31 dezembro, 2008

Agradecer Sempre!

Bossa Zen comemora sete anos desejando a todos que passaram por aqui que tenham encontrado algo que lhes tenha servido no momento da busca.

Como já dizia Gandhi existem milhares de caminhos assim como há milhares de flores no campo e cada um colhe a que lhe agrada mais. Não importa a simplicidade ou o complexidade dessa flor. Assim são os caminhos que trilhamos:ora simples ora complexos. Mas todos tem um mesmo objetivo: nos levar ao entendimento de quem somos.
Quanto mais cedo chegarmos a esse entendimento mais fácil será trilhar qualquer caminho. Mais fácil e leve será nossa vida e também mais fácil e leve será nossa morte.

Que todos os seres possam ter a graça de entender seu papel no mundo e fazer o seu trabalho por todos os seres infinitamente.


Obrigada pela companhia.

29 dezembro, 2008

Vazio de Significado.

Uma das coisas que temia quando estava na Escola Soto era receber um nome budista que começasse ou terminasse pelo caracter "Ku". Embora um dos significados seja "Vazio", mas para nós sempre lembraria outra forma.

Os tão polulares haicais (poesia), diz-se Haikus.


toshi kurenu kasa kite waraji hakinagara

O ano chega ao fim —
Capa de chuva nas costas
E sandálias nos pés.

Bashô

Update: Só agora me ocorreu que tenho o caracter acima no meu nome de dharma :-)

Já se desfez do entulho?

Não adianta se lembrar dos erros alheios repetidamente;
Os nossos próprios erros devem ser limpos continuamente.

Rekigan caso 22.

Os Registros do Penhasco Azul.


Nossa faxina de fim-de-ano vai ser um presente para o cara que recolhe o lixo reciclável. Muito papel, papelão, plástico, latas. E ainda nem terminamos de remover tanto entulho. Quando morava sozinha as pessoas se admiravam dos espaços vazios. Um lugar cheio de coisas me incomoda. Nas próximas vidas não quero acumular nada.

A faxina de fim-de-ano, é uma tradição milenar tanto no ocidente quanto no oriente. Não sei quem copiou quem. Mais provável que o ocidente tenha copiado o oriente.

Mover as coisas dos lugares onde estão há anos, esvaziar gavetas, aqueles guardados de escola, infância. Lembranças, lembranças. Muito bolor, mofo, poeira. Nada bom para se guardar e faz muito mal à saúde.

Para alguns esse é uma tarefa difícil e dolorosa, porém necessária. Muita coisa pode ser doada:livros, roupas, moveis...

Dizem também, que ao mover as coisas, as energias se renovam, circulam melhor, o ambiente se revigora. A faxina na mente faz-se todos os dias.

26 dezembro, 2008

Como vai sua vida de Buda?

O Sutra de Lótus (Saddharma Pundarika Sutra) é uma sutra diferente dos demais ensinamentos do cotidiano. É um dos sutras mais estranhos, a primeira vista, por parecer esotérico. Há seitas budistas que o adotaram como texto único e até o reverenciam. Há seitas em que o nome do sutra em japônes é recitado como um mantra (fórmula devocional): Namo Myōhō Rengekyō(Refugio-me no Sutra de Lótus). O monge Vietnamita Thích Nhât Hanh a sita com frequencia em seus textos.

Ainda não me sinto capaz de lê-lo sem estranheza. Quem sabe não o leio nas férias.

Quando um Buda encontra o outro ele pergunta ao outro Buda: Está sendo muito difícil a vida de Buda? Está difícil pra vc. ensinar as pessoas? As pessoas estão tendo dificuldade em aprender?
Coen Sensei [Citando o Sutra de Lótus]

24 dezembro, 2008

O Homem Lento.

1. Peque o livro mais próximo. Guia del Camino de Santiago.
2. Abra-o na página 161. Tem um mapa!
3. Procure a 5ª frase completa. Mapa não tem frases.
4. Coloque a frase no blog. ???????
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro!!!
Utilizar, mesmo, o livro que estiver mais próximo.


Infelizmente não deixo meus livros próximo ao computador. O outro mais próximo é o dicionário que não tem marcação de páginas.


Se for buscar o que estou lendo?


And not with the kind of tiredness that can be fixed by a good night´s sleep in a proper bed.
Slow Man.J.M.Coetzee,p.161.

Para não ficar sem sentido:

Eu poderia falar pra vc. como estou cansado. E não é daquele cansaço que vc pode resolver com uma noite de sono em uma boa cama. Estou falando de um cansaço que tem feito parte do meu ser. (adaptação minha)

Feliz Natal para todos aqueles que o celebram e bom descanso.

22 dezembro, 2008

O Papai Noel não Virá?

Os Budistas não comemoram o Natal porque Jesus nasceu 3mil anos depois de Buda.
Portanto, os budistas, comemoram o nascimento de Buda (primeira lua cheia de abril, em alguns lugares em maio) que é parecido com o Natal judaico-cristão. Os japoneses chamam de Hanamatsuri e os Tailandeses de Vessak(nascimento,iluminação e morte)

Mesmo assim, vivendo no Ocidente é difícil ignorar essa data. Mas já estive em templos budistas em que comemora-se o Natal, pois todos viemos da mesma tradição.
Hoje mesmo encontrei com um Papai Noel na rua. Papi Noel sempre virá para quem o quiser receber.

21 dezembro, 2008

Por que a ausência de um Deus nos assusta?

Não adianta simplesmente fazer barulho, se você desejar entronar a Divindade no altar do seu coração, se desejar realizar Deus.
Em primeiro lugar, purifique sua mente.
Deus toma assento no coração puro.

Shri Ramakrishna



Talvez o que mais assombre aos ocidentais seja o fato de no Budismo não haver a figura de um Deus, alguém a quem recorrer, fazer pedidos, xingar, reclamar. "Eu fui bom. E o que eu ganho?"
Nada. Seja apenas bom.  Nada para barganhar depois que morrer. Por quê?
Porque a vida não começa e acaba com o nascimento e a morte. É a vida física que começa e acaba, mas o resto é uma torrente contínua.

Enquanto fui cristã, vivia com a mente torturada pelo que podia ou não podia fazer.
Tinha que prestar contas à instituições religiosas e a Deus.

Fui feliz, mesmo nessa tortura, mas fui mais feliz quando rezava o terço. Rezar o terço para mim era como repetir um mantra milhares de vezes. Houve um tempo em que repetia o terço até três vezes por dia. O efeito era maravilhoso. Eu andava na rua como se levitasse. A mente ficava calma. Nada me tirava do serio. Eu era doce, amável, quase um anjo. Mas não tinha conexão com o que eu rezava. Não tinha conexão com Jesus, Maria. Só o Espírito Santo, que não tem face, me inspirava.

O que me trouxe ao Budismo foi um grande sofrimento que eu precisava curar. E ao contrário do que faria em outros tempos (prometer algo e esperar a graça a
para pagar a promessa), no Budismo nós pagamos a promessa antes de receber a graça.

