31 dezembro, 2009

Campo Florido.

Todo mundo corre, corre para acabar logo com um ano que nunca acaba. Ele apenas se repete ciclicamente, se renova, faz uns ajustes aqui e ali, mas basicamente, é o mesmo. O ano, mas nós, nós sim, mudamos. Já reparou? Parece que não, mas digo que sim. É porque só consideramos mudança quando for grande, visível. Mudar o corte de cabelo, já é mudança? Então mude.

E quem disse que é ruim, mesmo ruim, é belo. Resta a nós que somos peças no tabuleiro do universo jogarmos um jogo limpo e paciente.

No fim, o que pode acontecer, além de um xeque mate, talvez um empate. Ninguém vence. Porque no fundo, ninguém vence, a não ser a si mesmo, a suas limitações, seus medos, coisas que vale apena se empenhar para tornar a vida melhor para si, e melhor, para todos.

Fico feliz de ter me arrastado neste campo florido, e às vezes ter me sentado nos degraus da preguiça, e estar ainda aqui mais um ano de vida e de blog.

Espero poder continuar a inspira-los na senda do momento presente, seja lá quem vier. Sejam bem vindos mais uma vez.

23 dezembro, 2009

Lembrar de Lembrar.

Quando vai chegando a reta final do ano fazemos planos, até os colocamos numa lista. Mas depois esquecemos da lista e seguimos nossa natureza preguiçosa. Alguns adotam a milenar tradição da faxina de fim-de-ano:arrumar coisas, se desfazer do entulho acumulado, dar o que não temos mais precisão, reciclar, e ainda aprender a doar o que achamos que vamos precisar, mas que não passa de puro apego. Lembra de algumas senhoras velhinhas que às vezes são notícia por encherem a casa de lixo e coisas que parecem serem úteis. Quando pensamos: "Posso precisar disso ou daquilo". Estamos indo nesse caminho doentio. Na outra ponta da doença há também aquelas pessoas que tem obsessão por limpeza e arrumação. Mas a limpeza saudável acontece todos os dias, não só na casa, mas na nossa mente. Vamos olhando para nossos atos e pensamentos e deixando eles irem embora aos pouquinhos. Essa limpeza é mais difícil porque assim como na faxina da casa, por muitos motivos, vamos adiando, na faxina da mente, também encontramos desculpas. E nessa tarefa, nosso maior obstáculo é o esquecimento. Esquecemos de nós mesmos, de olhar para si e ver como estamos. Quem fomos, quem somos agora e quem queremos ser?

Faço minha retrospectiva mentalmente e percebo detalhes muito sutis. Nada especial, Nenhuma grandiosa mudança, mas intenções, empenho, e pequenas ações aqui e ali que passam desapercebidas. Vejo-me fazendo e desfazendo meus enganos, indo e voltando atrás para reparar erros que podem custar mais caro que o desejo. É útil treinar-se para perceber o que fazemos, mesmo que em algum momento não funcione. Sempre é possível tentar de novo. Tenho a graça de novas chances. Mas não sei quantas ainda terei.

Minha lista foi demasiado ambiciosa e demandava uma fortuna para realizá-la toda em um ano. Por isso mantenho a mesma por vários anos Assim cada ano posso prever o que na minha lista será possível. Algumas viagens, algum dinheiro, movimento.

Foi um ano de ensaio como é a vida em si: um longo ensaio para voltar para casa, onde só podemos entrar de mãos vazias. E no próximo ano o ensaio deve continuar. Ainda não revi minha lista e pouco há para acrescentar às listas anteriores.
Conto com o inesperado vento à favor. Quem sabe as surpresas que ele poderá trazer.
Boas ou ruins, todas serão bem vindas. Porque tudo que vem é aprendizado e experiência.

Que os ventos da bonança soprem para todos vocês. Façam sua parte. Não sejam como eu que fico sentada esperando a sorte chegar e sequer jogo na mega sena. Preciso lembrar de lembrar dessa vez.

21 dezembro, 2009

Não Evite o Natal.

Algumas pessoas perguntam como é o Natal dos Budistas? Não sei. Ele de fato não existia no mundo Oriental, mas hoje com a tal globalização parece que invadiu todos os cantos do planeta. Muitos japoneses, chineses, coreanos são católicos, protestantes ou evangélicos. Poucos budistas, para os quais certamente o Natal não faz sentido, já que os budistas tem no nascimento de Buda o seu dia de festa.

Para alguns o Natal é uma praga do consumismo e do desperdício. Para outros mais uma chance para pelo menos por alguns momentos reconectar-se com bons sentimentos, perdoar coisas do passado e festejar com a família, mesmo que algumas festas não acabem bem. Afinal juntar tanta gente diferente num único lugar não pode dar certo. Nem nos retiros dá certo porque no Natal daria? Já viu quanta gente briga ou reclama nos retiros? Deve ser da natureza de quem vai à encontros.
Ficar sozinho para evitar os encontros e as brigas é bobagem. Ficar sozinho quando muitos estão confraternizando-se nos torna mesquinhos e tristes.


Moramos no Ocidente e a única maneira de evitar o Natal é ir para um lugar onde não haja nenhum vestígio dele. Do contrário é melhor não evitá-lo porque faz parte de nossas vidas desde bebê. Não há como negar. Só precisa curtir e aproveitar da melhor maneira possível pois certamente sua família e seus amigos não são budistas e não ficarão sem festa.


Portando se vc. é Budista não deve se preocupar com o Natal. Apenas esteja presente no momento e não se agarre a sua ideia de como as coisas devem ser ou como vc. gostaria que fossem.

Fotos daqui.

19 dezembro, 2009

E se vc. só tivesse alguns meses de vida?

Se lhe fosse dito que você teria apenas alguns meses de vida, em que isso o mudaria?



Já tive essa experiência. Foi quando comecei a meditar. Do nada veio-me um sensação de que eu não tinha tempo. Então pensei comigo:"E se eu viver agora cantando apenas com seis meses de vida?" Foram os seis meses mais interessantes que tive. E eu não fiz nada demais. Não bebi todas, não transei com quem quis, não dei a volta ao mundo. Apenas sentei na almofada e vi o mundo passando pela minha mente. Foi uma bela limpeza que me renovou para viver muitos anos mais. Reconheci que estava doente, sim, mas era uma doença antiga, que vinha de muitas vidas e da qual nem estou completamente curada, mas descobri o caminho e o remédio que tenho aplicado desde então tem me mantido viva e mais saudável do que era antes.

17 dezembro, 2009

Como vc. se relaciona com o ego?

Este ano falei com mais empenho sobre a questão do ego pois há muita confusão em relação a esse termo e sobretudo quando ele se relaciona ao budismo. Muitas pessoas apegam-se a ideia de que o ego é o "grande vilão", um obstáculo à vida e a prática saudável. Quando na verdade é preciso e necessário aprender a lidar com esse elemento essencial à vida nesse mundo. Portanto quando alguém fala em eliminar, matar, reprimir, afastar ou até enganar o ego só pode estar doente. Devemos ter uma relação saudável com o nosso ego e não ao contrário. Apenas isso já é suficiente. Além disso há riscos.


Enganos com o Ego, Grande Ego X Pequeno Ego,Cuidado para não dar um tiro no próprio pé

Mestre

De alguma forma expressei mais sobre minha experiência com mestres. Talves por estar carente de um e por ter aprendido muito com os que tive. Foi meu primeiro ano sem mestre depois de ter recebido preceitos. Foi ano de estar só comigo mesma. Talves esse processo acabe logo ou talves ainda seja longo. É muito difícil confiar em alguém e não pode haver relacionamento sem confiança, mas esse confiança não se constroí através da fantasia e preciso um mínimo relacionamento e sobretudo uma ligação cármica.

Descobertas e Conexões.

Este ano descobri que tinha conexão com Buda Amitaba. Insistia em Kwan Seung Bosal mas nada acontecia. Então ganhei um Buda Vermelho e algo pareceu se abrir num horizonte impenetrável. Ou seria num paraíso. Dizem que quem chama por Amitaba quer colo de mãe. Não sei se é verdade também não tinha nenhum propósito ao recitar seu mantra. Namu Amita Bul.

Mas também há muito preconceito com esse manifestação de Buda por ser muito popular na China e muito associado a pratica de pedidos. Como não se deve pedir nada a Buda então desviaram os pedidos para Amitaba entre outros. Alguém sempre dá uma bengala para quem não consegue andar sem elas. Mas não acho certo e também não acho errado pedir se houver o empenho em conseguir por si mesmo. Se espera-se que caia do céu...No budismo é comum primeiro pagar a promessa e depois esperar pela graça.

Na Escola Zen Coreana o Buda Amitaba tem lugar de destaque. Às vezes ao invés de uma estátua do Buda, quem está no altar é o Amitaba.

Buda Amitaba é tudo de bom:

"Sua cor é vermelha como o rubi e seu agregado é a percepção pura. Seu símbolo é o lótus (sânsc. padma), que representa a compaixão, a pureza, a natureza verdadeira. Seu gesto é o dhyana-mudra, o gesto da meditação, feito pelo Buddha ao meditar sob a árvore de Bodhi."

Acho que tem tudo a ver comigo. São qualidades que me atraem e me servem de exemplo.

Veja onde mais escrevi sobre Amitaba: Presente de Niver, Amitaba,seu Coelho de Cartola.

16 dezembro, 2009

Qual o seu trabalho?

Perguntado sobre sua função um mestre disse: "Meu trabalho, muitas vezes, é desiludir as pessoas."

E o seu qual é?

13 dezembro, 2009

Línguas Furacão.

Buda disse: Vc. não será punido pela raiva. vc. será punido por causa dela.


Este ano escrevi muito sobre curar a língua e tagarelice. Muitos vieram ao blog à procura da cura para ínguas. Não encontraram o que procuravam. A cura para a língua é simples e complexa ao mesmo tempo tanto que nem eu mesma apesar de conhecer alguns elementos da fórmula, nada mágica, não cheguei a curar-me. Não tomei do remédio que costumo receitar.

Alguém me perguntou por que estou quieta, se estou doente, triste. Preferi não falar nada, mas pensei: "Melhor ficar quieta". Depois do furacão instala-se o silêncio do arrependimento. "Por que abri minha boca?" Sempre que há muita energia circulando qualquer descuido vira um furação. Os furacões por mais que destruam e causem danos, as pessoas recompõem o dano material, mas quando o dano vem da nossa língua, muitas vezes, deixa marcas que nunca se apagam por completo. Basta uma lembrança e tudo volta à mente. Até hoje lembro de uma professora que me xingou no primeiro ano da escola. Vejo ela com frequência e rio de mim mesma por ainda lembrar de algo que não tem mais importância.

Se não treinarmos a habilidade de perceber o vento se movendo com aquela energia que faz estragos. Se não treinarmos a nós mesmos para lidar com esses eventos fica muito difícil escapar das consequências. Nos veremos sempre em meio a furacões provocados por nós ou pelos outros com os quais nos intrometemos por não conseguir deixar de vigiar o outro ou ficar fora de uma discussão.

Então a melhor maneira de evitar furacões, talvez seja, cuidar de si e do que lhe diz respeito e não do outro. Tenho testado isso e funciona. Não há outra forma de paz. Ou vc. cuida do seu quintal ou vive em guerra com seus vizinhos.


Acho que não sou a melhor pessoa para indicar esses artigos, mas se houver algo para remediar (aproveitar) vale a pena ainda lê-los. Aprenda a Curar sua Língua e Abandone a Tagarelice Desnecessária, Mantra Contra Língua Suja.

08 dezembro, 2009

O Processo da Meditação.

O objeto da meditação deve ser algo com raízes em vc. mesmo; não pode ser um tema para especulação filosófica. Deve ser como certo tipo de comida que precisa ser cozida por longo tempo ao fogo. A panela somos nós mesmos, e o calor usado para cozinhar é o poder da concentração. O combustível vem da contínua prática de alertar a mente. sem o necessário calor, a comida nunca ficará cozida, ela revela sua natureza e nos ajuda a chegar à libertação.

Thich Nhât Hanh [Para Viver em Paz]

28 novembro, 2009

Alimentação Consciente.

O primeiro nutriente é o alimento. Aquilo que comemos ou bebemos pode promover o sofrimento mental ou físico. Temos que ser capazes de discernir entre o que é saudável e o que nos prejudica.Precisamos praticar a Compreensão Correta ao fazermos compras, cozinharmos e nos alimentarmos. O Buda nos deu um exemplo sobre nos alimentarmos.

Um jovem casal e seu filho de dois anos tentavam atravessar o deserto e a comida acabou. Depois de muita reflexão, os pais, entenderam, que para sobreviver teriam que matar a criança e comer sua carne. Calcularam que se comessem a cada dia um certo percentual da carne da criança e carregassem o restante nas costas teriam o suficiente para o resto da jornada. Mas a cada pedaço de carne que comiam eles choravam mais e mais. Buda perguntou: "Vocês acham que eles tiveram prazer em comer a carne do filho?" Entretanto muitas pessoas comem a carne de seus pais, filhos,e netos, sem ter consciência disso.

Grande parte do nosso sofrimento resulta do fato de não prestarmos atenção ao que comemos. Quando fumamos, bebemos ou consumimos toxinas, estamos comendo nossos pulmões, fígado e coração. Se temos filhos e mesmo assim continuamos a fazer estas coisas, estamos comendo a carne de nossos filhos. Eles necessitam de pais fortes e saudáveis.

In: Thich Nhat Hanh [A Essência dos Ensinamentos de Buda,p.44-45]

14 novembro, 2009

Para Acreditar.

Fidati Di Me
Laura Pausini


Quando ti diranno che tutto fa schifo
Quando te disserem que tudo revolta
e che una via d'uscita non c'e'
e não há saída
che di questa vita non puoi fare il tifo
que não podes te entusiamar com esta vida
quando smetterai di chiederti perche'
quando te esqueceres de perguntar-se por que?

non credere che non ci sia
não acredite que não há
un'altra strada in fondo a questa bugia
um outro caminho no fundo dessa mentira
non credere che non verra'
não acredite que não virá
una canzone a dirti la verita'
uma canção a dizer-te a verdade

fidati di me
acredita em mim
ho sbagliato anch'io
eu também errei
quando per paura non ho fatto a modo mio
quando por medo não fiz o que eu queria fazer
fidati di me
acredita em mim
non buttarti via
não desistas
anche se il regalo di un miracolo non c'e'
mesmo que o presente de um milagre não venha
almeno fidati di me
acredita em mim

quando ti diranno che se tocchi il fondo
quando te dissserem que se chegar ao fundo
non puoi risalire piu' su
não poderás voltar para cima
e se ti metteranno nel cuore un comando
e se te colocarem no coração um comando
per non farti mai scoprire chi sei tu
para que não descubras mais quem és tu

non credere che non ci sia
não acredita que não há
un'altra aurora in fondo a questa follia
um outro despertar no meio dessa confussão
non credere che non verra'
não creias que não virá
una canzone a dirti la verita'
uma canção a dizer-te a verdade

fidati di me
acredite em mim
ho sbagliato anch'io
também errei
quando senza orgoglio non ho fatto a modo mio
quando por orgulho não fiz o que queria fazer

fidati di me
acredita em mim
non buttare via
não desperdice
l'ultima occasione che aspettavi dentro te
a última ocasião que espera dentro de você
adesso fidati di me
então confia em mim

quando ti diranno che
quando te disserem
non puoi chiedere di piu'
que não podes pedir mais
che fai bene a stare sempre a testa in giu'
que é bom ter sempre o nariz empinado.
oltre a questa ipocrisia
além dessa ipocrisia
devi credere che c'e'
deves acreditar que há
non un muro ma un futuro anche per te
não um muro mas um futuro também pra você

fidati di me
acredita em mim
ho sofferto anch'io
eu também sofri
quando per coraggio ho visto il mondo a modo mio
quando com coragem vi o mundo do meu jeito.
fidati di meacredita em mim
non buttarti via
não desista

anche se il regalo di un miracolo non c’e’
mesmo que o presente de um milagre não venha.

almeno fidati di me
pelo menos acredita em mim

Vc. Faz Tempestade em Copo D´Àgua.

Não deve ser fácil fazer uma tempestade num copo d´água, literalmente. Mas há pessoas que conseguem e com uma relativa facilidade. Por algo mínimo são capazes de começar a mover tamanha energia que vai se acumulando até chegar perder o controle.
É como se um inocente grão de poeira em poucos minutos se transformasse em uma tempestade de areia.

Todos nós de alguma forma já estivemos envolvidos em situações que começaram por uma bobagem e acabaram com muito bate boca, senão agressão física ou até morte.

Vemos situações acontecendo o tempo todo pela TV. Porque isso acontece?

Por que a coisa mínima fica grande? Por que não é mínima em si. Somente tem a aparência exterior de mínima, e já aconteceu outras vezes, então ficou uma marca que às vezes é atiçada, e cada vez que acendemos essa marca a alimentamos com mais energia, assim ela vai crescendo e se juntando as nossas frustrações, medos, sentimentos reprimidos, ressentimentos e vai esquentando, esquentando e se agigantando. Se ninguém sopra a brasa ela morre por si só, mas se ao contrário não a percebemos ela vai se tornando mais quente até explodir.

Se vc. tem energia para brigar o mais acertado é pôr essa energia em coisas positivas onde vc. pode gastá-la sem ferir nem a si mesmo nem a ninguém. Se vc. tem fogo na boca e precisa falar, xingar, e pôr para fora essa energia, o teatro é um bom canalizar desse tipo de energia ou algum esporte onde vc. possa equilibrar ganho e gasto harmonizando-se. Não precisa dizer que a meditação também proporciona estado de harmonia a longo prazo, mas às vezes a meditação intensifica o que temos de "ruim" pondo isso em evidência e algumas pessoas podem não saber lidar com o processo, podem reagir negativamente ou não seguir com o remédio. Há remédios que fazem mal para depois fazer bem. Nesse caso é necessário o acompanhamento de alguém experiente no processo de meditação, que não é apenas sentar numa determinada postura, mas tudo que vem desde que se inicia nesse caminho. Um professor , um mestre, alguém que já passou por vários estágios do processo e já experienciou em si mesmo os altos e baixos dele, pode perceber coisas que vc. ainda não percebeu.

Assim como é arriscado tomar qualquer medicação sem acompanhamento médico, pode o ser iniciar-se em processos de meditação sem orientação adequada.

Então, não esqueça. O Caminho do Meio é o Caminho. Tolerância, Sabedoria, Compaixão, Equanimidade...

07 novembro, 2009

O que significa Sahn?

Um número considerável chega a este blog a procura do significado de "Sahn". Perguntei a um monge que se chama Kwan Sahn e segundo ele Sahn significa montanha. Desvendado o mistério? Quer saber o significado de outros nomes coreanos? Aqui.

05 novembro, 2009

Deixe sua mente sozinha.

Pergunta: Tenho um amigo que tem amnésia. Poderia explicar como isso é visto no âmbito budista?


Mestre Zen Wu Bong: Na psicologia budista falamos em oito formas de consciência. As cinco primeiras são sensoriais:visão, audição, tato, olfato e paladar. A sexta é consciência mental que controla nosso corpo. A sétima é consciência discriminatória que nos permite distinguir entre branco e preto, ou o bom do mau. A oitava consciência, é aquela que controla a memória.

