27 novembro, 2008

Solidariedade

"Ato de caridade é ajudar outros a sair da escuridão e entrar na claridade. Lembre-se que todos são seus e ninguém é seu. Deixe que haja limpeza em seus pensamentos. Veja a necessidade e dê cooperação. Fique desperto e desperte outros. Com sua estabilidade interna, expulse os obstáculos. Seja um bom exemplo, coloque inspiração em sua vida e torne-se um instrumento para todos. Não use sua cabeça demais, use o poder do amor.”

Dadi Janki

26 novembro, 2008

Enterre seus mortos.

Quando vejo tantas pessoas insistindo em se agarrar a questões do passado me vem à lembrança a história da mulher indiana que por muito tempo percorreu vários vilarejos em busca da cura para o filho que carregava nos braços. A criança já havia morrido e estava se decompondo, mas ela não conseguia ver e deixar seu filho ir. Ela não conseguia aceitar aquela perda tão dolorosa.

Alguém precisava lhe trazer de volta a realidade e coube ao Buda essa tarefa. Mas Buda não lhe deu um tapa na cara e disse:"Acorda, não vês que teu filho já morreu!".

Ele a fez ver por si mesma de uma maneira clara e definitiva. E o resto da história das sementes de mostarda vc. já deve saber. Então seria bom enterrar nossos mortos. Essas assombrações do passado antes que eles nos enterrem. Faça lá o ritual (colocar tudo numa caixa e queimar) que vc. quiser, mas despeça-se do passado e vá viver a vida com mais leveza.

23 novembro, 2008

Rei Menamdro e o Budismo.

"O Milinda Pañha :Perguntas de Milinda" é um texto budista que data de aproximadamente 100 a. C. Ele registra um diálogo no qual o rei indo-grego Menandro I ("Milinda" em pali) de Eutidêmia coloca questões sobre o budismo ao sábio Nāgasena. Esse texto pode ter sido inicialmente escrito em sânscrito, mas, além da edição em pali de Sri Lanka e os seus derivados, nenhuma outra cópia é conhecida.

A obra foi traduzida para o inglês duas vezes, uma em 1890 por Thomas William Rhys Davids e outra em 1969 por Isaline Blew Horner. Uma nova versão resumida da tradução de Rhys Davids por publicada por Bhikku Pesala em 1990. Ambas as versões original e resumida de Rhys Davids estão disponíveis eletronicamente.

Qual o seu Veículo?

Esse negócio de veículo no Budismo (Hinayana, Mahayana, Zen, Muito Além do Zen) sempre foi motivo de discussões acirradas entre uns e outros. Cada qual defendendo o seu como o melhor.

Um tempo atrás publiquei um texto "O meu Buda lava melhor que o seu." Uma alusão a guerra de marcas de sabão em pó. Cada qual promete limpar melhor sua roupa. O mesmo aconteceu e não suspeito que ainda aconteça com as diferentes ramificações budistas. Para te convencer alguns membros mais fanáticos dirão que o seu veículo pode ser melhor que qualquer outro. Isto também acontece em qualquer religião não-budista.

O mais importante é que vc. use bem seu veículo e quando ele não te servir mais, troque-o por outro, caso o atual não possa mais andar.

Os veículos no budismo sempre foram comparados com a velocidade que cada um pode levar seu ocupante ao despertar. Ou níveis de ensinamento. E como sabemos ninguém gosta de comparações, mas cada veículo serve a cada momento à aquilo que seu ocupante precisa e pode ter.
Portanto se vc. precisa de uma carroça, qual o problema em embarcar nela e seguir a passos lentos. Às vezes é melhor começar passo-a-passo do que embarcar logo num foguete e depois de ficar um tempo suspenso na gravidade ter que despencar das alturas e se desintegrar na atmosfera.

Assim como há aqueles que se apegam a um único veículo e não o trocam por nada. Há os que estão sempre trocando o velho pelo novo.

Eu mesma troquei de veículo várias vezes :-). Comecei no Hinayana (Theravada), depois fui para o Mahayana/Vajra e Depois para o Zen (Soto e Rinzai) e se as portas do Além Zen se abrirem quem sabe não vou xeretar por lá.

