20 novembro, 2007

Sanga não é um clube.

Fiquei pouco tempo em um grupo (sanga). Tive uma experiência que me fez temer a associação em grupos. De certa forma perdi a fé no sanga ou pelo menos naquele sanga. Me sentia como no provérbio:"Gato escaldado tem medo de água fria."

Toda a situação foi gerada por alguém do grupo que tinha um grande desejo pelas coisas do grupo: liderança, vaidade, fazer as coisas, progredir, construir mosteiros.
São desejos bons quando bem direcionados. Mas buscá-los as custas do sofrimento de alguns não me parece justo. Ainda hoje me pergunto se valeu à pena. Me consolo com um sim, pois é preciso zerar o passado e seguir em frente com a experiência do passado e a maturidade sem ilusões do presente.

Faço votos que todos honrem o que o desejo lhes deu. Mas que ainda demanda de mais sinceridade e prática. Não aquela sinceridade que é feita só de aparência. Feita para mostrar aos visitantes. "Olha como somos bons nisso!" E quando os visitantes dão as costas voltá-se ao que não é mostrado. Por que vamos mostrar o que realmente somos, nossos defeitos e dificuldades? Não queremos passar vergonha. Antes a humildade à vaidade. Sempre a humildade. Por uma roupa suntuosa e fazer voz de trovão para impor respeito e medo não é honesto. O respeito que vem sem pedir é mais precioso do que vem do adestramento.

O sanga não é um clube. Um lugar para ficar gravitando em torno como um doente zen que não consegue mais viver sem o sanga. A vida deve correr paralela, mas quem faz do sanga sua residência melhor tornar-se monge ou monja. Um sanga saudável precisa ser cultivado para que ele não traga surpresas desastrosas aos seus componentes.
Podemos encontrar num sanga nossos inimigos carmicos e se lutarmos com eles podemos ferir e nos ferir. Um aluno imaturo não saberá usar a espada que corta as ilusões e certamente fará marcas profundas. É uma grande sorte sair-se ileso de um sanga pois ele pode ser uma panela de pressão sempre a espreita para explodir. Todavia perceverar no sanga apesar de todos os problemas, ajuda a mantê-la forte e saudável.

É bom praticar na vasta sanga do Buda que não tem lugar nem espaço. É assim, como tudo que existe. Está aqui na nossa frente.
Pensar que o sanga irá beneficiar muitas pessoas não passa de doce ilusão e um tanto de vaidade pessoal. O sanga se faz quando as pessoas estão prontas para ele. As condições se movem para gerar um grupo e os meios aparecem. Juntar algumas pessoas com o mesmo carma na mesma cidade deve ser algo incomum.

15 novembro, 2007

Quem cuida de você é você mesmo

"Vamos pôr uns pingos nos is. Quem cuida de você é você mesmo. Não, não é ninguém mais. Não, não é responsabilidade dos outros, não é dever alheio, não é nem mesmo uma obrigação moral de quem quer que seja. Quem cuida de você é você mesmo. E o outros cuidam de si. Podem, eventualmente, também cuidarem de você, mas este é um ato discricionário, livre, desvinculado e não obrigatório. Portanto, não espere que os outros cuidem de você. Quem cuida de você é você mesmo. Quem coloca você em primeiro lugar é você. Sim, você pode ser altruísta e legal e querido e mimoso e despreendido e fofo e tudo e tals e colocar o outro em primeiro lugar. Tudo bem, é lindo, mas não ache que se você faz isso tem o direito de exigir o mesmo tratamento. Não tem. Não tem não. Quem cuida de você é você mesmo. Como corolário lógico desta premissa, quem cuida do outro é ele mesmo. Portanto, se o outro está cuidando dele mesmo, ele não está sendo egoísta, filho da puta, mesquinho, bobo, mau, chato e feio. Não. Nananinanão. Ele está sendo humano e fazendo o que deveria fazer. Nada de fazer chantagem como o outro. “Eu fiz tanto por você e agora você...” Não. Nada disso. Fez porque quis. Fez porque achava bom. Fez porque lhe fazia bem fazer. Se fez para obter algo em troca, se fez esperando retribuição, bah, meu amigo, lascou-se. Altruísmo por definição é fazer o bem, não ver a quem e não encarar isso como um fundo de ações. Aprenda que quem cuida de você é você. Aprenda a cuidar de você. Aprenda a resguardar-se, a dizer as coisas claramente, a dizer NÃO, não quero, não tenho vontade, não vai rolar. Sinceridade. Diga isso sem culpa, ou dor, ou remorso, ou peso. Diga isso sabendo que está cuidando de você e que não está fazendo nada além da sua obrigação. Sim, concordo que o que faz o mundo melhor e mais palatável são as coisas que a gente faz pelos outros e as coisas que os outros fazem por nós, assim, de livre e espontâneo amor. Certo. Mas isso é o brinde, isso é o plus a mais, isso é o bônus, o fru-fru, o chantilly, o diferencial, o point, o balangandã, o tchans. O normal e esperado é outra coisa. Repita comigo: quem cuida de você é você mesmo. Isso. De novo. Mais uma vez. Boniiiiito."
por

11 novembro, 2007

"I encourage you. Please enjoy this wonderful life together. Appreciate the world just this! There is nothing extra. Genuinely appreciate your life as the most precious treasure and take good care of it."

"I want you to appreciate your own life, too. Every moment, right now, is nothing other than us, our practice, our life, our realization, our manifestation! Refresh it each moment! Having such a practice not only benefits you and gives you joy, it also inspires others."


Hakuyū Taizan Maezumi Roshi

02 novembro, 2007

Minha primeira vez na Basílica de Aparecida-SP por conta de um Trekking que fiz durante 17 dias à pé pelo interior do Oeste de SP passando pelo Sul de Minas e chegando ao Leste de SP. Ao todo 429 Km de muito poeira, sol acima dos 34 graus, chuva fria, dores musculares, bolhas nos pés e calos. Quase todo ele feito sozinha. Muita persistência e fé no objetivo final. Agradeço a generosida e acolhimento de todos que encontrei pelo caminho. Gente simples, gente que vive distante do mundo agitado, na paz e sossego do seu sítio, isolado no alto da serra ou na beira da cachoeira, próximo às plantações de café, cana-de-açúcar, milho, legumes, laranjas e banana. Agradeço aos peregrinos que compartilharam alguns dias comigo. E todos que fazem esse caminho valer a pena.