31 agosto, 2003

Palestras de Mestra Heila e Rodney agora em livro



Ricardo Sasaki transcreveu e traduziu palestras da Mestra Heila e do Rodney (seu marido e abade) dentre suas últimas visitas à BH, reunindo-as em um livro.


Simplesmente Faça!
Ensinamentos do Zen Coreano

Autores: Mestra Zen Heila Poep Sa Nim & Rodney Downey

Tradução e edição: Ricardo Sasaki
65 p. 13,5 x 21 cm
Edições Nalanda, 1999
Valor: R$ 12,00 + desp. de correio


"Se este momento é claro, então o resultado que vem deste momento também será claro. Se não é claro, então o resultado não será claro. Você pode verificar isto por você mesmo, eu garanto que é assim. Se nós temos uma dor de cabeça, tomamos um comprimido porque temos essa idéia de que o comprimido vai resolver a dor de cabeça. Mas, na verdade, o que deveríamos estar fazendo é perguntar: "Por que tenho esta dor de cabeça? O que devo fazer para não ter esta dor de cabeça de novo?" Mas este tipo de questionamento é um pouco difícil. É muito mais fácil abrir o frasco de comprimidos e negar a origem do sofrimento. É como ir para o confessionário: "Eu fiz isto, eu fiz aquilo, por favor, me abençoe e me perdoe!". Eu dou para você e você me faz sentir bem. Mas ninguém pode fazer isto por você. Cada um deve aceitar a responsabilidade por sua vida!"

Pedidos

25 agosto, 2003

Meditar significa observar

Observe as mudanças que têm lugar na sua mente sob a luz da consciência.
Mesmo sua respiração mudou e tornou-se "não-duas"
(eu não quero dizer "uma") com seu eu observante.
Isso também é verdade em relação a seus pensamentos e sentimentos, os quais, junto com os efeitos deles, de repente se transformam.
Quando você não tenta julgá-los ou suprimi-los, eles se entrelaçam com a mente observante.

De tempos em tempos você pode ficar inquieto e
constatar que a inquietude não vai embora.
Nesses momentos. apenas sente-se em silêncio, acompanhe sua respiração, dê um meio sorriso e faça sua consciência brilhar sobre a inquietude.

Não a julgue nem tente destruí-la, porque essa inquietude é você.
Ela nasce, tem um período de existência e desaparece, naturalmente.
Não se apresse demais em descobrir a origem dela.
Não se esforce demais para fazê-la desaparecer. Simplesmente ilumine-a.
Você verá que pouco a pouco ela se modificará, incorporando-se e ligando-se a você, o observador.
Qualquer estado psicológico que você submeter
a essa iluminação acabará por se suavizar e
adquirir a mesma natureza da mente observante.

Durante toda a meditação, mantenha o sol da sua consciência brilhando.
Como o sol físico, que ilumina cada folha de árvore, de arbusto e de grama, nossa consciência ilumina cada pensamento e sentimento nosso, permitindo que os reconheçamos, que fiquemos conscientes de seu surgimento, duração e dissolução, sem julgá-los ou avaliá-los, sem recebê-los com alegria ou bani-los. É importante que você não considere a consciência uma "aliada", chamada para suprimir os "inimigos" que são seus pensamentos indisciplinados.
Não transforme sua mente num campo de batalha.
Não lute nela uma guerra, pois todos os seus sentimentos:alegria, tristeza, raiva, ódio - são parte de você.
A consciência é como uma irmã ou irmão mais velho,
suave e atenciosa, que está presente para guiar e iluminar.
Ela é uma presença lúcida e tolerante, jamais violenta e
preconceituosa.
Está presente para reconhecer e identificar pensamentos e sentimentos,
não para julgá-los como bons ou maus, ou colocá-los em campos opostos a fim de que lutem uns com os outros. A oposição entre o bem e o mal é com freqüência comparada à luz e as trevas,
mas se encararmos as coisas a partir de uma outra perspectiva, veremos que quando a luz brilha a escuridão não desaparece.
Ela não vai embora; ela se funde com a luz; torna-se a luz.

