02 novembro, 2008

Zen Coreano

Como se caracteriza a tradição do zen coreano em relação a outras tradições budistas
e em particular ao zen japonês (Rinzai ou Soto)?


A Escola zen coreana Chogye-son (sogie-son), este nome "Chogye" vem do lugar onde viveu o sexto patriarca Hui Neng. "Son" é a pronúncia coreana para a palavra "dhyana", que significa, contemplação. A Escola Chogye representa a escola de Hui Neng, o zen original precedente a divisão em sub-escolas. A origem vem do século VII. Se diz que quem queira experimentar como era o zen (chan) na China antiga deveria ir para a Coréia, pois lá o antigo estilo de vida dos monges e monjas itinerantes estava melhor preservado entre as montanhas da Coreia.

O espírito do zen coreano é menos militaresco do que o estilo do zen japonês. As regras da sala de meditação são menos formais, mas os príncipios morais são muito mais enfatizados. Os monges e as monjas da ordem Chogye vivem em celibato de acordo com as regras do Vinaya. Como na Escola Rinzai, a prática mais comum é a meditação sob nossas dúvidas existenciais, "O que é isso?/Quem sou?" (hwadu/apontar diretamente para a verdade. Uma das ferramentas usadas são os koans.), porém alguns hábitos como sentar-se em frente a uma parede são semelhantes à tradição Soto.

O zen coreano não é unidirecional. Além do método hwadu se pratica também a recitação de mantra, a consciência da respiração(dhyana)e a serena clareza (apenas sentar-se). A transmissão do ensinamento veio principalmente da Escola Lin chi (Rinzai) chinês.


Como é a vida monástica no zen coreano?

Nos templos coreanos vivem vários tipos de pessoas: postulantes a monge ou monja que trabalham na cozinha. Noviços e noviças (o noviciado dura três anos) monges e monjas completamente ordenados, praticantes leigos e em alguns templos pequenos também vivem órfãs, idosos que não tem família nem recursos para se sustentar. Monges e monjas são chamados pelo termo genérico "Sunim".
Muitos noviços estudam por alguns anos na escola monástica. Depois da ordenação final, um sunim pode iniciar um período de zen intensivo na sala de meditação ou de trabalho no templo. Alguns vão adiante no estudo dos ensinamentos, outros se tornam especialistas em cerimonias e outros meditadores que se recolhem em hermas montanhas para retiros solitários de longa duração.

A vida no templo é dividida em quatro estações: o inverno e o verão são para os retiros. A primavera e o outono para outras atividades. Durante os retiros de três meses, qualquer um que estiver na sala de meditação pratica por dia, oito, dez, doze horas quase todos os dias. Há dias especais em que se trabalha no campo, e os dias de lua cheia e lua nova. Nestes dias de lua cheia e lua nova os mestres ensinam o Dharma. Os leigos visitam com frequência o templo, se dedicam às atividades e fazem doações que mantém o templo. Muitos praticantes leigos são mulheres e sobretudo mulheres idosas que praticam intensamente a meditação zen, a recitação dos sutras e as prostrações.

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