Às vezes essas três últimas consciências estão separadas e não funcionam juntas.
O resultado pode ser a amnésia, ou talvez um personalidade dividida. Em casos extremos uma personalidade não sabe o que a outra está fazendo. Se vc. estiver praticando,em algum momento, vc retorna para "antes do pensamento". Antes do pensamento não é a primeira, segunda ou terceira... consciência. Isto é antes de qualquer consciência. Se vc. mantém esse "antes da consciência", então a amnésia e qualquer outra disfunção podem ser curadas. A sexta, sétima e oitava consciências podem trabalhar juntas.

Praticar significa que vc. não usa sua consciência. Vc. a deixa descansar. Quando seu braço está machucado vc. o põe em um suporte (tipóia) e o deixa ali até ficar bom de novo. Vc. o deixa quieto. Ao contrário, se vc. o machucar mais e mais ele não ficará bom. O mesmo acontece com nossa mente se vc. a deixar sozinha/quieta ela se curará. Deixar sozinho significa voltar para antes do pensamento. Este é o propósito da Meditação Zen.

01 novembro, 2009

Um gato faminto ao lado de uma tigela cheia de leite.

Uma gatinho apareceu por aqui e não queria ir embora. A mãe dele ficava só olhando ele chorar de longe. Achamos que ele estava com fome e colocamos um potinho com leite, mas ele nem tocou. Depois me ocorreu que ele não devia saber como comer com talheres pois ainda é um bebê.

Mas não ficamos com ele. Deixamos ele lá fora chorando. A mãe estava lá e eles tinham que se entender ou se virar.

Enquanto tentava dormir me veio a lembrança de um koan que se chama; "O Rato comeu a comida do Gato, mas a tigela do gato está quebrada."

No dia seguinte o gatinho não estava mais lá fora e a tigela estava virada, mas nem sinal do leite.

29 outubro, 2009

Temos Mente e não Sabemos.

Você deve treinar a si. Mesmo que esteja doente de corpo, minha mente estará livre da doença. É assim que você deve treinar a si. […] E como alguém fica doente no corpo mas não na mente?
Quando ele não está obcecado com o ideia "eu sou o corpo" ou "o corpo é meu".
Buda.

Vi um vídeo em que uma senhora que vive na periferia e trabalha de faxineira praticando em sua casa conseguiu reunir mais pessoas que eu qdo tinha uma sanga.
A prática formal é bem simples, mas ela enfatiza que não adianta ficar só ali tem que sair e agir no dia a dia: pôr os ensinamentos em movimento. E ela faz isso e vê os resultados e faz não apenas por ela mas pela comunidade em que mora. Para ela o Budismo mudou sua vida.

O que ela faz? Ela faz aquilo que o Buda recomendou. "Testem no dia a dia os ensinamentos." "Testem em si mesmos." Ela os testa e vê resultados. Resultados não é aquilo que nos buscamos quando empreendemos alguma coisa? Por que então não fazemos experiências com os ensinamentos? Falta alguém dizer? "Olha, essa semana vc. vai prestar atenção como reage quando é contrariado e depois de perceber isso vc. vai elaborar uma estratégia para mudar seu foco. Assim quando vc. for contrariado vc. vai reagir de outra maneira que reage habitualmente."

Esse método pode ser aplicado em tudo, tudo mesmo. Mas não pode ser tudo ao mesmo tempo. Tem que ir aos poucos. É como se vc. treinasse cada parte do corpo uma de cada vez pelo tempo que vc. precisar para que cada parte,quando solicitada, dê a resposta correta.

Temos um terreno de investigação fascinante em nos mesmos. Poucos se detém em si mesmos. Por medo do que vão descobrir. Mas esse método não se chama auto análise, não é necessário refletir, julgar, culpar. O que é necessário é observar/prestar atenção. É algo bem rudimentar. Algo como olhar para o céu à noite e descobrir que "Hoje tem estrelas. Ou Não dá para ver estrelas no céu desse lugar."

Se vc. sabe que tem mente use-a. Se não sabe use-a também. Você já nasceu com a mega sena ganha. Só falta descobrir a combinação certa.

25 outubro, 2009

Como Superar o Medo das Ondas?







Quando vem uma Grande Onda o que vc. faz?

Foge dela ou aprende a surfar?

Fugir é mais prático todavia não resolve o problema.

Aprender a surfar a onda requer persistência.

Até conseguir ficar em cima da prancha e conseguir deslizar por toda extensão dela sem cair leva algum tempo.

O que, às vezes, ocorre é que depois de vários caldos e quedas, alguns ficam com medo de voltar ao mar e enfrentar as ondas. Preferem recuar.

Os que persistem não são menos desprovidos de medo do que os que recuam, apenas não pensam muito na onda como algo a ser vencido. Se entregam ao momento, tentando, tentando, até que não haja mais quem tenta nem a onda. Apenas o deslizar suave, a fusão entre todos os elementos.

22 outubro, 2009

Somente Agora.

A espiritualidade é um termo específico que na verdade significa: lidar com a intuição. Na tradição teísta há a noção de apego a um conceito. Um certo ato é considerado não aceitável para um princípio divino. Um certo ato é considerado aceitável para o divino. Na tradição do não-teísmo, no entanto, é bastante direto que os casos da história não são particularmente importantes. O que é o importante é o aqui e o agora. O agora é definitivamente agora. Nós tentamos viver o que está disponível ali, no momento. Não faz sentido pensar que existe um passado que poderíamos ter agora. Isto é agora, este simples momento. Nada místico, apenas “agora”, muito simples e direto. E desse “agora”, contudo, emerge sempre um sentido de inteligência de que estamos constantemente em interação com a realidade um por um. Lugar por lugar. Constantemente. Nós na realidade vivemos uma fantástica precisão, constantemente. Mas sentimo-nos ameaçados pelo “agora” e saltamos para o passado ou o futuro.Prestando atenção aos bens materiais que existem em nossa vida – esta vida rica que nós levamos, todas estas escolhas tomam lugar a todo momento mas nenhuma delas é considerada boa ou má per se, todas as coisas que vivemos são experiências incondicionais. Elas não veem com uma etiqueta dizendo “isto é considerado mau” ou “isto é bom”. Mas nós as vivemos e não damos a atenção devida a elas. Nós não nos damos conta de que vamos a algum lado. Nós consideramos isso um incômodo, esperar pela morte.

Chogyam Trungpa Rinpoche

15 outubro, 2009

Carma é Vida. Vida é Carma.


Poucos conseguem explicar com precisão cirúrgica e coerência o que realmente significa "Carma". Alguns desfiam longas explicações e se perdem nos exemplos mas como dizer sem rodeios? Como num lance de uma espada contando um diamante e dele saindo um lindo anel ou apenas um uma pedra feia e sem valor?


Não me arrisco a dizer nada sobre, apenas que conheço pessoas que não vivem para não fazer karma. Ou deixam de fazer as coisas normais da vida por medo de errar. Se serve de consolo baste vc. pensar em matar alguém ainda que seu pensamento nunca se concretize,ele já é carma. Mas depois vc. pensa: "Que horror pensar isso!", e se arrepende. Ai é outro carma. Menos pior que o primeiro pensamento, é claro. Ou então vc. dá de cara com uma barata e resiste ao impulso de pisar nela. Depois passa o dia se auto elogiando: "Hoje salvei uma barata!" Se salvou não sei, mas fez carma.

Quem só pensa em não cometer nenhum carma certamente o fará o tempo inteiro e quem não pensa também. Tomar certos cuidados é essencial, é como pensar andes de dar um passo. Vc. não pensa, apenas anda porque é uma ação natural, há muito aprendida. Mas algumas vezes, em certos terrenos, vc. precisa prestar atenção onde pisa. Então vc. presta atenção. E se prestar atenção nas ações aprendidas há muito tempo pode descobrir que não está andando sempre no mesmo caminho. Me parece que o foco, é como de sorte, em tudo na vida, prestar atenção. O resto é apego.

Não fique apegado ao fazer ou não fazer carma. Apenas viva e preste atenção na vida que flui continuamente entre vc. e o universo. Carma faz parte da vida pois só estamos onde estamos porque temos carma. Não haveria o mundo como o conhecemos se não houvesse carma.

E se depender só do meu carma o "mundo" vai durar muitos eons :-)

Aceita um chá?

13 outubro, 2009

A Felicidade está nas coisas Simples e nas coisas Sofisticadas.

Ser frugal é ser simples em nossos costumes, em nossa forma de viver. É não correr demasiado em busca do ter, pois reconhece-se a ilusão de que isto é feito. É evitar o desperdício, é preocupar-se com a ecologia, é dispensar hábitos caros, é suprimir a necessidade de auto-gratificações constantes.

Moderação, sobriedade, temperança, simplicidade são palavras que têm afinidade com frugalidade. Ser frugal é conseguir perguntar: “preciso mesmo disto” e “se eu comprar isto serei mesmo mais feliz”? antes de colocar a mão na carteira ou rabiscar o talão de cheques. É aprender a fazer certas coisas de forma diferente, é procurar opções mais baratas, é resistir à pressão social consumista.

A frugalidade ou simplicidade é junto com a compaixão ou amor e a humildade ou modéstia um dos Três Tesouros do Taoísmo.