Há pouco tempo pedi a meu convidado que sorrisse.
Meditar não significa lutar com um problema.
Meditar significa observar. Seu sorriso é uma prova disso.
Ele prova que você está sendo gentil consigo mesmo,
que o sol da consciência está brilhando em você,
que você tem o controle da sua situação.
Você é você mesmo e você alcançou alguma paz.
E esta paz que faz com que as crianças adorem ficar perto de você.

Thich Nhat Hanh [O Sol meu Coração - da atenção à contemplação intuitiva]

17 agosto, 2003

Como sobreviver à tempestade

Existem vários métodos simples para cuidar das emoções intensas.
Um deles é a respiração abdominal.
Quando forem tomados por uma forte emoção,
como o medo ou a raiva, levem a atenção para o abdômen.
Permanecer neste nível de intelecto é perigoso,
porque as emoções intensas são como uma tempestade,
e ficar no meio de uma tormenta é muito arriscado.

No entanto, é isso que quase todos nós fazemos quando remoemos os problemas e sofrimentos na mente, deixando que os sentimentos nos esmaguem.

Em vez disso, temos que nos estabilizar levando a atenção para baixo [para o abdômen].

Focalizem a região do [baixo] ventre e pratiquem a respiração consciente, dedicando integralmente sua atenção ao subir e descer do abdômen.

Podemos fazer está respiração sentados, deitados
ou [caminhando].

Quando olhamos para uma árvore durante uma tempestade, vemos que o topo da árvore é extremamente instável e vulnerável.
O vento pode quebrar a qualquer momento
os galhos mais altos.
Mas quando examinamos o tronco, nossa
impressão é diferente.

Percebemos que a árvore é bem sólida e imóvel, e sabemos que ela conseguirá resistir à tempestade.

Nós somos como a árvore.
Nossa cabeça é como o topo da árvore e, por isso, durante a tempestade de uma forte emoção,
temos que levar a atenção para o nível do
umbigo e começar a praticar a respiração consciente, concentrando-nos exclusivamente na respiração
e no subir e descer do abdômen.

Trata-se de uma prática muito importante, porque ela nos ajuda a ver que, embora uma emoção possa
ser muito intensa, ela fica conosco durante algum tempo e depois vai embora.

As emoções não duram para sempre.
Tenha certeza: se você se exercitar nessa prática nos momentos difíceis,você sobreviverá à tempestade.

Thich Nhat Hanh [ Aprendendo a Lidar com a Raiva, 120-1,Sextante]

11 agosto, 2003

Sintonia

Mestra Heila contou que esteve liderando um workshop na prisão sobre a morte e o morrer.

Contei a ela que estive lendo alguns livros sobre o tema.

A Roda da Vida, Elisabeth Kübler-Ross
A Última Grande Lição, Mitch Albom
Lições sobre Amar e Viver, Morrie Schwartz

Estávamos em sintonia, pelo menos nesse tema.

10 agosto, 2003

Apenas uma palavra basta

A última vez que conversei com meu pai ele me perguntou:

-O que vc. realmente quer fazer?

-Seguir o Caminho do Buda!
-Ah!

Depois disso não discutimos mais sobre budismo.
Parece que ao ouvir a palavra Buda, uma lâmpada se acendeu: Ah!

Às vezes, algumas pessoas se iluminam apenas ouvindo uma palavra.

-Ah...!

09 agosto, 2003

Chame-me pelo meus nomes verdadeiros,
por favor, para que eu desperte,
e para que a porta do meu coração possa
ficar aberta, a porta da compaixão.

Thich Nhat Hanh [Paz a Cada Passo]

08 agosto, 2003

Perdão

O amor perfeito significa amar aquele por meio de quem tornamo-nos infelizes.

Soeren Kierkengaard

Quem é a pessoa que você não consegue perdoar?

Cada um de nós tem uma lista que pode incluir nós mesmos ( em geral, os mais difíceis de perdoar) e também acontecimentos, instituições e grupos.

Não é natural que nos devamos sentir assim por causa de uma pessoa ou um acontecimento que nos feriu- de maneira talvez grave e irreparável?

Do ponto de vista comum, a resposta é sim. Do ponto de vista do zen, a resposta é não. Precisamos formular o seguinte voto: irei perdoar, mesmo que custe praticar a vida inteira. Por que uma declaração tão forte?

A qualidade de toda a nossa vida está em jogo.
Deixar de perceber a importância do perdão é sempre parte de um relacionamento falho e um fator em nossa ansiedade, em nossas depressões,
em nossos males, em todos os nossos problemas.

