02 outubro, 2008

Inimigos Próximos.

… também existe um período muito real de utilizarmos a meditação como uma forma de nos retirarmos do mundo.

Existe um ensinamento na tradição budista chamado “inimigos próximos”.

Por exemplo, o inimigo próximo do amor é o apego. Ele se mascara como amor [Metta: amizade amorosa], ele parece amor, mas é essencialmente diferente. Quando ele [o apego] diz “eu te amo”, realmente significa “Eu estou apegado a você e necessito de você para me sentir completo.”

O inimigo próximo da compaixão é pena: “Oh, aquelas pobres pessoas lá, elas estão sofrendo. Eu não sofro assim.” A pena nos mantém separados e superiores aqueles pelos quais pensamos que sentimos compaixão.

O inimigo próximo da equanimidade, ou uma mente equilibrada, é indiferença. Ela se mascara como equanimidade porque sentimos que tudo está bem. Entretanto, o que ela realmente significa é que nós não temos sentimentos por ninguém mais. A equanimidade real surge quando nossos corações estão abertos e experienciamos tudo o que o mundo nos apresenta com equilíbrio, amor e compreensão.

Não estamos fugindo do mundo de forma alguma; estamos sentados bem no meio de tudo e prestando atenção a tudo que se apresenta – seja algo prazeiroso ou algo doloroso – e iniciamos a observar, aprender a partir disso e aprender um modo sábio de se relacionar com tudo em nossas vidas.

~ Meditation for Beginners (Jack Kornfield)

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