Frugalidade não deve ser confundida com pobreza ou com avareza. Uma coisa é viver-se para o consumo sem reconhecer o impacto que se está tendo no ambiente. Permitir-se pequenos prazeres eventualmente não entra, não em minha cabeça, com o conceito de frugalidade. Não sou defensor da frugalidade absoluta, do contrário estaria no Nepal neste momento. Acredito que, sim, possamos ser MAIS FRUGAIS e menos consumistas. Sou algo avesso ao absoluto, talvez porque não acredite nele (apesar de, em alguns aspectos teimar em buscá-lo). Nossa vida é um processo e, acredite, estou melhorando aos poucos. Entretanto, a não ser que me engane, não serei eu um perfeito monge budista nos anos que virão...

A frugalidade não se furta a dormir em uma cama, mas não exige que a mesma seja emoldurada com diamantes e suas colchas não precisam ter fios de ouro. A frugalidade senta-se à mesa e come o pão e toma o vinho, mas não necessita que o vinho seja francês da safra de 1968.

Ser frugal é, em suma, um atalho para a felicidade.


Anotação minha: A Feliciade está em tudo. A diferença é como fazemos uso das coisas.

10 outubro, 2009

Momento Laura.

Laura Pausini canta em inglês nos Estados Unidos e espanhol e quando vai fazer show na América do Sul. Os fãns pedem para que ela cante pelo menos uma canção em italiano. Ela ainda não gravou nenhum trabalho completo em português. Apenas algumas participações. Ainda bem, porque já temos bastante gente cantando em português e prefiro que ela cante em italiano. E Laura acaba de passar pelo Brasil, quem sabe na próxima vou vê-la.






02 outubro, 2009

Grandes Ondas

Nos primórdios da era Meiji, vivia um lutador bem conhecido chamado O-Nami, "Grandes Ondas".

O-Nami era muito forte e conhecia a arte da luta.

Em lutas privadas ele derrotou até mesmo seu professor, mas em público era tão tímido que seus próprios alunos o derrotavam.

Hakuju, um professor errante, se encontrava em um pequeno templo nas proximidades. Quando O-Nami soube fui vê-lo e falou-lhe do seu grande problema.

"Grandes Ondas é seu nome," disse-lhe o professor, "Então fique neste templo esta noite. Imagine que vc. é aquelas ondas. Vc. não é mais um lutador que está com medo. Você é essas imensas ondas varrendo tudo a sua frente, engolindo tudo em seu caminho. Faça isso e vc. será o maior lutador da terra."

O grande professor foi dormir e O-Nami sentou em zazen tentando imaginar-se como as ondas. Pensou em muitas coisas diferentes. Depois aos poucos ele aprofundou gradualmente a sensação das ondas. Assim que a noite avançava as ondas ficavam mais e mais grandes.

Elas arrancaram as flores em seus vasos. Mesmo o Buda no santuário ficou inundado. Antes do amanhecer o templo era nada mais que o fluxo e refluxo de um mar imenso.

De manhã, o professor encontrou O-Nami, meditando, com um leve sorriso no rosto. Ele deu um tapinha no ombro do lutador. "Agora, nada pode perturbá-lo."- disse ele. "Você é aquelas ondas. Você vai varrer tudo antes de você."

No mesmo dia O-Nami disputou uma luta e ganhou. Depois disso, ninguém no Japão foi capaz de derrotá-lo.

101 Histórias Zen. Zen Flesh, Zen Bone, Paul Reps, Nyogen Senzaki. Disponível em inglês no Google Books.

Obstáculos.

Quando encontra um obstáculo vc. vai em frente ou desiste?

Se vc. chega a um rio e não há ponte o que vc. faz para atravessar para o outro lado da margem?

1.Desiste.
2.Corre o risco de atravessar a nado.
3.Busca uma corda.
4.Chama alguém para ajudar.
5.Senta e espera que alguém construa uma ponte.

A vida é cheia de obstáculos. A prática espiritual, que é a própria vida disfarçada de cotidiano, está cheia de rios sem pontes.

25 setembro, 2009

O que nos prende às pessoas?

O que nos prende às pessoas é a lembrança do sua forma: memórias, recordações, fotografias, vídeos. Guardamos cuidadosamente no nosso arquivo mental para que possamos buscar quando for conveniente.

Se a pessoa não existe mais fisicamente buscar lembranças gera sofrimento. Então Porque sentimos saudades de alguém que não existe mais na forma que a conhecemos?

Por que somos sádicos? Por que somos doentes? Talvez, mas será que esquecer simplesmente da imagem, apagar as lembranças resolveria a questão?

Há pessoas que nunca conseguimos esquecer. Mesmo que não estejam mortas permanecem vivas em nossa mente. Um grande amor, alguém que nos fez sofrer...

Como mudar o foco e tentar aprender algo de útil com tais situações?

Apenas deixe as coisas fluírem naturalmente sem se apegar a roda das recordações. No seu tempo, assim como veem vão embora.

13 setembro, 2009

Visão Budista da Preservação do Meio Ambiente.

Meu Deus, meu Deus, esta é que é a vida
simples, tranquila,
como o rumor suave de vida
que vem da vila.
Verlaine

Morando no campo passei a ver como as coisas funcionam. De onde vem uma abobrinha, como ela se forma de uma imensa flor. Já distingo o canto de diferentes pássaros. Sei quando vai chover e quando vai fazer dia de sol, quando vai começar a ventar e de onde vem o vento.

E isso me faz pensar que a ignorância "de onde as coisas veem" é que faz com que as pessoas não se importem com as coisas, que desperdicem comida, água, energia, que cortem florestas inteiras, que destruam solo e rios.

Só passamos a fazer tudo isso em ritmo acelerado para satisfazer a necessidade crescente do "tudo pronto". É só ir ao supermercado ou ao uma loja de departamentos daquelas que tem de tudo para tudo o que vc. imaginar. Mas de onde vieram essas coisas todas. O que estou levando para casa? Conforto ou destruição. Isso tudo não é gratuito. Veio de anos de bombardeio com a propaganda para criar necessidades que não precisaríamos ter. Geramos mais lixo produzindo e consumindo coisas industrializadas que produziríamos se não houvessem essas coisas. Se esquivar dessas artimanhas requer atenção. Assim como retornar a uma vida mais simples, com conforto, mas reduzindo o consumo também requer mudar. Mudar hábitos e padrões de consumo. Mudar conceitos e concepções de como nascemos e para onde vamos quando deixamos nosso corpo sem vida.


A concepção predominante no Ocidente é de origem cristã, portanto, acredita-se que a vida após a morte continua muito longe daqui. Que nunca mais poremos os pés na terra outra vez. Acreditam apenas que devem preservar o mundo para seus descendentes, mas não tem noção de que eles também precisarão desse mundo.

A concepção budista é de que a vida não tem um começo nem um fim pré determinado. Podemos nascer inúmeras vezes nesse ou em outros mundos em várias formas. Portanto é bom preocupar-se em garantir que este mundo estará cada vez melhor já que terão que voltar aqui sabe-se lá quantas vezes.

Tenho arrepios só em pensar o nível de sofrimento que haverá no mundo nos próximos 50-100 anos.

Nossa casa por enquanto é esse planeta e seria melhor não destruí-lo pois não sabemos por quanto tempo iremos precisar dele. A visão budista de conservação está focada na preservação de um meio para onde possamos continuamente renascer e dar continuidade ao ciclo de evolução da consciência. O corpo é a forma orgânica e se desfaz, mas a mente não pode se evaporar enquanto não tiver chegado ao nível de vapor.

04 setembro, 2009

Perguntas para se fazer todos os dias:

É hoje que irei morrer?
Estou vivendo a vida que eu quero viver?
Estou sendo a pessoa que quero ser?

Quando aprendemos a morrer, aprendemos a viver.

Morrie Schwartz

02 setembro, 2009

Os Perigos do Apego Obsessivo.

A cultura ocidental cultua o apego como uma característica do romantismo. É bonito sentir ciúmes mas as consequencias não são bonitas. Às vezes, o que o apego gera é uma obsessão pelo outro ou por alguma coisa: dependência emocional, e isso pode levar a desdobramentos perigosos.

30 agosto, 2009

Mestre Online.

Alguns resistem a usar a Internet como meio de chegar às pessoas. O aconselhamento online já uma realidade há algum tempo. Em algumas religiões é amplamente usado. Mas qual o limite entre o contanto online e o contato direto?

Quem faz uso da Internet há décadas sabe como esse meio é envolvente e permite que as pessoas sejam mais ousadas e expansivas do que seriam olho no olho. Será que o aluno não precisa do olho no olho com seu professor? Será que apenas tagarelar no MSN basta?

Uso a Internet há muito tempo e ainda hoje não me sinto confortável "falando" com um teclado. Também não é fácil encarar o professor pessoalmente. Mas quando estou com um professor/a posso observá-lo, posso apreender dele, da sua experiência.

Palavras bonitas são sedutoras e podem até ser um conforto em um momento que precisamos delas. Mas o silêncio da experiência sem palavras também me ensinam.

Talvez cada vez mais o contato online seja uma ferramenta de uso habitual, mas ela não deve mascarar ou falsear o contato "mente com mente".

Estando na frente um do outro não há como fugir ou fingir. Tudo que somos se revela.

24 agosto, 2009

O sabor "real" dos alimentos.

Já sentiu na língua a diferença entre o Jardim do Éden e a lata de lixo?

Ao mesmo tempo que é maravilhoso é estranho e chocante.É como se descobrir dentro de outro mundo, com outros códigos palatais.
poder identificar o grau de vitalidade do alimento é mágico.

Pode ser diferença entre o podre, velho, um alimento morto (vazio de energia),sem vida, em estado de decomposição e um alimento vivo (cheio de energia.

Isto pode ser experimentado quando praticamos a atenção plena ao comer. É como um processo de desintoxicação. Sem contar que o processo de desintoxicação alimentar em si já vale a pena. Deixar de lado alguns hábitos, se disciplinar. O bem-estar é enorme, sem preço.

