08 fevereiro, 2009

Qual é a sua doença?

Você precisa ser independente na sua pratica.

Heila Downey


Descubra qual é a sua doença antes de começar a praticar ou ela emergirá das profundezas e pode ser muita lama para sua estrutura de mente suportar. Se não conseguir descobrir antes de praticar comece a praticar aos poucos. Não entre na onda de matar o ego com uma paulada de uma vez só. Primeiro o ego não se mata. Ele é parte da nossa estrutura e precisa ser curado. Quando curado ele é o veículo que nos leva passear pela vida.

Muitas pessoas ficam tão entusiasmadas pela prática que antes de ser um remédio a pratica passa a ser mais uma doença. Porque ela fica somente no terreno do discurso, da teoria, da tagarelice. Há pessoas que só falam em budismo, em zen, mestres. O mundo gira em torno desses assuntos. As pessoas não tem mais relacionamentos fora da sanga, não tem amigos, a sanga virá "o lugar".

Isso não pode ser saudável. Ficar ligado no zen 24 horas por dia, sempre. Mestre Seung Sahn chamava essa atitude de doença zen. Um tipo de obsessão semelhante ao fanatismo. Alguns chegam a agir como fanáticos. É uma fase natural, mas precisa ser superada. É importante amadurecer. Se soltar dessa dependência. Ser independente na prática. É tb. importante questionar seu professor. Se ele se opor é melhor pensar em outro professor. Questionar ajuda ambos a crescer no processo e tomar decisões por si mesmo. Mas não espere respostas fáceis ou definitivas. Nem mesmo respostas formais.
Não cabe ao professor resolver seus dilemas e sim apontar saídas, mas a escolha é sempre sua e as conclusões também. E esse apontar nem sempre acontece com palavras. É preciso perceber os sinais seja no silêncio, seja na ausência, seja em um sorriso, ou um xingamento. É preciso perceber e isso só vem com o tempo.

Lembro de certa vez ter perguntado algo ao mestre zen e ele me deu uma resposta muito precisa. Como um lance de espada. Foi uma resposta bem boba que eu podia chegar por mim mesma, mas ele percebeu que eu queria mais que a resposta, que eu queria algo grudado na resposta. Algo para me apoiar, ou apegar, algo para dizer: é assim que vou fazer agora. Então ele, saiu pela tangente.

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