30 agosto, 2009

Mestre Online.

Alguns resistem a usar a Internet como meio de chegar às pessoas. O aconselhamento online já uma realidade há algum tempo. Em algumas religiões é amplamente usado. Mas qual o limite entre o contanto online e o contato direto?

Quem faz uso da Internet há décadas sabe como esse meio é envolvente e permite que as pessoas sejam mais ousadas e expansivas do que seriam olho no olho. Será que o aluno não precisa do olho no olho com seu professor? Será que apenas tagarelar no MSN basta?

Uso a Internet há muito tempo e ainda hoje não me sinto confortável "falando" com um teclado. Também não é fácil encarar o professor pessoalmente. Mas quando estou com um professor/a posso observá-lo, posso apreender dele, da sua experiência.

Palavras bonitas são sedutoras e podem até ser um conforto em um momento que precisamos delas. Mas o silêncio da experiência sem palavras também me ensinam.

Talvez cada vez mais o contato online seja uma ferramenta de uso habitual, mas ela não deve mascarar ou falsear o contato "mente com mente".

Estando na frente um do outro não há como fugir ou fingir. Tudo que somos se revela.

24 agosto, 2009

O sabor "real" dos alimentos.

Já sentiu na língua a diferença entre o Jardim do Éden e a lata de lixo?

Ao mesmo tempo que é maravilhoso é estranho e chocante.É como se descobrir dentro de outro mundo, com outros códigos palatais.
poder identificar o grau de vitalidade do alimento é mágico.

Pode ser diferença entre o podre, velho, um alimento morto (vazio de energia),sem vida, em estado de decomposição e um alimento vivo (cheio de energia.

Isto pode ser experimentado quando praticamos a atenção plena ao comer. É como um processo de desintoxicação. Sem contar que o processo de desintoxicação alimentar em si já vale a pena. Deixar de lado alguns hábitos, se disciplinar. O bem-estar é enorme, sem preço.

16 agosto, 2009

Doze Princípios do Budismo

"1. A autossalvação é a tarefa mais imediata para cada
um de nós. Em vez de perder tempo com questionamentos
metafísicos, é necessário começar imediatamente a
aprender e progredir através de experiência direta e
pessoal de vida.

2. O primeiro fato da existência é a lei da
impermanência. Tudo o que existe atravessa um ciclo,
passando pelas fases de nascimento, crescimento,
velhice e morte.
A vida é um estado de permanente fluxo. O apego às
formas passageiras desse fluxo causa sofrimento.

3. A impermanência também vale para a "alma". Não
existe no indivíduo um princípio eterno e imutável.
Somente a Realidade Absoluta é perene, e os indivíduos
são apenas manifestações temporárias dessa Realidade.

4. Tudo tem causa e efeito. O nosso estado presente é
o resultado de todas as nossas ações passadas. O karma
("ação e reação") governa a existência humana. Somos
completamente responsáveis pelo nosso estado passado,
atual e futuro. O processo de autoaperfeiçoamento que
conduz à liberação final é longo e envolve muitas
vidas sucessivas, mas eventualmente todos os seres se
iluminarão.

5. A vida é uma só e indivisível, embora sua
manifestação seja em inúmeras formas divididas. A
morte para o todo não existe, embora cada parte esteja
destinada a morrer.
A noção da unidade da vida gera a compaixão - um senso
de identidade com todos os seres vivos.

6. Se a vida é uma, os interesses da parte devem ser
os mesmos do todo. Na sua ignorância, cada um luta
para que prevaleçam seus interesses pessoais, mas a
energia assim desviada para propósitos egoístas produz
sofrimento.
O Buda ensinou Quatro Nobres Verdades: 1) a
onipresença do sofrimento; 2) a causa do sofrimento,
desejos equivocadamente dirigidos; 3) a erradicação do
sofrimento pela eliminação de suas causas; 4) a
prática de auto-aperfeiçoamento para esse fim, chamada
de Caminho Óctuplo.

7. O Caminho Óctuplo consiste em: 1) compreensão
correta; 2) motivação correta; 3) fala correta; 4)
ação correta; 5) meio de vida correto; 6) esforço
correto; 7) concentração mental correta; 8) meditação
correta.

8. O budismo não é teísta. A Realidade absoluta e sem
limites está além de todas as descrições e categorias
humanas. Portanto, transcende até os nossos conceitos
de divindade, porque ao atribuirmos-lhes propriedades,
nós a estamos limitando.
O Buda não é um deus. Ele foi um ser humano comum que,
mediante esforço próprio, atingiu a liberação final
das limitações da individualidade; uma
supra consciência ou insight transcendental, usualmente
chamado de "iluminação" ou Nirvana. Todos os seres
humanos, sem exceção, têm o potencial de atingir esse
mesmo estado final.

9. O processo de auto desenvolvimento é chamado de
"Caminho do Meio", pois transita entre os opostos,
evitando todos os extremos. O Buda experimentou
pessoalmente e rejeitou os extremos da
auto gratificação e da auto mortificação.
A única fé requerida de um budista é a crença razoável
de que o caminho percorrido por um mestre será válido
para ele também.

10. É fundamental para a prática que a pessoa se
dedique à meditação. Ela deve aprender a destacar-se
das emoções passageiras. A faculdade de observação das
circunstâncias do momento permite manter as ações
sempre equilibradas.

11. Não se reconhece nenhuma autoridade final externa
sobre a verdade; somente a intuição do próprio
indivíduo. Cada qual sofre as conseqüências dos
próprios atos e aprende a partir disso. Os monges e
estudiosos são professores e exemplos, mas não são
intermediários entre o adepto e a Realidade.
Nenhuma oração pode impedir um efeito de seguir-se à
sua causa.
Tolerância absoluta deve ser observada em relação a
todas as religiões e filosofias, pois ninguém tem o
direito de interferir na jornada espiritual alheia.

12. O budismo não é pessimista nem escapista; não
afirma nem nega a existência de Deus; não possui
dogmas; é intelectual e psicológico ao mesmo tempo;
não é somente uma religião, ou apenas uma filosofia,
nem um meio de vida, mas relaciona-se com tudo isso;
respeita todos os pontos de vista; aceita a ciência, a
religião, a ética e a arte; e insiste na
autossuficiência do ser humano e no seu poder como
criador do próprio destino."

Autor desconhecido.

08 agosto, 2009

Dois Novos Monges.


Giorgia ordenada no ano passado e Miguel este ano são os dois mais recentes monges da Sanga Somossan de Floripa. Alunos do mestre Tokuda. Parabéns!

05 agosto, 2009

04 agosto, 2009

Um Pouco de Sabedoria pela via Filosófica.

"Marcel Proust em À Sombra das Raparigas em Flor, ensina-nos que
“a sabedoria não se transmite, é preciso que a gente mesmo a descubra
depois de uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e
que ninguém pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas”.

O antropólogo Claude Lévi-Strauss escreveu em O Cru e o Cozido
que "o sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas;
é o que formula as verdadeiras perguntas.”

Por isso é imprescindível revisitar um monge beneditino que, há aprox. 1300 anos,
viveu na Inglaterra: Beda, o Venerável.
Beda legou ( com validade indeterminada!) uma prescrição em forma de advertência,
na qual diz que há três caminhos para a felicidade ( ou fracasso):

1.não ensinar o que se sabe
2.não praticar o que se ensina
3.não perguntar o que se ignora.


Retomando pelo positivo as três advertências de Beda- que o sucesso está:

na generosidade mental (ensinar o que sabe),
na honestidade moral ( praticar o que ensina),
e na humildade inteligente (perguntar o que ignora)


Este texto foi editado.
O texto completo in: Folha Equilíbrio,10 (25.07.02) [Mario Sergio Cortella, Fil-PUC-SP]

03 agosto, 2009

O que esperar de um mestre.

Não se deve esperar muito de um mestre. Se o mestre perceber que tem expectativa pode ficar distante ou em silêncio. Vc. não vai entender que é um sinal e pior pode entender que ele não quer falar com você. Vc. pode se distanciar, ficar magoado e isso pode levá-lo a se afastar do mestre e da prática.

Se vc. espera muito pode sinalizar que está iludido. O mestre não vai reforçar sua ilusão.
Não vai te dar atenção porque vc. quer.
Tem que aprender a ser independente sem se rebelar.
Independente dentro e fora.
Isso não significada dizer: eu não preciso disso ou daquilo ou daquele outro.

Antigamente o aluno nem via o mestre. No ocidente temos sorte de ter mais condições e parece que isso é um problema. Não tem que ser um problema.

Muitos já abandonaram seu mestre por orgulho, por vaidade, por achar que as coisas deveriam ser de outra forma ou da forma que gostariam que fosse. Isso não passa de apego. Praticar a humildade é o caminho para quebar esse tipo de comportamento.