16 agosto, 2009

Doze Princípios do Budismo

"1. A autossalvação é a tarefa mais imediata para cada
um de nós. Em vez de perder tempo com questionamentos
metafísicos, é necessário começar imediatamente a
aprender e progredir através de experiência direta e
pessoal de vida.

2. O primeiro fato da existência é a lei da
impermanência. Tudo o que existe atravessa um ciclo,
passando pelas fases de nascimento, crescimento,
velhice e morte.
A vida é um estado de permanente fluxo. O apego às
formas passageiras desse fluxo causa sofrimento.

3. A impermanência também vale para a "alma". Não
existe no indivíduo um princípio eterno e imutável.
Somente a Realidade Absoluta é perene, e os indivíduos
são apenas manifestações temporárias dessa Realidade.

4. Tudo tem causa e efeito. O nosso estado presente é
o resultado de todas as nossas ações passadas. O karma
("ação e reação") governa a existência humana. Somos
completamente responsáveis pelo nosso estado passado,
atual e futuro. O processo de autoaperfeiçoamento que
conduz à liberação final é longo e envolve muitas
vidas sucessivas, mas eventualmente todos os seres se
iluminarão.

5. A vida é uma só e indivisível, embora sua
manifestação seja em inúmeras formas divididas. A
morte para o todo não existe, embora cada parte esteja
destinada a morrer.
A noção da unidade da vida gera a compaixão - um senso
de identidade com todos os seres vivos.

6. Se a vida é uma, os interesses da parte devem ser
os mesmos do todo. Na sua ignorância, cada um luta
para que prevaleçam seus interesses pessoais, mas a
energia assim desviada para propósitos egoístas produz
sofrimento.
O Buda ensinou Quatro Nobres Verdades: 1) a
onipresença do sofrimento; 2) a causa do sofrimento,
desejos equivocadamente dirigidos; 3) a erradicação do
sofrimento pela eliminação de suas causas; 4) a
prática de auto-aperfeiçoamento para esse fim, chamada
de Caminho Óctuplo.

7. O Caminho Óctuplo consiste em: 1) compreensão
correta; 2) motivação correta; 3) fala correta; 4)
ação correta; 5) meio de vida correto; 6) esforço
correto; 7) concentração mental correta; 8) meditação
correta.

8. O budismo não é teísta. A Realidade absoluta e sem
limites está além de todas as descrições e categorias
humanas. Portanto, transcende até os nossos conceitos
de divindade, porque ao atribuirmos-lhes propriedades,
nós a estamos limitando.
O Buda não é um deus. Ele foi um ser humano comum que,
mediante esforço próprio, atingiu a liberação final
das limitações da individualidade; uma
supra consciência ou insight transcendental, usualmente
chamado de "iluminação" ou Nirvana. Todos os seres
humanos, sem exceção, têm o potencial de atingir esse
mesmo estado final.

9. O processo de auto desenvolvimento é chamado de
"Caminho do Meio", pois transita entre os opostos,
evitando todos os extremos. O Buda experimentou
pessoalmente e rejeitou os extremos da
auto gratificação e da auto mortificação.
A única fé requerida de um budista é a crença razoável
de que o caminho percorrido por um mestre será válido
para ele também.

10. É fundamental para a prática que a pessoa se
dedique à meditação. Ela deve aprender a destacar-se
das emoções passageiras. A faculdade de observação das
circunstâncias do momento permite manter as ações
sempre equilibradas.

11. Não se reconhece nenhuma autoridade final externa
sobre a verdade; somente a intuição do próprio
indivíduo. Cada qual sofre as conseqüências dos
próprios atos e aprende a partir disso. Os monges e
estudiosos são professores e exemplos, mas não são
intermediários entre o adepto e a Realidade.
Nenhuma oração pode impedir um efeito de seguir-se à
sua causa.
Tolerância absoluta deve ser observada em relação a
todas as religiões e filosofias, pois ninguém tem o
direito de interferir na jornada espiritual alheia.

12. O budismo não é pessimista nem escapista; não
afirma nem nega a existência de Deus; não possui
dogmas; é intelectual e psicológico ao mesmo tempo;
não é somente uma religião, ou apenas uma filosofia,
nem um meio de vida, mas relaciona-se com tudo isso;
respeita todos os pontos de vista; aceita a ciência, a
religião, a ética e a arte; e insiste na
autossuficiência do ser humano e no seu poder como
criador do próprio destino."

Autor desconhecido.

08 agosto, 2009

Dois Novos Monges.


Giorgia ordenada no ano passado e Miguel este ano são os dois mais recentes monges da Sanga Somossan de Floripa. Alunos do mestre Tokuda. Parabéns!

05 agosto, 2009

04 agosto, 2009

Um Pouco de Sabedoria pela via Filosófica.

"Marcel Proust em À Sombra das Raparigas em Flor, ensina-nos que
“a sabedoria não se transmite, é preciso que a gente mesmo a descubra
depois de uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e
que ninguém pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas”.

O antropólogo Claude Lévi-Strauss escreveu em O Cru e o Cozido
que "o sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas;
é o que formula as verdadeiras perguntas.”

Por isso é imprescindível revisitar um monge beneditino que, há aprox. 1300 anos,
viveu na Inglaterra: Beda, o Venerável.
Beda legou ( com validade indeterminada!) uma prescrição em forma de advertência,
na qual diz que há três caminhos para a felicidade ( ou fracasso):

1.não ensinar o que se sabe
2.não praticar o que se ensina
3.não perguntar o que se ignora.


Retomando pelo positivo as três advertências de Beda- que o sucesso está:

na generosidade mental (ensinar o que sabe),
na honestidade moral ( praticar o que ensina),
e na humildade inteligente (perguntar o que ignora)


Este texto foi editado.
O texto completo in: Folha Equilíbrio,10 (25.07.02) [Mario Sergio Cortella, Fil-PUC-SP]

03 agosto, 2009

O que esperar de um mestre.

Não se deve esperar muito de um mestre. Se o mestre perceber que tem expectativa pode ficar distante ou em silêncio. Vc. não vai entender que é um sinal e pior pode entender que ele não quer falar com você. Vc. pode se distanciar, ficar magoado e isso pode levá-lo a se afastar do mestre e da prática.

Se vc. espera muito pode sinalizar que está iludido. O mestre não vai reforçar sua ilusão.
Não vai te dar atenção porque vc. quer.
Tem que aprender a ser independente sem se rebelar.
Independente dentro e fora.
Isso não significada dizer: eu não preciso disso ou daquilo ou daquele outro.

Antigamente o aluno nem via o mestre. No ocidente temos sorte de ter mais condições e parece que isso é um problema. Não tem que ser um problema.

Muitos já abandonaram seu mestre por orgulho, por vaidade, por achar que as coisas deveriam ser de outra forma ou da forma que gostariam que fosse. Isso não passa de apego. Praticar a humildade é o caminho para quebar esse tipo de comportamento.

31 julho, 2009

Uma boa medida.

"Tem um ditado antigo que diz que para se conhecer bem uma pessoa,
é necessário comer junto a ela um quilo de sal.


Você sabe quanto dura um quilo de sal? Meses - para alguns,
é possível que mais de um ano.
Ao longo de um quilo de sal passam alegrias, tristezas,
contratempos e contradições. Amanhece e anoitece um sem número
de dias e noites com suas surpresas e rotinas. O inexplicável, o incompreensível, o passageiro.

Os questionamentos e as muitas respostas.
E é debaixo de um quilo de sal que a gente decide se quer permanecer...
Bem: isso é válido mais para as relações a dois, os pares-cúmplices,
os amantes cotidianos. Ou seja, para aqueles que não têm onde se esconder um do outro...
Junto aos amigos é mais difícil comer um quilo de sal.
A convivência se dá num nível diferente - aquele dos encontros espaçados,
os almoços e jantares, os cinemas, o telefone e, num tempo maior,
as viagens de férias ou finais de semana. Mas nada pode ser
comparado com habitar sob o mesmo teto.

Daí, como desvendar e reconhecer os que hão de permanecer?
Já tive - como todos - muitas decepções amigáveis.
Não é raro o engano: vivemos tão esperançosos pela verdade,
que ao mais breve sinal de simpatia pregamos uma tarja de confiança.
E não é raro também o desencanto, o susto,
a sensação de perda quando os véus caem.

Isso diminui com a maturidade, quando já
aprendemos que o brilho dos olhos traem e que nem todo sorriso é cordial.
Então, de toda forma, andei pensando que talvez devêssemos adotar
a medida de um quilo de sal também para esse tipo de relacionamento e,
quem sabe, teríamos menos desapontamentos antes de saber o quase tudo da vida... "

Ps. Não lembro de quem é o texto.

28 julho, 2009

Onde Encontrar Paina.

Lá em Mato Grosso eles plantam a paineira nas ruas. Quando a árvore libera as sementes que ficam envoltas na plumagem as pessoas reclamam porque sofrem com alergias. Pena que eles não saibam que poderiam dar um fim economicamente útil a essa plumagem. Ela é usada para enchimento dos zafus. Por aqui é raro encontrar paina. E lá em Mato Grosso a paina é um estorvo. Pela quantidade de gente que vem a esse blog a procura de como comprar um Zafu acho que vou pôr uma empresa de zafus. Ou alguém vai achar minha ideia interessante e vai copiá-la.

27 julho, 2009

As Utilidades do Bambu

Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada. Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas, uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída.

O bambu nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos, de nossos sonhos. Simboliza bem a ideia taoísta segundo a qual se deve ceder a situações ou condições externas, para melhor triunfarmos na vida. Mesmo sob fortes chuvas e temporais, o bambu curva-se até o chão, mas recupera a sua posição e se mantém firme. Simboliza a flexibilidade, a persistência.

