05 março, 2009

Qual sua Experiência em Meditação?

Há pessoas por ai dizendo que quanto mais se pratica mais fácil se torna a sua prática. A experiência tem me mostrado que isso não é completamente verdadeiro.
A prática não é como um esporte que vc. melhora a performance ao longo do tempo. Se for para comparar poderia ser como tocar piano. Se vc. não pratica precisa começar sempre do zero, mas se mantém uma prática contínua vc. mantém-se ativo. Todavia manter-se ativo não significa que vc. será um Mozart, mas que poderá tocar piano quando quiser, onde quiser. Assim como é raro aparecer um Mozart, tb. deve ser raro aparecer um Buda Shakyamuni.

A prática depende muito do carma de cada um. Pode ter momentos de quietude e pode ter momentos de turbulência. Pode ter altos e baixos o tempo todo. Pode ser como ondas do mar quebrando na rocha e pode ser ondas escorrendo suavemente na praia. E tb. pode ser que não aconteça nada. Principalmente se vc. espera que algo aconteça.
Se praticar com moderação vai ter "resultados" ao longo prazo. Se praticar forte vai mexer mais rápido em sua estrutura de mente. Se for uma estrutura mais saudável que doente sorte sua, mas se for uma estrutura mais doente, cuidado vc. pode estar acordando algo com o qual não saberá lidar e não terá ainda uma estrutura forte para suportar.

Praticar com algum tipo de expectativa não é bom nem ruim, mas não é esse o objetivo claro da prática: barganhar coisas com o universo. Tudo o que vc. tem ou terá já está com vc. O que precisa é buscar o equilíbrio aparando os excessos tanto para mais quanto para menos. Nem prática demais, nem prática de menos. Nem apego demais, nem apego de menos. Nem desejo demais, nem desejo de menos. Apenas encontrar medida certa já é um grande achado.

O que eu sempre digo é que por mais que se pratique jamais se pode dizer que se é experiente nesse quesito. Quando tenho que preencher formulários que perguntam qual minha experiência anterior sempre me pego rindo, embora tecnicamente seja uma forma de avaliar a pessoa que está se candidatando a uma vaga no retiro.

Por mais tempo que eu tenha sentado, seja em que lugar for, cada dia que sento é tão difícil quanto os primeiros dias em que sentei. Cada dia é um novo começo.

Em oito anos nesse caminho, me sinto ainda um bebê engatilhando. Já sei por onde ir para não me ferir, mas às vezes ainda esqueço e me deixo levar pela curiosidade ou ponho "a mão" onde não devia. Ai sim, aprendo, pela via do sofrimento, mas há muito ainda a ser desvendado e muito a ser explorado, muito a ser testado. Não conheço a mim mesma e não conheço profundamente ninguém para dizer: Heis ai alguém que me inspira a seguir no Caminho. Por um tempo precioso tive alguém que me puxou para os trilhos.

Embora já tenha experimentado "ishin denshin" a conexão "mente com mente", no momento não há ninguém que me inspire nesse nível e sinto essa ausência, mas não tenho pressa em achar outra conexão.

Sem comentários: