30 outubro, 2008

Koan resolvido. E o próximo ...

Depois de muito tempo consegui responder o koan: "Quem é o elefante?"Foi um sinal que não reconheci. Uma mensagem em forma simbólica. Era um koan sem saída. Daqueles que parece que não há solução. O elefante passou por cima de mim e me esmagou sem dó nem piedade. Mas recuperei-me e reconheci quem ele era e agora ele não se atreverá a voltar. Pelo menos não como elefante :-)



Agora só me sobraram koans "sem saída" e este é meu dever de casa:


Um homem está pendurado pelos dentes a um galho de árvore. As mãos as costas e os pés estão presos. Não pode se mover,nem falar. à cima da árvore um bodisatva lhe apontando uma espiganrda. E sob a árvore alguém pergunta: "Por que Bodidharma veio da Índia para a China?".
Se responder cai no precipício e morre. Se não responder o bodisatva lhe acertará com sua espingarda. Não pode responder, mas precisa responder para salvar sua vida.
Como manter-se vivo?

26 outubro, 2008

Como Fazer ou Comprar seu Zafu.

O problema de fazer seu próprio zafu não é nem a costura pois com um molde e uma boa costureira é possível. O mais complicado é o enchimento.Eu fiz meu zafu e mostro como fazer no link acima.

O tecido mais usado para fazer o zafu é a popeline 100% algodão (sem elastano), lonita, sarja peletizada (stonada) ou sarja comum, na cor preta. O mesmo tecido pode ser usado para fazer o zabuton, o colchonete que é usado para colocar o zafu em cima.

Por praticidade ou por ser mais barato alguns optam pela casca de arroz. Não é um bom enchimento a longo prazo porque se decompõe e fica soltando pó pelo chão.

A fibra de silicone sintético é ótima para encher almofadas de decoração, mas para encher zafu não recomendo. O zafu fica sem estabilidade e deforma. Esse enchimento não serve.

Usar fibra de algodão comprimida em forma de lâmina tb. é um recurso que quebra o galho por algum tempo, embora esse enchimento deforme depois de algumas sentadas.
Ele fica melhor para encher o zabuton. O zabuton também pode ser preenchido com uma lâmina de espuma densidade não muito mole e pelo menos 3 cm de altura.

Espuma ou bolinhas de isopor não são recomendados.

Nos Estados Unidos também se costuma usar uma semente chamada buckwheat hull. Aqui no Brasil chamada de casca de trigo sarraceno ou mourisco. Tenho um zafu e é bem confortável pois se adapta a forma que vc. senta.

O enchimento mais recomendado é com uma fibra natural chamada paina (fibra da paineira). Os americanos usam a fibra chamada de kapok e ela é em geral importada da Índia ou Tailândia.

Não sei se tem no Brasil, acredito a paina tenha sim ( já vi paineiras em Minas e Goiás), mas em todo caso há alguns lugares onde já se pode comprar o zafu com ou sem preenchimento com a fibra natural.



 Aqui pode-se adquirir o zafu cheio.


Neste site mais info sobre buckwheat hulls e kapok e tb. venda.
Não sei quantos quilos exatos precisa para preencher um zafu. Pelos anúncios, de 4-6lbs (2-3kg) de enchimento. Conversão de libras/pounds/kg. Cada libra 453,6g. isso para quem for para outro país pode trazer de lá.




Fibra de kapok usada no enchimento de zafus.


Para quem não tem condições de comprar seu zafu não é necessário ter um zafu tradicional para sentar-se em casa. Dobrando um travesseiro ou cobertor é possível sentar-se confortavelmente.

Link do Zafu Mochila

Amigo Bodhisatva.

Ganhei um Quiquito de chocolate. Um troféu simbólico de amiga bodhisattva.
Não é fácil ser amiga/o. Muito menos ser bodhisatva. Abrir mão de si mesmo e entregar-se sinceramente aos devaneios e carências, confusões e viagens dos outros. Saber ouvir sem sentir-se entediado por que sua vez de ser ouvido nunca chega. Um bodhisatva é tudo pelo outro, sem ego, sem desejo, sem impaciência, sem apego aos seus quereres. No fim descobrir o quanto seu amigo pode te ensinar sendo ele mesmo. As experiências que ele pode te proporcionar abrindo-se.


“May I be a guard for those who are protectorless,
A guide for those who journey on the road;
For those who wish to go across the water,
May I be a boat, a raft, a bridge.

May I be an isle for those who yearn for landfall,
And a lamp for those who long for light;
For those who need a resting place, a bed,
For all who need a servant, may I be a slave

Thus, for every single thing that lives,
In number like the boundless reaches of the sky,
May I be their sustenance and nourishment
Until they pass beyond the bounds of suffering”

- Shantideva, A Guide to the Bodhisattva’s Way of Life

24 outubro, 2008

Seja suave com tudo que existe.

Tenho me perguntado da necessidade de retiros "duros". Heila dizia que quem faz a prática dura, suave ou com mais ou menos sofrimento, somos nós. Para mim encontrar suavidade no meio de algo muito pesado é o necessário. O extraordinário é dispensável. Eu até diária: melhor correr do extraordinário.

Não busco visões, experiências cósmicas que permeiam o tempo e o espaço. Não quero atravessar paredes, levitar, fazer as coisas se moverem, ou ler pensamentos. E jamais irei praticar com essa finalidade.

Já tive insights, mas entre viver suspensa na bolha do insight e apenas viver, a escolha mais sensata é furar logo a bolha e voltar a realidade. O grande erro é se apegar a algumas experiências que surgem ao longo da prática intensiva e ficar tentado repetí-las porque nos fazem sentir bem ou especiais. Todos somos especiais apenas sendo o que já somos.

Muita gente vem para o Zen depois de ter lido todos aqueles livros que só falam de iluminação e satori. São armadilhas. Eles foram escritos para fisgar os ocidentais. Mas a realidade da prática no dia-a-dia é outra. E um bom professor saberá como puxar o tapete dessa e outras ilusões sobre o Caminho Zen. Se não souber terá que assumir o risco de ter que lidar com pessoas obcecadas por um caminho para o qual não estão preparadas.

Nem mesmo Buda começou a praticar sem uma base seja ela qual fosse. Ele tinha, enquanto príncipe, professores que lhe deram alguma educação religiosa. Ele tinha uma base sólida de prática antes arriscar no tudo ou nada. Ele tinha condições de suportar a iluminação. Do contrário teria surtado ou colocado sua vida a perder. Portanto tentar ir ao extremo na prática sem uma base interior solida e saudável é um risco desnecessário. Não é para iniciantes na prática.

23 outubro, 2008

Ser ou não ser.

Muita gente sempre apostou que eu seria monja. Sinceramente nunca me passou pela cabeça ser monja. Seria um caminho muito fácil pra mim. Seria um bom lugar pra me esconder do mundo. Seria até um meio hábil ou uma ilusão de que vou ajudar mais sendo monja que sendo leiga. Seria uma vaidade de ser vista como alguém que talvez por debaixo do manto de monja eu não fosse. Não digo que definitivamente está opção está fechada, mas não penso. Sobretudo porque no estilo que pratico as monjas tem funções diferentes dos monges.
Algo como o padre reza a missa e a freira acende as velas. Se a monja não pode fazer tudo o que o monge faz então ela está numa posição de submissão. Na escola em que pratico monjas e monges são celibatários.

22 outubro, 2008

Como Lidar com Perturbações.

Certa vez Buda ensinou Ananda a como lidar com perturbações.

Buda ensinava a qualquer um que lhe procurasse. Sem restrições de qualquer tipo.
Buda ensinava não apenas aos humanos vivos, mas a todos os seres, em todos os níveis de consciência, em todos os mundos ( inferiores ou superiores).

Os Maras (perturbações de todos os tipos) também recorriam aos ensinamentos do Buda.

Certa vez um deles veio procurar Buda. Ananda quando o viu ficou assustado e com medo quis mandá-lo embora.

Buda, na sua imensa sabedoria e compaixão chama Ananda:

-Quem está ai Ananda? (Buda já sabia quem era.)
-É ele Mestre. Não o receba. Eles são perigosos.

Buda para o Mara.

- Entre meu caro. Por favor, sente-se aqui. Aceita um chá?
Ananda, sirva-nos o chá.
-Mas Mestre!
-Por favor Ananda. Não se preocupe.

Buda continua falando com o Mara:

-Conte-me como vai a sua vida? O que tem feito?

O Mara fala que está cansado da vida que leva e que se sente mal causando tanto sofrimento. A conversa flui naturalmente.

Agindo amorosamente Buda converteu muitos Maras.

Assim Buda ensinou a Ananda como lidar com as perturbações com doçura, com paciência, compaixão.

Ele demonstrou para Ananda que seu método ou a maneira com ele agiu com o Mara não é a maneira apropriada. Ele nos mostrou que não devemos expulsar, brigar, reprimir as perturbações. Devemos cuidar delas amorosamente como Buda cuidou do Mara. Percebendo-as e cuidando delas as desarmamos antes que tenham chance de nos causar sofrimento. Desarmando-as enfraquecemos sua ação. Se reforçamos sua importância damos mais energia a elas e elas tomam conta de nós.

-Aceita um chá?

09 outubro, 2008

Por que ir a Retiros Budistas?

As razões são muitas desde as mais ingênuas as mais sérias.
Já fui a um retiro pela beleza do lugar. Admito que não havia tanto entusiasmo pelo retiro em si e no fim foi um dos melhores retiros que fiz.

Muitos querem apenas fugir da agitação do dia-a-dia e pensam:"Vou descansar e dormir bastante." Logo no primeiro despertar, de madrugada, a doce ilusão se desfaz.