Para Buda, o bambu ajuda o homem a alcançar a serenidade e a paz interior. O som produzido pelo bambu quando se enverga com a mais leve brisa é a maior demonstração de maestria.

Tenha sempre dois hábitos: Persistência e Paciência.

É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão...

E do bambu dá pra fazer muita coisa como essa bici.

Alguém querendo brigar?

Tenha calma,
Respire suavemente,
Sorria amorosamente,
Tente de novo,
Aja primeiro,
Não dê explicações,
Peça desculpas.

Desarme a bomba antes que ela expluda sobre você.

23 julho, 2009

Qual a natureza dos Budas.

No Tibete dizemos que assim como é da natureza do fogo queimar, ou a da água matar a sede, é da natureza dos budas estar presente logo que alguém os invoca, tão infinito é seu compassivo desejo de ajudar todos os seres sensíveis.

Não pense nem por um instante que se você invocar a verdade para socorrer um amigo que morreu será menos efetivo do que se um "homem santo" orasse por ele.

Pelo fato de estar perto da pessoa que morreu, a intensidade do seu amor e a profundidade de sua ligação dão à sua invocação um poder maior. Os mestres nos asseguram isso: chame-os e os budas vão responder.

Sogyal Rinpoche



[O Livro Tibetano do Viver e do Morrer.]

17 julho, 2009

Manter-se na Linha.

Quando se passa algum tempo sem sentar em meditação pode bater uma preguiça de voltar a sentar. Não é bom dar essa folga para a meditação. Esteja onde estiver tente manter a rotina. Mesmo que não dê para sentar efetivamente, dá para caminhar, fazer mantra ou simplesmente manter a atenção naquilo que faz rotineiramente todos os dias

09 julho, 2009

Meditação Andando.

Depois de um mês caminhando (quase um retiro andando) retorno à rotina diária. Foi uma experiência que agregou mais a minha existência. As coisas que deixei para trás e as coisas que vi refletidas no espelho da minha mente serão como setas amarelas apontando para minha consciência sempre que me deparar com situações reconhecidas.

28 junho, 2009

Confiança

A relação entre professor e aluno é como uma dança
à dois. Se um for para cada lado, não haverá dança.
Ambos devem seguir a mesma música.
Para se deixar conduzir por alguém, seja na dança, seja na prática, é necessário confiar no seu parceiro de dança, no seu professor.
Quando não há confiança, a dança não acontece.

Heila Downey,JDPSN.

27 maio, 2009

Tipos de Dificuldades.

O Buda disse, “As pessoas encontram vinte tipos de dificuldades.


É difícil dar quando se é pobre.
É difícil estudar o caminho quando se tem dinheiro e status.
É difícil abandonar a vida e enfrentar a certeza da morte.
É difícil encontrar os sutras budistas. Buda não contava com a Internet.
É difícil nascer quando um Buda está no mundo.
É difícil suportar a luxúria e o desejo.
É difícil ver coisas preciosas e não as desejar.
É difícil ser insultado e não se enfurecer.
É difícil ter poder e não abusar dele.
É difícil entrar em contato com as coisas e não ser afetado por elas.
É difícil ter um conhecimento vasto e investigar profundamente.
É difícil vencer o orgulho.
É difícil não menosprezar quem ainda não estudou.
É difícil manter a mente em equanimidade.
É difícil não falar dos outros e não dar opiniões.
É difícil encontrar um Mestre Bom e Sábio.
É difícil ver a própria natureza e estudar o Caminho.
É difícil ensinar as pessoas e conduzi-las à Iluminação de acordo com as suas capacidades.
É difícil ser o mestre de si mesmo perante todas as situações.
É difícil entender completamente os meios hábeis dos Budas.”

In: Sutra das 42 Sessões.

20 maio, 2009

Cuidado para não dar um tiro no próprio pé.

Muito tempo antes de conhecer o Caminho Zen e o Budismo tive um sonho e nele me encontrava em uma praia. Em minha direção vinha um senhor de terno preto e chapéu coco com um guarda-chuva que usava como bengala. Ele passou por mim e cumprimentou-me em alemão. Sentamos-nos na areia e lhe perguntei:

-Her Freud. O que significa a “morte do ego”? – Ao que ele respondeu, olhando para o mar.
- Porque isso é importante.
Acordei e essa questão ficou na minha mente. Tinha uma professora que havia clinicado como psicóloga e tão logo a vi fuzile-a com a mesma pergunta.

-O que significa a “morte do ego”?
-Procure no dicionário de psiquiatria. –Disse-me ela, livrando-se da pergunta.

Foi o que fiz. Nada encontrei e não satisfeita me dei ao trabalho de folhear toda a extensa obra de Frued a procura de algum sinal que respondesse a questão. Ainda não havia internet.

O tempo passou e esqueci-me do assunto até me deparar com o Zen. A pergunta voltou à tona na prática.

No início minha prática era para dissolver o sofrimento e logo percebi que estava buscando a extinção como uma forma de sair do mundo, uma forma de suicídio sem deixar o corpo físico. Não sabia o perigo que corria praticando assim.
Pois, se de fato, a extinção acontecesse eu certamente, não saberia como lidar com o evento. Certamente seria assustador.

Tive sorte de ter uma mente forte e aos poucos abandonar esse caminho e ver a prática com mais leveza. Tive mais sorte em encontrar um mestre que me puxou para o Caminho do Bodisattva e me trouxe à realidade de uma prática centrada, equilibrada e harmoniosa, sem riscos para mim e para quem convive comigo.

Talvez a “morte do ego” só aconteça com a extinção, mas o que é “extinção” do ponto de vista budista?
Em geral, equivocadamente, somos levados a acreditar que extinção significa morrer fisicamente e que é necessário matar o ego para tanto. Nem um nem outro tem a ver com a morte física. Talvez confundamos a iluminação com extinção.
Extinção “significa” o fim do ciclo de nascimento e morte. Ao iluminar-se completamente Buda extinguiu todo o sofrimento e viu a verdade que ele buscava. Naquele momento ele poderia ter ido embora pois já havia realizado o que buscava. Poderia deixar seu corpo e extinguir-se, mas ele preferiu ficar por compaixão a todos os seres e ensinar o que havia compreendido. Então ele adiou sua completa extinção para levar uma vida comum e humana. Viveu até os 80 anos e morreu como qualquer simples mortal poderia morrer. Mas ao deixar seu corpo físico ele não renasceria mais em outros corpos. Seria literalmente o que já era: a verdadeira natura. O universo infinito, sem começo nem fim.

Portanto aqueles que apostam que morrendo, ou praticando à exaustão, estarão livres do ego, do sofrimento, de problemas, que sumirão do mundo e estarão livres dele estão iludidos e podem ser levados a loucura ou ao suicídio. Assim, buscar esse tipo de morte é buscar mais carma para si e todos os seres. Se vc. morre nessas condições significa que o ego triunfou. Não terá adiantado nada lutar contra o ego, pois não é esse o propósito da prática. Ela não é para matar nada, muito menos o ego. Nem para lutar contra ele, nem para forçar contra sua natureza. A prática é para dissolver processos mentais e curar a mente levando-a ao encontro da verdadeira natureza.
Ela pode ser acessada a qualquer momento independente de ego, ou de iluminação. Ser independente significa poder ir e vir de/para sua verdadeira natureza quando quiser sem precisar morrer fisicamente. Esse é o sentido mais profundo da liberdade.

17 maio, 2009

Guru Jay.

Vi alguns vídeos com Jamie Oliver e depois dessa experiência minha mente ficou super atenta. Não sei por que, mas a maneira aparentemente frenética e ao mesmo tempo organizada que o Jamie se vale para preparar receitas me despertou em algum ponto a atenção. O site dele tem boas dicas e quem quiser segui-lo no twitter... O mais engraçado é que há vários imitadores de Jamie no YTube e todos são cômicos. Eles pecam exatamente porque não tem o treinamento que Jay (já somos íntimos) tem. Não tem nenhum dos vídeos novos disponíveis. Neste ai dublado em espanhol ele ensina a fazer massa de pizza.

13 maio, 2009

O que Faço com meus Preceitos?











Você pode viver uma vida extraordinária, hoje!


Receber cinco preceitos significa que vc. está recebendo cinco tarefas.
Vc. vai olhar para elas com humildade e sinceramente se comprometer a pô-las em pratica. "Pôr em pratica" não significa se apegar, se aferrar, se prender nos preceitos como leis máximas, supremas, acima do seu arbítrio. Significa que no momento que uma situação aparecer vc. pode lançar mão deles. Não havendo a situação vc. os deixa quietos. Nem sempre vc. poderá fazer a escolha que parece a mais correta vista de fora. Veja, o preceito que diz para "Não matar", não significa exatamente o que diz. Melhor seria se o preceito se chamasse:"Salvar vidas!", pois é isso que está por trás de "Não matar". Então, às vezes se faz necessário matar para salvar vidas e outras vezes se faz necessário salvar "alguém ou algo" para impedir que muitas vidas sejam perdidas. Confuso? Sim, os preceitos carregam essa ambiguidade, por isso somente o tempo e maturidade da prática nos permitem ver o duplo sentido que eles tem. Se olhamos com rigidez certamente cometeremos erros e ficaremos apenas no plano do fanatismo. É preciso ir além.

Veja o preceito "Não roubar". Ele é muito amplo. Não se restringe a roubar coisas materiais. Quando fazemos alguém sofrer roubamos sua tranquilidade. Quando invejamos a boa situação alheia, roubamos a energia. Alias, roubar energia dos outros e das coisas é o que mais fazemos e ingenuamente, às vezes, nem nos damos conta que essa é uma forma de roubar tão danosa quanto roubar algo material.

