21 dezembro, 2008

Por que a ausência de um Deus nos assusta?

Não adianta simplesmente fazer barulho, se você desejar entronar a Divindade no altar do seu coração, se desejar realizar Deus.
Em primeiro lugar, purifique sua mente.
Deus toma assento no coração puro.

Shri Ramakrishna



Talvez o que mais assombre aos ocidentais seja o fato de no Budismo não haver a figura de um Deus, alguém a quem recorrer, fazer pedidos, xingar, reclamar. "Eu fui bom. E o que eu ganho?"
Nada. Seja apenas bom.  Nada para barganhar depois que morrer. Por quê?
Porque a vida não começa e acaba com o nascimento e a morte. É a vida física que começa e acaba, mas o resto é uma torrente contínua.

Enquanto fui cristã, vivia com a mente torturada pelo que podia ou não podia fazer.
Tinha que prestar contas à instituições religiosas e a Deus.

Fui feliz, mesmo nessa tortura, mas fui mais feliz quando rezava o terço. Rezar o terço para mim era como repetir um mantra milhares de vezes. Houve um tempo em que repetia o terço até três vezes por dia. O efeito era maravilhoso. Eu andava na rua como se levitasse. A mente ficava calma. Nada me tirava do serio. Eu era doce, amável, quase um anjo. Mas não tinha conexão com o que eu rezava. Não tinha conexão com Jesus, Maria. Só o Espírito Santo, que não tem face, me inspirava.

O que me trouxe ao Budismo foi um grande sofrimento que eu precisava curar. E ao contrário do que faria em outros tempos (prometer algo e esperar a graça a
para pagar a promessa), no Budismo nós pagamos a promessa antes de receber a graça.

Fiz meu voto de arrependimento e a graça foi chegando aos poucos. Mas não tinha chão para o tamanho da graça e não pude segurá-la por muito tempo.

No dia em que comecei a me tornar Budista, Nossa Senhora e um Anjo vieram se despedir de mim. Fiquei assustada, pois via Jesus chorando na Cruz e achava que era irreal. Talvez internamente soubesse que por mais que tentasse aquele não era meu caminho. Então depois daquele dia segui em paz sem mais pensar em Deus ou nada que lembrasse as tradições cristãs.

Respeito todas as religiões. Todas são um caminho para alguém em algum momento ou por toda a vida. Como foi para mim por um tempo. E cada um deve buscar aquela com a qual tem maior afinidade. Mesmo dentro do Budismo precisei experimentar vários caminhos até encontra o que servia melhor para mim.

A ausência da figura de um Deus nos assusta porque estamos tão presos a ela que parece que sem um Deus ficamos perdidos. É um alívio não ter mais esse apego.

Sem comentários: