31 janeiro, 2004

«Karma é uma daquelas palavras que não traduzimos. O
seu significado básico é bastante simples - ação - mas
devido à importância que os ensinamentos do Buda
atribuem ao papel da ação, a palavra karma em
Sânscrito contém tantas implicações que a palavra ação
em Português não consegue abarcar todo o seu conteúdo.
É por essa razão que simplesmente absorvemos a palavra
original como parte do nosso vocabulário.
Porém quando tentamos identificar todas as conotações
que a palavra contém, agora que ela se incorporou à
linguagem do dia a dia, nos damos conta que o seu
verdadeiro significado não está claro. Aos olhos da
maioria da pessoas, karma funciona como destino - má
sorte, uma força inexplicável e imutável que surge do
nosso passado, pela qual somos responsáveis, ainda
que vagamente e que não temos forças para resistir.
"Creio que deve ser o meu karma," ouvi pessoas dizerem
quando atingidas pela má sorte com tal intensidade que
não viram outra alternativa senão aceitar com
resignação. O fatalismo implícito nessa afirmação é
uma das razões porque tantos de nós rejeitamos o
conceito de karma, pois soa tal como o tipo de mito
insensível que pode justificar praticamente qualquer
tipo de sofrimento ou injustiça na sociedade: "Se ele
é pobre, é devido ao seu karma." "Se ela foi
estuprada, é por causa do seu karma." A partir daí é
só um pequeno passo para dizer que ele ou ela merecem
sofrer e dessa forma não merecem a nossa ajuda.»

Thanissaro Bhikkhu Texto Completo aqui

28 janeiro, 2004

25 janeiro, 2004

lição sem perfume
by Jeane

abrir buracos na parede
cavar tuneis
secar a chuva
perfumar o banheiro escatológico

espremer limão
sem limo

bater em todas as portas vizinhas
pedindo
unhas novas

apagar as cinzas de incenso
dostribuí-las ao vento em dez direções

vestir bermunça
abrir a bocarra pra engolir
urubus de plantão

assim assim
feito
cansei
emagraci

ainda sssim
continua pesado
onde onde
gordura não entra


24 janeiro, 2004

Neste preciso tempo, neste preciso lugar

No princípio era o Verbo
(e os açucares e os aminoácidos)
Depois foi o que se sabe.
Agora estou debruçado
da varanda de um 3ro andar
e todo o Passado
vem exactamente desaguar
neste preciso tempo, neste preciso lugar,
no meu preciso modo e no meu preciso estado!

Todavia em vez de metafísica
ou de biologia
dá-me para a mais enespecífica
forma de melancolia:
poesia nem por isso lírica
nem por isso provavelmente poesia,
Pois que faria eu com tanto Passado
senão passar-lhe ao lado,
deitando-lhe o enviazado
olhar da ironia?

Por onde vens, Passado,
pelo vivido ou pelo sonhado?
Que parte de ti me pertence?
Lá em baixo, na rua, passa para sempre
gente indefinidamente presente,
entrando na minha vida
por uma porta de saída
que dá para a memória.
Também eu (isto) não tenho história
senão a de uma ausência
entre indiferença e indiferença.

Manoel Antônio Pina, Poeta português contemporâneo
[in: Folha de SP, Mais! 08/05/03]

18 janeiro, 2004

Nascendo, nascendo... todos os dias...

Hoje começa oficialmente o ano por aqui.

Por quê? porque é costume começar o ano no dia do seu nascimento.
Isso no meu país particular e no seu?

O que vc. faz no seu primeiro dia de vida?

Liga para casa para ser paparicado por todos.

Come seu cereal predileto com frutas e iogurte natural.

Toma banho, troca de roupas.

Sai para passear...

Tudo como um bebê... nascendo, nascendo, todos os dias.

17 janeiro, 2004

...o que, em sua própria vida, é "o menor".

Pensamos de imediato naquelas pessoas que são muito
pobres. No entanto, "o menor" refere-se ao "menor" em
mim, em você. O que é menor para você? A que em sua
vida você tem o menor interesse em servir? Para a
maioria, "menor" são certas pessoas de quem não gostam
ou com quem têm dificuldades: as pessoas consideradas
descartáveis. "Menores" podem ser também as pessoas a
quem tememos, as que nos intimidam. Num nível mais
sutil, podem ser aquelas que sentimos que devemos
instruir, iluminar ou ajudar.

Quanto mais claramente virmos que não há nada que
precise ser feito, mais vemos aquilo que necessita ser
feito. É uma coisa engraçada. Quando partilhamos de
verdade o que temos: tempo, bens e, o mais importante,
nós, nossa vida flui com facilidade.

Há a história de um poço que era alimentado por pequenas nascentes que sempre forneciam seu suprimento de água. Certo dia o poço foi coberto e esquecido até que alguém, anos
depois, o destampou. Porque ninguém nunca mais tinha
ido ali para buscar água, as nascentes tinham deixado
de enchê-lo e o poço estava seco. Acontece a mesma
coisa conosco: podemos nos dar e nos. Abrir cada vez
mais, ou podemos nos conter e segurar, e ficarmos
secos.

Charlote Joko Beck [Nada Especial: Sempre Zen]

12 janeiro, 2004

À medida que nos identificamos cada vez menos com
elementos externos, podemos incluir cada vez mais
coisas em nossa vida. Este é o voto do 'bodhisattva'.
Por conseguinte, na proporção em que nossa prática
amadurece, podemos fazer mais, podemos incluir mais,
podemos servir mais, é isso que constitui realmente a
prática zen. Sentar dessa maneira é o caminho.
Portanto, pratiquemos com tudo que temos. O máximo que
posso ser é a pessoa que sou neste momento; posso
vivenciar isso e trabalhar com isso. É tudo que posso
fazer. O resto é sonho do ego.»

Charlotte JOKO Beck [Sempre Zen -- como introduzir a
prática do Zen em seu dia a dia, pág.s 55-60]



09 janeiro, 2004

A Bondade

abrange aquilo que auxilia os seres sensientes e está em perfeita concordância com o Dharma.
As boas ações são sempre inspiradas pela bondade intrínsica da pura natureza búdica interior.

Hsing Yun [Budismo: Significados Profundos]