Certa vez vi uma pessoa roubando um sapato numa loja de departamento. Fiquei chocada, mas a pessoa me viu e me encarou ameaçadoramente então tive que ficar na minha. Em outra oportunidade sabia que uma pessoa tinha costume de roubar e decidi dar um basta. Ficava no encalço da pessoa toda vez que entrava na loja e um dia pedi para deixar a bolsa e o carrinho do bebe na entrada da loja. A pessoa nunca mais apareceu. Se continua roubando em outras lojas não sei, mas quando a pessoa tem um vício é preciso ser firme. Nunca acusei. Apenas dei a entender que sabia.

Devemos deixar as pessoas se ferrarem ou devemos "salva-las"? É uma questão delicada que precisa ser estudada com carinho para não complicar mais as coisas.

O preceito de "Não mentir", também tem uma amplitude interessante. Conheci uma pessoa que seguia esse preceito ao pé da letra. Nunca mentia. Era uma tortura, pois certamente há coisas que são do seu foro intimo que vc. não precisa publicar no jornal. Vivendo em sociedade é praticamente impossível viver sem "dissimular", uma variante muito usada de "mentir". As pessoas esquecem-se que ao dissimular também mentem e com muito mais propriedade e convencimento que se simplesmente mentissem por maldade. Faz parte da nossa estratégia de sobrevivência em sociedade, dissimular. Mestre Seung Sahn que conviveu com várias culturas costumava dizer que um bom praticante é aquele que haje de acordo com a situação. Sinceridade em demasia traz transtornos, inimizades, tumulto e brigas tanto quanto ser maldoso e falar da vida alheia. Portanto é preciso ter o dom da dissimulação para viver bem e em paz com todos.

Todavia, novamente nos deparamos com o que é mais importante: Não mentir ou salvar vidas? Se para salvar alguém de cometer um mal maior, ou um sofrimento desnecessario ou que pode ser adiado, podemos omitir alguma informação.

Costuma-se usar o exemplo de um assaltante sendo perseguido pela polícia e ele entra na sua casa e pede para que vc. não o entregue. O que vc. faz quando a polícia aparece e lhe pergunta se vc. viu o cara? Vc. o entrega porque vc. não pode quebrar o preceito de não mentir ou vc. diz ao policial que ele foi na direção oposta? Se o assaltante for seu filho? Vc. o entrega para o bem dele ou vc. o protege?
Vc. está preparado para decidir? Não, ninguém está e o mais comum é agir de acordo com a emoção ou na pressão do momento.

O Preceito que diz para não usar substâncias que alterem nosso estado mental nos deixando confusos e nos colocando em situações nas quais poderíamos cometer algum mal a nós mesmos e a outros, pois não estaríamos 100% conscientes de nossos atos, é um dos mais fáceis de entender. Todavia ele não diz, "não use, nunca, não pode." A decisão é sua. Se fizer uso, faça de modo leve. Se beber não dirija se dirigir não beba. Sabemos que os excessos ao longo prazo levam as funções vitais a se deterioram e nossa condição de praticar pode ficar impossibilitada. Se nos entregamos ao vícios retornamos para uma condição semelhante a dos animais e isso é uma involução na nossa condição.

O preceito que diz para não fazer má uso da sexualidade também não é difícil de entender. Quando vemos tantos casos de pedofilia, de estupro, de pessoas vendendo sexo por vários meios, seja pessoalmente, em filmes, na internet como um meio de vida não devemos julgar essas pessoas, mas não devemos fazer parte desse tipo de situação. Pois causamos sofrimento às pessoas às quais forçamos a nos satisfazer, mesmo que em troca de dinheiro. A pessoa que está nessa situação nem sempre quer viver assim. Infelizmente há um comércio de pornografia que usa pessoas doentes e pessoas que precisam de dinheiro para obter lucro as custas de suas dificuldades.

Quanto ao preceito de não matar que abrange qualquer ser vivo, não vou comentar sobre a questão de comer ou não carne. Essa questão deve ser entendida por quem fizer sua opção seja de comer ou não carne. É claro que nosso hábito gera uma cadeia de sofrimento sem fim e se pudéssemos ao longo de nossa vida ir reduzindo esse hábito certamente geraríamos algum benefício ao universo. Mas a escolha é muito pessoal.

Quanto ao preceito de não fazer má uso do sexo, não se pode dizer se as pessoas que são homossexuais estão quebrando esse preceito. Não cabe a ninguém escolher a direção do desejo das pessoas. Mas se o homossexual se prostitui, ele obviamente gera sofrimento. Se se relaciona com seu companheiro como qualquer outro relacionamento, isso não pode ser condenável.

Olhando superficialmente, sem nenhum comentário, parece fácil pôr em prática, mas não é nada fácil, pois temos uma carga de padrões mentais muito forte que vamos formando desde muito cedo e padrões mentais que já trazemos de nossas vidas anteriores. O que precisa ser exercitado é o que cada preceito não nos revela e para isso o uso do bom senso se faz necessário. Aprendemos com as experiências no dia a dia. Errando, corrigindo, caindo, levantando, olhando com preconceito e aprendendo a olhar compassivamente para todos os seres como se olhássemos a nós mesmos no espelho.

Cuidar dos preceitos significa cuidar de si mesmo e de todos os seres. Cuidar dos preceitos não significa engessá-los, "isso não pode, assim não pode, está errado". Decidir quando e como usar e quando deixar ir é uma prerrogativa do livre arbítrio de cada um. Se houverem consequenciais às nossas escolhas elas aparecerão.

Uma última consideração. Não tome o conceito "salvar vidas" como uma missão. Nem tudo pede que seja salvo. E se vc. partir apenas do seu ponto de vista, achando que está salvando alguém ou algo, vc. pode gerar mais sofrimento. Esse "salvar" precisa também passar por muitos filtros.

Os preceitos básicos são dez. Os próximos cinco ficam para outro post. Este já ficou longo demais.

Qualquer dúvida, consulte seu professor.

04 maio, 2009

O que é Isso?

Depois de nomear os pensamentos, que é uma estratégia muito útil no início da prática, passei a usar a pergunta:"O que é isso?" para qualquer coisa que surgisse na minha mente. Não apenas sentada em zazen, mas em qualquer momento que me lembrasse da pergunta. O que é isso? É como um estalar de dedos, uma campainha, um "Olha!" e vc. logo começa a se perceber no turbilhão de pensamentos e depois percebe que pode fazer escolhas. Simplesmente deixar seus pensamentos fluírem sem reprimi-los. Ou se se deixa levar pelo turbilhão. Não se torture por eles existirem e nem caia na armadilha de querer se livrar deles.


É aquela história dos cavalos puxando uma carroça. E vc. é o condutor. Se vc. mantém o controle sobre os cavalos (os hábitos dos desejos), eles vão para onde vc. quiser. Mas se vc. deixa as rédeas soltas. Eles vão para onde querem e cada um quer ir para um lugar diferente ao mesmo tempo. Assim sem atenção sobre os cavalos a carroça pode cair no precipício e vc. pode se ferir ou morrer. Mas se vc. tem as rédeas dos seus desejos, vc. pode deixar ir no ritmo certo. Nem para mais nos excessos, nem para menos, nas privações. Depende de vc. conduzir a si mesmo com maetria.

02 maio, 2009

A Arte da Imperfeição.

Wabi sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. O termo é quase que intraduzível. Na verdade, wabi sabi é um jeito de “ver” as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade. É um conceito muito usado na confecção de cerâmicas.

Contam que o conceito surgiu por volta do século 15. Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá. E foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichadamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição.

O que a historinha de Rikyu tem para nos ensinar é que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar. E a natureza das coisas é percorrer seu ciclo de nascimento, deslumbramento e morte. Efêmeras e frágeis. Eles enxergaram a beleza e a elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo. Um velho bule de chá, musgo cobrindo as pedras do caminho, a toalha amarelada da avó, a cadeira de madeira branqueada de chuva que espreguiça no jardim, uma única rosa solta no vaso, a maçaneta da porta nublada das mãos que deixou entrar e sair.


A Arte da Imperfeição é ver a vida com a tranquilidade de quem sabe que a busca da perfeição exaure nossas forças e corrói nossas pequenas alegrias.

-----------------------------------------------------------
A Arte de Viver com as Imperfeições, Veronique Vienne, Publifolha
Wabi sabi: for artists, designers, poets and philosophers, Leonard Koren (em inglês)
The Wabi sabi house: the japanese art of imperfect beauty, de Robyn G. Lawrence
Living Wabi sabi: the true beauty of your life, Taro Gold

01 maio, 2009

Seja como um Leão.

O grande sabio Mencius percebeu que é natural que a boca deseje coisas doces, os olhos desejem cores belas,os ouvidos sons agradáveis, alfato fragâncias suaveis, e os quatro membros desejem descansar.

Buda disse que há dois tipos de praticantes: O primeiro está sempre em busca de alguma coisa. Eles querem algo da prática. Se suas mentes lhes mostram algo de que não gostam, eles querem sair fora. Se alguma coisa lhes agrada, eles querem seguir isso. Eles estão sempre tentando seguir o que gostam, talvez um bom sentimento, e concertar o que não gostam, como um problema em suas vidas. Isso parece como um cachorro perseguindo um osso. Ou vc. pode ser como um leão. Se vc. estiver na floresta e jogar um osso para um leão ele irá ignorar o osso e pular sobre você!

Mestre Zen Seung Sahn dizia, "Zen significa: Eu não quero nada."
Zen é muito simples. Se vc. ,mantém essa mente "Eu não quero nada." Então seu Grande Eu aparece naturalmente e e vc. pode ajudar o nosso mundo. Nossa Escola chama isso de "Apenas faça." "Não vigie."

Mestre Zen Dae Kwang

28 abril, 2009

Deve-se Eliminar o Desejo para Eliminar a Dor?






Não usaria a palavra “eliminar” e sim suavizar. Não sei se é possível eliminar o desejo. Quem tentou deve ter ao contrário sentido mais desejo .

Fiz esse comentário no Blog da Denise que por sinal traz belissímas fotos do Festival Budista de Lanternas de Lótus na Coreia do Sul, em comemoração ao nascimento de Buda. Fotos da Denise.

Leve os Três Tesouros para onde vc. for.

Com a globalização: oportunidade de morar por um tempo em várias cidade ou países fica cada vez mais raro estabelecer vinculo com um Sanga. Somente quem tenha estabelecido raízes em algum lugar pode então partir em busca de um sanga. Pode não ter nenhuma comunidade zen na sua cidade. Pode não haver um mestre com o qual vc. venha a se conectar. Então o que fazer? No meu caso não havia sanga onde eu morava e nem professores. Alguns apareciam de vez em quando para fazer palestras ou iniciações. Quando meu interesse pelo zen se tornou forte em pouquíssimo tempo apareceu uma mestra. Tive sorte. Mas ela vivia longe do Brasil e não podia estar aqui com frequência, então, tive que ir para fora para treinar. Quase sempre é assim. Se nosso mestre não está aqui, precisamos estar com ele onde ele está. Havendo a ligação"mente com mente", não importa a distância, nem o tempo que ficamos sem vê-lo. Nossas mentes se comunicam.

Na Escola Zen Kwan Um há cada vez menos grupos. Tem se investido em centros nas grandes capitais do mundo. É para lá que vamos quando precisamos fazer retiros. De resto a ênfase desta Escola é na prática de "momento a momento". A prática cotidiana. Onde vc. está agora? O que vc. está fazendo? O que é isso? Olhe é veja.

O zazen pode e deve ser feitos todos os dias, mas não precisa abrir um grupo para isso. A estrutura de um grupo, às vezes se torna cara e poucos se dispõem a ajudar no aluguel de um espaço,que pode ser, dependendo da cidade, inviável. Todavia se vc. precisa do apoio de alguém sentando-se em zazen convide seus amigos para te fazerem companhia. Mas se vc. tem um espaço e pode disponibiliza-lo para a prática essa pode ser uma boa iniciativa. Ainda assim, seria melhor antes ter estabelecido contato com um mestre para seguir suas orientações.

27 abril, 2009

Grande Ego X Pequeno Ego.

O Grande ego é aquele que está livre dos conceitos, dos padrões e sobre tudo aquele que consegue ir além do seu carma.

O pequeno ego é o ego limitado pelos padrões mentais,opiniões, julgamentos,desejos, pensamentos, sentimentos. É o ego da maioria de todos nós. Com o qual nascemos e vivemos por muitas vidas. Se não despertamos para necessidade de emancipar esse ego e leva-lo para um nível mais saudável e mais elevado espiritualmente, será com esse ego que viveremos e morreremos. É nele que temos que trabalhar. Trabalhar é uma palavra bem apropriada sobretudo quando vemos pessoas dizendo por ai que devemos combater o ego, consertar o ego ou até matar o ego. Se matarmos o pequeno ego como teremos acesso ao grande ego?

24 abril, 2009

18 abril, 2009

Sombras

Perceba como a luz vai se movendo na sala até o efeito final nesse vídeo clip com a música do Ottmar Liebert. Ottmar tem um blog e pelo que parece é zen.


Candlelight - 2 from Ottmar Liebert on Vimeo.

Opções

Não gosto de comparações mas algumas coisas que foram escritas há muito tempo e continuam a serem repetidas como um mantra precisam ser atualizadas.

Não é verdade que o Rinzai está centrado nos Koans. Eles apenas aparecem nas entrevistas e são uma ferramenta para o aluno acessar a "mente que não sabe". Todavia existem muitos Rinzais. O japonês sempre teve fama de ser mais rigoroso e algumas pessoas pensam que pq. no passado se batia nos monges nos mosteiros para forçá-los a um treinamento duro, essas coisas acontecessem em uma sanga de leigos. Posso dizer que não acontece sequer em retiros. Nunca estive em mosteiros Rinzai japonês que usasse esse método mais rigoroso portanto não poderia dizer se ainda é assim, mas como a maioria dos mosteiros recebem mais ocidentais que orientais, há várias opções- desde um retiro mais light àquele mais rigoroso. Isso deve ser esclarecido antes de vc. ir para o lugar para que possa decidir. Todavia o dia-a-dia de uma sanga não é como no mosteiro.

Também dizem que a Soto é só Zazen. Não é de todo verdade, embora seja a prática central. O Soto adota o sistema de perguntas e respostas conhecido como "Mondo". Neste caso somente o aluno pergunta e somente o mestre responde. No Rinzai quem pergunta é o mestre e o aluno dá as respostas. No Rinzai tb. há muito zazen e outros formas de praticar para quem não pode sentar-se rigorosamente em zazen. Pode-se cantar, fazer mantras ou prostrações. Não se fala: "Ou vc. faz assim ou vai embora." Sempre tem opções.

Ambas Escolas usam o Kyosaku (bastão de madeira) para bater, mas somente o fazem a pedido do praticante. No Rinzai Coreano pode-se solicitar que se bata em um dos ombros e tb. nas costas. No Soto apenas no ombro direito. Solicita-se fazendo gasshô quando o kyosaku estiver passando. Este instrumento é usado para dar alívio muscular aos ombros e para despertar aqueles que estejam adormecidos ou distraídos. Esse instrumento foi usado nos mosteiros de uma forma muito rigorosa razão pela qual ainda cause aversão aos praticantes leigos.

Todavia, o treinamento monástico em mosteiro não pode ser levado em conta quando se pratica em um grupo.

Poucos lugares conseguem reproduzir um retiro da maneira que ele é feito no mosteiro pois exige muita disciplina, organização e instrumentos que custam caro para juntar além de um espaço adequado.

Veja um exemplo de treinamento monástico no estilo soto. Incluindo o mondo que é muito parecido com os koans embora seja mais prático e somente o mestre dê as respostas. Isto tudo pode acontecer em um retiro leigo e não é nada demais.

17 abril, 2009

Como ser harmonioso.

A vida é passageira. Investigue-a de perto.

Meu nome de dharma é "Luz Harmoniosa". Luz todos nós somos, mas ser harmonioso não é nada fácil. Onde encontrar harmonia em meio a tanta desarmonia. Eu posso estar harmoniosa, mas se aquele que interage comigo está em desarmonia preciso perceber e manter minha mente harmoniosa a ponto de transmitir essa harmonia ao ambiente e ao outro. O que fazemos na maioria das vezes é entrar na onda do outro e deixar que essa onda nos arraste com ela. Como o processo acontece ainda não sei ao certo. Vou tateando no escuro. Vendo o que acontece e dizendo para os meus botões:"Humm, será que é isso?" Acho que um pouco do que Buda se referia quando disse: "Investigue". Investigar a si mesmo é algo imprescindível para crescer na prática. Mestre Seung Sahn dizia: mil vezes investigue a si mesmo que ao outro. E como é fácil investigar o outro e esquecer-se de si.

15 abril, 2009

Um com a Onda.


Achava que os surfistas só ficavam ali no mar à toa. Meu conceito mudou quando estava afundando na Praia da Joaquina e um deles me puxou até a areia.

10 abril, 2009

De onde vem a o Belo e o Feio?

As pessoas falam que o que importa é a beleza interior, mas a feiura por acaso vem de onde? Ela tb é interior? Quando expressamos beleza ou feiura em nossos atos de onde eles veem? Talvez indo mais fundo podessemos dizer que vem do nosso carma. Carma não tem dentro nem fora, mas vamos deixar condicionado que seja dentro apenas para não ficar solto por ai. Mestre Seung Sahn costumava dizer que nós não passamos de pele e ossos. E no fim só sobram os ossos. Nosso carma vai e volta em outras peles.

08 abril, 2009

Celebrando lembraças.


Lembro da graciosidade, do colorido, do perfume não lembro mais. Lembro da fragilidade e do pouco tempo que duravam suas flores quando tínhamos uma cerejeira no pomar.

07 abril, 2009

Ji Jang Bosal

Todos o chamavam de JW. Eu achava estranho, mas nunca perguntei o que era JW. Talvez John ou James. Ele era o reponsável pela adm. de Providence Zen Center. Fiquei sabendo que ele sei foi. Que Ji Jang Bosal conduza JW na transição entre a vida física e um novo renascimento.

O mantra para ter um bom renascimento é:

Om-mani-dani-hum-hum-ba-tak-sa-ba-ha

06 abril, 2009

A Solidão e os Relacionamentos Virtuais.

Errepender-se é o Caminho.

"Errei muito, mas não me arrependo de nada." Frase típica muitas vezes repetida sem noção do seu significado.

Errar faz parte do processo de viver e crescer. Arrepender-se também faz parte do mesmo processo. Não arrepender-se é um sinal de imaturidade, de apego ao "Eu" estou certo. "Fiz o que fiz, mas estou certo." "Não tem porque me arrepender."

Buda explicou certa vez aos seus discípulos a importância do arrependimento. Ele comparou um caçador que atira com a intenção de matar um animal e acerta em alguém que não viu. Isso é um erro, mas é um erro menor do que se ele tivesse atirado em alguém propositalmente. Todavia mesmo aquele que faz algo de propósito e expressa seu arrependimento sincero tem nesse ato de arrependimento seu sofrimento em parte dissolvido.