como se fosse "panela de pressão".

O ego condicionado veste máscaras de todo tipo com uma habilidade inimaginável. Por isso, mesmo ver um professor por alguns dias periodicamente, como para um retiro, não é o suficiente para o verdadeiro cultivo da prática, pois as máscaras resistem estes períodos curtos de tempo. Somente na convivência diária mais prolongada é que as máscaras vão começar a se quebrar. Nestas horas vão surgir aquelas manifestações de nosso ego condicionado que precisamos perceber e das quais devemos nos libertar. Aí vai ser a prova de fogo - vamos querer "fugir", "rejeitar o professor" (pois, parte de nos não quer mudar), mas, se desejamos realmente trilhar o Caminho de Buda, precisamos "abrir mão" dos condicionamentos...

Mas, quando a gente consegue resistir a tentação de "fugir", de "trocar de professor", "trocar de tradição" - quando a gente consegue resistir estas tentações e superar a fase doloroso do confronto com o ego condicionado, como é maravilhosa a nossa prática!!!!

Jeane Dal Bo disse...

Obrigada pelo seu comentário e importante acréscimo.

Gassho!