Para alguns o Zen é Mahayana e para outros o Zen já era ensinado por Buda.
Quanto a níveis de ensinamento não há dúvida que Buda não poderia dar o mesmo nível de ensinamento a todos. Ele ensinava cada veículo de acordo com cada nível de discípulos. Portanto ele certamente ensinou em todos os níveis até muito além do que podemos conhecer. O mais fascinante é que Buda podia ensinar vários níveis simultaneamente em todos o mundos. Seria como se ele estivesse agora ensinando para um grupo e ao mesmo tempo se multiplicasse em 100 Budas e cada um estivesse ensinando em cem "lugares" (mundos cósmicos) diferentes.

20 novembro, 2008

Budismo X Homossexualidade.

Lama Chagdud Khadro reponde questões sobre homossexualidade segundo a visão do Budismo Tibetano..

Como o budismo encara e explica a homossexualidade?

O budismo prega a plena igualdade entre as pessoas. A sexualidade é apenas uma das diferenças que caracterizam as pessoas. De acordo com, Chagdud Rinpoche, qualquer relacionamento pode ser um espaço para se cultivar as seis perfeições do ideal budista. Em uma relação entre pessoas do mesmo sexo, se houver o cultivo de generosidade, disciplina moral, paciência, perseverança, concentração meditativa, sabedoria e manutenção de uma visão pura, então esta é uma relação benéfica para o desenvolvimento da mente. Em termos da homossexualidade, ele apenas prevenia contra o desenvolvimento de aversão ao sexo oposto, porque isto dificulta a obtenção de um corpo humano durante o ‘bardo’—estado intermediário entre esta vida e a próxima. De acordo com os ensinamentos, no ‘bardo’ alguém que renascerá como uma mulher sente-se atraída por aquele que será seu pai, alguém que renascerá como homem, sente-se atraído pela que será a sua mãe no momento em que presencia a sua própria concepção, então é preciso que haja esta atração para que aquela consciência se junte à união do esperma e do óvulo. Se há aversão ao sexo oposto, naturalmente não há esta atração e isto causaria dificuldades, fora isto, ele não via qualquer problema.


Um casal homossexual poderia livremente freqüentar e seguir o budismo?

Essa situação não interfere na prática do budismo.

O indivíduo homossexual deve se assumir? Ou isso não é recomendado?

Essa é uma questão que a própria pessoa deve julgar e ter a capacidade de decidir. Não deve ser necessariamente de um modo ou de outro. O necessário é viver com integridade. Se a pessoa está ‘no armário’, não se assume, e isto a deixa dividida, em conflito consigo mesma, com seu ser e sua sexualidade, fica difícil manter a integridade. Por outro lado, se a pessoa decide que é homossexual, mas não quer se assumir publicamente e prefere levar uma vida de abstinência ou ser discreta em sua vida sexual, sendo ao mesmo tempo muito honesta consigo mesma, acho que não há problema.

Como a família e a sociedade devem interagir com um indivíduo homossexual?

Com amor, compaixão, alegrando-se com as virtudes dele (a) e mantendo uma postura de equanimidade entre ‘eu’ e ‘outro’. Um indivíduo homossexual é um ser humano como qualquer outra pessoa. Um homossexual deve agir dignamente como um ser humano para que a família e a sociedade possam interagir como seres humanos.

O homossexual está em uma escala inferior ao indivíduo heterossexual?

Os dois são igualmente seres humanos, portanto, não há superior nem inferior entre os humanos..Há apenas esta questão de não se desenvolver aversão ao sexo oposto. Isto parece ser realmente necessário para que haja uma continuidade integrada daquele fluxo mental, ou consciência, na experiência que surge após a morte.

Enquanto isso o Papa segue apegado a dogmas rígidos.

19 novembro, 2008

A língua não tem Ossos.

Muitas vezes falamos o que queremos e depois temos que nos ver com as consequências do nossa língua solta ou ferina. No bastão do despertar do mestre zen está cravada uma frase muito útil:"A língua não tem ossos." Quantos esquecem e põem-se a usar sua língua indiscriminadamente, sem pensar que estão ferindo, magoando, causando mal estar, apenas porque é a sua língua e você a usa como bem entender. Então vamos a outro provérbio muito sábio:"Quem fala o que quer, ouve o que não quer." Pois se a sua língua não tem travas (ossos) a dos outros tb. não tem.