Fiz meu voto de arrependimento e a graça foi chegando aos poucos. Mas não tinha chão para o tamanho da graça e não pude segurá-la por muito tempo.

No dia em que comecei a me tornar Budista, Nossa Senhora e um Anjo vieram se despedir de mim. Fiquei assustada, pois via Jesus chorando na Cruz e achava que era irreal. Talvez internamente soubesse que por mais que tentasse aquele não era meu caminho. Então depois daquele dia segui em paz sem mais pensar em Deus ou nada que lembrasse as tradições cristãs.

Respeito todas as religiões. Todas são um caminho para alguém em algum momento ou por toda a vida. Como foi para mim por um tempo. E cada um deve buscar aquela com a qual tem maior afinidade. Mesmo dentro do Budismo precisei experimentar vários caminhos até encontra o que servia melhor para mim.

A ausência da figura de um Deus nos assusta porque estamos tão presos a ela que parece que sem um Deus ficamos perdidos. É um alívio não ter mais esse apego.

18 dezembro, 2008

"O tempo que durar a sua vida!"

Coen Sensei diz que as pessoas ligam para ela e perguntam: "Quanto dura o curso de meditação?
Ela diz que uma boa resposta seria: "O tempo que durar a sua vida!"

E não apenas essa vida. Todas as suas vidas. Se vc. não passar no curso, nessa vida, pode repetí-lo na próxima vida.

Ensô ou Círculo Zen.

Ensô é uma palavra japonesa que significa "círculo" e tem um conceito fortemente associado ao Zen. Ensô é, talvez, o tema mais comum na caligrafia japonesa. Ele simboliza Iluminação, Esforço, Elegância, o Universo e o Vazio. Ele é também uma "expressão do momento". Acredita-se que muito da personalidade do artista é completamente revelada na maneira em que ele pinta o Ensô e que somente quem está mentalmente e espiritualmente completo pode pintar um verdadeiro Ensô. Alguns artistas pintam ensôs todos os dias, como um diário espiritual.
Alguns pintam o Ensô com uma abertura no círculo enquanto que outros pintam o círculo fechado. O círculo aberto simboliza várias idéias: o Ensô aberto não está separado, mas é parte de alguma coisa grande, ou que está imperfeição é um aspecto essencial e inerente da existência (Teoria da Quebra da Simetria).
O Ensô é um símbolo usado no Zen Budismo pelos mestres em suas peças de arte religiosa.

17 dezembro, 2008

O que faz vc. ser Budista?

"Talvez você não tenha nascido em um país budista ou uma família budista, pode ser que não use vestes religiosas nem raspe a cabeça, pode ser que coma carne e que seus ídolos sejam o Eminem e a Paris Hilton. Isso não significa que você não possa ser budista".


Dzongsar Jamyang Khyentse [O que Faz você Ser Budista.]
Khyentse é mestre Tibetano e cineasta. Escreveu o roteiro e dirigiu os filmes A Copa e Travellers and Magicians.

03 dezembro, 2008

Budismo & Religião.

“Minha religião não é o Budismo. Minha religião é viver e morrer sem lamentar.” - Milarepa.



Nesses longos anos em que tomei conhecimento do Budismo sempre ouvi ou li as mais variadas explicações sobre o Budismo ser ou não religião. Poucos tem coragem de admitir que, sim, que nas suas diferentes Escolas há prática religiosa. De onde vem esse receio de admitir? É mais fácil deixar que as pessoas se aproximem do Budismo pela via da "filosofia de vida", do "estilo zen de ser". Ismos existem e o sufixo "ismo" pode significar muitas coisas:"doença, propriedade, sistema".

O Budismo não é propriedade de ninguém ,então só resta sê-lo um sistema, um conjunto de regras que podem orientar aqueles que as queiram adotar.
Mesmo assim um sistema é como um círculo fechado. Não satisfaz a todos por isso existem muitas variantes, Escolas que se ramificaram em outras Escolas e foram agregando elementos locais da cultura e até mesmo do sincretismo dos povos.


As regras tem muito a ver com cada Escola. Existem regras monásticas que podem ser mais rígidas e existem regras mais flexíveis para os leigos. Pessoalmente não me agrada em falar do Budismo como um sistema, mas, como não há outra palavra genérica melhor para reunir todos num único locus usamos essa palavra. Pois, qualquer um que passe a praticar o fará em uma das muitas Escolas existentes. Mesmo que experimente várias, será uma experiência de cada vez. E todas elas trazem os preceitos básicos ensinados por Buda.

Certa vez perguntaram ao Dalai Lama se qualquer um que quisesse poderia ser Budista.

Ele respondeu que quem tiver ligação com alguma religião (ocidental) é melhor fortalecer sua relação nesta religião e que somente quem nasce budista poderia vir a ser budista.

O que significa nascer budista? Em algum momento, se em alguma das suas vidas passadas vc. teve contato com alguma prática budista e esse contato foi forte, vc. pode se conectar com a prática budista em outras vidas também, mesmo tendo nascido em uma família que siga outras religiões.

27 novembro, 2008

Solidariedade

"Ato de caridade é ajudar outros a sair da escuridão e entrar na claridade. Lembre-se que todos são seus e ninguém é seu. Deixe que haja limpeza em seus pensamentos. Veja a necessidade e dê cooperação. Fique desperto e desperte outros. Com sua estabilidade interna, expulse os obstáculos. Seja um bom exemplo, coloque inspiração em sua vida e torne-se um instrumento para todos. Não use sua cabeça demais, use o poder do amor.”

Dadi Janki

26 novembro, 2008

Enterre seus mortos.

Quando vejo tantas pessoas insistindo em se agarrar a questões do passado me vem à lembrança a história da mulher indiana que por muito tempo percorreu vários vilarejos em busca da cura para o filho que carregava nos braços. A criança já havia morrido e estava se decompondo, mas ela não conseguia ver e deixar seu filho ir. Ela não conseguia aceitar aquela perda tão dolorosa.

Alguém precisava lhe trazer de volta a realidade e coube ao Buda essa tarefa. Mas Buda não lhe deu um tapa na cara e disse:"Acorda, não vês que teu filho já morreu!".

Ele a fez ver por si mesma de uma maneira clara e definitiva. E o resto da história das sementes de mostarda vc. já deve saber. Então seria bom enterrar nossos mortos. Essas assombrações do passado antes que eles nos enterrem. Faça lá o ritual (colocar tudo numa caixa e queimar) que vc. quiser, mas despeça-se do passado e vá viver a vida com mais leveza.

23 novembro, 2008

Rei Menamdro e o Budismo.

"O Milinda Pañha :Perguntas de Milinda" é um texto budista que data de aproximadamente 100 a. C. Ele registra um diálogo no qual o rei indo-grego Menandro I ("Milinda" em pali) de Eutidêmia coloca questões sobre o budismo ao sábio Nāgasena. Esse texto pode ter sido inicialmente escrito em sânscrito, mas, além da edição em pali de Sri Lanka e os seus derivados, nenhuma outra cópia é conhecida.

A obra foi traduzida para o inglês duas vezes, uma em 1890 por Thomas William Rhys Davids e outra em 1969 por Isaline Blew Horner. Uma nova versão resumida da tradução de Rhys Davids por publicada por Bhikku Pesala em 1990. Ambas as versões original e resumida de Rhys Davids estão disponíveis eletronicamente.

Qual o seu Veículo?

Esse negócio de veículo no Budismo (Hinayana, Mahayana, Zen, Muito Além do Zen) sempre foi motivo de discussões acirradas entre uns e outros. Cada qual defendendo o seu como o melhor.

Um tempo atrás publiquei um texto "O meu Buda lava melhor que o seu." Uma alusão a guerra de marcas de sabão em pó. Cada qual promete limpar melhor sua roupa. O mesmo aconteceu e não suspeito que ainda aconteça com as diferentes ramificações budistas. Para te convencer alguns membros mais fanáticos dirão que o seu veículo pode ser melhor que qualquer outro. Isto também acontece em qualquer religião não-budista.

O mais importante é que vc. use bem seu veículo e quando ele não te servir mais, troque-o por outro, caso o atual não possa mais andar.

Os veículos no budismo sempre foram comparados com a velocidade que cada um pode levar seu ocupante ao despertar. Ou níveis de ensinamento. E como sabemos ninguém gosta de comparações, mas cada veículo serve a cada momento à aquilo que seu ocupante precisa e pode ter.
Portanto se vc. precisa de uma carroça, qual o problema em embarcar nela e seguir a passos lentos. Às vezes é melhor começar passo-a-passo do que embarcar logo num foguete e depois de ficar um tempo suspenso na gravidade ter que despencar das alturas e se desintegrar na atmosfera.

Assim como há aqueles que se apegam a um único veículo e não o trocam por nada. Há os que estão sempre trocando o velho pelo novo.

Eu mesma troquei de veículo várias vezes :-). Comecei no Hinayana (Theravada), depois fui para o Mahayana/Vajra e Depois para o Zen (Soto e Rinzai) e se as portas do Além Zen se abrirem quem sabe não vou xeretar por lá.

Para alguns o Zen é Mahayana e para outros o Zen já era ensinado por Buda.
Quanto a níveis de ensinamento não há dúvida que Buda não poderia dar o mesmo nível de ensinamento a todos. Ele ensinava cada veículo de acordo com cada nível de discípulos. Portanto ele certamente ensinou em todos os níveis até muito além do que podemos conhecer. O mais fascinante é que Buda podia ensinar vários níveis simultaneamente em todos o mundos. Seria como se ele estivesse agora ensinando para um grupo e ao mesmo tempo se multiplicasse em 100 Budas e cada um estivesse ensinando em cem "lugares" (mundos cósmicos) diferentes.

20 novembro, 2008

Budismo X Homossexualidade.

Lama Chagdud Khadro reponde questões sobre homossexualidade segundo a visão do Budismo Tibetano..

Como o budismo encara e explica a homossexualidade?

O budismo prega a plena igualdade entre as pessoas. A sexualidade é apenas uma das diferenças que caracterizam as pessoas. De acordo com, Chagdud Rinpoche, qualquer relacionamento pode ser um espaço para se cultivar as seis perfeições do ideal budista. Em uma relação entre pessoas do mesmo sexo, se houver o cultivo de generosidade, disciplina moral, paciência, perseverança, concentração meditativa, sabedoria e manutenção de uma visão pura, então esta é uma relação benéfica para o desenvolvimento da mente. Em termos da homossexualidade, ele apenas prevenia contra o desenvolvimento de aversão ao sexo oposto, porque isto dificulta a obtenção de um corpo humano durante o ‘bardo’—estado intermediário entre esta vida e a próxima. De acordo com os ensinamentos, no ‘bardo’ alguém que renascerá como uma mulher sente-se atraída por aquele que será seu pai, alguém que renascerá como homem, sente-se atraído pela que será a sua mãe no momento em que presencia a sua própria concepção, então é preciso que haja esta atração para que aquela consciência se junte à união do esperma e do óvulo. Se há aversão ao sexo oposto, naturalmente não há esta atração e isto causaria dificuldades, fora isto, ele não via qualquer problema.


Um casal homossexual poderia livremente freqüentar e seguir o budismo?

Essa situação não interfere na prática do budismo.

O indivíduo homossexual deve se assumir? Ou isso não é recomendado?

Essa é uma questão que a própria pessoa deve julgar e ter a capacidade de decidir. Não deve ser necessariamente de um modo ou de outro. O necessário é viver com integridade. Se a pessoa está ‘no armário’, não se assume, e isto a deixa dividida, em conflito consigo mesma, com seu ser e sua sexualidade, fica difícil manter a integridade. Por outro lado, se a pessoa decide que é homossexual, mas não quer se assumir publicamente e prefere levar uma vida de abstinência ou ser discreta em sua vida sexual, sendo ao mesmo tempo muito honesta consigo mesma, acho que não há problema.

Como a família e a sociedade devem interagir com um indivíduo homossexual?

Com amor, compaixão, alegrando-se com as virtudes dele (a) e mantendo uma postura de equanimidade entre ‘eu’ e ‘outro’. Um indivíduo homossexual é um ser humano como qualquer outra pessoa. Um homossexual deve agir dignamente como um ser humano para que a família e a sociedade possam interagir como seres humanos.

O homossexual está em uma escala inferior ao indivíduo heterossexual?

Os dois são igualmente seres humanos, portanto, não há superior nem inferior entre os humanos..Há apenas esta questão de não se desenvolver aversão ao sexo oposto. Isto parece ser realmente necessário para que haja uma continuidade integrada daquele fluxo mental, ou consciência, na experiência que surge após a morte.

Enquanto isso o Papa segue apegado a dogmas rígidos.

19 novembro, 2008

A língua não tem Ossos.

Muitas vezes falamos o que queremos e depois temos que nos ver com as consequências do nossa língua solta ou ferina. No bastão do despertar do mestre zen está cravada uma frase muito útil:"A língua não tem ossos." Quantos esquecem e põem-se a usar sua língua indiscriminadamente, sem pensar que estão ferindo, magoando, causando mal estar, apenas porque é a sua língua e você a usa como bem entender. Então vamos a outro provérbio muito sábio:"Quem fala o que quer, ouve o que não quer." Pois se a sua língua não tem travas (ossos) a dos outros tb. não tem.

O mestre zen sempre está com seu bastão apostos para te lembrar que a língua não tem ossos e vc. deve ter muito cuidado com o que vai falar à ele. Mas sobretudo porque o zen é feito sem palavras e sendo ele um mestre de koans, pouco servirá ter uma língua. Já que os koans em grande maioria não podem ser respondidos com palavras.

18 novembro, 2008

Palestras Mestre Zen Dae Kwang.

"Quando pensamos na morte temos sentimentos ruins. Mas quando um professor morre podemos nos questionar:"Por que não perguntei aquilo?"
Por que somente quando alguém morre temos idéia do que perguntar?
Mas é tarde e não podemos dizer mais nada.
Esse é um grande ensinamento para os seres humanos.
Freud diz que em nosso intimo todos nós pensamos que somos imortais. Todos nós acreditamos que nunca vamos morrer. Isso significa que vou ter muito tempo. O que farei da minha vida? Não sei! Mas eu sei que tenho bastante tempo.
As pessoas sempre dizem que a vida é curta. "A vida é curta, a vida é curta, a vida é curta." Mas nunca dizem o quão curta ela é. O que significa esse "curta"."

Parte 2

Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7



Inglês-chinês

16 novembro, 2008

Coréia Tradicional.

A TV Cultura exibirá uma série sobre a Coréia nos dias 17-19 de novembro, às 20:30.

Verdades não Engessadas.

Li um artigo que dizia que o budismo é perigoso. De certa forma, não deixa de ser verdade, para qualquer religião. Quando mal interpretada, quando as práticas não tem o uso correto, na intensidade correta, sob orientação da pessoa certa para cada prática, e quando se beira ao fanatismo, qualquer filosofia barata pode ser avassaladora.

Considerando que grande parte das pessoas somente buscam algum "remédio espiritual" quando estão em alguma situação de perigo ou de sofrimento profundo, a chance de pegar o que estiver pela frente sem avaliar bem é muito grande. Não haverá esse tempo para experimentar, testar, considerar um e outro e descartar o que não serve.

O mais perigoso, entretanto, aos que não tem experiência suficiente, pode ser muito antes de chegar a algum templo ou mestre budista. Basta ler alguns livros (a vasta oferta de escritos online)e não saber como filtrar as informações ou não ter como esclarecer suas dúvidas e está feita a confusão. Vamos a um exemplo recorrente daqueles que apenas lêem, mas nunca tiveram contato com a prática budista.

Tomar as Quatro Nobres Verdades ao pé da letra, como de sorte qualquer escrito religioso tomado ao pé da letra leva a consequências imprevisíveis.

Uma das máximas diz:"A vida é sofrimento."

É natural que essa máxima choque pois nós buscamos o oposto.

Na verdade, há um erro de tradução da palavra "dukkha", ela significa muitas coisas, todavia traduzi-la como "aflição" ficaria melhor. Pois são as "aflições mentais" que geram sofrimento. E elas advém da nossa instabilidade. Do fato de não estarmos presentes nas nossas ações mais corriqueiras.

Se vc. está vivo tem aflições mais ou menos. Se não tem pode experimentar o contentamento, mas ele é facilmente roubado por uma mínima aflição. A mente é muito instável. Dai haverem métodos para treinar essa mente instável e levá-la a experimentar por mais tempo a estabilidade. O processo é para toda a vida.

"Ter o que vc. quer gera aflição e não ter o que vc. quer também."

O desejo é visto como o vilão de toda a história, mas Buda nunca disse para extinguir o desejo. O desejo quando bem direcionado é essencial. Mas é fato que aquele que não tem preferências ou pouco deseja pode ter mais satisfação e menos problemas do que aquele que muito quer e nada lhe satisfaz.

O que importa não é nem o muito ou o pouco, mas como vc. administra sua vida. Se vc. sabe como conduzir seu desejo, nenhum problema virá dele.

Quando Buda apresentou as Oito Etapas do Caminho do Meio. Etapas que se seguidas poderiam levar à dissolução das aflições ele não as fez pensando apenas no seus discípulos monásticos,que nem existiam até ali. Ele considerou que qualquer um que se dispusesse a seguir esse Caminho poderia, ao longo de sua vida,experimentar cada uma das etapas. Não significa que teriam que superar todas elas em uma única vida.

Uma explicação bem mais depurada do que consigo dar pode ser encontrada neste texto.


Verdades não são imutáveis. Até mesmo estas verdades são impermanentes, pois isso não devem ser engessadas.

14 novembro, 2008

Padrões

Quando ainda não temos um mix de experiências de vida (boas e ruins). Um catálogo de experiências para consultar. Quando ainda somos muito imaturos, mesmo tendo bons anos de existência. A possibilidade de nos apegarmos a conceitos e os torná-los nossos deuses particulares é tão simples quando ir ao banheiro e esquecer de usar o ph.

De onde vem o apego? Ele vem de padrões-hábitos que repetimos sem tomar consciência. Ou sabemos, mas não conseguimos deixar de lado. Apenas fazemos por crescemos fazendo, porque é assim à gerações, porque é certo, porque é melhor que seja assim, porque nos deixamos levar.

Se não fizermos sempre haverá alguém para nos lembrar desses padrões. Mas há padrões contra os quais não devemos e nem podemos nos opor. Todavia os nossos padrões secretos, pessoais, privados não precisam seguir os mesmos padrões impostos.

Não precisa fumar ou beber em festas porque ficará de mãos vazias e não saberá o que fazer com elas.

Há pessoas que sofrem com certos hábitos a ponto destes se transformarem vícios e doenças graves.

De sorte, não há nada que não pareça doentio em nossa vida cotidiana.

Ver pessoas apegadas à ideia de que "a minha religião é melhor que qualquer outra", que somente o "meu Deus salva" faz parte do processo de crescimento de todo ser humano. Há aqueles que conseguem dar um passo além do fanatismo para abraçar novos apegos. Há os que se beneficiam do fanatismo para ter algum lucro. Até que por fim não reste mais nenhuma ilusão. O vazio de nenhuma ilusão também requer atenção. Pode ser um abismo inaceitável: o que farei sem meus hábitos tão queridos? Cada nova etapa precisa de tempo para ser aceita. Queremos ganhar e quando nos vemos perdendo e esvaziando fica uma sensação estranha.
Na verdade o que perdemos é tão importante quanto o que ganhamos. Aprender a perder é essencial para ter uma vida saudável.

"O apego é um problema.
O desapego é problema.
O Não-apego sem problemas."

O apego aferrado as coisas traz sofrimento.
O desapego total de tudo também.


O que é o não-apego? Se tenho uso. Se não tenho, tudo bem.

Perceber padrões de apego e aos poucos ir suavizando seus efeitos faz parte da pratica de viver cada momento em si. Não tente concertar o que não está quebrado. Consertar-se não é o propósito de nenhuma pratica. É sim ajustar, encontrar o equilíbrio entre o mais e o menos. É o que dá leveza e tranquilidade. O meio do caminho entre os extremos.

04 novembro, 2008

Onde encontro o conjunto de oryokis?

O conjunto de oryokis da tradição soto ou rinzai japonês, pelo que pesquisei pode ser comprado via internet nos EUA ou no Japão. Ou quando alguém for para lá pedir que compre em algum mosteiro. Mas antes de partir para a importação não custa procurar o set de tigelas nos mosteiros do Brasil.

Simulei a compre nestes dois sites acima e ambos não calculam o valor do frete no fechamento da compra. Dizem que irão informar depois.
Não está claro quando é esse "depois" se é antes de "passar" o cartão ou já vem na sua fatura. O mais seguro seria enviar um email perguntando para calcularem a "shipping tax to Brazil". Pelo que pesquisei o conjunto de tigelas completo com os panos e os talheres pode variar entre 100-250,00 dólares.

Se vc. frequenta sesshins, quase sempre, o lugar que vc. vai terá os oryokis para emprestar então não vejo porque fazer um investimento tão alto nisso. Os monges e monjas ganham seu set de oryokis quando da sua ordenação. Talvez não fique bem um iniciante usar um set de monge. É melhor perguntar antes a alguém que entenda da etiqueta da tradição zen budista que vc. está frequentando.




Aqui no Brasil costuma-se comprar as peças em lojas de produtos orientais,em separado, para montar. Os paninhos e o saquinho onde vai a colher, hashi e espátula, podem ser feitos. Até a espátula pode ser feita por vc. Não é nada complicado.

Há set de três, quatro e cinco ou mais tigelas. Em geral na Escola Soto usam-se quatro e no Rinzai japonês cinco tigelas. Mas isso depende muito de mosteiro para mosteiro.

Se for montar o seu preste atenção nos tamanhos. As tigelas devem se encaixar uma dentro da outra, da menor para o maior. Como usar os oryokis é outra história e cada lugar tem seu jeito independente do estilo padrão ensinado por Dogen. Antes dos sesshins haverá o momento das intruções de uso dos oryokis.

Na Escola Zen Kwan Um, os iniciantes usam quatro tigelas (uma preta e três de outra cor) tipo donburi do mesmo tamanho , uma colher de metal ou de madeira e o hashi. Os professores, monges e monjas usam as tigelas tradicionais de monge. Não se usa espátula para limpar as tigelas, usa-se o dedo.

02 novembro, 2008

Zen Coreano

Como se caracteriza a tradição do zen coreano em relação a outras tradições budistas
e em particular ao zen japonês (Rinzai ou Soto)?


A Escola zen coreana Chogye-son (sogie-son), este nome "Chogye" vem do lugar onde viveu o sexto patriarca Hui Neng. "Son" é a pronúncia coreana para a palavra "dhyana", que significa, contemplação. A Escola Chogye representa a escola de Hui Neng, o zen original precedente a divisão em sub-escolas. A origem vem do século VII. Se diz que quem queira experimentar como era o zen (chan) na China antiga deveria ir para a Coréia, pois lá o antigo estilo de vida dos monges e monjas itinerantes estava melhor preservado entre as montanhas da Coreia.

O espírito do zen coreano é menos militaresco do que o estilo do zen japonês. As regras da sala de meditação são menos formais, mas os príncipios morais são muito mais enfatizados. Os monges e as monjas da ordem Chogye vivem em celibato de acordo com as regras do Vinaya. Como na Escola Rinzai, a prática mais comum é a meditação sob nossas dúvidas existenciais, "O que é isso?/Quem sou?" (hwadu/apontar diretamente para a verdade. Uma das ferramentas usadas são os koans.), porém alguns hábitos como sentar-se em frente a uma parede são semelhantes à tradição Soto.

O zen coreano não é unidirecional. Além do método hwadu se pratica também a recitação de mantra, a consciência da respiração(dhyana)e a serena clareza (apenas sentar-se). A transmissão do ensinamento veio principalmente da Escola Lin chi (Rinzai) chinês.


Como é a vida monástica no zen coreano?

Nos templos coreanos vivem vários tipos de pessoas: postulantes a monge ou monja que trabalham na cozinha. Noviços e noviças (o noviciado dura três anos) monges e monjas completamente ordenados, praticantes leigos e em alguns templos pequenos também vivem órfãs, idosos que não tem família nem recursos para se sustentar. Monges e monjas são chamados pelo termo genérico "Sunim".
Muitos noviços estudam por alguns anos na escola monástica. Depois da ordenação final, um sunim pode iniciar um período de zen intensivo na sala de meditação ou de trabalho no templo. Alguns vão adiante no estudo dos ensinamentos, outros se tornam especialistas em cerimonias e outros meditadores que se recolhem em hermas montanhas para retiros solitários de longa duração.

A vida no templo é dividida em quatro estações: o inverno e o verão são para os retiros. A primavera e o outono para outras atividades. Durante os retiros de três meses, qualquer um que estiver na sala de meditação pratica por dia, oito, dez, doze horas quase todos os dias. Há dias especais em que se trabalha no campo, e os dias de lua cheia e lua nova. Nestes dias de lua cheia e lua nova os mestres ensinam o Dharma. Os leigos visitam com frequência o templo, se dedicam às atividades e fazem doações que mantém o templo. Muitos praticantes leigos são mulheres e sobretudo mulheres idosas que praticam intensamente a meditação zen, a recitação dos sutras e as prostrações.

30 outubro, 2008

Koan resolvido. E o próximo ...

Depois de muito tempo consegui responder o koan: "Quem é o elefante?"Foi um sinal que não reconheci. Uma mensagem em forma simbólica. Era um koan sem saída. Daqueles que parece que não há solução. O elefante passou por cima de mim e me esmagou sem dó nem piedade. Mas recuperei-me e reconheci quem ele era e agora ele não se atreverá a voltar. Pelo menos não como elefante :-)



Agora só me sobraram koans "sem saída" e este é meu dever de casa:


Um homem está pendurado pelos dentes a um galho de árvore. As mãos as costas e os pés estão presos. Não pode se mover,nem falar. à cima da árvore um bodisatva lhe apontando uma espiganrda. E sob a árvore alguém pergunta: "Por que Bodidharma veio da Índia para a China?".
Se responder cai no precipício e morre. Se não responder o bodisatva lhe acertará com sua espingarda. Não pode responder, mas precisa responder para salvar sua vida.
Como manter-se vivo?

26 outubro, 2008

Como Fazer ou Comprar seu Zafu.

O problema de fazer seu próprio zafu não é nem a costura pois com um molde e uma boa costureira é possível. O mais complicado é o enchimento.Eu fiz meu zafu e mostro como fazer no link acima.

O tecido mais usado para fazer o zafu é a popeline 100% algodão (sem elastano), lonita, sarja peletizada (stonada) ou sarja comum, na cor preta. O mesmo tecido pode ser usado para fazer o zabuton, o colchonete que é usado para colocar o zafu em cima.

Por praticidade ou por ser mais barato alguns optam pela casca de arroz. Não é um bom enchimento a longo prazo porque se decompõe e fica soltando pó pelo chão.

A fibra de silicone sintético é ótima para encher almofadas de decoração, mas para encher zafu não recomendo. O zafu fica sem estabilidade e deforma. Esse enchimento não serve.

Usar fibra de algodão comprimida em forma de lâmina tb. é um recurso que quebra o galho por algum tempo, embora esse enchimento deforme depois de algumas sentadas.
Ele fica melhor para encher o zabuton. O zabuton também pode ser preenchido com uma lâmina de espuma densidade não muito mole e pelo menos 3 cm de altura.

Espuma ou bolinhas de isopor não são recomendados.

Nos Estados Unidos também se costuma usar uma semente chamada buckwheat hull. Aqui no Brasil chamada de casca de trigo sarraceno ou mourisco. Tenho um zafu e é bem confortável pois se adapta a forma que vc. senta.