Nossa incapacidade de conhecer o contentamento é um reflexo direto de nossa incapacidade de perdoar.

Então por que apenas não o fazemos? Se fosse fácil, seríamos todos budas realizados. Mas não é fácil. Não tem proveito nenhum dizer:

-Devo perdoar. Eu devo. Eu devo. Eu devo...

Esses pensamentos desesperados ajudam muito pouco. Análises e esforços intelectuais podem produzir um certo abrandamento da
rigidez do não-perdão. Mas o perdão genuíno, completo, está em outro plano.

O não perdão está alicerçado em nossos pensamentos habituais centrados em nossa própria pessoa.
Quando acreditamos neles, são como uma gota de veneno em nosso copo de água.
A primeira e monumental tarefa consiste em rotular e observar esses pensamentos até que o veneno possa evaporar.

Então o trabalho maior pode ser efetuado. O vivenciar ativo,como sensação física corporal, do resíduo da raíva no corpo,sem nenhum apego aos pensamentos autocentrados. A transformação em perdão, que está intimamente relacionado com a compaixão,
pode ocorrer porque o mundo dualista da pequena mente e seus pensamentos foi abandonado pelo vivenciar não-dual, não-pessoal, que é a única maneira de sairmos de nosso buraco infernal do não-perdão.

Só a nítida constatação da necessidade crítica de uma espécie de prática como essa pode capacitar-nos a realizá-la com força e determinação ao longo de muitos anos. A prática madura sabe que não existe nenhuma outra escolha.

Então, quem é que você não consegue perdoar?

Charlotte Joko Beck [Nada Especial: Vivendo Zen, Saraiva]



06 agosto, 2003

A Mente...

A mente tem necessidade de contínua submissão.
Se a mente depende do homem, o homem deve ter muito claro o que isso representa.
A mente engana o homem e mata o corpo,
a mente conquista os santos, conquista os deuses,
a mente conquista o homem, os animais,
a mente conquista o inferno.

Tudo aquilo que tem forma existe por causa da mente.
Três coisas: a amente, o nosso destino e a nossa vida
dependem estritamente um do outro.
A mente orienta, dirige e determina nossa
sorte aqui e dessa sorte depende nossa vida,
assim num suceder infinito.

A meditação leva à consciência, induz à correção
e ao governo da mente, da raiva,
e da estupidez que a confundem.

O homem que vencer a mente obterá o prajna ( grande sabedoria) que o libertará da vida e da morte.
Para isso é necessário limpar a mente.

Buda, in: [Maha-paranirvana sutra I, 64 ]

04 agosto, 2003

Você não é uma onda

Lá vem uma ondinha, que saltita no oceano longe da praia, na maior alegria. De repente, ela percebe que vai
arrebentar na praia. Neste oceano largo e imenso, ela
agora está sendo levada na direção da praia e será
aniquilada.

-Meu Deus, o que vai acontecer comigo? ? diz a ondinha
com expressão amarga e desesperada.
E logo chega outra onda, saltitante, na maior alegria.
E a Segunda onda fala com a primeira.
- Por que vc. está tão deprimida?
- Vc. não está entendendo ? diz a primeira.
- Vc. vai arrebentar naquela praia e não vai ser mais nada.

- É vc. que não está entendendo- diz a segunda .
- Vc. não é uma onda, vc. faz parte do oceano.

Morrie Schwartz [ Lições sobre Viver e Amar, Sextante,152-3]

03 agosto, 2003

Mulheres que escrevem sobre o Budismos

Gosto das mulheres que escrevem sobre o budismo.
Elas não são tão formais ou convencionais.
Falam de suas experiências.
Geralmente são budistas leigas e isso as faz
mais próximas de nós leigos.

Entre elas destaco: Charlotte Joko Back monja leiga do San Diego Zen Center, USA. Lemos seu livro, "Nada Especial: Vivendo Zen",nos encontros da Sanga.

Outra que tenho lido é Pema Chödrön, monja celibata do Budismo Tibetano
Linhagem do Dalai Lama, do Canadá.
"Os Lugares que nos Assustam" e
"Quando Tudo se Desfaz", são seus livros mais conhecidos.