O mestre zen sempre está com seu bastão apostos para te lembrar que a língua não tem ossos e vc. deve ter muito cuidado com o que vai falar à ele. Mas sobretudo porque o zen é feito sem palavras e sendo ele um mestre de koans, pouco servirá ter uma língua. Já que os koans em grande maioria não podem ser respondidos com palavras.

18 novembro, 2008

Palestras Mestre Zen Dae Kwang.

"Quando pensamos na morte temos sentimentos ruins. Mas quando um professor morre podemos nos questionar:"Por que não perguntei aquilo?"
Por que somente quando alguém morre temos idéia do que perguntar?
Mas é tarde e não podemos dizer mais nada.
Esse é um grande ensinamento para os seres humanos.
Freud diz que em nosso intimo todos nós pensamos que somos imortais. Todos nós acreditamos que nunca vamos morrer. Isso significa que vou ter muito tempo. O que farei da minha vida? Não sei! Mas eu sei que tenho bastante tempo.
As pessoas sempre dizem que a vida é curta. "A vida é curta, a vida é curta, a vida é curta." Mas nunca dizem o quão curta ela é. O que significa esse "curta"."

Parte 2

Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7



Inglês-chinês

16 novembro, 2008

Coréia Tradicional.

A TV Cultura exibirá uma série sobre a Coréia nos dias 17-19 de novembro, às 20:30.

Verdades não Engessadas.

Li um artigo que dizia que o budismo é perigoso. De certa forma, não deixa de ser verdade, para qualquer religião. Quando mal interpretada, quando as práticas não tem o uso correto, na intensidade correta, sob orientação da pessoa certa para cada prática, e quando se beira ao fanatismo, qualquer filosofia barata pode ser avassaladora.

Considerando que grande parte das pessoas somente buscam algum "remédio espiritual" quando estão em alguma situação de perigo ou de sofrimento profundo, a chance de pegar o que estiver pela frente sem avaliar bem é muito grande. Não haverá esse tempo para experimentar, testar, considerar um e outro e descartar o que não serve.

O mais perigoso, entretanto, aos que não tem experiência suficiente, pode ser muito antes de chegar a algum templo ou mestre budista. Basta ler alguns livros (a vasta oferta de escritos online)e não saber como filtrar as informações ou não ter como esclarecer suas dúvidas e está feita a confusão. Vamos a um exemplo recorrente daqueles que apenas lêem, mas nunca tiveram contato com a prática budista.

Tomar as Quatro Nobres Verdades ao pé da letra, como de sorte qualquer escrito religioso tomado ao pé da letra leva a consequências imprevisíveis.

Uma das máximas diz:"A vida é sofrimento."

É natural que essa máxima choque pois nós buscamos o oposto.

Na verdade, há um erro de tradução da palavra "dukkha", ela significa muitas coisas, todavia traduzi-la como "aflição" ficaria melhor. Pois são as "aflições mentais" que geram sofrimento. E elas advém da nossa instabilidade. Do fato de não estarmos presentes nas nossas ações mais corriqueiras.

Se vc. está vivo tem aflições mais ou menos. Se não tem pode experimentar o contentamento, mas ele é facilmente roubado por uma mínima aflição. A mente é muito instável. Dai haverem métodos para treinar essa mente instável e levá-la a experimentar por mais tempo a estabilidade. O processo é para toda a vida.

"Ter o que vc. quer gera aflição e não ter o que vc. quer também."

O desejo é visto como o vilão de toda a história, mas Buda nunca disse para extinguir o desejo. O desejo quando bem direcionado é essencial. Mas é fato que aquele que não tem preferências ou pouco deseja pode ter mais satisfação e menos problemas do que aquele que muito quer e nada lhe satisfaz.

O que importa não é nem o muito ou o pouco, mas como vc. administra sua vida. Se vc. sabe como conduzir seu desejo, nenhum problema virá dele.

Quando Buda apresentou as Oito Etapas do Caminho do Meio. Etapas que se seguidas poderiam levar à dissolução das aflições ele não as fez pensando apenas no seus discípulos monásticos,que nem existiam até ali. Ele considerou que qualquer um que se dispusesse a seguir esse Caminho poderia, ao longo de sua vida,experimentar cada uma das etapas. Não significa que teriam que superar todas elas em uma única vida.

Uma explicação bem mais depurada do que consigo dar pode ser encontrada neste texto.


Verdades não são imutáveis. Até mesmo estas verdades são impermanentes, pois isso não devem ser engessadas.

14 novembro, 2008

Padrões

Quando ainda não temos um mix de experiências de vida (boas e ruins). Um catálogo de experiências para consultar. Quando ainda somos muito imaturos, mesmo tendo bons anos de existência. A possibilidade de nos apegarmos a conceitos e os torná-los nossos deuses particulares é tão simples quando ir ao banheiro e esquecer de usar o ph.

De onde vem o apego? Ele vem de padrões-hábitos que repetimos sem tomar consciência. Ou sabemos, mas não conseguimos deixar de lado. Apenas fazemos por crescemos fazendo, porque é assim à gerações, porque é certo, porque é melhor que seja assim, porque nos deixamos levar.

Se não fizermos sempre haverá alguém para nos lembrar desses padrões. Mas há padrões contra os quais não devemos e nem podemos nos opor. Todavia os nossos padrões secretos, pessoais, privados não precisam seguir os mesmos padrões impostos.

Não precisa fumar ou beber em festas porque ficará de mãos vazias e não saberá o que fazer com elas.

Há pessoas que sofrem com certos hábitos a ponto destes se transformarem vícios e doenças graves.

De sorte, não há nada que não pareça doentio em nossa vida cotidiana.

Ver pessoas apegadas à ideia de que "a minha religião é melhor que qualquer outra", que somente o "meu Deus salva" faz parte do processo de crescimento de todo ser humano. Há aqueles que conseguem dar um passo além do fanatismo para abraçar novos apegos. Há os que se beneficiam do fanatismo para ter algum lucro. Até que por fim não reste mais nenhuma ilusão. O vazio de nenhuma ilusão também requer atenção. Pode ser um abismo inaceitável: o que farei sem meus hábitos tão queridos? Cada nova etapa precisa de tempo para ser aceita. Queremos ganhar e quando nos vemos perdendo e esvaziando fica uma sensação estranha.
Na verdade o que perdemos é tão importante quanto o que ganhamos. Aprender a perder é essencial para ter uma vida saudável.

"O apego é um problema.
O desapego é problema.
O Não-apego sem problemas."

O apego aferrado as coisas traz sofrimento.
O desapego total de tudo também.


O que é o não-apego? Se tenho uso. Se não tenho, tudo bem.

Perceber padrões de apego e aos poucos ir suavizando seus efeitos faz parte da pratica de viver cada momento em si. Não tente concertar o que não está quebrado. Consertar-se não é o propósito de nenhuma pratica. É sim ajustar, encontrar o equilíbrio entre o mais e o menos. É o que dá leveza e tranquilidade. O meio do caminho entre os extremos.

04 novembro, 2008

Onde encontro o conjunto de oryokis?

O conjunto de oryokis da tradição soto ou rinzai japonês, pelo que pesquisei pode ser comprado via internet nos EUA ou no Japão. Ou quando alguém for para lá pedir que compre em algum mosteiro. Mas antes de partir para a importação não custa procurar o set de tigelas nos mosteiros do Brasil.

Simulei a compre nestes dois sites acima e ambos não calculam o valor do frete no fechamento da compra. Dizem que irão informar depois.
Não está claro quando é esse "depois" se é antes de "passar" o cartão ou já vem na sua fatura. O mais seguro seria enviar um email perguntando para calcularem a "shipping tax to Brazil". Pelo que pesquisei o conjunto de tigelas completo com os panos e os talheres pode variar entre 100-250,00 dólares.

Se vc. frequenta sesshins, quase sempre, o lugar que vc. vai terá os oryokis para emprestar então não vejo porque fazer um investimento tão alto nisso. Os monges e monjas ganham seu set de oryokis quando da sua ordenação. Talvez não fique bem um iniciante usar um set de monge. É melhor perguntar antes a alguém que entenda da etiqueta da tradição zen budista que vc. está frequentando.