O enchimento mais recomendado é com uma fibra natural chamada paina (fibra da paineira). Os americanos usam a fibra chamada de kapok e ela é em geral importada da Índia ou Tailândia.

Não sei se tem no Brasil, acredito a paina tenha sim ( já vi paineiras em Minas e Goiás), mas em todo caso há alguns lugares onde já se pode comprar o zafu com ou sem preenchimento com a fibra natural.



 Aqui pode-se adquirir o zafu cheio.


Neste site mais info sobre buckwheat hulls e kapok e tb. venda.
Não sei quantos quilos exatos precisa para preencher um zafu. Pelos anúncios, de 4-6lbs (2-3kg) de enchimento. Conversão de libras/pounds/kg. Cada libra 453,6g. isso para quem for para outro país pode trazer de lá.




Fibra de kapok usada no enchimento de zafus.


Para quem não tem condições de comprar seu zafu não é necessário ter um zafu tradicional para sentar-se em casa. Dobrando um travesseiro ou cobertor é possível sentar-se confortavelmente.

Link do Zafu Mochila

Amigo Bodhisatva.

Ganhei um Quiquito de chocolate. Um troféu simbólico de amiga bodhisattva.
Não é fácil ser amiga/o. Muito menos ser bodhisatva. Abrir mão de si mesmo e entregar-se sinceramente aos devaneios e carências, confusões e viagens dos outros. Saber ouvir sem sentir-se entediado por que sua vez de ser ouvido nunca chega. Um bodhisatva é tudo pelo outro, sem ego, sem desejo, sem impaciência, sem apego aos seus quereres. No fim descobrir o quanto seu amigo pode te ensinar sendo ele mesmo. As experiências que ele pode te proporcionar abrindo-se.


“May I be a guard for those who are protectorless,
A guide for those who journey on the road;
For those who wish to go across the water,
May I be a boat, a raft, a bridge.

May I be an isle for those who yearn for landfall,
And a lamp for those who long for light;
For those who need a resting place, a bed,
For all who need a servant, may I be a slave

Thus, for every single thing that lives,
In number like the boundless reaches of the sky,
May I be their sustenance and nourishment
Until they pass beyond the bounds of suffering”

- Shantideva, A Guide to the Bodhisattva’s Way of Life

24 outubro, 2008

Seja suave com tudo que existe.

Tenho me perguntado da necessidade de retiros "duros". Heila dizia que quem faz a prática dura, suave ou com mais ou menos sofrimento, somos nós. Para mim encontrar suavidade no meio de algo muito pesado é o necessário. O extraordinário é dispensável. Eu até diária: melhor correr do extraordinário.

Não busco visões, experiências cósmicas que permeiam o tempo e o espaço. Não quero atravessar paredes, levitar, fazer as coisas se moverem, ou ler pensamentos. E jamais irei praticar com essa finalidade.

Já tive insights, mas entre viver suspensa na bolha do insight e apenas viver, a escolha mais sensata é furar logo a bolha e voltar a realidade. O grande erro é se apegar a algumas experiências que surgem ao longo da prática intensiva e ficar tentado repetí-las porque nos fazem sentir bem ou especiais. Todos somos especiais apenas sendo o que já somos.

Muita gente vem para o Zen depois de ter lido todos aqueles livros que só falam de iluminação e satori. São armadilhas. Eles foram escritos para fisgar os ocidentais. Mas a realidade da prática no dia-a-dia é outra. E um bom professor saberá como puxar o tapete dessa e outras ilusões sobre o Caminho Zen. Se não souber terá que assumir o risco de ter que lidar com pessoas obcecadas por um caminho para o qual não estão preparadas.

Nem mesmo Buda começou a praticar sem uma base seja ela qual fosse. Ele tinha, enquanto príncipe, professores que lhe deram alguma educação religiosa. Ele tinha uma base sólida de prática antes arriscar no tudo ou nada. Ele tinha condições de suportar a iluminação. Do contrário teria surtado ou colocado sua vida a perder. Portanto tentar ir ao extremo na prática sem uma base interior solida e saudável é um risco desnecessário. Não é para iniciantes na prática.

23 outubro, 2008

Ser ou não ser.

Muita gente sempre apostou que eu seria monja. Sinceramente nunca me passou pela cabeça ser monja. Seria um caminho muito fácil pra mim. Seria um bom lugar pra me esconder do mundo. Seria até um meio hábil ou uma ilusão de que vou ajudar mais sendo monja que sendo leiga. Seria uma vaidade de ser vista como alguém que talvez por debaixo do manto de monja eu não fosse. Não digo que definitivamente está opção está fechada, mas não penso. Sobretudo porque no estilo que pratico as monjas tem funções diferentes dos monges.
Algo como o padre reza a missa e a freira acende as velas. Se a monja não pode fazer tudo o que o monge faz então ela está numa posição de submissão. Na escola em que pratico monjas e monges são celibatários.

22 outubro, 2008

Como Lidar com Perturbações.

Certa vez Buda ensinou Ananda a como lidar com perturbações.

Buda ensinava a qualquer um que lhe procurasse. Sem restrições de qualquer tipo.
Buda ensinava não apenas aos humanos vivos, mas a todos os seres, em todos os níveis de consciência, em todos os mundos ( inferiores ou superiores).

Os Maras (perturbações de todos os tipos) também recorriam aos ensinamentos do Buda.

Certa vez um deles veio procurar Buda. Ananda quando o viu ficou assustado e com medo quis mandá-lo embora.

Buda, na sua imensa sabedoria e compaixão chama Ananda:

-Quem está ai Ananda? (Buda já sabia quem era.)
-É ele Mestre. Não o receba. Eles são perigosos.

Buda para o Mara.

- Entre meu caro. Por favor, sente-se aqui. Aceita um chá?
Ananda, sirva-nos o chá.
-Mas Mestre!
-Por favor Ananda. Não se preocupe.

Buda continua falando com o Mara:

-Conte-me como vai a sua vida? O que tem feito?

O Mara fala que está cansado da vida que leva e que se sente mal causando tanto sofrimento. A conversa flui naturalmente.

Agindo amorosamente Buda converteu muitos Maras.

Assim Buda ensinou a Ananda como lidar com as perturbações com doçura, com paciência, compaixão.

Ele demonstrou para Ananda que seu método ou a maneira com ele agiu com o Mara não é a maneira apropriada. Ele nos mostrou que não devemos expulsar, brigar, reprimir as perturbações. Devemos cuidar delas amorosamente como Buda cuidou do Mara. Percebendo-as e cuidando delas as desarmamos antes que tenham chance de nos causar sofrimento. Desarmando-as enfraquecemos sua ação. Se reforçamos sua importância damos mais energia a elas e elas tomam conta de nós.

-Aceita um chá?

09 outubro, 2008

Por que ir a Retiros Budistas?

As razões são muitas desde as mais ingênuas as mais sérias.
Já fui a um retiro pela beleza do lugar. Admito que não havia tanto entusiasmo pelo retiro em si e no fim foi um dos melhores retiros que fiz.

