24 outubro, 2008

Seja suave com tudo que existe.

Tenho me perguntado da necessidade de retiros "duros". Heila dizia que quem faz a prática dura, suave ou com mais ou menos sofrimento, somos nós. Para mim encontrar suavidade no meio de algo muito pesado é o necessário. O extraordinário é dispensável. Eu até diária: melhor correr do extraordinário.

Não busco visões, experiências cósmicas que permeiam o tempo e o espaço. Não quero atravessar paredes, levitar, fazer as coisas se moverem, ou ler pensamentos. E jamais irei praticar com essa finalidade.

Já tive insights, mas entre viver suspensa na bolha do insight e apenas viver, a escolha mais sensata é furar logo a bolha e voltar a realidade. O grande erro é se apegar a algumas experiências que surgem ao longo da prática intensiva e ficar tentado repetí-las porque nos fazem sentir bem ou especiais. Todos somos especiais apenas sendo o que já somos.

Muita gente vem para o Zen depois de ter lido todos aqueles livros que só falam de iluminação e satori. São armadilhas. Eles foram escritos para fisgar os ocidentais. Mas a realidade da prática no dia-a-dia é outra. E um bom professor saberá como puxar o tapete dessa e outras ilusões sobre o Caminho Zen. Se não souber terá que assumir o risco de ter que lidar com pessoas obcecadas por um caminho para o qual não estão preparadas.

Nem mesmo Buda começou a praticar sem uma base seja ela qual fosse. Ele tinha, enquanto príncipe, professores que lhe deram alguma educação religiosa. Ele tinha uma base sólida de prática antes arriscar no tudo ou nada. Ele tinha condições de suportar a iluminação. Do contrário teria surtado ou colocado sua vida a perder. Portanto tentar ir ao extremo na prática sem uma base interior solida e saudável é um risco desnecessário. Não é para iniciantes na prática.

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