Aqui no Brasil costuma-se comprar as peças em lojas de produtos orientais,em separado, para montar. Os paninhos e o saquinho onde vai a colher, hashi e espátula, podem ser feitos. Até a espátula pode ser feita por vc. Não é nada complicado.

Há set de três, quatro e cinco ou mais tigelas. Em geral na Escola Soto usam-se quatro e no Rinzai japonês cinco tigelas. Mas isso depende muito de mosteiro para mosteiro.

Se for montar o seu preste atenção nos tamanhos. As tigelas devem se encaixar uma dentro da outra, da menor para o maior. Como usar os oryokis é outra história e cada lugar tem seu jeito independente do estilo padrão ensinado por Dogen. Antes dos sesshins haverá o momento das intruções de uso dos oryokis.

Na Escola Zen Kwan Um, os iniciantes usam quatro tigelas (uma preta e três de outra cor) tipo donburi do mesmo tamanho , uma colher de metal ou de madeira e o hashi. Os professores, monges e monjas usam as tigelas tradicionais de monge. Não se usa espátula para limpar as tigelas, usa-se o dedo.

02 novembro, 2008

Zen Coreano

Como se caracteriza a tradição do zen coreano em relação a outras tradições budistas
e em particular ao zen japonês (Rinzai ou Soto)?


A Escola zen coreana Chogye-son (sogie-son), este nome "Chogye" vem do lugar onde viveu o sexto patriarca Hui Neng. "Son" é a pronúncia coreana para a palavra "dhyana", que significa, contemplação. A Escola Chogye representa a escola de Hui Neng, o zen original precedente a divisão em sub-escolas. A origem vem do século VII. Se diz que quem queira experimentar como era o zen (chan) na China antiga deveria ir para a Coréia, pois lá o antigo estilo de vida dos monges e monjas itinerantes estava melhor preservado entre as montanhas da Coreia.

O espírito do zen coreano é menos militaresco do que o estilo do zen japonês. As regras da sala de meditação são menos formais, mas os príncipios morais são muito mais enfatizados. Os monges e as monjas da ordem Chogye vivem em celibato de acordo com as regras do Vinaya. Como na Escola Rinzai, a prática mais comum é a meditação sob nossas dúvidas existenciais, "O que é isso?/Quem sou?" (hwadu/apontar diretamente para a verdade. Uma das ferramentas usadas são os koans.), porém alguns hábitos como sentar-se em frente a uma parede são semelhantes à tradição Soto.

O zen coreano não é unidirecional. Além do método hwadu se pratica também a recitação de mantra, a consciência da respiração(dhyana)e a serena clareza (apenas sentar-se). A transmissão do ensinamento veio principalmente da Escola Lin chi (Rinzai) chinês.


Como é a vida monástica no zen coreano?

Nos templos coreanos vivem vários tipos de pessoas: postulantes a monge ou monja que trabalham na cozinha. Noviços e noviças (o noviciado dura três anos) monges e monjas completamente ordenados, praticantes leigos e em alguns templos pequenos também vivem órfãs, idosos que não tem família nem recursos para se sustentar. Monges e monjas são chamados pelo termo genérico "Sunim".
Muitos noviços estudam por alguns anos na escola monástica. Depois da ordenação final, um sunim pode iniciar um período de zen intensivo na sala de meditação ou de trabalho no templo. Alguns vão adiante no estudo dos ensinamentos, outros se tornam especialistas em cerimonias e outros meditadores que se recolhem em hermas montanhas para retiros solitários de longa duração.

A vida no templo é dividida em quatro estações: o inverno e o verão são para os retiros. A primavera e o outono para outras atividades. Durante os retiros de três meses, qualquer um que estiver na sala de meditação pratica por dia, oito, dez, doze horas quase todos os dias. Há dias especais em que se trabalha no campo, e os dias de lua cheia e lua nova. Nestes dias de lua cheia e lua nova os mestres ensinam o Dharma. Os leigos visitam com frequência o templo, se dedicam às atividades e fazem doações que mantém o templo. Muitos praticantes leigos são mulheres e sobretudo mulheres idosas que praticam intensamente a meditação zen, a recitação dos sutras e as prostrações.