Muitos querem apenas fugir da agitação do dia-a-dia e pensam:"Vou descansar e dormir bastante." Logo no primeiro despertar, de madrugada, a doce ilusão se desfaz.

Alguns e algumas fantasiam a possibilidade de encontrar sua alma gêmea. Pode acontecer, mas terão que se comunicar por telepatia, olhares, sorrisos sedutores já que certos retiros tem um nível de tolerância baixa às conversas. Há aqueles que não conseguem conter-se e mergulham na arte da sedução em pleno retiro. Esse tipo de atitude é considerada um desrespeito e as pessoas que não respeitam as regras do retiro podem ser convidadas a deixá-lo.

Alguns retiros podem até liberar a comunicação e nesses pode-se fazer preciosas amizades e até encontrar um parceiro/a de jornada.

Outro fator interessante é o apego a prazeres e aversões. "A comida é boa." "Não gosto dessa papa estranha." Esses cantos são lindos." "Não estou entendendo esses cantos e não vou falar o que não sei lá o que é."

Para o praticante budista ligado a sua comunidade ir a retiros significa a oportunidade de praticar por alguns dias com mais disciplina, recarregar as baterias, encontrar ou reencontrar com o professor, ouvir ensinamentos. Às vezes pode ser oportunidade única para esclarecer dúvidas.

O importante é o compromisso de mergulhar no retiro e deixar hábitos do cotidiano de lado pois eles podem mais atrapalhar que ajudar.

07 outubro, 2008

Caminho do Bodhisatva.

No desire for myself,
my actions are only for all beings
.

Nenhum desejo para mim mesmo,
minhas ações são para todos os seres.


This is Great Love
and Great Boddhisattva Way.
This is World Peace and your True Peace
.

Isto é Grande Amor e o Grande Caminho do Bodhisatva.
Está é a Paz no Mundo, sua Verdadeira Paz.



Mestre Zen Seung Sahn.

[in:Wanting Enlightenment is a Big Mistake,152.]

04 outubro, 2008

Recomeçar.

"O maior progresso individual humano é aquele que substitui a energia obstaculadora do egoísmo e superficialidade pela perspectiva fluida e despojada de viver sem artifícios, consciente de si mesmo, e simplesmente aberto aos recomeços inevitáveis – e suas conseqüências. Preocupar-se com o futuro (mesmo sabendo que este futuro é apenas uma sombra do Agora projetada em nossas mentes relativas), preparar-se para os imprevistos ou planejar nossas vidas não são elementos destituídos de valor intrínseco; mas este e outros fatores não podem jamais nos desviar do exercício de libertar nossas mentes de si mesmas, fazendo-as mais fluidas e adaptáveis aos processos impermanentes da existência.


Ao final de tudo, cada um de nós precisa saber que a meta primordial de nossas vidas é aprender, construir-se, adquirir sabedoria e discernimento – e assim viver prazerosamente através da calma consciência das coisas como elas são, e não como queremos que elas sejam. Esses são os fatores cruciais que pavimentam a experiência da felicidade. E graças ao esforço por saber recomeçar, saberemos atingir o coração da compreensão plena da Vida. Essa é a base de minha prática pessoal, e a medicina que eu freqüentemente uso para superar os aspectos mais insalubres de mim mesmo.


Encarar a vida com coragem e desprendimento é tarefa de uma vida inteira. Mas é igualmente a suprema tarefa de um ser vivo, uma profilaxia existente no Agora e plenamente acessível a cada segundo. Diante da finitude, diante da implacável força existencial que a tudo abarca, desconstrói e faz morrer, devemos saber perceber os recomeços e suas possibilidades. E assim, compreender o mistério do renascimento, da reconstrução, e do pleno despertar – a todo instante, em cada momento de nossas vidas, podemos começar novamente. Fique atento a esta lição."

02 outubro, 2008

Inimigos Próximos.

… também existe um período muito real de utilizarmos a meditação como uma forma de nos retirarmos do mundo.

Existe um ensinamento na tradição budista chamado “inimigos próximos”.

Por exemplo, o inimigo próximo do amor é o apego. Ele se mascara como amor [Metta: amizade amorosa], ele parece amor, mas é essencialmente diferente. Quando ele [o apego] diz “eu te amo”, realmente significa “Eu estou apegado a você e necessito de você para me sentir completo.”

O inimigo próximo da compaixão é pena: “Oh, aquelas pobres pessoas lá, elas estão sofrendo. Eu não sofro assim.” A pena nos mantém separados e superiores aqueles pelos quais pensamos que sentimos compaixão.

O inimigo próximo da equanimidade, ou uma mente equilibrada, é indiferença. Ela se mascara como equanimidade porque sentimos que tudo está bem. Entretanto, o que ela realmente significa é que nós não temos sentimentos por ninguém mais. A equanimidade real surge quando nossos corações estão abertos e experienciamos tudo o que o mundo nos apresenta com equilíbrio, amor e compreensão.

Não estamos fugindo do mundo de forma alguma; estamos sentados bem no meio de tudo e prestando atenção a tudo que se apresenta – seja algo prazeiroso ou algo doloroso – e iniciamos a observar, aprender a partir disso e aprender um modo sábio de se relacionar com tudo em nossas vidas.

~ Meditation for Beginners (Jack Kornfield)

28 setembro, 2008

Novas Tecnologias Podem Auxiliar na Prática?

Daily Buddhism Podcasts.

Palestras com Monja Isshin. E esta sobre Za Zen.

No passado aqueles que quisessem seguir algum mestre teriam que viajar por muitos quilômetros. Às vezes por meses ou anos atravessando países, montanhas e oceanos. Passando privações e correndo o risco de não obter êxito na sua viagem.

Hoje cada vez mais é possível receber os ensinamentos no conforto da seu lar. Com pouco ou nenhum gasto pode-se recer instruções e treinamento de seu professor via email, skype, messenger escrito ou com wed câmara. Mesmo assim o Dharma ainda parece obscuro para muitos.

Já tive a experiência de ter que compartilhar com uma professora que mora do outro lado do oceano. Pessoalmente faço mais o tipo que atravessaria mares e montanhas. Mas como essa professora disse-me certa vez:"Pergunte a si mesma: O que vc. vai fazer pode ser feito ai onde vc. está?" Se a resposta for "sim" então não há necessidade de ir muito longe para praticar.

26 setembro, 2008

A Intenção na Prática



















Na prática budista a intenção é muito importante. Seres humanos estão cheios de intenções de animais. Os antropólogos dizem que são apenas formas diferentes de agir, mas isso não é verdadeiro. Quando você se inicia em uma prática budista você precisa ter intenções claras e no budismo nós praticamos para salvar todos os seres do sofrimento.

Existem dois tipos de sofrimento. O sofrimento que adiciona mais sofrimento. Quando alguém mata outra pessoa ele o faz porque está sofrendo por algum motivo e ao fazê-lo causará mais sofrimento a si mesmo e a outras pessoas.