Alguns e algumas fantasiam a possibilidade de encontrar sua alma gêmea. Pode acontecer, mas terão que se comunicar por telepatia, olhares, sorrisos sedutores já que certos retiros tem um nível de tolerância baixa às conversas. Há aqueles que não conseguem conter-se e mergulham na arte da sedução em pleno retiro. Esse tipo de atitude é considerada um desrespeito e as pessoas que não respeitam as regras do retiro podem ser convidadas a deixá-lo.

Alguns retiros podem até liberar a comunicação e nesses pode-se fazer preciosas amizades e até encontrar um parceiro/a de jornada.

Outro fator interessante é o apego a prazeres e aversões. "A comida é boa." "Não gosto dessa papa estranha." Esses cantos são lindos." "Não estou entendendo esses cantos e não vou falar o que não sei lá o que é."

Para o praticante budista ligado a sua comunidade ir a retiros significa a oportunidade de praticar por alguns dias com mais disciplina, recarregar as baterias, encontrar ou reencontrar com o professor, ouvir ensinamentos. Às vezes pode ser oportunidade única para esclarecer dúvidas.

O importante é o compromisso de mergulhar no retiro e deixar hábitos do cotidiano de lado pois eles podem mais atrapalhar que ajudar.

07 outubro, 2008

Caminho do Bodhisatva.

No desire for myself,
my actions are only for all beings
.

Nenhum desejo para mim mesmo,
minhas ações são para todos os seres.


This is Great Love
and Great Boddhisattva Way.
This is World Peace and your True Peace
.

Isto é Grande Amor e o Grande Caminho do Bodhisatva.
Está é a Paz no Mundo, sua Verdadeira Paz.



Mestre Zen Seung Sahn.

[in:Wanting Enlightenment is a Big Mistake,152.]

04 outubro, 2008

Recomeçar.

"O maior progresso individual humano é aquele que substitui a energia obstaculadora do egoísmo e superficialidade pela perspectiva fluida e despojada de viver sem artifícios, consciente de si mesmo, e simplesmente aberto aos recomeços inevitáveis – e suas conseqüências. Preocupar-se com o futuro (mesmo sabendo que este futuro é apenas uma sombra do Agora projetada em nossas mentes relativas), preparar-se para os imprevistos ou planejar nossas vidas não são elementos destituídos de valor intrínseco; mas este e outros fatores não podem jamais nos desviar do exercício de libertar nossas mentes de si mesmas, fazendo-as mais fluidas e adaptáveis aos processos impermanentes da existência.


Ao final de tudo, cada um de nós precisa saber que a meta primordial de nossas vidas é aprender, construir-se, adquirir sabedoria e discernimento – e assim viver prazerosamente através da calma consciência das coisas como elas são, e não como queremos que elas sejam. Esses são os fatores cruciais que pavimentam a experiência da felicidade. E graças ao esforço por saber recomeçar, saberemos atingir o coração da compreensão plena da Vida. Essa é a base de minha prática pessoal, e a medicina que eu freqüentemente uso para superar os aspectos mais insalubres de mim mesmo.


Encarar a vida com coragem e desprendimento é tarefa de uma vida inteira. Mas é igualmente a suprema tarefa de um ser vivo, uma profilaxia existente no Agora e plenamente acessível a cada segundo. Diante da finitude, diante da implacável força existencial que a tudo abarca, desconstrói e faz morrer, devemos saber perceber os recomeços e suas possibilidades. E assim, compreender o mistério do renascimento, da reconstrução, e do pleno despertar – a todo instante, em cada momento de nossas vidas, podemos começar novamente. Fique atento a esta lição."

02 outubro, 2008

Inimigos Próximos.

… também existe um período muito real de utilizarmos a meditação como uma forma de nos retirarmos do mundo.

Existe um ensinamento na tradição budista chamado “inimigos próximos”.

Por exemplo, o inimigo próximo do amor é o apego. Ele se mascara como amor [Metta: amizade amorosa], ele parece amor, mas é essencialmente diferente. Quando ele [o apego] diz “eu te amo”, realmente significa “Eu estou apegado a você e necessito de você para me sentir completo.”

O inimigo próximo da compaixão é pena: “Oh, aquelas pobres pessoas lá, elas estão sofrendo. Eu não sofro assim.” A pena nos mantém separados e superiores aqueles pelos quais pensamos que sentimos compaixão.

O inimigo próximo da equanimidade, ou uma mente equilibrada, é indiferença. Ela se mascara como equanimidade porque sentimos que tudo está bem. Entretanto, o que ela realmente significa é que nós não temos sentimentos por ninguém mais. A equanimidade real surge quando nossos corações estão abertos e experienciamos tudo o que o mundo nos apresenta com equilíbrio, amor e compreensão.

Não estamos fugindo do mundo de forma alguma; estamos sentados bem no meio de tudo e prestando atenção a tudo que se apresenta – seja algo prazeiroso ou algo doloroso – e iniciamos a observar, aprender a partir disso e aprender um modo sábio de se relacionar com tudo em nossas vidas.

~ Meditation for Beginners (Jack Kornfield)