O outro sofrimento é o da prática mas este pode te levar ao fim do sofrimento

Mestre Zen Dae Kwang

23 setembro, 2008

Agindo de Acordo com a Natureza.














1.-Acho que hoje é um bom dia para me iniciar na prática do Zen. Esta forma particular de Budismo enfatiza o despertar através de ações que vem da sua verdadeira natureza.
2.Então de agora em diante vou agir de acordo com a minha natureza.

3-Vejo que você está pisando nas coisas denovo T-Rex.

-Estou apenas sendo eu mesmo! Ha-ha!

4-Mas T-Rex o Zen também...

-Levante isso!

5. ------

6.-Mu!

Para onde você vai quando Morrer?

Soen Sa Nim conta que alguém lhe perguntou:

-Seung Sa Nim quando o senhor morrer para onde vais?
-Por que está me perguntando isso?
-Por que quando morres quero seguir o senhor!
-Ok! Mas quando eu morrer vou para o inferno.
-SS porque o senhor vai para o inferno?
-Se eu não for para o inferno "as pessoas" de lá não poderão se iluminar.
Eu vou para o inferno para criar um centro zen lá! (risos)
E o cara disse a SS:
-Nesse caso eu não vou. Não, agora!
-Quando você se ilumina: céu, inferno não importa o lugar onde você for. Vá lá e ensine o Dharma para todos os seres,OK!

Mestre Zen Seung Sa Nim

21 setembro, 2008

O Nome Zen & Kasa ou Rakusu .

O nome Zen Budista é recebido em uma cerimônia de preceitos ou refúgio. É dado pelo professor ou mestre zen. No Zen Soto o nome é escrito no verso do rakusu em kanjis e no Rinzai ele vem escrito em um certificado com o carimbo do professor, neste caso recebe-se o Kasa. O Kasa e o Rakusu são representações do manto do Buda em tamanho menor. Algumas pessoas costuram seu próprio rakusu, o recebem de presente ou o compram pronto. Para receber o rakusu é preciso ser membro ativo de uma comunidade budista, ser aceito por um professor zen e fazer um curso de preceitos. Quando todas as estapas forem completadas o aluno pode se inscrever em uma cerimônia de preceitos e nela receberá seu nome e seu rakusu.

Gatta do Kasa ou Versos do Rakusu

Vasto é o campo de benefícios.
Sem forma e com todos os méritos
Visto-me dos ensinamentos do Tathagata
Para Salvar todos os seres.

05 setembro, 2008

Dois em Um.















Dois livros que trabalham com algumas das Máximas de Atisha. Allan Wallece faz mais divagações passando pela ciência, psiquiatria e física. Pema Chödrön em Comece Onde Você Está é mais clara. Dos dois fique com um: Comece Onde Você Está.




Máximas de Atisha para o Treinamento da Mente Compassiva:


Mantenha sempre uma mente alegre.
Se puder praticar, mesmo distraído, vc. estará bem treinado.
Mude sua atitude, mas permaneça natural.
Não pense na falha dos outros.
Trabalhe primeiro com as maiores imperfeições.
Abandone qualquer expectativa de resultado.
Renuncie aos alimentos venenosos.
Não seja tão previsível.
Não fale mal dos outros.
Não se ponha de emboscada.
Não leve as coisas a um ponto doloroso.
Não tranfira a carga do boi para a vaca.
Não tente ser o mais rápido.
Não aja ardilosamente.
Não transforme deuses em demônios.
Não procure fazer da dor alheia as pernas da sua própria felicidade.
Treine-se imparcialmente em todas as áreas. É cruel fazer isso sempre, de
modo abrangente e sem reservas.
Sempre medite sobre tudo que provoca ressentimento.
Não dependa de circunstâncias externas.
Não interprete incorrectamente.
Não vacile.
Pratique com determinação.
Não chafurde na auto comiseração.
Não seja invejoso.
Não seja frívolo.
Não espere aplauso.
Quando o mundo está cheio de maldades, transforme todas as
adversidades no caminho de bodhi.
Seja grato a todos.
Incorpore à meditação tudo que vc. encontrar inesperadamente.

Pema Chödrön [Comece Onde Você Está, Sextante,2003]

Twitter

O Twitter do Gueshe Kelsang tem tiras muito boas e também pode ser assinado no Google Reader.


"Every action we perform leaves an imprint on our very subtle mind, and each imprint eventually gives rise to its own effect. 02:13 AM June 12, 2008 from twhirl "

30 agosto, 2008

Metta e Tonglen duas práticas de Compaixão.

A tradição Zen não tem uma prática formal de Compaixão. Basicamente seguir os Preceitos já seria suficiente. Mesmo assim muitas pessoas perguntam como podem praticar Compaixão.

Depois de me iniciar nas prostrações comecei a meditar no estilo Zazen.
Ao final da meditação recitava o Sutra do Coração
e o Sutra de Metta.

O Sutra de Metta pode ser cantado.O Canto de Metta
em pali é muito bonito.

Ouçam acompanhando a letra


Metta
é uma palavra em Pali que significa bondade amorosa.
Metta
é compartilhar esse amor-bondade com todos os seres.
Metta é compaixão.


O Tonglen é muito semelhante ao Metta. Pema Chödrön explica melhor o que é a prática do Tonglen.

O Canto de Metta é da tradição budista Theravada e o Tonglen (dar e receber) é uma prática do Budismo Tibetano. Tanto o Tonglen quanto Metta são práticas de compaixão. Os objetivos são os mesmos. Enquanto Metta direciona Amor Bondade/Compaixão começando por si, para pessoas próximas conhecidas ou não e por fim para todos os seres. Tonglen usa em parte o mesmo método. Consiste em absorver o sofrimento e devolvê-lo em forma de amor bondade. O Tonglen exige nesse aspecto mais cuidado e se possível orientação de um professor. Se feito incorretamente pode tornar-se prejudicial. Se vc. apenas absorver o sofrimento alheio e não passar pelo filtro da compaixão devolvendo-o em amor bondade poderá ter problemas. Se ele for guardado vai gerar tristeza e sofrimento ao praticante.
É importante trabalhar o aspecto da dor porque é esse aspecto que nos afasta do caminho da compaixão.
Não vejo problemas com a prática de Metta, mas o Tonglen como de sorte a maioria das práticas do Budismo Tibetano recomendo fortemente que se procura um centro tibetano e a orientação de professores treinados nessa prática. As práticas tibetanas podem se constituir em grande problema se mal executadas, se executadas em intensidade inadequada e sobretudo sem conhecimento dos efeitos colaterais. Remédios sejam eles sintéticos ou espirituais não devem ser tomados sem prescrição de alguém treinado para tal função. Pessoas que se encontrem em tratamento psiquiátrico ou tenham síndrome de pânico não devem se iniciar por conta própria à práticas budistas. Muitas dessas práticas podem intensificar o problema que está estável ou sob controle trazendo reações inesperadas. Procure sempre a orientação de alguém.
Qualquer um que se inicie em alguma prática por si só não deve se super estimar. Comece com práticas mais simples.